Primeiro título de Grand Slam de quantos? Terminou 2023 em grande e confirmou em Melbourne que é o jogador do momento (incrível a maneira como voltou a vergar Djokovic), sendo que, além da qualidade e fator idade, agora terá também o maior à vontade de já ser um campeão. Medvedev, por sua vez, perde aqui a segunda final depois de vencer os dois primeiros sets, o que pode aumentar o seu bloqueio mental nestes momentos.
Jannick Sinner é o grande vencedor do Australia Open, depois de bater Daniil Medvedev na final em cinco sets. O russo até começou melhor, arrebatando os dois primeiros sets por 6-3 e 6-3, mas o italiano reagiu da melhor forma e venceu o 3.º e 4.º sets por 6-4. No derradeiro set, Sinner conseguiu um break e fechou a vitória com um parcial de 6-3. É o primeiro Grand Slam da carreira para o transalpino, sendo o terceiro do seu país a alcançar um título do GS, depois de Nicola Pietrangeli (Roland Garros em 1959 e 1960) e Adriano Panatta (1976 também em Paris).


28 Comentários
Eusebio
O melhor do mundo da atualidade.
AdeptoImparcial
Uma final, acima de tudo, emocionante, que é tudo o que um fã de ténis pode pedir!
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A teoria em qualquer desporto é muito bonita, mas são inúmeras as vezes que é provada errada. Hoje, o início do encontro foi tal e qual como se previa: um Sinner nervoso na sua primeira final de Slam e um Medvedev a aproveitar a sua experiência e jogo consistente para apanhar uma vantagem de dois sets que, fosse uns QF ou SF, dificilmente teriam decorrido desta maneira tão direta.
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No entanto, ficou o sinal de que Sinner estava a melhorar no fim do segundo set. Por vezes, colocar o adversário no fundo do poço – 5-1 no respetivo set – faz com que estes larguem a ansiedade, se libertem e comecem a jogar como se “não tivessem nada a perder”. E foi isso que aconteceu, juntamente com alguma desconcentração do russo. Foi por pouco que Sinner não levava o set ao 5-5, mas sabia-se que o set seguinte – e potencial último do encontro – ia ser muito mais renhido.
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O melhor Sinner apareceu, um primeiro serviço quase perfeito o tempo todo e, apesar daquele falhanço aos 4-5 15-30 no serviço do russo – melhor ponto do encontro até então – levar todos os seus fãs de mãos à cabeça, acabou por conseguir mesmo capturar o break e conquista do set. Avizinhava-se um quarto set com tendência para o italiano, até porque Medvedev já tinha demonstrado no passado que estar 2-0 acima, com o adversário a melhorar e o público 99% do outro lado… começa a tremer.
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A verdade foi um set marcado por dois tipos de cansaço diferentes. Medvedev a mostrar que as várias horas em court estavam a começar a pesar enquanto que Sinner encontrava-se com dificuldades de movimentação – no fim de rallies longos já pouco se mexia e começava à chapada na bola – também devido ao primeiro cansaço acumulado de duas semanas em torneio, mas principalmente devido a toda a questão mental. No fim, beneficiou o italiano devido ao seu jogo naturalmente ofensivo, serviu soberbamente, até podia ter quebrado mais cedo, enquanto que o russo começou a falhar mais naquilo que é melhor: desgastar o oponente através da sua consistência frustrante que acabou por ser afetada pela sua fatiga.
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À entrada para o quinto set, podia cair para qualquer lado. A incógnita do cansaço permanecia, pelo que parecia bastante óbvio que o primeiro a rebentar fisicamente iria perder o encontro. O italiano vinha com um boost de adrenalina e confiança, mas um break inicial podia deitar tudo a perder. Um jogo de serviço de abertura monstruoso com um dos melhores pontos do encontro a cair para o seu lado encaminhou o italiano para um set fantástico, conquistando o seu primeiro Grand Slam, que tanto, tanto mereceu! Medvedev cedeu à pouco mais de 24h em court – contra as 18h de Sinner – e apesar de ter protagonizado grandes pontos naquele que foi, sem dúvida, o melhor set do encontro em termos de qualidade de jogo – rallies absolutamente titânicos.
