Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

Pogačar é o 2.º mais jovem de sempre a conquistar o Tour

A primeira Grande Volta de quantas? Já se sabia que era um fenómeno (fez 3.º na Vuelta, naquela que foi a sua primeira grande Volta, conquistou o Tour de l’Avenir, a Volta ao Algarve ou Volta à Califórnia) mas vencer este Tour, com 21 anos, na estreia, sem equipa e frente a um Roglic que parecia insuperável (desde cedo se assumiu como o ‘patrão do pelotão’) e que contava com uma super-Jumbo, deixa antever que pode bater muitos recordes. Ainda por cima juntou à amarela, a camisola da montanha e três etapas, entre elas um CR épico, onde tirou a liderança a Primož Roglič, quando já era uma espécie de vencedor final anunciado, até pela superioridade que estava a demonstrar (desde a 1.ª etapa em alto que parecia ter a vitória no bolso). Veremos a resposta da Jumbo, de Bernal ou de Evenepoel no próximo Ano, e como a UAE o vai proteger, sendo certo que esta nova geração de craques parece ter mais perfil de ciclista à antiga e ganhar ‘individualmente’. Quem não deve incomodar é Pinot, que voltou a desiludir, tal como a FDJ, que arrependeu-se de não trazer Demare, que está num grande momento. Também Quintana esteve aquém, sendo certo que teve a desculpa das quedas. Já Porte conseguiu finalmente um pódio. Boa prova também para Enric Mas, e para Deceunink-Quick Step, que ganhou a verde que costuma ser de Sagan (época para esquecer até ao momento) com Bennett. Quem não escapa ao rótulo de equipa desilusão é a INEOS, que não colocou ciclistas no Top 10, nunca demonstrou a força do passado (Egan Bernal esteve muito mal acompanhado) e, apesar da vitória numa etapa, nem conseguiu ganhar a montanha por Carapaz. Já NTT e Israel pouco se viram, enquanto a CCC tinha a obrigação de fazer mais com Trentin, Zakarin e van Avermaet. 

Tadej Pogačar sagrou-se campeão do Tour. O esloveno, da UAE, arrecada a prova mais desejada no ciclismo com apenas 21 anos, passando a ser o 2.º mais novo a consegui-lo, depois de Henri Cornet (1904). Pogačar, que também é o primeiro estreante desde Laurent Fignon (1983) a vencer a prova, relegou Primoz Roglic, que dominou praticamente toda a Volta a França, para o 2.º lugar, e Richie Porte, que conseguiu o primeiro pódio na carreira, para o 3.º. Mikel Landa, Enric Mas, Miguel Ángel López, Tom Dumoulin, Rigoberto Urán, Adam Yates e Damiano Caruso completaram o Top 10. Na última etapa levou a melhor Sam Bennett, que confirmou assim a conquista da camisola verde.

Imagem

VM-Desporto
Author: VM-Desporto

9 Comentários

  • Pulga
    Posted Setembro 20, 2020 at 7:45 pm

    Muito feliz pelo Porte, com tantos anos de azares finalmente tem a sua recompensa.

    Cada vez mais parece que estamos a viver o inicio de uma geração de ouro que pode durar muitos anos. Uma das grandes carateristicas dos atletas que ficam para a história é a existencia de um rival. Froome podia facilmente entrar num leque de melhores de sempre mas vai acabar por ser lembrado como uma estatistica, aquele que ganhou 4 Tours. O seu grande rival, Quintana – um Flop.

    Nos sprints e clássicas, Wout Van Aert e Van de Poel prometem dividir entre si as conquistas dos próximos anos. Estão num nivel completamente à parte, sendo que o Holandês diz que tem o sonho de ganhar o Tour, e vimos nos últimos 21 dias aquilo que o Belga é capaz em subidas.

    E depois temos os maiores prodigios deles todos. Aqueles que durante mais de 1 décadas vão lutar por provas por etapas:

    Bernal – Muito forte na montanha, capaz no CR e imbativel em altitude.
    Pogacar – Forte na montanha, forte no CR e imbativel na capacidade de recuperação. Quando a forma dos outros começa a deteriorar ele continua a top.
    Evenepoel – Forte na montanha, imbativel no CR, por provar em altitude.

    E ainda Carlos Rodriguez, 19 anos, da INEOS, que dizem as más linguas do pelotão apresenta números ao nivel de Evenepoel – que já por si dizem ser os melhores de sempre.

