Portugal – arranque em falso, perante um adversário limitado tecnicamente, mas que mesmo assim criou problemas ao último reduto luso. A Selecção, que teve Patricio; Vieirinha, Pepe, Carvalho, Guerreiro; Danilo, João Mário, Moutinho, A. Gomes; Nani e Ronaldo no 11 (Quaresma só entrou nos últimos 15 minutos) apresentou duas faces distintas, enquanto que na primeira parte dominou por completo a partida, rodando a bola com critério e diversificando as opções de ataque, e raramente permitindo o contra-ataque, já na segunda foi um conjunto passivo, que acumulou maus passes e perdeu demasiados duelos individuais. Após o golo islandês, a equipa mostrou sofreguidão e pressa em chegar à frente, o que quase sempre resultou em bolas bombeadas para a área sem grande critério. Fernando Santos, que costuma dar preferência à coesão colectiva, terminou o jogo com quatro homens na frente, bem demonstrativo do modo como Portugal tentou chegar ao empate. Empate esse que, não colocando nada em causa, reduz a margem de erro, e colocou a nú alguns problemas; o meio-campo perdeu muitas bolas pelo ar (Danilo esteve horrível neste capítulo), e o lado direito da defesa, com Vieirinha e Pepe, acumulou erros fruto da descoordenação. E na frente, quando se pedia jogo colectivo para chegar ao 2-1, o jogo ofensivo voltou a centrar-se quase em exclusivo em Cristiano Ronaldo.
André Gomes – o melhor em campo no primeiro tempo, especialmente quando actou sobre a direita. Foi dele o passe para o golo, mas a sua exibição não se reduziu a esse lance, demonstrando capacidade em reter a bola e em fazê-la chegar à frente com qualidade. Desceu um pouco de rendimento no segundo tempo, embora tenha sido dele um dos melhores remates nesse período.
Raphael Guerreiro – muita qualidade com e sem bola, ora conduzindo o esférico, ora abrindo espaço para o ala progredir. Os poucos lances de qualidade no segundo tempo tiveram a sua participação, e defensivamente cumpriu.
Danilo – Jogo para esquecer. Perdeu praticamente todos os duelos no jogo aéreo, apesar de ter ganho várias vezes a 2.ª bola, demonstrou-se quase sempre trapalhão na saída e foi acumulando erros. Além disso cedo denotou algum desgaste.
Nani – poucos acreditavam no seu valor, mas acabou por ser dos melhores. Conseguiu aparecer por diversas vezes em zona de concretização, acabando mesmo por obter o golo português numa excelente finalização de pé direito. Combinou ainda a preceito com os colegas de ataque e movimentou-se na frente, sendo castigado pelos defesas contrários. Quando foi deslocado para a ala, perdeu brilho.
João Moutinho – uma espécie de elemento neutro, pois se nada fez mal, também pouco fez bem. Encarregue das bolas paradas, também nesse aspecto mostrou pouco.
Vieirinha – algumas descoordenações com Pepe abriram espaços na área portuguesa, e uma delas foi aproveitada pela Islândia. Envolveu-se no ataque, mas raramente deu sequência às jogadas.
Cristiano Ronaldo – no primeiro tempo envolveu-se no ataque, abriu espaço para Nani na área, ou para os médios entrarem. Perdeu um golo (pontapé na atmosfera), mas foi competente na frente. No segundo tempo, pareceu mais preocupado em protestar lances e corrigir movimentos, remetendo-se à tarefa de jogar perto da baliza contrária e esperar que chegassem bolas. As que chegaram, desperdiçou. Foi dono dos livres directos em zona frontal, também aí esteve perdulário.
João Mário – no primeiro tempo deu seguimento ao jogo ofensivo, mas nunca se destacou no último passe. Foi dos poucos que subiu no segundo tempo, fruto do bom envolvimento com Guerreiro, mas não era a sua noite.
Renato Sanches – mostrou capacidade de levar a bola para a frente, e de aparecer em zonas adiantadas, característica que Moutinho não possui. O seu poder físico, com a bola no chão, foi determinante para voltar a intimidar os islandeses, ainda que o critério nem sempre fosse o melhor.
Quaresma – entrou e fez aquilo que sabe: encarar os adversários, rematar e colocar bolas de golo na área. Deu para carregar no fim embora, tal como o resto da equipa, o discernimento não fosse muito.
Éder – pouco se viu, mas também nunca foi devidamente municiado.
Rui Patrício – o guardião teve pouco trabalho, mas mostrou-se atento nas vezes em que foi chamado. Duas defesas em que o posicionamento foi mais importante que reflexos ou elasticidade impediram o golo islandês, mas pouco havia a fazer no lance do empate.
Pepe/Carvalho – Boa exibição com bola, na 1.ª parte com a linha bem subida permitiram a Portugal mandar no jogo, mas defensivamente revelaram alguns problemas, principalmente no jogo aéreo, sendo que o central do Real falhou na comunicação com Vieirinha no lance do golo.
Islândia – Três oportunidades no jogo todo que resultaram nos únicos 4 remates da equipa e um ponto garantido. A Seleção Nórdica raramente teve bola, optou por uma postura extremamente defensiva, mas conseguiu chegar ao empate numa descoordenação da defensiva portuguesa. Halldórsson foi talvez o homem do encontro, defendendo quase tudo (não tem culpas no golo de Nani), Sigthorsson, na frente, ganhou 18 duelos aéreos à defensiva lusa (para se ter uma ideia, Pepe foi o melhor do lado português com 5) e no meio-campo Gunnarsson e Sigurðsson fecharam bem os caminhos a Portugal. Bjarnason fez o golo da Islândia e deu trabalho a Vieirinha, já a defesa sofreu imenso, no entanto contou com uma grande exibição do seu guarda-redes.


