Videoton 3-0 Sporting (P.Vinicius 15′, F.Oliveira 21′ e Nikolic 35′)
O Sporting perdeu com o Videoton por 3-0, na Hungria. A equipa de Sá Pinto partia como favorita para este encontro, mas encontrou um adversário que, sem grandes argumentos, soube ser competente defensivamente (os leões demonstraram muita apatia) e eficaz nas ocasiões de que dispôs. Um resultado vergonhoso para um clube da dimensão do Sporting (está em último num grupo acessível), que esgota a margem de manobra de Sá Pinto antes da deslocação ao Dragão (provavelmente haverão novidades nos próximos dias, no futebol português não há tempo nem protecção a treinadores).
Em relação ao encontro, não há muito a dizer. Sá Pinto fez alguma rotação já a pensar no jogo do Dragão (jogaram Labyad, Jeffrén, André Martins, Gelson como lateral direito e Viola como ponta de lança, Pranjic e Boulahrouz regressaram das lesões), o Sporting teve mais posse de bola durante todo o encontro, mas demonstrou a habitual incapacidade na criação ofensiva. Por outro lado, os húngaros não perdoaram e aproveitaram os erros individuais de Pranjic (não chegou a uma bola pelo ar no primeiro golo) e Boulahrouz (ofereceu o terceiro golo).
Destaques:
Sá Pinto – Está desorientado. Começou a época com 3 médios que agora já não têm lugar. Passou de um esquema demasiado defensivo para uma estratégia arriscadíssima (não tanto neste jogo). Hoje, Gelson foi opção para lateral direito e Viola para ponta de lança (foi visível a diferença quando o argentino passou a jogar mais solto). Não há fio de jogo (no início de época o Sporting tinha o controlo de todos os jogos e um modelo baseado na posse de bola) e o treinador não consegue deixar de passar as suas emoções para dentro do relvado. Sempre deu o corpo às balas, mas já nem o discurso é o que se viu inicialmente. O problema dos leões chama-se falta de liderança. Falta de ambição. E não será por mudar de treinador que o panorama se vai alterar radicalmente.
Sporting – Jogo fraco. Sem garra, sem dinâmica, pouca movimentação e, acima de tudo, pouca imaginação. Defensivamente a equipa e os jogadores cometeram vários erros que foram decisivos para esta derrota pesada. Também não houve grande reacção na segunda parte. Individualmente, Viola foi o mais inconformado, quando passou a jogar sobre um flanco (tentou vários remates). Boulahrouz e Pranjic, regressados de lesão, cometeram erros individuais graves; Izmailov esteve abaixo do que produziu nos últimos jogos; Rinaudo esteve muito mal (abordagem ridícula no início do lance do segundo golo); Labyad e Jeffrén estão claramente com falta de confiança (são poucas vezes opção e quando são lançados nestes jogos mostram pouco) Também por aqui se vê que o problema é psicológico, não tanto da qualidade dos jogadores (ambos têm um talento incrível).
Videoton – Uma equipa organizada, com processos simples, que se destacou pela sua eficácia, tanto defensiva como ofensiva. Não acompanhamos o campeonato húngaro, mas pelo que se viu hoje, Paulo Sousa está a fazer um bom trabalho com os recursos que tem à disposição. Destaque para os portugueses Caneira e Filipe Oliveira, que fizeram excelentes exibições.