    Diga-se que tal como os 2 mais pesados querem lutar pelo Tour, pelo menos 2 destes mais leves querem lutar pelas clássicas. Evenepoel já fez das suas graças em algumas clássicas do norte, e Pogacar vai fazer o Tour de Flandres.

    Por favor, que as lesões e quedas fujam destes prodigios porque, em potencial, avizinha-se a melhor década de ciclismo de sempre.

    • Pulga
      Posted Setembro 20, 2020 at 8:15 pm

      Quanto ao Tour em si, foi fraquito com um CR que vai ficar para a história.

      A estratégia defensiva da Jumbo nunca deixou animar, os corredores na 1º semana não tinham vontade de atacar e nas restantes não tinham pernas.

      Para além do óbvio, o grande destaque acaba por ser o Wout Van Aert que ganha ao sprint, anda no plano e destrói o pelotão em subida. O grande sprint do Ewan, a revelação Hirschi e da Sunweb em si e pouco mais.

  • TheGolden
    Posted Setembro 20, 2020 at 7:45 pm

    Apesar de todo o burburinho pré-Tour, não sabendo em que condições se iria realizar, acabou por ser um ótimo Tour de France. Sendo que a etapa de ontem entra diretamente para o top-10 dos momentos mais marcantes da história do Tour e do próprio Ciclismo em si.

    O negrito faz um excelente resumo daquilo que se passou ao longo destas 3 semanas. Pogacar é realmente um fenómeno, e, repetindo-me mais uma vez, estamos perante uma geração que promete, e muito! Com a entrada da década 20, pode-se dizer que o domínio Sky (agora INEOS) tem o seu fim e prevejo um virar de página na modalidade, com muitas caras novas a quererem marcar a sua página na história.

    Aos destaques mencionados, queria só acrescentar o excelente Tour da Sunweb que leva conisgo 3 vitórias de etapas e o prémio de super-combativo da prova, Hirschi (ciclista revelação).

    Seguem-se os mundiais, e não tarda nada temos o Giro. Mais espetáculo garantido.

  • joaoazevedo952
    Posted Setembro 20, 2020 at 9:11 pm

    Pergunta de leigo no assunto… Porquê a ultima etapa (nos campos eliseos) não conta para nada? um minuto seria muita coisa para o Roglic descontar? é uma etapa só para os sprinters?

  • Pedro Barbosa
    Posted Setembro 20, 2020 at 9:53 pm

    Olá joaoazevedo952,

    A tradição no Tour de France é ter na etapa 21 uma espécie de “etapa da consagração” ao vencedor (e aos atletas todos que terminam, no fundo porque merecem), por isso normalmente não existem disputas da classificação final neste dia por acordo dentro do pelotão. Não quer dizer que seja sempre assim: o caso mais famoso foi em 1989, quando a organização decidiu que a última etapa seria um contrarrelógio individual nos Champs-Élysées e deu origem a uma mudança de camisola amarela para o americano Greg LeMond no último dia (e a vantagem mais pequena de sempre entre primeiro e segundo). Noutro exemplo, mais recente em 2005, o Vinokourov estava em 6º a 2 segundos de Leipheimer, atacou nos últimos quilómetros e consegui ganhar a etapa e subir ao 5º lugar.

    No entanto, no que concerne à situação do Roglič hoje, a diferença de 1 minuto seria quase impossível de retirar. Seria ele (e a sua equipa assumo) contra o resto do pelotão (porque a maioria das equipas têm sprinters prontos para tentar vencer esta etapa). Dependeria essencialmente de conseguir quebrar o pelotão, ter a sorte de o Pogačar ficar mal colocado num grupo para trás, e uma combinação de interesses com outras equipas na frente para segurar a diferença. Seria extremamente complicado e também acabaria por parecer quase uma espécie de “mau perder”.

    • joaoazevedo952
      Posted Setembro 21, 2020 at 12:50 pm

      Muito obrigado pela explicação! Era o que imaginava, basicamente um gentleman agreement entre os ciclistas, interessante! Já agora a forma como o Roglic perdeu o contra relogio… o que aconteceu? O Roglic simplesmente quebrou e o Pogocar estava num dia inspiradíssimo ou houve algum problema com o Roglic?

      • Pedro Barbosa
        Posted Setembro 21, 2020 at 7:53 pm

        Oops, acabei por não te responder directamente, ficou o comentário assim um pouco solto.

