A liga italiana está ao rubro. Aclamada por muitos como uma liga pouco emocionante, onde o espectáculo se subjuga aos confrontos tácticos, a verdade é que esta temporada a Serie A promete ser enigmática até à última jornada. A hegemonia alcançada pelo Inter de Milão nas últimas temporadas parece estar perto do fim. O antigo clube de José Mourinho continua na luta, mas parte atrás do “eterno” rival AC Milan, que, com o reforço do plantel para esta época, apresenta-se em grande forma e a liderar a competição. Mas se é normal os dois conjuntos de Milão disputarem o título, a surpresa vem do sul de Itália, com o “ressurgimento” do Nápoles. Dirigido pelo carismático Aurelio De Laurentis e orientado por Walter Mazzari, o clube está na luta pelo “scudetto” esta temporada e promete não dar tréguas aos seus principais adversários.
A equipa italiana teve os seus anos de ouro no final da década de 80. Diego Armando Maradona aterrou na cidade napolitana e levou o conjunto à glória, alcançando os dois únicos campeonatos da sua história. Num plantel onde “D10s” era rei e senhor, Ciro Ferrara foi o companheiro das duas conquistas e o patrão da defensiva, juntando-lhes, posteriormente, os brasileiros Alemão e Careca e o jovem G.Zola formando um conjunto de qualidade que conquistou Itália e o continente Europeu. Os primeiros anos da década seguinte marcaram o declínio do conjunto italiano, tanto económica como desportivamente. A “debandada” de jogadores surgiu com a queda do Nápoles nos escalões inferiores do futebol italiano, chegando mesmo à Série C (!).
Depois de uma longa travessia no deserto, o Nápoles tem vindo aos poucos a recuperar o seu estatuto e a sua posição no Calcio, estando actualmente a lutar pela conquista do campeonato. Numa equipa com qualidade, o esquema táctico assenta, geralmente, num 3-4-3 onde o tridente ofensivo se destaca dos restantes: Cavani, E.Lavezzi e Hamsik. Juntos, formam uma frente ofensiva de respeito e que se complementa por inteiro, sendo o internacional eslovaco o cérebro da equipa e o jogador mais polivalente a nível táctico. O argentino é extremamente veloz e ágil no um-para-um enquanto “El Canibal” é o artilheiro da equipa, possuindo um remate poderoso e rapidez de execução. Com P.Cannavaro a líder a defensiva, a profundidade nos flancos está a cargo de Maggio e Dossena, ao passo que no miolo a presença física de Yebda e Gargano, acrescenta robustez e inteligência nos processos da equipa.
A irreverência e a juventude do plantel do Nápoles promete dar muitas alegrias aos adeptos que todos os fins-de-semana acompanham a equipa, seja no San Paolo ou fora de portas. Dos mais efusivos que existem, merecem cada vitória que a equipa lhes oferece. O Nápoles está de regresso, e o futuro poderá ser produtivo, caso as bases se mantenham. Itália agradece. E nós também.
A.Mesquita

