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Taça do Rei: Real Madrid vs Barcelona – Será desta, Mourinho?

Todos os grandes tem o seu calcanhar de Aquiles. O Real Madrid não é diferente, mas Mourinho procura inverter a situação diante de um rival que, no último ano e meio, só conseguiu superar por uma vez e no prolongamento, cavando um fosso entre ambos que nem a mestria táctica do português tem sabido contornar. A pergunta terá que ser feita ao Real Madrid enquanto instituição e rival histórico, e não a José Mourinho, que outrora, com armas menores (Inter), silenciou Camp Nou: será desta, Real? Ficam algumas pistas do que poderá Mourinho ajudar a alterar para que, amanhã, a ampulheta corra a favor do jogo merengue. Os gritos de guerra sucedem-se (as maravilhas tecnológicas permitem-nos atestar isso mesmo com as imagens do túnel de acesso ao relvado), mas a verdade é que a coragem dos jogadores do Real Madrid ainda não passou das palavras: é notória a quebra psicológica diante do Barcelona, encabeçada e ampliada pela sistemático desaparecimento de Cristiano Ronaldo nesses confrontos. Ronaldo gosta de desafios, pelo que é de difícil compreensão este apagamento da estrela lusa. O resto, vem por arrastão: Ozil, Di Maria, Benzema (sempre o menos mau), parecem não aguentar com o fardo que transportam. O fardo de uma grande fatia de adeptos em Espanha que, não afecto ao Barcelona, anseia por ver esta supremacia terminada.
Nem o factor casa tem valido ao Real. Poderia pensar-se que o embalo ganho no campeonato poderia resultar numa janela de oportunidade nestes duelos mas tal não sucede: o Real Madrid cai em casa, e não leva argumentos importantes que depois possa batalhar por eles fora de portas. A intranquilidade reina, seja onde for, desde que à frente apanhem Pep Guardiola. Porém, o sucesso poderá passar, apenas, seguindo essa via: a do conforto de uma vitória caseira, já que é suicida jogar de peito aberto em Camp Nou. Vencer em casa, estacionando um autocarro com capacidade de aceleração em Camp Nou. Não estou com isto a dizer que as preocupações do Real se devam remeter às defensivas: aliás, quando a equipa de Mourinho conseguiu sufocar o Barcelona, no último jogo entre ambos, foi notório o mal-estar dos jogadores blaugrana face ao esquema montado pelo português. Usar as armas que o Barcelona usa: supressão de espaços, marcação a toda a largura. Depois disso é saber responder a Pep, que já provou fazer omeletes com ovos de qualidade não comprovada. Poderá parecer demasiado trabalho de laboratório, ainda por cima diante de uma equipa que parece ter saído das ruas e apresentando uma química invulgar, mas se há “experimentalista” de sucesso no mundo do futebol, esse, nasceu em Setúbal. Prognósticos? Será desta que Mourinho (desde que está ao serviço do Real) vai conseguir superar o Barça (ignorando o prolongamento na final da Taça do Rei)? Ou teremos mais uma lição de futebol do Barcelona (como tem sido habitual no último ano e meia)? Será desta que o Real consegue afastar o complexo de inferioridade em relação aos catalães e jogar o jogo pelo jogo (não desesperando com a excelência ao nível da posse de bola e capacidade de pressão do conjunto orientado por Guardiola)? E nos duelos individuais, teremos um Ronaldo pela 1ª vez frente ao Barça a assumir o jogo, potenciar o seu futebol e a ser decisivo (ou estará escondido e apagado como tem sido habitual nestes clássicos)? Que 11’s vão apresentar Mourinho e Guardiola? Que jogadores podem ser decisivos amanhã?

A. Borges

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