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Quatro ou Cinco razões para nos apaixonarmos pelo: Nápoles

No início do séc. XX, um grupo de marinheiros ingleses decide fundar um clube que se viria a revelar de uma relação empática tal com a cidade, que hoje é impossível saber onde começa um, e acaba a outra. O S.S.C Napoli está tatuado no coração dos napolitanos, eternamente cúmplices de um clube que sempre lutou contra o rótulo insistentemente colocado pelos italianos do norte. Com o país culturalmente dividido em dois, o Sul de Itália é marcado por antagonismos, de natureza pobre, mas com uma população hospitaleira e alegre. Viram o filme ‘Camorra’? É essa a imagem que muitos tem de Napóles. A imagem que eu também faço. Um meio dominado pela corrupção, que só ajudou a enfatizar o estereótipo. No entanto, apesar desses contras, o clube afigura-se como uma força crescente, tendo já batido esta época Milão e Inter, sendo também o responsável pela descida à terra do Manchester City. A chegada do maior futebolista de todos os tempos a Nápoles, Diego Maradona, em 84, foi a oportunidade e arma de arremesso de um povo que transforma aquela instituição numa das mais genuínas a nível europeu. Juntamente com super-estrela argentina, mais jogadores, a pedido de El Diego, chegaram ao clube para fazer a transição de equipa decente, para formidável. O defesa Ciro Ferrara, os médios Bagni e De Napoli e os avançados Carnevale, Giordano e Careca deixaram a sua marca. Aliás, os avançados que faziam companhia a Maradona revelaram-se tão devastadores para os adversários que aquele trio passou a ser conhecido como Ma-Gi-Ca. Treinados por um homem de confiança de Maradona, Bianchi, o Nápoles conquistou o seu primeiro scudetto em 87, tendo Alberto Bigon conduzido os Partenopei a novo sucesso em 90. Para que se tenha noçao da química que havia entre os locais e a equipa liderada por Maradona, quando a Itália defrontou a Argentina no Mundial 90′, no San Paolo, Maradona pediu aos napolitanos que apoiassem a alvi-celeste. Os napolitanos deram a sua resposta durante o jogo, exibindo uma tarja nas bancadas: “Maradona, Nápoles ama-te, mas a Itália é a nossa pátria”. O efeito pretendido foi conseguido, e a Itália caiu aos pés da Argentina. Após o término da partida, Maradona justificou o pedido: ” Não me agrada o facto de terem pedido aos napolitanos para agora serem italianos e apoiarem a sua equipa nacional. Nápoles foi sempre marginalizada pelo resto da Itália. É uma cidade que sofre com o mais injusto dos racismos”.  Mas nem só de história o Napóles vive. Quando pensamos, hoje, em jogadores especiais, é impossível não fazer uma visita ao San Paolo. Em Edison Cavani revisita-se, a cada fim-de-semana, os melhores dias da outrora reputada Séria A: toque, controlo e finalização letal. Tem também um emblemático cabelo sul-americano, muito ao estilo de Batistuta. Meros mortais não tem um cabelos daqueles. Cavani é um super-homem disfarçado de ponta-de-lança, secundado por dois atletas que só ajudam a cimentar a paixão pelos Azzurri: Ezequiel Lavezzi, atleta com nome biblico, e Marek Hamsik, com um visual que o assemelha a um artista de rua punk. Para nosso agrado, não se fica só pelo visual. Com o advento da fase a eliminar da Liga dos Campeões em Fevereiro próximo, haverá poucos estádios que estejam ao nível daquela competição como o San Paolo está: em primeiro lugar, é gigante. Em segundo, tem um ar selvagem, intimidatório quando está a rebentar pelas costuras. Mesmo que nunca tenham visto o estádio, se fizerem uma pesquisa no Google rápido percebem que não é uma construção do Norte da Europa. É tudo menos rígido. Talvez seja a cobertura pouco eficaz na altura de proteger os adeptos da chuva e do sol, talvez seja pelos tamanhos desproporcionais entre o primeiro e segundo anel, mas o San Paolo inspira confiança à equipa da casa, e terror a quem vem de fora.
O Napóles é um clube enorme. Que não se duvide disso. Não faz parte da elite como o triunvirato composto por Juventus, Milão e Inter, mas não deixa de ser enorme. Representam uma cidade e raramente a deixam ficar mal. É bom que se preservem relíquias como este clube italiano.

A. Borges

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