Corresponde à hierarquia atual? A Bélgica, fruto das boas qualificações, tem sempre excelentes posições no Ranking e depois isso não se traduz num bom desempenho nas fases finais.
Portugal caiu para o 8.º lugar no Ranking FIFA na sequência do mau Euro’2024. Já a Argentina continua a liderar, à frente da França. A Espanha, por sua vez, subiu ao 3.º lugar fruto da vitória no Europeu. Também a Inglaterra (4.ª) ganhou uma posição, enquanto a Colômbia (9.ª), finalista vencida da Copa América, é a novidade no Top 10.


17 Comentários
p0gagn0l0
Portugal tem vindo a Belgificar-se: passou a ser super regular contra equipas mais fracas, largou as calculadoras (mesmo o playoff com FS deveu-se a um grupo super polarizado, e um golo mal anulado na Sérvia), mas também perdeu a capacidade de se superar contra seleções mais fortes.
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Desde os 2010s, em fases finais, não me lembro de Portugal conseguir uma vitória em 90min contra um adversário do mesmo gabarito (Brasil, Argentina, Espanha, França, Alemanha, Itália, Inglaterra), ou sequer chegar a eliminar uma destas seleções. O último torneio onde se bateu com os fortes e saiu vencedor deve ter sido 2006 (claro, excepto um jogo em 2016 contra a França, que é um outlier).
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Há uma evidente subperformance de Portugal em grandes torneios desde há 14 anos. A minha hipótese é que entre 2010 e 2018, a qualidade era mesmo baixa, comparada às seleções referidas. Os jogadores da geração do Bernardo finalmente chegam ao pico por volta do Euro 2020, com mais uns quantos jovens a aparecer, mas o problema era então o facto de termos um dinossauro a treiná-los. O mesmo problema propagou-se até ao último Mundial. Agora temos o Martinez que é um claro upgrade, no entanto tivémos outro dinossauro a forçar-se no 11, que prejudicou a nossa prestação. Portanto, à partida para o Mundial 2026, Portugal pode ter finalmente a matéria prima e um treinador decente, e uma janela que não se abria desde 2006 para a conquista deste troféu: basta Ronaldo entender o seu papel. E, claro está, é sempre preciso sorte, mas com esta qualidade de elenco, estamos menos dependentes da mesma.
Jasomp
É muito isso. Há um mito instalado de que Portugal se agiganta contra seleções de primeira linha. E isso não é verdade. Não ganhamos a uma única seleção de topo em 90 minutos desde a Espanha no Euro 2004. Dá que pensar, não é?
Até a Croácia e a Eslováquia (ganhou à Itália no Mundial 2010) têm melhor registo que nós. A própria Dinamarca, mesmo sendo liga das nações, ganhou 2 vezes seguidas à França.
Pensei que esta falta de estofo se ia inverter com o Martinez. Mas o homem saiu-me um autêntico barrete.
E também é certo que a esta geração falta uma melhor atitude competitiva.
Estão por explicar as razões da falta de superação da seleção em fases finais desde o Euro 2016.
p0gagn0l0
Para mim ainda é cedo para chamar Martinez um barrete, mas fiquei mesmo muito desiludido com a gestão do Ronaldo no Euro… Porém, não sei o que se passa por dentro: quem manda em quem, e até que ponto o Martinez pode dizer não a Ronaldo (infelizmente sou Benfiquista e acho curioso como se viu o mesmo(?) com o Di Maria na última época)…
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Veremos. Acho que o corpo do Ronaldo não chega a 2026 com argumentos que valham justificar a sua titularidade ou mesmo convocatória.
rmatos24
Calma, em breve virá mais uma fase de apuramento de goleadas e lá voltaremos a cimentar a nossa posição no ranking. Lá está, estamos claramente a belgificar-nos, até mesmo na questão de “desperdício” de uma excelente geração. E vamos então pegar no saldo de jogos nas grandes competições deste milénio:
Euro 2000 – Vencemos Inglaterra, Roménia, Alemanha, Turquia. Perdemos com a França
Mundial 2002 – Vencemos a Polónia. Perdemos com EUA e Coreia do Sul
Euro 2004 – Vencemos Rússia, Espanha, Inglaterra (penaltis); Países Baixos. Perdemos 2x com a Grécia
Mundial 2006 – Vencemos Angola, Irão, México, Países Baixos, Inglaterra (penaltis); Perdemos com França e Alemanha no 3/4 lugar
Euro 2008 – Vencemos Turquia e Chéquia. Perdemos com Suíça e Alemanha
Mundial 2010 – Vencemos a Coreia do Norte. Empatamos com C. Marfim e Brasil. Perdemos com a Espanha
Euro 2012 – Vencemos Dinamarca, Países Baixos e Chéquia. Perdemos com Alemanha e Espanha (penaltis)
Mundial 2014 – Vencemos o Gana. Empatamos com EUA. Perdemos com a Alemanha
Euro 2016 – Empates com Áustria, Islândia e Hungria. Vitórias sobre Croácia, Polónia (penaltis), País de Gales e França
Mundial 2018 – Vitória com Marrocos. Empate com Espanha e Irão. Derrota com Uruguai
Euro 2020 – Vitória contra Hungria; Empate com França. Derrota com Alemanha e Bélgica
Mundial 2022 – Vitória com Gana e Uruguai e Suíça. Derrotas com Coreia do Sul e Marrocos.
Euro 2024 – Vitória contra Chéquia, Turquia e Eslovénia (penaltis). Derrota com Geórgia e França (penaltis).
