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Os Neuer’s e Kralj’s da 9.ª Jornada

Todos os adeptos reconhecem a posição de Guarda-Redes como a mais ingrata do desporto. Encontram-se familiarizados com a lenga-lenga do costume: se um avançado falhar vários golos cantados, mas marcar um, mesmo que não seja o golo da vitória, a bola no fundo das redes é rapidamente elogiada ao passo que os falhanços caem no esquecimento; se um guardião passar os noventa minutos da partida a defender “tudo e mais alguma coisa”, mas sofrer um único golo onde falha de alguma maneira, mesmo que com culpas partilhadas, leva com críticas avassaladoras em cima e o resto da equipa é ignorado.

O exemplo perfeito para explicar o parágrafo introdutório desta série de artigos.
O Benfica – Casa Pia é o tipo de jogo que funcionou como trigger para iniciar estes artigos de análise semanal das balizas do campeonato português. Nunca escondi que uma das premissas pessoais é a de proteger os guardiões de análises injustas e exageradas dos adeptos que tanto usam esta posição como um bode expiatório para os resultados negativos da sua equipa. Obviamente, tentando não cair na armadilha de proteger os mesmos em demasia, menosprezando ou relativizando os erros que cometem, o que admito potenciais falhas ao longo da época. Perdoem-me por esses momentos que espero serem apenas ocasionais. Dito isto, pegando em alguns comentários do post respetivo do jogo, “coitado do Trubin”. Depois de um início de época no clube da Luz algo nervoso e incerto, começou a arrecadar boas exibições e a demonstrar o talento que claramente possui. Nesta jornada, voltou a ser uma peça importante durante a maioria do encontro: defende um penalty aos 53’, tem uma excelente antecipação aos 59’ e, apesar de um resto de jogo, no geral, algo tranquilo, mostrou-se sempre presente e seguro… até ao lance infeliz dos 80’ que origina o golo do empate, onde o guardião sabe melhor que ninguém que tem a responsabilidade total. Pessoalmente, não considero este tipo de golos como “frango” – este termo uso mais para lances evidentes de uma falha técnica horrenda e incomum… o golo visitante não é algo nunca antes visto, bem pelo contrário. Mas é um golo que rouba dois pontos ao candidato ao título e, por isso, é natural que surja o “apontar do dedo” ao guarda-redes. No entanto, como de costume, facilmente os adeptos se esquecem dos inúmeros falhanços na frente. Ricardo Batista, apesar da maioria das suas intervenções serem defesas à figura – continuo perplexo com a capacidade do Casa Pia em ser uma das melhores defesas da liga com um guardião tão débil – impediu vários golos do adversário e, quando não estava presente, apareciam os ferros da baliza ou a falta de pontaria dos jogadores benfiquistas para impedir o segundo golo. Clássico jogo de um erro individual do guardião se sobrepor à ineficácia ofensiva. Qual componente de jogo será mais discutida? Todos sabemos a resposta.

Desastre em Barcelos…

Mais seis golos num jogo do Braga, desta vez em casa do Gil Vicente. Ao contrário do que tem sido a tendência desta época, Matheus não teve um impacto negativo no resultado, pouco podendo fazer nos golos sofridos, sendo a baliza caseira o verdadeiro problema. Sempre acreditei que, mais tarde ou mais cedo, Andrew não se iria escapar a ser um destaque negativo num destes artigos para além das menções finais, tal a influência direta que tem tido em muitos dos golos sofridos esta época. Ironicamente, eis que uma das piores exibições de um guarda-redes da liga esta época pertence ao seu suplente, Vinícius Dias. Com Andrew na seleção, Dias ocupou a baliza no embate contra o Braga, vendo a sua equipa alcançar uma vantagem de dois golos já na segunda parte, contra um visitante reduzido a dez jogadores. No espaço de dez minutos, Dias oferece de forma inacreditável três golos que só não terminam em derrota caseira porque os seus colegas conseguiram ir buscar o golo do empate pouco antes dos descontos. É verdade que as condições de jogo encontravam-se lastimáveis… O relvado ensopado devido à chuva incessante não só prejudica a leitura da trajetória da bola, mas também afeta a visibilidade e conforto dos guardiões em se movimentarem. Mesmo assim, se o golo dos 70’ ainda se tolera, os restantes aos 77’ e 81’ são de deixar qualquer adepto da casa a ferver… e com razão. Abordagens terríveis em todos os lances, sendo que no segundo, a falta de qualquer reação é genuinamente chocante.

Se calhar, o problema era mesmo da equipa…
No artigo referente à segunda jornada, abordo o início de época do Portimonense com duas goleadas, 9 golos sofridos. Seria Vinícius Costa o culpado-mor ou a incapacidade defensiva da equipa? Várias jornadas depois, o clube encontra-se confortavelmente a meio da tabela, sendo a última vitória contra o Estoril por 1-0 em muito devida à prestação do guardião. Inúmeras defesas de alto nível – principalmente aos 2’ e 68’ – assegurando os três pontos tão importantes para a sua equipa. Este tipo de evolução leva-me sempre a questionar o porquê de tanta intolerância perante os primeiros jogos de cada época, como se os guarda-redes também não precisassem de ritmo ou consistência para atingir o seu melhor nível. Se o Vinícius do Gil Vicente leva o rótulo de “pior exibição da jornada”, o Vinícius do Portimonense leva o prémio oposto.

Defesas Neuer da Jornada:
– Arruabarrena (Arouca): excelentes reflexos e principalmente posicionamento a um cabeceamento ao primeiro poste aos 38’.
– Vinícius Costa (Portimonense): fantástica estirada aos 68’.
– Buntic (Vizela): muitos dirão “sortudo, foi à figura”, mas a verdade é que muitos guarda-redes tinham-se desviado. Manteve-se firme, não se deixou cair nem escolheu um lado aleatório, defendendo um “golo cantado” à queima-roupa aos 40’.
Falhas Kralj da Jornada:
– Vinícius Dias (Gil Vicente): seja o golo aos 70′, 77′ ou 81′, o guardião brasileiro falha horrivelmente a intervenção nos três lances quando a equipa se encontrava a vencer por 2-0 contra dez jogadores. Uma das piores exibições internas da época.
– Hugo Souza (Chaves): deixa-se cair incompreensivelmente aos 45′ e perde completamente a noção da bola aos 90′, contribuindo para a goleada sofrida em casa do Vitória.
– Trubin (Benfica): golo do empate adversário aos 80’ é perfeitamente evitável… não necessita de uma postura tão aberta num ângulo tão curto, mas não deixa de ser um lance algo infeliz.

Visão do Leitor: AdeptoImparcial 

2 Comentários

  • fdmendes22
    Posted Novembro 1, 2023 at 1:35 pm

    São este tipo de artigos que fizeram do VM o blog de eleição para consultar as notícias comparativamente aos típicos jornais nacionais. Pena que tenham começado a deixar-se levar pelo fanatismo que se vê nas caixas de comentários no momento de escrever as notícias.
    Quanto a ti AdeptoImparcial dou-te os parabéns por esta iniciativa, aguardo pelo fim de cada jornada para ver a tua análise aos GR da nossa liga.
    Um bem haja e continua o ótimo trabalho.
    SL

    • AdeptoImparcial
      Posted Novembro 3, 2023 at 5:14 pm

      fdmendes22,

      Obrigado pelo comentário! Acima de tudo, fico feliz que a comunidade do VM esteja a acompanhar esta rubrica e que, de alguma forma, ajude a discussões mais saudáveis e completas :)

      SL

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