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Um encontro que, no geral, demorou a chegar a um nível elevado – poucos pontos de levantar a arena até ao último set – mas que teve a tensão e suspense necessários para uma final cativante e incerta. Pena por Medvedev que perde a sua segunda final de GS com 2-0 acima – é dos jogadores mentalmente mais fortes do circuito, tanto que chegou à final com três vitórias em 5 sets, duas delas a recuperar de 0-2 abaixo, esteve mesmo perto de bater um recorde tremendo, mas hoje o físico desapontou-o – e feliz pela conquista de Sinner, que recupera de uma desvantagem de 0-2 pela segunda vez na carreira e, finalmente, assenta o pé de vez como um dos jovens que irá dominar as próximas duas décadas. O ténis está bem salvaguardado!
henry14
Merecidíssimo.
O melhor jogador do torneio.
O primeiro jogador a derrotar a besta nas meias finais de Austrália.
Desde que ganhou em Toronto, o Cenoura transfigurou-se, já nas finals estava a jogar barbaridades.
Quanto a Medvedev, grande torneio também, mas perdeu muitos sets durante o seu percurso (alguns deles contra jogadores banais) o que também pode ter pesado nesta final. Não está fácil para o russo, que em 6 finais ainda só ganhou 1. É o que é, também não teve sorte. Das 6 finais , 3 foram com o Novak e 2 com Nadal. Ingrato.
Kafka
Amasso total do Medvedev nos 2 primeiros Sets, mas o Sinner no 3º sobreviveu até ao 5-4 e depois jogou com o factor mental que é sempre complicado servir a 4-5 e tantas vezes o servidor os servidores perdem o Set nesse 10º jogo…a partir daí o Medvedev rebentou fisicamente e as 6 horas a mais no court começaram a passar a previsível factura e o Sinner passou a estar por cima….no 5º Set então já pouco havia a fazer, o Medvedev estava completamente esgotado…
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Costuma-se dizer que na 1ª semana ninguém um Grand Slam, mas pode perdê-lo aì, e as horas infindáveis q o Medved gastou contra adversários menores, podem ter feito a diferença hoje…é algo que acontece muito a estas gerações que enfrentaram o Big3 nos ultimos 15 anos, que é entrarem mal nos Grand Slams e desgastarem-se imenso na 1ª semana, já o Zverev é igual, perde imensos Sets nas 1ªs rondas…têm de aprender com os big3, que por norma na 1ª semana corriam sempre toda a gente a 3-0….diga-se que é algo que o Sinner também fez muito bem neste torneio, foi uma 1ª semana limpinha e chegou fresquinho que nem uma alface à fase decisiva e isso hoje fez toda a diferença a partir do 3ª Set
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Este ano promete bastante no ténis, ainda para mais com Jogos Olimpicos e tudo, talvez tenhamos um ano bastante aberto e com vencedores diferentes nos 4 Grand Slams, se bem que eu não consigo ir contra o Djoko, portanto para mim ele é o principal favorito a vencer Roland Garros e os Jogos Olimpicos então ele vai dar tudo pois é a ultima oportunidade dele de ganhar o unico titulo que lhe falta na carreira…mas vamos ver, estou com enormes expectativas para esta época 2024
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Nota final para o Medved, em pezinhos de lâ é já neste momento o 5º jogador com mais finais do Grand Slam dos ultimos 20 anos, só atrás do Djokovic, Federer, Nadal e Murray, é meio desengonçado, às vezes louco, mas está a criar uma das melhores carreiras dos ultimos 20 anos, senão mesmo a melhor carreira tirando estes 4 atletas…e olhando para a idade dele, ainda vai andar cá por mais uns bons anos e sem em ROland Garros e Wimbledon não terá grandes chances, há pelo menos sempre 2 Grand Slams por ano que temos de contar com o Russo
Prater
Não consigo expressar o suficiente o quão especial é ler os teus comentários. Concordo plenamente contigo. Um agradecimento do fundo do coração pela tua incrível contribuição. Estou genuinamente exultante com a vitória do Sinner. A tua partilha acrescentou ainda mais alegria a este momento!