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Algumas conclusões:
* Tirando o Euro 2000 em que a Alemanha nem da primeira fase passou, perdemos todos os embates com os germânicos. Muitos deles, se bem se lembram, de forma convincente;
* Das ditas grandes seleções, só vencemos a França e no prolongamento. Inglaterra vencemos mas nas grandes penalidades, Espanha temos dois empates, sendo que num deles perdemos nas grandes penalidades; Com seleções da segunda linha, até temos tido bons resultados sobretudo na fase de grupos;
* Mundiais fora da europa têm sido por norma complicados para Portugal. O último no Catar terá sido o menos mau e foi o que se viu. Coreia, África do Sul e Brasil foram tragédias. Relembrar que o próximo é na América do Norte…
* Engraçado (ou não), mas no início do milénio (terá sido aí a verdadeira geração de ouro?), tirando o Mundial da Coreia que nem equaciono e o desastre que foi perder em casa com a Grécia, fomos quase sempre eliminados por seleções de elite. Nos últimos anos (a tal geração desperdiçada) tirando a França este europeu, caímos aos pés de Marrocos, Bélgica e Uruguai…
* Muito mais haveria para dizer, mas queria apenas deixar uma conclusão pessoal. Para mim a grande diferença entre as gerações prende-se com a união e espírito de grupo que existia antes e agora parece não existir. As razões para tal acontecer, deixo para cada um refletir.
Jasomp
Não é só espírito de grupo. É muito mais que isso. Acho que falta nervo à seleção, atitude competitiva. Não temos uma seleção com muita capacidade imaginativa nem eles parecem esforçar-se para a ter. Basta ver que basta uma Eslovénia ou Geórgia nesta vida meterem um autocarro que não fazemos mossa alguma.
GabCel
será que a ausencia de “nervo” não é por causa dos jogadores levarem as competições todas a pensar: “afinal o Rafa e o JMario é que tinham razão”
qualquer grupo que tenha um “Titular por decreto”, que condiciona toda a forma da equipa jogar (seja o Ronaldo na selecção ou o Di Maria no Benfica), nunca terá os mesmos níveis de solidariedade e competitividade… o tal “nervo” que referes.
Jasomp
O Rafa e o João Mário foram dois campeões da Europa que viram que nunca seriam titulares na seleção e achavam que já não tinham idade para dar corda aos sapatos para mudar esse facto. Dois acomodados.
Os exemplos dos miúdos que virão para a seleção são os Patrícios, os Danilos Pereiras, os Pepes, etc. Não são o Rafa e o João Mário.
GabCel
sff lê outra vez o que escrevi
rmatos24
Eu partilho um pouco a visão do GabCel. Até porque, até determinada altura aceita-se que assim seja, mas andamos há quase duas décadas nesta subserviência. Creio que cansa e leva a que existam os tais níveis menores de solidariedade e competitividade, porque os anos passam e o sistema não muda.
Joaquim Alberto
Ainda ontem estava a falar disto com um amigo. Porque é que passámos de chegar às decisões (2004 e 2006) e de sair eliminados por um “grande” (2008), para não passarmos 2 eliminatórias nunca mais – tirando 2016, que todos sabemos como foi? E porque é que vamos para qualquer jogo a eliminar, seja contra quem for, sabendo que é bem possível ir de vela, porque fomos com Marrocos e Uruguai, por exemplo?
Penso que há várias razões que justificam alguns sucessos, mas não os podemos rotular sem mais. Acho é que já fomos mais uma equipa do que somos agora. Em 2004, o Rui Costa foi para o banco para jogar o Deco e, mesmo sendo a lenda que era, aceitou e, sempre que entrou, deu o máximo. Em 2006, a maior estrela, o Figo, foi muitas vezes substituído e nunca refilou. E até no Euro 2012 – fomos às meias, mas não havia 8os -, jogaram os melhores, em melhor forma, nas respectivas posições, como antes (tirando o guarda-redes, em 2004, claro).
Rated R
Agradecer ao reinaldo ao martinez… por esta honrosa descida.
GabCel
Mais um record que o Ronaldo não conseguiu bater: a maior descida no top 10…
Hirok "The Truth"
Vale 0 este ranking, mesmo assim está errado, a Espanha deveria estar em 2º.. quando acertarem nos 3 primeiros pelo menos já vai ser um grande feito da FIFA..
Jasomp
Não vale 0. É o que define os potes nos sorteios.
Joaquim Alberto
Interpreto o “vale 0” como “não reflecte a opinião (generalizada) da relação hierárquica entre estas 10 selecções”. E, se é isso, concordo.
Os 3 primeiros até me parecem ok, mas a ausência da Alemanha e a presência da Bélgica e da Colômbia, sobretudo, são, no mínimo, estranhas. Não são incompreensíveis, porque, como diz o VM, uma boa qualificação faz disparar no ranking – muitos jogos a bater em mortos.
Por isso, há 2 alterações que me parecem óbvias: os resultados em fases finais contarem mais e haver uma ponderação de acordo com o ranking do adversário – ganhar a São Marino não pode valer tanto como ganhar à Espanha, por exemplo. Até pode já ser assim e desculpem a estupidez, se for esse o caso, mas, se não for, é completamente incompreensível.
Hirok "The Truth"
Ou seja é indiferente, hoje em dia só a Itália conseguiu o feito de não se qualificar para um Euro/Mundial com os atuais moldes de “quase todas vão”, mesmo tendo 1 tubarão no grupo no mínimo és 2º que dá acesso na mesma..
Jasomp
Também conta nas próprias fases finais, não só apuramento. Temos sido sempre cabeça de series por causa disso.