Quanto ao jogo, a Áustria, qual Islândia, teve logo a abrir uma soberana hipótese para marcar, mas Harnik cabeceou ao lado quando tinha tudo para fazer golo. A partir daí… bem, a partir daí, só deu Portugal. Nani foi o primeiro a testar Almer com um remate rasteiro e na sequência Vieirinha também visou a baliza, mas atirou por cima. Depois foi Ronaldo a atirar ao lado, numa combinação entre Nani e Guerreiro, com o mesmo Nani a cabecear ao poste pouco depois (Moutinho, na recarga, rematou para fora). Ainda antes do intervalo, CR7 voltou a ter uma hipótese, mas rematou fraco, já do outro lado foi Alaba de livre a quase marcar, mas Vieirinha cortou quando Patrício estava batido (abordou mal o lance). No segundo tempo, Harnik voltou a entrar a criar perigo com um remate rasteiro de fora de área, mas o guardião português defendeu. Ronaldo estava desastrado no jogo, mas acordou e em 2 minutos teve duas excelentes oportunidades para desfazer o nulo. Primeiro numa bomba de esquerdo do meio da rua, para na sequência do canto, testar Almer de cabeça. Esta não era mesmo a noite do capitão português, que dispôs aos 79 minutos da melhor hipótese para oferecer a vitória a Portugal, mas atirou ao poste na sequência de uma grande penalidade. Pouco depois, viria mesmo a marcar, mas partiu em posição irregular na altura da marcação do livre lateral. E o nulo persistiu mesmo até final.
Rui Patrício – dois sustos, em que num dos lances foi surpreendido pelo centro-remate de Alaba. De resto, limitou-se a jogar com os pés.
Vieirinha/Guerreiro – os laterais envolveram-se no processo ofensivo, com mais qualidade por parte do esquerdino. Defensivamente não tiveram problemas, mas Vieirinha ainda tirou um golo feito.
Pepe/Carvalho – exibição competente do duo de centrais; Carvalho usou da capacidade de antecipação para ganhar os lances, e Pepe destacou-se pela saída de bola, com algumas investidas no ataque.
William – um dos melhores no primeiro tempo, em que dominou as operações usando o físico e criou lances de perigo através dos passes longos para as alas. Destacou-se pelo modo como recuperava a bola e saía a jogar, mas foi perdendo preponderância à medida que a Áustria se encolhia.
Moutinho – voltou a ser o elemento com menor rendimento, raramente colocou bolas a rasgar em colegas desmarcados, perdeu duelos individuais, e ainda queimou com alguns passes de risco.
André Gomes – esconde-se um pouco do jogo, mas quando aparece mostra todos os atributos técnicos. Encarregue de fechar à esquerda, foi importante nas tarefas de progressão após recuperação de bola, mas faltou algo no último terço.
Nani – atirou uma bola de cabeça ao poste, teve um golo nos pés após jogada individual, criou alguns desequilíbrios, mas foi o primeiro da frente a perder fulgor físico. Longe de ser o jogador decisivo que foi, nem sempre conseguiu impor velocidade no flanco.
Quaresma – foi dos mais inconformados, criando perigo em jogadas individuais, e colocando alguns cruzamentos na área. Faltaram os remates, talvez por estar demasiado encostado à linha, e sem possibilidade de explorar as diagonais.
Ronaldo – noite para esquecer. Sempre que CR7 jogou longe da baliza (teoricamente devia proteger-se e jogar mais na frente) perdeu os lances, ora por falta de capacidade física (a reacção e arranque não estão lá) ora por excesso de adorno. Em termos de finalização, esteve desastrado; ainda mostrou qualidade num remate de pé esquerdo seguido de um potente cabeceamento, mas foi sol de pouca dura. E na grande penalidade, voltou a vacilar.
João Mário – entrou numa fase em que Portugal jogava com menor clarividência, integrou-se no assalto final, mas sem se destacar.
Éder – limitou-se a tentar, sem sucesso, ganhar lances aéreos.
Rafa – imprimiu velocidade ao flanco esquerdo mal entrou, mas ser figura a entrar aos 88 minutos é complicado.
Áustria – Pouco… muito pouco. Os austríacos estavam catalogados, à partida, como a 2.ª seleção mais forte do grupo e têm mostrado que são o pior conjunto dos 4. A defesa treme, o meio-campo só defende e o ataque mal incomoda. No encontro de hoje fizeram apenas 4 remates, tal como a Islândia, a diferença é que defensivamente demonstraram pior organização que os nórdicos. Individualmente, a grande (e única) nota de destaque vai para o guardião Almer, que embora tenha mostrado fragilidades ao nível do jogo de pés, defendeu tudo o que havia para defender. O quarteto defensivo sofreu imenso, no meio-campo Ilsanker e Baumgartlinger (muito faltoso) não apareceram na frente, já o ataque, com Alaba irreconhecível (a verdade é que não fez uma boa época) viveu do que Harnik criou, sendo que Arnautovic tentou aparecer mas raramente foi feliz.


