Impressionante. Quando parecia impossível travar Stipe Miocic (três defesas do Heavyweight Title sem grandes problemas), e num momento em que a divisão necessitava de sangue fresco, Daniel Cormier, que tardava a sair da sombra de Jon Jones, subiu de categoria, “despachou” Stipe logo no primeiro round e tornou-se apenas no segundo lutador da história do UFC a segurar dois títulos em simultâneo.
Realizou-se durante esta madrugada o mais recente PPV do UFC. Num evento dominado por um blockbuster no main-event (confronto entre o Light Heavyweight Champion Daniel Cormier e o Heavyweight Champion Stipe Miocic, pelo cinto deste último), tivémos surpresas, bons momentos e, enfim, dificilmente poderíamos pedir mais.
Na abertura, Khalil Rountree Jr., beneficiando de uma entrada em grande, não sentiu dificuldades para derrotar Gokhan Saki, alcançando um TKO ainda no primeiro round. De seguida, numa luta que se previa dividida (e entre dois lutadores que vinham de derrotas), o antigo campeão Anthony Pettis venceu Michael Chiesa, através de submissão, no segundo round. Num dos combates mais interessantes da noite, Pettis até começou mal, sofrendo com as investidas do adversário, que inclusivamente conseguiu dois takedowns que poderiam ter sido fatais. O “Showtime”, contudo, não só resistiu como ainda fechou o primeiro round confiante, acabando por subjugar Chiesa no segundo, melhorando o registo pessoal para um 21-7.
Depois da vitória de Pettis, entraram no octógono Paul Felder e Mike Perry, num duelo de Welterweights. Felder, 14º classificado no ranking de Lightweights arriscou mudar de categoria (perante a ausência de Yancy Medeiros) e, apesar de uma exibição de bom nível, não foj capaz de triunfar. A luta, facilmente a mais sangrenta e entusiasmante da noite, sorriria a Perry, com split decision (29-28, 29-28, 28-29), mas Felder, que terá iniciado o terceiro round com o braço direito partido (pelo menos foi o que comentou com a sua equipa), vendeu cara a derrota, obrigando o adversário a um esforço suplementar. Um bom espectáculo.
Antes do main-event, Derrick Lewis e Francis Ngannou desiludiram, oferecendo um espectáculo francamente pobre. Com ambos os lutadores na expectativa, obviamente temendo o que o outro poderia fazer, nenhum tomou a iniciativa, destacando-se, pela negativa, Ngannou, que há apenas seis meses enfrentava Miocic pelo título mundial de pesos pesados. Fechados uns longos 15 minutos, Lewis conquistou a vitória, por decisão unânime (29-28, 29-28, 30-27), aumentando para 20-5 o registo; já o camaronês, que parecia invencível há um punhado de meses, continua sem ser nocauteado, mas averbou a segunda derrota consecutiva e começa a complicar o seu futuro.
Por fim, no momento mais esperado do evento, Daniel Cormier enfrentou Stipe Miocic. Apesar do favoritismo de Stipe (além de ter partido para a luta com três defesas de título consecutivas – número excepcional numa divisão tão competitiva como a Heavyweight – o adversário mudava de categoria, algo que nem sempre é positivo), DC provou pertencer à elite (os recentes confrontos com Jon Jones e o facto de ter segurado durante imenso tempo um título “que não era seu” levaram à criação de uma ideia negativa em torno da sua capacidade), alcançando uma vitória chocante, com KO no primeiro round. O feito é ainda mais extraordinário olhando para o historial de Miocic: esta foi somente a sua terceira derrota, primeira em três anos e meio, sendo que desde 2012 que não era nocauteado. No final, Cormier chamou Brock Lesnar, desafiando-o para um combate pelo recém conquistado Heavyweight Championship – o próximo blockbuster de Dana White, ainda sem data definida.
António Hess


10 Comentários
jmkk
Boas surpresas neste card, falo exclusivamente do DC e da forma como o Pettis se apresentou depois de muitas derrotas mostrou a sua melhor forma de novo, agora começa o “grind” de novo como ele próprio disse, Chiesa fica mal na fotografia e já são duas seguidas e nesta inclusive não bateu o peso.
Adorei a luta do Perry e do Felder, com esta derrota o Felder deve voltar aos 155 onde até faz parte do top15, quanto ao Perry mais uma demonstração de força, raça e muito querer, o trabalho na Jackson Wink a dar frutos e só tem 2 meses de trabalho lá, é um fan favorite e foi uma vitória importante para ele porque a perder ficava com 3 seguidas e já vi lutadores a serem dispensados por menos.