Kacal
SINNERRRRRRRR VAMOSSSSSS!!!! Enorme jogo do italiano e uma conquista épica! Confesso que previa uma vitória mais tranquila mas com Medvedev do outro lado raramente há jogos tranquilos e já devia esperar isso, fui anjinho. Até porque nestes momentos qualquer um treme das pernas e Sinner não é diferente. Enquanto teve pernas complicou e muito a vida a Sinner, que não esteve muito bem nos dois primeiros sets já Meddy entrou forte como seria de esperar porque olhando à diferença de horas em court durante o torneio e a exigência que teve nos jogos até esta final em comparação com o italiano ele teria que entrar forte e tentar acabar com isto o mais rápido possível caso contrário iria pesar. Sinner manteve-se calmo e tranquilo, acreditou e jogou o seu jogo, subiu o nível a partir do 2º set e o resto é história. Que nível físico e mental demonstrou a partir do 2º set, foi à campeão! Teve a pressão normal de ser a sua primeira final contra um jogador de topo bem mais experiente mas disse presente e tem um ténis espectacular. Sinceramente acho mais sólido que o de Alcaraz, talvez menos irreverente e intenso, potente até, mas sem duvida mais sólido e elegante. Acredito que será a sua primeira final de muitas e acho que as conquistas de GS não vão ficar por aqui, tem tudo para aumentar ainda mais o seu nível físico, o que parece que ganhou 5 quilos de musculo antes de chegar aqui à Austrália portanto tem tudo para ser ainda melhor nesse capitulo e evoluir mais. Antes viamos muitas vezes um Sinner a quebrar fisicamente fosse sem energia, fosse com caibrãs até e isso não tem acontecido desde da 2ª metade do ano passado e comprova uma clara evolução no capitulo físico. Sendo que mentalmente está também bem mais forte e ter conquistado o seu 1º Masters1000 foi chave nesse aumento de confiança, que continuou com a vitória na Davis Cup sendo parte importante dessa conquista. Agora a vitória sobre Djokovic de forma convincente e vence este torneio que irá ainda mais reforçar a sua confiança e moral, a partir daqui é sempre a subir!
Apesar de jovem e promissor com ténis para ir muito longe, estava a olhar para ele com alguma desconfiança há 1 ano atrás e antes disso mas de repente deu-se o clique e tem evoluído imenso a todos os níveis e está a um nível altíssimo digno de um campeão de Grand Slam! Que jogador! E a pessoa também é enorme, humilde e low profile mas muito adorado pelos colegas que falam muito bem dele e acho que todos torcíamos por este momento! Agora é desfrutar, descansar e voltar em força para continuar a somar, acho que temos aqui craque que eventualmente vai ser número 1 do Mundo também e prevejo um super ano de 2024 porque neste momento tem um super ténis e é na minha opinião o jogador em melhor forma do momento. Muitos, muitos Parabéns a Sinner e sua equipa técnica, muito contente e satisfeito por ele e é totalmente justo e merecido!
PS.: Muitos Parabéns também a Medvedev e sua equipa pelo torneio fantastico que teve onde lutou e lutou e lutou muito por esta final mostrando aquilo que é característico dele, virar 2 sets de 2-0 para 3-2 inclusive contra um Zverev na meia-final, vencendo mais outro set em 5 sets e jogos muito duros, mas fez esta final valer a pena e cumpriu termos uma final a 5 sets com vitória de Sinner eheh portanto está de Parabéns e não será a sua última final de certeza absoluta e mesmo conquista de GS não acho que vá ficar por um, acredito em mais portanto sensacional Medvedev e nunca cai sem fazer o adversário merecer.
