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Treinador ou formatador?

Todos os fins-de-semana estou presente em vários jogos de formação e observo bastante tudo o que os integra. O que mais me surpreende, pela negativa, são os feedbacks dados pelos treinadores, e mesmo sem ouvir estes mesmos e apenas vendo a equipa a jogar dá para notar que os jogadores estão formatados a realizar “x” tomadas de decisão.

Num exemplo prático, qual o sentido de uma equipa de sub-11 estar trabalhada nos grandes momentos de jogo e realizar uma linha defensiva estruturada? Estarão os treinadores a evoluir o jogador ou a criar/evoluir a sua equipa/maneira de jogar?

Infelizmente existem muitos treinadores que pensam em jogar para vencer ou a copiar e a tentar aplicar o estilo de jogo da sua equipa favorita esquecendo-se da principal razão de serem treinadores de formação: formar jogadores.

Os jogadores não são robots e ser treinador não é jogar playstation.

A realidade é mesmo essa, basta vermos um jogo de formação e ouvirmos o treinador a dar feedbacks como: passa a bola para o “Quim” agora passa para o “Manel”, remata, cruza, não devias ter rematado, etc… Não existem contextos iguais, não existe um único momento igual no próprio jogo nem de jogo para jogo, portanto o treinador não deve definir um caminho, mas sim vários caminhos para atingir um fim e deixar serem os jogadores a escolher o melhor caminho. Os jogadores não podem ser mecanizados nem devem ter medo de errar, devem sim sentir-se confortáveis para errar e para tomar as decisões que acharem mais corretas no momento mais pertinente.

Os jogadores precisam de liberdade, de tempo e espaço para evoluir e, mais importante, saberem que podem arriscar para terem a confiança necessária.

Visão do Leitor: João Castro, Coordenador formação Associação Desportiva Ninense

5 Comentários

  • FVRicardo
    Posted Abril 1, 2020 at 10:32 pm

    O treinador na formação deve ser a pessoa mais altruísta. Deixar de parte o seu sucesso pessoal em prol do desenvolvimento dos seus subordinados.
    A formação deve focar-se no desenvolvimento TÉCNICO dos jogadores. Claro que é necessário um minimo de organização numa equipa de futebol, mas hoje em dia apenas se penas no “xadrez tático” e não se dá liberdade aos miúdos para desenvolverem as suas qualidades técnicas.
    Hoje em dia preocupam-se tanto com posicionamento tático e esquecem-se de ensinar os pormenores que se tornam em pormaiores como com que pé receber a bola, orientação corporal, assumir risco no passe, no drible, tentar trocar a bola de um lado ao outro do campo.
    Na formação até aos juvenis não deve haver pressão nenhuma para obtenção de resultados e muitas vezes é o treinador o primeiro a quebrar essa regra. Formatam as equipas para vencer, os miúdos sentem uma grande pressão desde muito novos e “fartam-se” do futebol. Outra hipótese que resulta dessa formatação é o facto de muitas equipas sairem sempre vencedoras e quando os jogadores dão o salto para os séniores estão acomodados à vitória e se não obtêm lugar na primeira equipa quebram psicologicamente.
    A formação não se trata apenas de desenvolver jogadores, mas sim homens. É preciso errar, falhar, perder, lutar, melhorar para haver desenvolvimento da pessoa e isso é o mais importante.

  • DNowitzki
    Posted Abril 1, 2020 at 10:39 pm

    Falta o futebol de rua: um pedaço de rua, um beco, um descampado, etc., quatro pedras a fazer de postes, anarquia de cada um pegar na bola, fintar metade dos adversários, incluindo o guarda-redes, parar a bola em cima da linha de golo imaginária, ajoelhar-se e marcar com a cabeça.

  • MiguelBionas
    Posted Abril 1, 2020 at 11:08 pm

    Boa noite.

    Sou leitor deste Blog desde há vários anos no entanto não costumo fazer comentários.

    Este tema merece a minha opinião apenas pelo simples facto de ser treinador de Formação num clube de referência no distrito de Viseu.
    Treinava nesta época que finalizou os sub11 e os sub17.

    E é verdade que existe o treinador playstation, mas começamos a ver menos esse treinador pelo menos nos clubes de referência que mesmo sendo amadores trabalham de forma muito profissional. Nesses clubes esse treinador não tem lugar até porque se por um motivo qualquer entrar num clube organizado com um filosofia correcta será chamado a atenção e se não perceber a mensagem sairá do clube.
    Mas dada a escassez de recursos em algumas regiões e por muitas vezes esses treinadores se oferecerem para o lugar gratuitamente leva a que existam. Mas essas questões são outros quinhentos..

    O futebol de formação tem várias fases e a evolução de cada criança/atleta varia, não existem duas crianças iguais. O espírito de sacrifício de luta pela vitória deverá sempre existir, mas o mais importante é que eles amem o jogo.

    Para finalizar na minha opinião essa questão tem vindo a ser trabalhada.

  • B.Jardim
    Posted Abril 2, 2020 at 12:36 am

    A verdade é que se o treinador não ganha é despedido.
    Além disso, que maneira para além dos resultados desportivos sugerem para aferir a qualidade do trabalho dum treinador e consequente evolução dos jogadores?
    Parece-me uma questão muito mais complexa do que o texto faz parecer.

  • Antonio Clismo
    Posted Abril 2, 2020 at 10:00 pm

    As escolas de futebol mais avançadas do país pelo menos dão mais liberdade aos jogadores nessas tenras idades e até passaram a incluir cada vez mais momentos de ”futebol sem regras” apenas para os miúdos se recrearem com a bola.

    Há no entanto imensas vantagens em praticar outros desportos ao mesmo tempo. Atletismo, basketball ou mesmo futsal são actividades que qualquer miúdo poderia praticar e iria chegar ao futebol de 11 mais bem preparado a todos os níveis.

    Cada vez mais o futebol é mais parecido ao futsal no momento defensivo e ofensivo posicional depois nas transições entra o poder atlético de cada um.

    Bem sei que cada vez menos as crianças dispendem tempo a praticar desporto. Se há 20 anos passavam 10 horas por semana a praticar desporto, agora nem meia hora passam.

    As políticas de desporto escolar são péssimas neste país e só chegam aos clubes uma infima parte dos bons jogadores que deveriam chegar em condições normais.

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