Quanto há luta do Lewis x Ngannou tive de me levantar da cama para não adormecer, não sei se esta é a forma possível do Francis se apresentar depois da tareia que levou do Miocic mas se for assim estou como diz o Rogan, ele vai precisar é de um psicólogo, Lewis jogou no contra-golpe mas o Francis nem atacou.
No Main Event acho que toda a gente vai ficar contente mas com um sabor amargo também porque o Stipe é um excelente role model para toda a gente, pensava que ganhasse e depois de ver os primeiros 4 minutos de luta pensei mesmo que o Wrestling e clinch do DC não ia ser suficiente mas levou o plano bem estudado e é complemente merecido, muitos parabéns Daniel “GOAT” Cormier.
Para finalizar dar só uma palavra de nojo da promoção barata ao nível da WWE que foi feita no final, ofender dois lutadores que acabam de perder os seus respectivos combates não foi uma manobra muito inteligente e o Dana White deve pensar que andamos todos a comer gelados com a testa, aquilo obviamente foi tudo “scripted”.
António Hess
O que dizes no final é verdade, mas o UFC neste momento vive muito deste género de promoção. Vende mais. Aliás, basta ver que 50% da ascensão do McGregor assentou no “trash talk”, aquela rivalidade DC/JJ também deu muito dinheiro, o próprio Lesnar, que durante muito tempo foi a “galinha dos ovos de ouro” ganhou a reputação na WWE.
Estranho é o Dana White, no início, ter atacado tanto a WWE (com a conversa do “aqui é que se luta a sério”) e agora andar a usar métodos deles para a sua companhia. E nem tampouco faz sentido tirares o Lesnar da “reforma” ,e depois do que se passou em 2016, e ofereceres-lhe de bandeja uma oportunidade pelo título… Mas pronto, quando o dinheiro fala mais alto é assim.
jmkk
Subscrevo as tuas palavras Hess, é estranho e até passa aquela mensagem que podes usar PED’s se tiveres um enorme mediatismo, por este andar o Jones fecha o ano no cartaz de Dezembro a lutar com um Brad Pitt qualquer.
A situação do Lesnar é muito complicada, cresci no auge da WWE e sempre gostei do Brock, acompanhei a transição dele para o MMA e foi aí que fiquei fã mas desde o 200 que tenho perdido muita admiração por ele, mas é isso tudo do dinheiro porque não o vejo a ganhar ao DC mas por uns bons milhões acho que também eu lá ia uns segundos.
RLuz
Apesar de achar que esta super fight entre DC e o Lesnar, penso que não seria justo para outros lutadores que estão na contenção pelo título, dado que o Brock Lesnar anda a «pular» entre a WWE e o UFC.
Era mais justo ele fazer alguns combates até poder ter a hipótese de disputar o título,mas pronto este é um combate muito difícil de se dizer não por tudo o que irá estar em discussão.
jmkk
Nessa questão eu tenho de concordar com o Hess porque depois do absurdo de dinheiro que foi dado aos fertitas e ao dana para a aquisição da empresa eles tem de reaver o investimento e o Lesnar vende e muito, mas quando dizes que não é justo para os outros lutadores que estão em contenção eu concordo contigo mas o problema é que tanto o Volkov como o Blaydes não tem mediatismo suficiente para encher o Garden no UFC 230, já nem estou a contar com o Lewis porque depois daquela prestação não vai lutar pelo cinturão tão cedo.
Logo a luta DC vs Lesnar faz sentido, só não concordei com a forma que foi promovida esta noite.
touny71
Isso dos ranks e justiça pouco interessa.
O Stipe limpou a divisão. O Cormier luta contra o Lesnar e depois retira-se
touny71
Incrível!!
Absolutamente incrível!!
Uma noite de comebacks!
Há um ano atrás o Cormier estava no octógono a chorar, a dizer que não havia rivalidade após ser derrotado 2x b2b pelo Jones, hoje é campeão LHW e HW.
Absolutamente dominador!
E o final do PPV com o callout ao Lesnar está ao nível dos melhores dias da WWE.. Hoje ele cumpriu um sonho, viu – se bem pelo brilho nos olhos dele.
Destaque ainda para o Lewis, que vai ganhando cada vez mais fãs.. Apesar de ter sido provavelmente a pior luta de sempre na UFC e ter descarrilado o hype train do camaronês, teve a humildade de admitir no final que não foi uma boa performance.
Mike Perry a voltar às vitórias com uma performance sólida e inteligente! Assim como Pettis, a vencer no terreno adversário. Ambos lutadores muito entusiasmantes!
E a performance do Borrachinha também foi qualquer coisa.. Se conseguir continuar a derrotar a usada temos aqui O Campeão brasileiro, um verdadeiro TRT Belfort..
Será interessante que ele e o Adesanya continuem a acumular vitórias para daqui a 1ano se possam enfrentar pelo cinturão.