Kafka
Também acho q o Sinner tem um jogo mais sólido que o do Alcaraz, principalmente por causa do serviço onde o Sinner é muito melhor q o Alcaraz e isso permite ir sobrevivendo quando está por baixo no jogo, como por exemplo hoje aconteceu no 3° Ser, onde o Medvedev ainda estava por cima, mas o Sinner foi sobrevindo nesse 3° Set graças ao serviço apesar de em jogo jogado estar a ser pior, e depois matou no 5-4….o Alcaraz num jogo similar ao de hoje, provável no 3° Set estando por baixo no encontro seria mais fácil levar break por nao ter um serviço tão bom…. é algo que considero q o espanhol deve tentar melhorar
Kafka
Este foi o Grand Slam com mais 5 Sets de sempre, igualando o US Open de 1983… Pode ser um excelente sinal de equilíbrio no circuito
Kafka
Para mim o Medvedev tem melhor palmarés que o Wawrinka, pq como dizes e bem, o Wawrinka só lhe ganha mesmo em Grand Slams, pq em tudo o resto fica atrás do Russo
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O Wawrinka o ponto q poderá argumentar a seu favor, é que apanhou os primes do Djokovic, Nadal e Federer pela frente, o que lhe custou mais títulos e finais, pq muitas das vezes fez grandes campanhas e perdeu principalmente contra o Djokovic umas quantas vezes em 4os final e meias finais em batalhas épicas..
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Epah mas msm apesar disso, eu ponho o Medvedev à frente do Wawrinka
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No entanto o Medvedev tem 27 anos, sem lesões ainda joga mais uns 5/6 anos neste nível, até pq ele tem um grande serviço logo mesmo que aos 31/32 comece a cair fisicamente, terá sempre o serviço para o ajudar a colmatar a quebra física, logo jogando mais 5/6 anos e deixando de haver Djokovic pela frente em 2/3 anos, acredito que acabará por vencer mais 2 ou 3 Australia Open/Us Open
Kafka
Esta resposta era para o Luke
Paulo Roberto Falcao
Cumpriu-se a lógica, depois daquela meia final contra o Djoko teria que ser ele a vencer. Temos um jogador a irromper em grande, belíssima a final de hoje. Grande Medvedev, um verdadeiro leão, deu tudo mas acabou vergado pela força daquele serviço irreal.
Roland Garros em Maio. Último torneio do Nadal, se for, e arrisco dizer que será o último GS no qual Djokovic terá oportunidade de vencer. Veremos, quando o leão velho dá o primeiro sinal de fraqueza, os leõezinhos mais novos aparecem logo a disputar o seu lugar.
Vi este momento demasiadas vezes no ténis, a primeira foi a mais inesquecível. Borg-McEnroe, final de Wimbledon 1980. Borg até ganhou essa final mas depois dela nunca mais ninguém teve a menor dúvida sobre quem era o número um, e quem era o número dois. Djokovic envelheceu extraordinariamente bem mas toda a gente tem um limite, e o dele está a chegar.
AdeptoImparcial
Vai ser muito giro ver o Paulo a justificar as duas ou três mais conquistas de GS do sérvio ?
Paulo Roberto Falcao
Não, não vai, porque tu e eu sabemos que isso não vai acontecer. Chama-se biologia, é uma ciência.
Sporting1906
Quando o Djokovic ganhar mais Grand Slams, o Paulo ou não aparece aqui a comentar ou vem com desculpas para desvalorizar o título ou faz de conta que nunca disse o que disse agora. Para mim, neste momento, o Djokovic é o favorito em Roland Garros e em Wimbledon.
Luke
O Medvedev dá-me muita pena… vai acabar a carreira com muito menos reconhecimento do que merece. Para mim ele já é isoladamente o 5º melhor do século, a seguir aos Big 4, mas se acabar a carreira só com 1 GS vai acabar por cair no esquecimento… e não tarda nada já foi ultrapassado pelos miúdos maravilha neste meu ranking: Alcaraz e Sinner.
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6 finais de grand slams, #1 do ranking mundial, vencedor da ATP Finals, vencedor de 6 títulos Masters 1000 (todos diferentes ainda por cima)… não tou a ver ninguém com melhor currículo sem ser os 4 suspeitos do costume. Claro que há sempre a malta que diz que Wawrinka é que é o 5º melhor do século, mas ele só ganha ao Daniil mesmo em número de GS ganhos, porque em todos os outros critérios está a anos-luz. Aliás, para mim Wawrinka até já está atrás de Alcaraz (esse sim está a uma unha negra de apanhar o Meddy no meu ranking).