        Em relação ao contra-relógio de sábado, acho que são várias coisas a analisar:

        – Nas etapas anteriores ao contra-relógio parecia claramente que Roglič era o ciclista que estava mais forte e consistente no pelotão. Tinha aumentado a sua vantagem em 15 segundos na etapa 17 e atacado os rivais directos na etapa 18. A vantagem para o segundo parecia “confortável” à partida (57 segundos se não estou em erro) sendo Roglič um especialista no contra-relógio e portanto era quase o vencedor anunciado.

        – A performance de Pogačar foi superlativa em relação a toda a concorrência, e deve-se como tal deve-se dar grande mérito ao atleta. Pogačar demonstrou ser um contra-relogista muito bom em provas anteriores e perfeitamente capaz de ganhar num bom dia, mas ele precisava de recuperar praticamente um minuto ao Roglič (um ciclista sempre com óptimos resultados na especialidade). Não só recuperou o minuto como ainda ganhou outro em cima, e tudo graças a uma última subida verdadeiramente sensacional – no ponto intermédio anterior registava 1 segundo atrás do tempo do 1º da etapa Dumoulin (ex-campeão do mundo de contra-relógio em 2017, curiosamente o Roglič fez 2º) e em cerca de 7 quilómetros ganhou-lhe 1 minuto. Chegar à subida final com aquela frescura que demonstrou é de uma capacidade fantástica mesmo.

        – O Roglič fez 5º lugar no contra-relógio, ou seja, uma performance sólida da parte dele. No entanto fez sempre o contra-relógio em perda para o Pogačar o que não é nada bom porque escolhida a estratégia e os andamentos é “perigoso” alterar a meio da prova, mesmo que estejas a correr em défice face ao teu adversário. Restava-lhe esperar que o Pogačar não aguentasse o ritmo que vinha até ao fim. A imagem marcante que depois ficou foi a subida quase “penosa” do Roglič, sabendo que precisava de aumentar o seu ritmo (estava nesse momento virtualmente empatado na geral) mas o corpo não lhe respondia; e os colegas de equipa que o esperavam receber como vencedor, mas sabendo que não estava a correr bem.

        • joaoazevedo952
          Posted Setembro 21, 2020 at 9:42 pm

          Ok, muito obrigado pelo contexto, eu até fui rever a contra-relógio para perceber o que tinha acontecido de tão chocante, mas obviamente que o meu conhecimento sobre ciclismo que é nulo não me fez perceber totalmente o que aconteceu, obrigado e já agora sim, até deu pena ver a prova do Roglic, nem imagino o desgaste psicológico de saber que o tour lhe está a fugir e que o corpo não responde

  • porra33
    Posted Setembro 21, 2020 at 12:03 pm

    Hora de fazer um balanço ao Tour:
    Um tour muito morno com a tradicional primeira semana recheada de quedas e depois com muito pouco espetáculo nas montanhas mas com um final épico que não era expectável.
    Pogacar foi claramente o grande agitador do Tour especialmente depois daquela perda inesperada de tempo. Mostrou sempre muita garra mesmo sem ter uma equipa atrás e acabou com um belo prémio completamente merecido. Não escondo o meu contentamento pelo prodígio esloveno do qual fiquei fã após a sua vitória na Volta ao Algarve!

    Quanto a Roglic, morre na praia apesar do excelente trabalho da sua equipa que era claramente a melhor da prova. O esloveno deve lamentar as oportunidades que terá tido para atacar Pogacar mas preferiu apenas controlar o prodígio. A correr assim ainda levará mais uma ou outra grande volta. Ainda na Jumbo, excelentes voltas de Van Aert, e de Dumolin que foi um autêntico corredor de equipa e ainda faz um excelente sétimo lugar.

    Nas desilusões ponho a INEOS que depois do desastre de Bernal andou a passear tirando Carapaz e dará tudo para o Giro com Thomas, a Movistar que apesar da classificação colectiva foi muito fraca, nem Valverde conseguiu uma vitoriazinha para amenizar e Mas ainda não tem andamento para ser líder e a Bora que não conseguiu capitalizar Sagan que esteve muito abaixo do normal. Esperava-se mais também de Landa depois do trabalho da sua equipa..

    Pela positiva a Quickstep que cumpriu os objetivos da verde, com Bennett a ser o homem mais do sprint. A Sunweb leva umas etapas e Hrischi foi o destaque inesperado do Tour. A Arkea teve o azar das quedas de Quintana que até vinha em boa forma. E Porte consegue acabar no top 3 (já o facto de acabar seria positivo tendo em conta o histórico). Astana e Education First também cumpriram com top 10 e etapa.

Deixa um comentário