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Sporting de Braga: um caso de estudo em tempos de crise!

Vivem-se tempos difíceis, com uma das maiores crises económicas da história a atingir todos os setores da economia. O futebol não é exceção. Esta crise veio agravar as contas de muitos clubes, com elevados passivos, o que resultam muitas vezes em balanços de épocas com saldos negativos. Para muitos a solução é fechar portas. Outros vão equilibrando as contas com investidores externos, estratégias financeiras, entre outras soluções.
O Braga é um caso que vale a pena observar neste contexto. Os planeamentos de António Salvador para cada ano permitem terminar, época após época, com saldo positivo. Esta semana foi tornado público o exercício financeiro do clube minhoto relativo à época de 2011/2012, no qual obteve um resultado positivo de 5,09 milhões de euros. Para isto, em muito contribuíram as vendas dos passes de Sílvio (4,9 milhões de euros por 70% do passe) e Pizzi (9 milhões por 63% do passe), ambos com destino ao Atlético de Madrid, sendo que estas eram as percentagens que o clube detinha sobre os jogadores. Somando estas vendas com as de Kalaba, o clube conseguiu, com vendas de ativos, mais-valias no valor de 13,65 milhões de euros. Para este ano ainda não entra a venda do passe de Lima, e sublinha-se o facto de o clube não ter competido na Liga dos Campeões.
Tendo em atenção que o Braga tem acompanhado esta sustentabilidade e saúde financeira em tempos de crise com um aumento significativo da competitividade e reconhecimento do clube em termos desportivos, quer a nível nacional quer a nível internacional (o prémio “Best Sporting Progress 2011” atribuído pela European Club Association presidida por Karl-Heinz Rummenigge que premeia o clube europeu com maior crescimento é só mais uma prova disso), podemos concluir que a estratégia de António Salvador é um exemplo a seguir, embora entre em rutura com alguns paradigmas instalados no futebol português.
Com uma clara aposta por parte de alguns clubes portugueses na compra de jogadores de outros continentes, embora por valores inflacionados mas que parecem ainda não ser proibitivos para os seus dirigentes, o Braga aposta grande parte da sua fórmula de sucesso na compra de jogadores a baixo custo, no mercado interno, e com margem de progressão. Poucos são os jogadores do seu plantel que nunca tenham jogado em Portugal (Douglão e Elderson são exceções), e a compra de jogadores excedentes dos três históricos conjugada com apostas nos jogadores em destaque das restantes equipas do campeonato tornam o Braga num adversário difícil para qualquer clube, e um potencial candidato a títulos. Aliado a isto está o poder de venda demonstrado, fazendo já por três/quatro épocas consecutivas encaixes significativos só na venda de jogadores. 
Éder e Michel são duas das mais recentes contratações do clube. Uma jovem promessa portuguesa com bastante margem de progressão, e um brasileiro que já mostrou bons pormenores, e que chega à cidade dos arcebispos incluído no negócio Lima, são dois exemplos de bons negócios, considerando o seu potencial.
Em suma, esta gestão de Salvador tem demonstrado não só que é possível formar plantéis competitivos a baixo custo (o Braga teve nesta última convocatória 5 jogadores na Selecção e praticamente não gastou dinheiro na contratação de nenhum deles), como demonstra que uma boa capacidade de vendas aliada a presenças assíduas nas competições europeias (Liga dos Campeões em particular) são um modelo financeiro e desportivo a seguir em tempos de dificuldades, sentidas sobretudo no futebol português.
Rui Alves

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