Lopes da Silva
O número 5 do século é ainda com alguma margem Wawrinka. Tratou por o big 3 em bastantes jogos nos seus picos. Só perde para o Murray pelo número incrível de ATP 1000 que o britânico conquistou.
wastedleverage
É sempre engraçado ver o quão rápido as pessoas se esquecem do nível absurdo de ténis que era necessário para ganhar um masters 1000 ou Grand Slam ali entre 2006 e 2016. Ter o Big-3 no seu prime não dava margem praticamente nenhuma para que outros jogadores aparecessem nos momentos decisivos. Sinner e Alcaraz são muito novos e têm margem de evolução para ultrapassar Stan e Murray, mas eles e os restantes jogadores do circuito passaram muito mal para bater o Big-3 já bem depois do seu prime. (exceção feita ao Djoko nalgumas fases)
Tanto o Murray como o Wawrinka, caso estivessem no seu prime aos dias de hoje, provavelmente dividiriam boa parte dos títulos entre si.
AdeptoImparcial
A malta adora comparações geracionais absurdas. Comparar malta que apareceu recentemente com outros com carreira completa quase a terminar… é cá uma lógica. Efeito recencia a todo o gás também. Números não significam tudo. Ou todos os que ganharam mais RG que Djokovic e Federer são melhores em clay que eles? Treta.
Luke
“Comparações geracionais absurdas”, como se estivessemos a comparar o Rod Laver com o Ben Shelton… eu fiz questão de só contar com jogadores deste século exactamente para minimizar esse efeito geracional e incluir apenas jogadores contemporâneos.
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Neste caso estamos a falar de 2 jogadores com menos de 10 anos de diferença. Ambos ainda estão no activo. E sim, obviamente que o Stan tem a favor dele o facto de ter jogado contra os Big 3 no prime, mas mesmo assim tendo em conta a diferença de palmarés para o Medvedev nunca pode ser considerado absurdo pôr o Medvedev ligeiramente acima. No mínimo é discutível.
AdeptoImparcial
Perdoa a arrogância que possa ter transparecido do meu comentário, não foi essa a intenção. Apenas não gosto destas comparações entre jogadores que ou ainda não terminaram as suas carreiras ou que ainda vão a meio. Medvedev obviamente é dos melhores jogadores que apareceram neste século, longe de mim querer insinuar o contrário. Mas há inúmeros fatores para este tipo de comparações para além de um palmarés. Olho para trás e vejo Nishikori, Cilic, Nalbandian, Wawrinka, Berdych, Ferrer, Del Potro, Safin e muitos outros que, nas suas melhores formas, eram bem capazes de dar porrada neste Medvedev de agora. Também podiam perder, claro, mas duvido que estes jogadores no seu auge fossem superados sem hipóteses por grande parte desta nova geração. Daí dizer que os números valem o que valem. Alguém duvida que o Federer e Djokovic são dos melhores jogadores de terra batida de sempre? Não, mas olhando para os números deles…
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Acho que Wawrinka tem uma carreira muito impressionante, com 3 GS diferentes – todos conquistados de forma soberba a vencer os Big Three – e uma Davis Cup, isto na Golden Era. Não sou nada a favor de comparações entre gerações – tal como dizem acima, é incomparável a dificuldade de há 10/15 anos ganhar um M1000 com a dificuldade de agora, queria ver quantos M1000 é que os miúdos ganhariam se os Big Three os levassem super a sério como no passado – por isso prefiro evitar essas discussões sempre complexas.
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E depois há toda a componente de qualidade de jogo em si. Medvedev é daqueles jogadores que beneficiou imenso da evolução dos hardcourts se terem tornado mais lentos. Alguma vez um jogador com as deficiências técnicas dele e 90% do jogo assentado em andar a bater bolas a 3m da linha de fundo conseguia ganhar o que quer que fosse há 10-20 anos atrás? Da forma que ganha hoje em dia? Quase impossível. Ele chegar a umas meias-finais de Wimbledon como chegou só mesmo atualmente, pois com a relva de há 10 anos atrás, nem da primeira semana passava.
