A primeira parte teve domínio claro da Bélgica, que jogou instalada no meio-campo contrário. No entanto, os Diabos Vermelhos por poucas vezes conseguiram criar desequilíbrios e momentos de finalização, tendo as melhores oportunidades pertencido a Hazard (remate para fora quando estava em excelente posição) e Alderweireld, que viu o seu cabeceamento ser cortado em cima da linha por um defesa irlandês. O segundo tempo começou da melhor maneira para a selecção belga, que logo a abrir chegou à vantagem na sequência de uma transição rápida, com Lukaku a não perdoar em zona frontal. A Irlanda reagiu, mas sem mostrar arte e engenho para incomodar Courtois e ainda para mais beneficiando a qualidade dos pupilos de Wilmots, que passaram a ter mais espaço e conseguiram chegar ao 2-0, com Witsel, depois de uma boa troca de bola, a aparecer de trás e a corresponder da melhor maneira a um cruzamento de Meunier. A Bélgica continuou a carregar e rapidamente conseguiu ampliar num contra-ataque, com Lukaku, servido por Hazard, a não perdoar na cara de Randolph e a bisar. Até ao final, o ritmo de jogo baixou, com a Bélgica a gerir a bola e a conseguir construir alguns lances de perigo, mas sem conseguir dar mais expressão ao triunfo.
Bélgica – Uma das equipas que chegou a França com maiores expectativas consegue um resultado gordo que permite ganhar confiança e até serenidade tendo em conta o que falta jogar. Os Diabos Vermelhos não encantaram em ataque organizado (dificuldades para promover uma circulação que crie ocasiões de golo perante defesas muito fechadas), mas provaram que, se o adversário permitir que existam contra-ataques, há poucas formações neste Euro que possam fazer tantos estragos como a belga. Agora resta aos homens de Wilmots não facilitarem na última jornada, frente à Suécia, para superarem a 1ª fase. Individualmente, Meunier acrescentou muito mais do que Ciman no papel ofensivo, tendo dado mais profundidade e capacidade com bola, tendo culminado uma boa exibição com a assistência para o 2º golo, enquanto que no meio-campo a entrada de Dembelé trouxe maior clarividência no passe. Witsel leu muito bem o espaço para aparecer a finalizar no golo que apontou, ao passo que Carrasco teve um papel importante pela forma como, ao contrário do que fazem a maior parte dos seus colegas, solicitou a bola no espaço, fazendo desmarcações em ruptura (ainda assim deve melhorar ao nível da decisão e procurar ser um pouco mais preciso nas suas acções). De Bruyne fez uma 1ª parte aquém do que se pede (deu-se pouco ao jogo) mas no 2º tempo melhorou bastante, sendo decisivo no lance que abre o marcador, ao passo que Hazard, que também fez uma assistência, confirmou as boas sensações que havia deixado frente à Itália, já que assumiu sempre o papel de líder, sem medo de pegar na bola e assumir o jogo. Na frente, Lukaku, depois de uma 1ª parte quase despercebido, brilhou nos segundos 45 minutos com 2 golos nas 2 oportunidades de que dispôs.
República da Irlanda – As boas indicações do 1º jogo não foram confirmadas. Durante a 1ª parte, a equipa somente defendeu (tendo conseguido fazê-lo de forma eficaz, diga-se), mas na 2ª revelou pouca inteligência táctica, ao deixar que a Bélgica usasse aquela que é, de longe, a sua maior arma: o contra-ataque (já havia sido assim que tinham criado a melhor oportunidade frente à Itália). Assim, os irlandeses abandonam Bordéus com uma derrota clara e obrigados a bater a Itália na última jornada para sonhar com seguir em frente. No plano individual, O’Shea e Clark não tiveram argumentos para responder quando os avançados belgas surgiam de frente, ao passo que nomes que haviam mostrado a sua qualidade frente à Suécia como Hendrick, Brady ou Hoolahan limitaram-se a correr atrás da bola, sem capacidade para dar algo de qualidade à sua equipa.


