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Sporting começa Taça da Liga (único título que os leões podem vencer esta época) com um empate; Clube leonino voltou a demonstrar enormes fragilidades defensivas (surpreendeu a ausência de Dier, já as limitações nas bolas paradas duram há uma década), apresentou (novamente) um futebol miserável, mas golo de Xandão deixa tudo em aberto na competição; Jesualdo tem muito trabalho pela frente (Vercauteren foi um claro erro de casting)

Marítimo 2-2 Sporting (Heldon 40´ e Rafael Miranda 65′; van Wolfswinkel 29′ e Xandão 87′)

O Sporting iniciou a campanha na Taça da Liga, única competição que pode vencer esta época, com um empate nos Barreiros. Mais uma vez, a qualidade do futebol apresentado pelos leões foi demasiado fraca para uma equipa profissional, quanto mais uma que se diga candidata a alguma coisa (Vercauteren conseguiu a proeza de transformar um futebol mediano em miserável). Para além da inexistente mecanização (dificilmente se vê uma jogada corrida em progressão) e da incapacidade de pressionar e recuperar a bola jogável perto da área adversária, há que juntar as recorrentes fragilidades nos lances de bola parada (algo que na última década tem sido uma imagem do emblema de Alvalade). Valeu ao clube leonino que o Marítimo também não prima pela qualidade de jogo, e que nunca quis arriscar demasiado para aproveitar o mau momento do adversário.

O encontro começou com um remate à barra de Viola, mas nem esse lance motivou os visitantes. Heldon respondeu por duas vezes, mas também sem eficácia (valeu Boeck). Mas estes lances foram excepção, pois o jogo foi dividido, e nem sempre bem jogado, com muitos passes longos, e poucas jogadas de ligação entre sectores. Numa dos poucos lances colectivos do Sporting, e contra a corrente do jogo, Van Wolfswinkel deu o melhor seguimento a um centro de Cedric. Mas mais uma vez as dificuldades defensivas nas bolas paradas (já no ataque o Sporting raramente cria perigo neste tipo de lances, o que revela falta de trabalho) vieram à tona, e Heldon empata após canto estudado (a abordagem individual e coletiva a este tipo de lances mostra lacunas ao nível do treino, por mais incrível que pareça, e alguma falta de conhecimento dos adversários). A segunda parte trouxe mais do mesmo, com David Simão a sacudir o marasmo com um remate ao poste da baliza defendida por Boeck. Até que aos 65′, e com Boulahrouz inferiorizado, o Marítimo passa para a frente, e mais uma vez através de um lance de bola parada bem trabalhado. O Sporting tentou responder, mas sempre sem nexo (nesta fase o que mais se viu foi Carrillo a correr com a bola, e perdê-la, e Rinaudo a abrir os braços à procura de linhas de passe). Quase caído do céu chega o golo do empate, apontado por Xandão (marcara já em Moreira de Cónegos) após insistência de Viola, e com a defesa maritimista a mostrar que também sabe ficar a olhar para a bola.

Destaques


Sporting – Este jogo mostra todo o trabalho que há a fazer por Jesualdo Ferreira (Vercauteren já demonstrou que não consegue mais, veremos se JS, o dito treinador dos treinadores, conseguirá atenuar a crise leonina). Bolas paradas no ataque são inofensivas, na defesa são uma aflição (mau posicionamento, mau tempo de salto e de abordagem aos lances, incapacidade de choque); fisicamente a equipa está num estado miserável (e já não é possível elevar as cargas de treino nesta altura da temporada); não existe jogo colectivo, nem a defender (não raramente se vêem jogadores a pressionarem sozinhos e a correrem à toa) nem a atacar (jogadas colectivas, ao primeiro toque e em progressão no terreno, não existem), e depois alguns jogadores não parecem ter grande vontade de envergar a camisola verde e branca. Assim, Jesualdo terá que, usando uma expressão conhecida, tirar as maçãs podres do caixote, dando minutos a quem realmente quer e pode jogar (Esgaio voltou a demonstrar que merece mais espaço que alguns “habitué’s”);  Por outro lado, reforçamos a ideia que em Janeiro, o clube leonino deve fazer uma revolução inteligente: plantel de 18 jogadores (mais os jovens da B) chega e sobra para o que resta da temporada. São vários os elementos que demonstram que não merecem continuar em Alvalade, já no que diz respeito a entradas (na nossa opinião no actual contexto não se justificam, mas considerando que o presidente leonino já as assumiu), resta saber se Godinho Lopes vai tentar um golpe de teatro, sabendo-se no entanto que no mercado de Inverno raras são as oportunidades que conjuguem uma boa combinação qualidade/preço, e sacar um André Cruz da cartola, ou o Inverno irá novamente resultar (na perspectiva dos leões) em “novos Koke’s, Mota’s, Pongolle’s, Ribas, etc”.

Vercauteren – mais um jogo, mais uma equipa diferente. Dier de fora (assim se dá confiança ao jovem que tinha sido o melhor em campo frente ao Nacional), Elias e Rinaudo no meio campo (dupla que tem sido tão bem sucedida), enquanto que Adrien, por exemplo nem cheira relva. Dá a ideia de que o treinador já entrou numa estratégia de tentativa e erro, apostando aleatoriamente em jogadores diferentes. Jogo colectivo é mentira, jogadas estudadas não existem, alguns jogadores não se mexem (recebem parados, e devolvem), e dá por vezes a ideia de que cada um faz mais ou menos o que quer.

Boeck – não foi por ele que o Sporting não venceu; teve excelentes intervenções mas nada pôde fazer nos lances dos golos do Marítimo.

Rinaudo – para ser o melhor jogador de campo, basta correr um bocadinho. Foi o que fez o argentino, tentando roubar a bola aos adversários e sair a jogar.

Esgaio – tentou jogar, dar linhas de passe, devolver e ir buscar mais à frente. A pouco e pouco foi entrando no “ritmo” da equipa, e começou a abusar dos passes longos.

Van Wolfswinkel – marcou no único remate que fez. Mais uma vez, esteve sozinho, mas mesmo assim ainda foi ganhando umas faltas perto da área e devolvendo umas bolas jogáveis, quando aparecia um colega perto. Mais vítima que réu.

Elias – dinâmica nula, movimentação inexistente. O brasileiro limitou-se a receber parado, e devolver.

Carrillo – entrou, e com ordens do treinador (??) tratou de levar a bola para a frente em jogadas individuais. Poucas vezes foi eficaz, resta saber se o individualismo é fruto da vontade em resolver, da falta de opções de passe, ou de ordens do banco.

Boularouz/Rojo/Xandão – os titulares tiveram dificuldades em parar Heldon, e falharam nos lances dos golos (o holandês lesionara-se momentos antes do segundo). Xandão teve menos trabalho, e ainda marcou o empate.

Marítimo – os insulares mostraram um futebol com diversas lacunas em termos colectivos (o espaço dado pelo Sporting dava azo a mais jogadas de perigo em contragolpe), mas com muita eficácia nas bolas paradas (vê-se o trabalho da semana). Heldon é o homem mais perigoso, embora sem a eficácia de um bom ponta de lança, David Simão tem muito futebol mas ainda pouco pulmão, enquanto que João Guilherme e Márcio Rozário formaram uma dupla competente.

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