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Vejo mais talento e qualidade geral em outros jogadores desta geração. Dito isto, Medvedev ganhará mais GS, com certeza. Não prevejo nenhum RG ou Wimbledon, mas há de conseguir ganhar alguns Austrália e USO, diria eu. Veremos :)
Luke
Parece-me que tanto tu como o user ‘Lopes da Silva’ parecem querer colocar o Wawrinka ao nivel do Murray, o que para mim é absurdo. Murray possivelmente estaria a lutar com Sampras se não fossem os outros 3. Estamos a falar de um jogador que chegou a 12 finais de GSs, esteve em #1 mundial durante várias semanas, ganhou 2x os Jogos Olímpicos e ganhou um nível absurdo de Masters 1000. É absolutamente incomparável com Wawrinka.
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Para mim se tiver de dividir os jogadores deste século em pacotes ponho os Big 3 no pacote de cima, depois o Murray num pacote sozinho, e depois só num terceiro pacote é que ponho o Wawrinka (e nesse terceiro pacote também ponho o Medvedev pelo menos, tal como disse no comentário inicial).
Lopes da Silva
Eu destaquei bem Murray de Wawrinka no meu comentário. A comparação era Wawrinka com Medvedev.
Se quisermos separar por tiers este século é Tier 1 Djoko, Fed, Nadal, Tier 2 Murray destacado, Tier 3 Wawrinka (na minha opinião também destacado), e só numa Tier 4 viria o Medvedev.
Luke
Agree to disagree… para mim Medvedev está mais perto do Wawrinka do que o Djoko está do Nadal. E se o Djoko e o Nadal estão na mesma tier, os outros dois também têm de estar. Mas é a minha opinião
Anacleto
Há uns meses escrevi aqui que Sinner tinha, na minha opinião, um teto mais alto do que o Alcaraz. Mantenho claramente o que disse, não em cima desta vitória por ver a evolução do italiano a altos vistos. É um verdadeiro craque do ténis e, pela postura excecional que aparenta ter, espero que não se deslumbre e continue a trabalhar em cima disto. Dito isto, que não se “futebolize” o ténis a dizer que é o melhor do mundo da atualidade, que o Djoko visto está acabado e que o Alcaraz era só hype. As coisas não funcionam bem assim, a título de exemplo já em Wimbledon o Djoko nem deu hipóteses ao Jannik e nem um perdeu capacidades nem o outro ficou subitamente um deus do ténis. Ao dia não sei se é o melhor do mundo (para mim é Djokovic) e não sei se está muito acima sequer do próprio Medvedev, que há tempos era a sua kryptonite convém recordar.
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Quanto ao jogo, penso que o Medvedev tinha total consciência do desgaste que trazia e tentou jogar com isso, jogando um ténis agressivo que raramente se vê para fechar rápido a final, aliado a um serviço implacável como é hábito que deixou o Sinner completamente atordoado e nervoso (só tinha estado fora do controlo numa partida em todo o torneio no tie break do 2º set com o Rublev). Concordo com uma opinião abaixo em que o 1-5 no segundo set foi um click no italiano que lhe permitiu libertar-se para o seu melhor. O resto é a qualidade absurda do menino em todos os momentos do jogo conjugado com a diferença física dos dois. Tenho pena do Medvedev, que é um enorme tenista (de longe o melhor da sua geração), mas o Jannik foi de longe o melhor tenista em prova, destruindo todos os adversários até chegar aos quartos, onde vence Rublev dando a volta a um 5-1 no tie break na raça e depois vencendo pela primeira vez nas meias finais quiçá o melhor tenista da história. Adoro o italiano e espero mesmo que seja o primeiro de muitos. Vamos Carota!
AdeptoImparcial
Venho só agradecer pelo “que não se futebolize o ténis a dizer que é o melhor do mundo da atualidade, que Djoko está acabado e que o Alcaraz era só hype”. Haja alguém com bom senso.