Carlos C.
Grande PPV!
Tinha tudo para ter corrido muito errado mas do mal o menos e acabou por superar em muito as expectativas, desde a queda do DC, ao Max ter sido retirado da luta por exibir sintomas de concussões.
Falando das lutas em si.
Raphael Assunção vs Rob Font 3×30-27
Muito risco para o num 3 a aceitar uma luta contra um Rob Font que vinha de uma boa vitória, mas a mostrar claramente que está uns bons furos acima dele. 1 round muito equilibrado mas depois de ter sofrido um takedown no 2 round Font nunca conseguiu mostrar mais nada e foi presa facil pra Assunção.
Paulo Costa vs Uriah Hall TKO 2 round
Paulo “the usada phenomen” Costa a manter o seu registo de zero derrotas, muita boa luta com Costa a trabalhar muito bem as combinações e a ir várias vezes ao corpo de Hall. Com apenas 27 anos se a USADA não o apanhar poderá estar aqui um lutador que chegará aos ouro. Costa vs Romero era lindo de ser ver ahahah.
Khalil Rountree Jr. vs Gökhan Saki KO 1 round
9 strikes foram o suficiente para Khalil arrumar um dos melhores kickboxers de sempre.
Anthony Pettis vs Michael Chiesa Sub 2 round
Showtime is back b****, depois de 1 primeiro round fraco finalmente o Pettis a mostrar porque é que foi um dos melhores e ainda o é daquela div.
Ainda bem que ele deixou de inventar e focou-se naquilo que é bom e a conseguir uma submissão num lutador que ainda há pouco tempo tinha insultado o Lee por ter falhado peso e agora falhou ele.
Mike Perry vs Paul Felder split 2×29-28 28-29
O melhor combate da noite com dois bons stand up fighters.
Felder que desde a 1 round tinha o braço partido a aguentar as dores e dar muitas dores de cabeça a Perry. Espero que volte ao seu peso de origem pois lá poderá fazer a diferença.
Perry com bons movimentos e sempre com um muito bom cotovelo na saida do clinch e a mostrar tambem um bom takedown.
Parece que a mudança de ares fez-lhe bem e está no gym certo para poder melhorar o seu jogo que nos dois ultimos combates foi bastante exposto como fraco e muito uni-dimensional.
Derrick Lewis vs Francis Ngannou 2×29-28 30-27
Péssimo, houve mais acção na conferencia que na luta em si…
e agora o Main event
DC DC DC!
Daniel “D(double) C(champ) Cormier vs Stipe Miocic Ko 1 round
Grande DC a mostrar que entrou na conversa dos GOAT, ele que originalmente era heavy mas que baixou de peso devido ao Cain, grande combate e a mostrar que o plano clinch dirty boxing and repeat.
Tenho pena pelo Stipe mas DC foi claramente o melhor esta noite
Sempre que Stipe se aproximava DC dava sempre um low kick para o tirar do balanço e depois atava com o seu jab. E quando Stipe começava a mostrar combinações DC ia sempre para o underhooks e tentava um pouco de dirty boxing. O que resultou e o resto é história.
Sobre o final do evento
Já se sabia que o vencedor iria lutar contra o Lesnar já tinha sido mais que falado e olhando para o resto da div, mesmo sendo uma vergonha um lutador que está sempre todo turbinado lutar pelo titulo, não existem muito mais opções para DC nos heavy.
Olhando para o rank não existe ninguém que venda muitos PPV logo Lesnar era a escolha óbvia. E não esquecer que DC já disse que planeava retirar-se logo nada melhor que uma luta que lhe vai dar o maior bonus da vida dele
Rabensandratana
Continuo a achar que o único lutador que pode fazer frente ao DC é o sueco Gustafsson que por acaso até já perdeu com o americano.
Platinium Mike Perry a mostrar a raça do costume mas desta vez foi inteligente e geriu muito bem o esforço, espero vê-lo até final do ano no top 8.
Chiesa tinha ganho o primeiro round mas lá está o excesso de confiança dá azo ao adversário sobressair-se e foi o que se sucedeu, o Showtime deu-lhe um pouco do seu rémedio preferido uma chave.
Nos pesos pesados no co main event The Beast a cumprir muito bem a estratégia frente a um apático camaronês que tem um soco mortífero mas um cerébro mais pequeno que uma ervilha (errou em todos os aspectos) mesmo no terceiro round pouco ou nada fez para inverter os primeiros dois rounds.
Slayer666
Certo…mas contra o verdadeiro champ DC tem 0-0-2
Ao Jon “Bones” Jones só lhe ganhou na secretaria…não que seja culpa dele, mas o facto real é que dentro do octagon DC perdeu sempre com o “real champ”