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Recordar o Boavistão

Nos últimos anos, as prestações dos clubes portugueses nas competições da UEFA têm sido excelentes, como se comprova pelo 5º lugar no final da temporada passada. FC Porto, Benfica, Sp. Braga e Sporting têm chegado longe na Liga Europa (os dragões conquistaram o troféu em 2011) e alguns deles até conseguiram ultrapassar a fase de grupos da Liga dos Campeões. São quatro equipas no top 30 dos clubes com o ranking mais elevado da UEFA no final da temporada 2011-12 (FC Porto em 9º, Benfica em 14º, Sporting em 17º e Sp. Braga em 29º), mas falta mais uma equipa portuguesa em destaque para Portugal dar o salto em frente. Essa equipa poderia ser…o Boavista! 
Os axadrezados marcaram presença nas competições da UEFA por 19 vezes e, apesar de não terem chegado a uma final, como o Sp. Braga, fizeram a vida negra a bastantes emblemas. O “Boavistão” viveu dois grandes períodos de glória na Europa, primeiro com Manuel José ao leme, e depois com Jaime Pacheco. Uma equipa que nunca virava a cara à luta e que enfrentava qualquer equipa da Europa sem receio (fosse o Manchester United ou o Barry Town). Nas primeiras 9 presenças nas competições europeias, os boavisteiros eliminaram o Spartak Trnava, CSU Galati, Sliema Wanderers, Vasas Budapeste, Atl. Madrid e Fiorentina (destaque para estas duas últimas eliminatórias). Contudo, foi na temporada 1991-92 que o Boavista começou a ser seguido com atenção pela Europa do futebol. Chamavam aos axadrezados a equipa “das camisolas esquisitas”, pois ninguém usava aquela configuração de camisolas na Europa. O Boavista recebia o Inter de Milão das vedetas Zenga, Bergomi, Brehme, Dino Baggio, Matthaus e Klinsmann. Era para ser mais um passeio dos nerazzurri, contudo, um super Boavista derrotou o Inter por 2-1 (golos de Marlon Brandão e Pedro Barny) e resistiu a um 0-0 na 2ª mão em Milão. Na eliminatória seguinte, nova equipa italiana. O Torino aprendeu a lição e eliminou os axadrezados por 2-0 e 0-0 no Bessa (o Torino acabou por chegar à final da Taça UEFA). Na temporada seguinte, o Boavista eliminou o Valur Reykjavik e saiu da Taça das Taças após a eliminatória frente ao Parma (0-0 em Itália e 0-2 no Bessa). O Parma acabaria por vencer a prova. 
A temporada 1993-94 foi a melhor do Boavista até então. Primeira ronda frente ao União Luxemburgo (1-0 e 4-0 no Bessa) e nova segunda ronda frente a uma equipa italiana. Desta vez foi a Lazio a cair perante “as camisolas esquisitas”. Na 1ª mão, Winter marcou o único golo da partida, contudo, no Bessa, Ricky bisou e ofereceu a qualificação aos axadrezados (0-1 e 2-0). Na 3ª ronda, encontro marcado com o OFI de Creta. Artur, com um hat-trick, desfez as dúvidas logo na 1ª mão (4-1 na Grécia, com o outro golo a ser marcado por Ricky). Na 2ª mão, vitória por 2-0 (Nelson Bertolazzi e Nogueira). O Boavista tinha chegado aos quartos-de-final, onde iria defrontar o Karlsruher (na 2ª ronda tinha goleado o Valencia por 7-0!). Ricky deu vantagem aos boavisteiros, contudo, o Karlsruher empatou a 15 minutos do final (1-1). Na 2ª mão, os alemães venceram por 1-0 e terminaram com o sonho do Boavista. No ano seguinte, o Boavista eliminou o Mypa-47 (no último minuto) e caiu na 2ª ronda perante o Nápoles (1-1 e 1-2 em Itália). Na temporada 1996-97, o Boavista eliminou o Odense e o Din. Tbilisi, antes do Inter vingar-se. Os nerazzurri aplicaram uma goleada por 5-1 e confirmaram a qualificação com um 2-0 no Bessa. No ano seguinte, eliminação precoce da Taça das Taças, perante um Shakhtar ainda em construção. 
A temporada 1999-2000 marcou a estreia do Boavista na Liga dos Campeões. Depois de eliminar o Brondby na fase de qualificação, os boavisteiros foram sorteados para o grupo do Rosenborg, Bor. Dortmund e Feyenoord. A estreia não foi positiva, mas ficou longe da mediocridade. O Boavista perdeu os dois jogos frente aos noruegueses, empatou os dois frente ao Feyenoord (Mário Silva marcou um golaço no jogo do Bessa) e venceu um jogo ao Bor. Dortmund (foi na última jornada e colocou os alemães fora da Liga dos Campeões). Na temporada 2000-01, o Boavista eliminou o Barry Town e o Vorskla Poltava, antes de cair perante a AS Roma (0-1 no Bessa e 1-1 em Roma, numa eliminatória bastante disputada). Nesse mesmo ano, o Boavista sagrou-se campeão nacional e assegurou presença na Liga dos Campeões do ano seguinte. 
Os axadrezados tiveram novamente a companhia do Bor. Dormund (2-1 e 1-2 – Goulart marcou um golaço na Alemanha), Din. Kiev (3-1 e 0-1) e Liverpool (1-1 e 1-1). Com estes resultados, o Boavista qualificou-se para a segunda fase da prova, onde defrontou o Manchester United (0-3 e 0-3), o Bayern Munique (0-0 e 0-1) e o Nantes (1-0 e 1-1). A última participação do Boavista nas competições europeias foi a melhor da história do clube. Depois de terem sido relegados da Liga dos Campões para a Taça UEFA pelo Auxerre, a equipa de Jaime Pacheco foi deitando por terra todos os adversários que lhes aparecerem à frente. Maccabi Tel-Aviv (0-1 e 4-1), Anorthosis (2-1 e 1-0), Paris Saint-Germain (1-2 em Paris e 1-0 no Bessa), Hertha de Berlim (2-3 na Alemanha e 1-0 no Bessa) e Málaga (0-1 e 1-0, com vitória nas grandes penalidades). Nas meias finais, o Boavista encontrou o Celtic e até começou melhor, com um 1-1 na Escócia. Na segunda mão, os axadrezados foram guardando o 0-0, contudo, a poucos minutos do fim, Henrik Larson marcou o único golo da partida e evitou uma final entre FC Porto e Boavista. Foi o canto do cisne boavisteiro, depois de 19 presenças, 100 jogos, 38 vitórias, 24 empates e 38 derrotas. 

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