Portugal é historicamente um destino turístico. As praias lusitanas são o aperitivo, a juntar ao custo de vida mais baixo do nosso país comparativamente ao resto da Europa, sobretudo as grandes potências: Reino Unido, Alemanha, Itália, Espanha e até mesmo França. Esta situação alastra-se, desde alguns anos a esta parte, ao futebol nacional e ao nosso campeonato.
Os clubes portugueses, sem excepção, são vendedores. Não existe forma de manter os jogadores com qualidade que se exibem nos nossos relvados, e actualmente, esta parece ser a fórmula dos nossos clubes em garantir competitividade a curto prazo. Ao olharmos para os três grandes, FC Porto e Benfica são os dois clubes que mais seguem este modelo, sobretudo nas suas apostas no mercado sul-americano. Lucho, Lisandro, Falcão, Di María, Ramires, Cardozo ou D.Luiz são os casos com maior sucesso, sendo que 5 deles já fizeram “as malas” e rumaram a outros campeonatos. Os restantes, não tardarão em ir embora face às suas qualidades e ao interesse que os “tubarões” demonstram nos seus serviços. A aposta é clara: comprar novo, rentabilizar e vender de seguida. É um ciclo que se renova a cada temporada apesar de por vezes nem sempre existir sucesso garantido: Bollatti, Leandro Lima, Shaffer ou Patric são bons exemplos de erros de casting. Em Alvalade, a política do Sporting é afectada pela falta de dinheiro. A constante aposta na formação teve este ano um retrocesso, tendo em conta a aposta em jogadores experientes. Apesar disso, o passado dos leões revela negócios idênticos aos dos seus rivais: Celsinho ou Tello foram aquisições nesse sentido mas vieram a revelar-se autênticos “flops”.
É compreensível esta política dos clubes nacionais, já que não possuem os mesmos argumentos dos colossos europeus. A juntar a isso, a qualidade da Liga Zon-Sagres está aquém das grandes ligas europeias o que aumenta o interesse dos melhores jogadores em rumar a outras paragens, pois a folha salarial e a visibilidade são muito superiores aquelas obtidas em Portugal.
Não se pode rotular de positivismo toda esta situação. A constante aposta em jovens estrangeiros, retira a possibilidade dos novos valores nacionais emergirem no nosso campeonato, salvo raras excepções (como o Paços de Ferreira) e nesse sentido, os jovens formados nos três grandes são os mais afectados. O FC Porto, depois dos empréstimos de Ukra e Castro não tem qualquer elemento formado no clube inscrito na liga, enquanto o Benfica resume-se a Roderick e Moreira e nenhum dos dois joga regularmente. O Sporting é excepção neste aspecto, apesar de não ter as mesmas “jóias” de outros tempos. No somatório final, somos um país de paragem obrigatória que serve essencialmente como uma montra para o exterior e com equipas capazes de potencializar o futebol de jovens oriundos dos campeonatos sul-americanos. Otamendi, Gaitán, Jara e Torsiglieri são os casos mais recentes nesta forma de negócio. Portugal perde com isto. E o espectáculo também.
O que leva o nosso campeonato a ser uma mera rampa de lançamento para outros palcos? Deveria existir uma regra clara e concreta para que exista um número mínimo de jogadores portugueses em cada equipa?
A.Mesquita

