Grande, grande surpresa. A maior da época até ao momento. O campeão luxemburguês é um excelente ciclista mas está longe de ter o perfil ideal para as Ardenas, inclusive o melhor que tinha conseguido neste monumento foi um 62.º lugar. Já Valverde (muito marcado) hoje ficou sem gás e nem fez top 10, mas o maior flop desta fase das Clássicas acabou por ser Michal Kwiatkowski, que, depois da vitória no Algarve e na Tirreno-Adriático, parecia estar com tudo para dominar e nunca esteve sequer na luta, nem nas Ardenas, nem na Milão-Sanremo ou Volta a Flandres. Nestas provas belgas, Dylan Teuns (20.º) foi outra desilusão. Também se esperava mais de Benoot (23.º), Gilbert (31.º) e de Rui Costa (23.º), que está na pior fase dos últimos anos.
Bob Jungels venceu a 104.ª edição da Liège – Bastogne – Liège, o Monumento mais antigo do ciclismo, ao chegar isolado à meta. O ciclista luxemburguês, da Quick-Step Floors, atacou já nos últimos 20km’s e nunca mais foi apanhado. Michal Woods, já a 37, fez 2.º, à frente de Romain Bardet, Alaphilippe (foi prejudicado por ter um companheiro de equipa na frente), Pozzovivo, Gasparotto, Formolo, Kreuziger, Henao e Fuglsang. Valverde, que esteve no grupo da frente até perto do fim, acabou por tirar o pé e fez apenas 13.º, numa jornada que fica marcada pelo trabalho da equipa de Rui Costa, que esteve quase sempre na frente do pelotão mas depois viu Daniel Martin, que era o ponta-de-lança para esta corrida, furar já perto do fim, o que tirou o irlandês da luta pelo pódio. Recorde-se que a Quick-Step, que já soma 27 vitórias em 2018, também tinha vencido a Volta a Flandres, La Flèche Wallonne, Scheldeprijs, Record Bank E3 Harelbeke, Dwars door Vlaanderen, Handzame Classic, Danilith Nokere Koerse e Le Samyn.


5 Comentários
LanceArmstrong
Os principais objetivos da Quickstep são as clássicas e apostam tudo nas mesmas. Têm um plantel que lhe permite ter, no mínimo, 4/5 ciclistas que podem vencer quer no empedrado quer nas acidentadas. Geralmente ganham com wildcards, nem é com os favoritos, já que a táctica acaba por ser um bocado semelhante corrida após corrida. O imprevisível e o que dificulta a tarefa das outras equipas é perceberem quem é que eles devem ou não seguir. A vitória do jungles não é para mim uma surpresa até porque é alguém que sobe muito bem e tem uma capacidade de endurance soberba em inclinado.
Grande temporada de clássicas este ano, com bastantes provas emocionantes e alguns vencedores surpresa (Nibali em San Remo para a mim a maior, de longe). Que seja sempre assim.
Quanto ao Rui Costa, chega a ser já sofrível. Desde que saiu da Movistar que está com nível de gregário e nem os grupos principais consegue acompanhar. Segundo ele, hoje era o objetivo de época dele. Risível.
RuiMagas
Concordo com tudo mas a parte do Rui Costa é que não. Acho que a decisão de rumar à Lampre é que foi sofrível. Ele tinha tantas propostas e quis ir para um projeto que era a pior equipa WT e havia equipas PCT melhores. Essa decisão definiu a carreira dele. Se fica-se na Movistar e ser o braço direito de Valverde muito possivelmente hoje já tinha um monumento no bolso. Atualmente, nem é mais o líder da equipa e veremos qual será a equipa dele em 2019 porque 2018 acabou para ele desde o início.
LanceArmstrong
Impressão minha ou acabaste por concordar?
RuiMagas
Digamos que sim. Mas a culpa não é essencialmente da não capacidade mas do apoio, como dizes, que ele tem. Mas no geral concordo
TheGolden
A Quick-Step está num patamar acima de todas as outras equipas, no que toca às clássicas. Têm soluções para dar e vender, e foram eles que começaram por agitar a corrida, com Gilbert, de seguida, Bob Jungels ataca e leva consigo o grupo de favoritos, mas estes esquecem-se do excelente rolador que ele é. A partir daí, foi só gerir a vantagem, dada a incompetência do grupo perseguidor em não se conseguirem coordenar.
Um pequeno resumo do ano 2018 no que toca às clássicas:
– Como disse, a Quick-Step Floors é, mais uma vez, a grande vencedora (levam consigo 5 vitórias na E3, Dwars Door Vlaanderen, Tour de Flandres, Fleche Wallone e LBL);
– Sagan conquista mais um monumento e também a Gent-Wevelgem, mas fica mais uma vez na retina, a incapacidade do eslovaco correr como ele gosta, os adversários não lhe dão espaço nenhum e cabe sempre a ele levar o grupo consigo. Para vencer, tem que fazer corridas categóricas como fez no Paris-Roubaix;
-Senti um Valverde nas Ardenas com menos fulgor do que nas últimas épocas. Fez uma excelente Volta à Catalunha, mas nas 3 provas não me convenceu muito;
– Alaphilippe é mesmo uma certeza para estas provas, e não fosse hoje o Jungels ter ganho aquela vantagem, era o claro favorito à vitória da LBL;
– Desilusões são mesmo a Sky, com Kwiatkowski à cabeça, e as prestações de Van Avermaet no pavê (leva consigo um top-3 na E3); e como o VM diz e muito bem, Rui Costa. Está a passar a fase de menos fulgor na carreira, foi o rosto inicial do projeto da UAE, mas perdeu o protagonismo todo que tinha com a falta de resultados gritante que tem tido nos últimos 2/3 anos. Agora com Aru e Martin na equipa (mais Kristoff), passa a ser uma cara secundária da equipa. Continuo a achá-lo muito bom, para este tipo de provas ele tem uma leitura de corrida que é rara, sabe decidir muito bem os momentos de corrida (quando atacar, quando respirar), mas tem vindo a falhar sucessivamente, e está-lhe a faltar um clique na sua carreira (precisa urgentemente de uma grande vitória).