Com o estatuto de suplentes, não pela falta de qualidade, mas sim por opção técnica, Chicharito Hernández e Dzeko têm dado uma resposta à altura das adversidades que vão enfrentando. A resposta de ambos é simples, prática e eficaz: golos. Golos de todas as formas e feitios e em diferentes competições. Em ambos os casos, o balançar das redes tem sido sinónimo de vitórias e pontos, quer para United, quer para o City. O mexicano já leva 8 golos marcados nas diferentes provas, tendo anotado 7 nos últimos 5 jogos em que foi utilizado. Por sua vez, Dzeko já facturou por 7 vezes, sendo que 6 delas foram na Premier League e, directamente, conquistou 9 pontos para os Citizens. São neste momento os 2 jogadores que menos minutos precisam para marcar golos, é certo que isso pode ser fruto do momento que entram nas partidas, mas é inegável que estamos perante 2 avançados que podiam ser figuras caso estivessem noutro projecto. Chicharito é uma espécie de Falcao, é juntamente com o colombiano o avançado que joga melhor no espaço a nível Mundial (perde em termos de jogo aéreo, mas é mais rápido), já Dzeko é uma espécie de avançado perfeito: alto, móvel, forte no jogo aéreo, excelente finalização, e uma técnica interessante.
A cidade de Manchester apresenta neste momento os 2 clubes mais fortes de Inglaterra: de um lado o milionário campeão inglês, do outro o emblema mais titulado em terras de sua majestade. Apesar das diferenças óbvias, a categoria dos seus futebolistas fazem inveja a qualquer um, United e City destacam-se, sobretudo, pelo seu poderio ofensivo. Rooney, Van Persie ou Welbeck de vermelho; Agüero, Tévez ou Balloteli de azul. Como se estes nomes não bastassem, ainda há Javier “Chicharito” Hernández, de um lado, e Dzeko, do outro. E aqui está outro aspecto em comum entre os dois clubes…ambos vindos do banco. Não são titulares, mas marcam golos. Mais do que balançar as redes adversárias, quer Chicharito, quer Dzeko têm sido decisivos, uma vez que já ofereceram diversas vitórias às suas equipas. Aos 24 anos, Hernández chegou ao United como a grande esperança do futebol mexicano. Custou qualquer coisa como 10M€, tornando-se o primeiro mexicano a jogar pelos Red Devils. Perspectivava-se uma carreira de sucesso em Inglaterra, principalmente depois do seu arranque auspicioso. Todavia, e quando se pensava que iria explodir em definitivo, Chicharito acabou por ser relegado para o banco. Ferguson optou por Welbeck (que fez uma excelente época no ano passado) e já esta temporada viu chegar Van Persie, deixando o jovem avançado na sombra dos restantes. Na mesma situação está Edin Dzeko. O caso do bósnio é em tudo idêntico ao do seu colega de profissão. Depois de fazer uma dupla de sucesso com Grafite no Wolfsburg e ter sido o melhor marcador da Bundesliga, os Citizens avançaram para a sua aquisição. Num plantel que contém grandes nomes na frente de ataque, o internacional bósnio nunca se assumiu como titular absoluto e, apesar da rotatividade em que Mancini tem apostado na presente temporada, Dzeko continua a ser uma alternativa aos habituais titulares.
Deviam merecer mais vezes a titularidade, ou as características de ambos são mais potenciadas quando saem do banco? Se representassem outros clubes, principalmente no caso do bósnio, eram fortes candidatos ao título de melhor marcador? Algum deles poderá imitar Berbatov esta época (o búlgaro foi o melhor marcador em 2010-11 apesar de ser suplente no United)? No ranking dos melhores avançados da actualidade em que lugar estão os 2? E ainda no que diz respeito ao Man Utd, será o quarteto: Rooney, RVP, Welbeck e Chicharito mais forte do que Cole, Yorke, Teddy Sheringham e Ole Gunnar Solskjær? É justo afirmar que são as duas equipas com melhores soluções ofensivas (a nível de zona central) no Mundo?
André Mesquita