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E sim, creio que o próprio Medvedev tinha na sua mente que devia fazer de tudo para terminar o jogo em 3 ou 4 sets, caso contrário, quanto mais o encontro se prolongasse, pior seria para ele. É pena, pois é um jogador fisicamente muito forte e consistente, que não se cansa facilmente. Se a final contra o Nadal foi mais mental que outra coisa qualquer, esta foi uma derrota mais pesada, na minha opinião, precisamente por se dever aos inúmeros encontros a 5 sets que se viu obrigado a disputar. Mas… é assim o ténis!
AdeptoImparcial
Sobre Sinner e Alcaraz: neste momento – ênfase na expressão “neste momento” – o espanhol tem muito mais armas que o italiano. A GRANDE diferença encontra-se na decisão das pancadas a executar. Sinner é muito mais inteligente que Alcaraz, para além de levar os encontros em si de forma mais séria – o espanhol tem aquele sangue ibérico de nunca desistir, mas leva as coisas de forma demasiado leviana e sorridente para quem realmente quer ganhar tudo. Quando Alcaraz aprender a jogar com a cabeça e executar as pancadas que *deve* tomar e não aquelas que lhe apetece, garanto que terá uma fase na carreira onde ninguém lhe vai tocar. Nem Sinner, nem ninguém – pelo menos, dos nomes atuais no tour. Tal como Federer, Djokovic e Nadal (apesar deste último menos no geral) também tiveram épocas praticamente imbatíveis. Se Sinner também terá estas fases? Acredito que sim. Mas, neste momento, Alcaraz merece o tal hype e as comparações com os Big Three, pois realmente aparenta possuir armas dos três todas no mesmo corpo. A nível técnico, Alcaraz só deve a Sinner no serviço e isto é porque o italiano passou uma época inteira a mudar a sua moção e mecânica. A nível tático, Sinner tem a tal cabeça que falta ao espanhol.
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Mas prevejo uma maior evolução no Sinner. Basta olhar para o Djokovic, que dos Big Three sempre foi o menos afortunado tecnicamente – e terminará a carreira como tal – mas melhorou tremendamente as suas fraquezas. Transformou o serviço numa arma ao invés de um obstáculo. A sua direita passou a ser bem mais fiável e até eficiente quando necessita de ser agressivo. E, mesmo apesar de continuar abaixo da média do que outros #1 eram na rede, também aprendeu a usar a sua capacidade de antecipação para ajudar nos volleys e smashes. Prevejo o mesmo caminho para Sinner: não sabe quando e como usar slice, hesita muito a ir para a rede e falta-lhe alguns exercícios de movimentação – o aguentar-se melhor a 5 sets vem com a experiência e idade. Alcaraz necessita urgentemente de melhorar o serviço e a questão mental que falei acima: quando fizer isso, será um monstro.
cards
Boa vitória de Sinner. No futuro vencerá muitos mais grand slams.
Joao Gomess
Boa final com boa vitoria do sinner depois do medvedev rebentar fisicamente. Sinner bate bem na bola mas o jogo é completamente monocórdico. É novo, esperemos que evolua um bocadinho em todos os aspectos. Tive o privilégio de acompanhar os ultimos quase 20 anos de perto da melhor era de sempre do tenis. Esta geração é tão inferior ao big3. O ponto positivo é que os vencedores dos masters 1000 e grand slams serao muito variados. Diria que o atual top 10 vai todo ganhar algum grand slam, teremos certamente algumas vitorias surpresa fora do top10. Ainda assim acredito que o nole ainda ganha mais alguns. O aus open foi dificil para ele mas ainda é melhor e mais consistente do que qualquer top10 atual. Sempre fui um fa do wawrinka mas tinha algumas limitações apesar de ter uma direita, esquerda, voleis e serviço incríveis em ataque! Mentalmente era fragil, fisicamente e movimentação nao era fantastico, defensivamente nao era bom e a resposta ao serviço também nao era a melhor. O medvedev tem aquela tecnica estranha mas é muito chato por ser muito consistente e conseguir chegar as bolas todas. Parece me tambem mais consistente que o wawrinka. Em 10 jogos, diria que k medvedev ganharia uns 6 ou 7 ao wawrinka