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Um lance de bola parada desequilibrou (injustamente) o derby a favor do Benfica; Sporting foi superior, teve mais oportunidades (Elias falhou “3 golos feitos”), mas Javi nas alturas colocou as águias no 1º lugar da Liga

Benfica 1-0 Sporting (Javi Garcia 41′)

Benfica e Sporting entraram em campo para mais um derby, no qual a cabeça de Javi Garcia e a ineficácia de Elias ditaram o resultado final. Na opinião do VM, o resultado mais justo seria o empate, tendo em conta o volume de jogo e oportunidades de golo do Sporting e da maneira como o Benfica soube defender na situação de inferioridade numérica. Este jogo foi a prova daquilo que o VM desde há muito tem vindo a afirmar. As bolas paradas assumem cada vez mais importância no futebol actual, e nisso o Benfica é de longe superior ao Sporting. As grandes partidas resolvem-se nos pormenores e a maior experiência do clube da Luz foi fundamental. Os encarnados foram eficazes e souberam sofrer na parte final. Mérito para Jorge Jesus, que voltou a demonstrar que é um treinador exímio em termos de organização defensiva.

Quando à partida, nos últimos anos nunca se tinha visto um Sporting com tanto volume ofensivo no Estádio na Luz, aliás desde cedo foi claro que o Benfica aceitou essa “superioridade” e optou por defender, juntar as linhas e explorar as transições ofensivas. O jogo iniciou com os leões mais pressionantes e com Capel a cruzar com perigo para um cabeceamento mal executado por Van Wolfswinkel. Na resposta, através de um lance de bola parada, Gaitán rematou ao poste da baliza de Rui Patrício. O jogo estava bastante intenso no meio campo, contudo, os leões conseguiam diversas vezes servir o ponta-de-lança holandês. Numa dessas situações, Van Wolfswinkel assistiu Schaars para um remate perigo do seu compatriota. A meio da primeira parte, o Benfica já tinha equilibrado o encontro, com Witsel em destaque, contudo, os leões voltaram a subir de produção e Onyewu voltou a assustar Artur (Gaitán desvio para canto). Quando se esperava o intervalo, um canto para Aimar e Javi Garcia a subir mais alto que toda a defensiva leonina e a fazer o 1-0, que se manteve até final.

No início da segunda parte, Cardozo ficou perto do golo, quando driblou Polga e Onyewu, contudo, Rui Patrício, com um pequeno desvio, fez um brilhante defesa para canto. Pouco tempo depois, seguiu-se a resposta leonina, com Elias a cabecear com selo de golo, mas Artur a mostrar grandes reflexos e a fazer uma intervenção de nível elevadíssimo. Aos 64 minutos, Cardozo protestou com João Capela e viu o segundo cartão amarelo, deixando o Benfica reduzido a 10 elementos. O jogo passou, depois, a ter apenas um sentido, com o Sporting a pressionar bastante a defensiva encarnada. Elias teve nos pés duas grandes oportunidades de golo – uma de baliza aberta, após erro incrível de Artur, e outra quando estava sozinho à entrada da área (remate à figura) – e Artur teve duas saídas da baliza comprometedoras, mas que não foram aproveitadas pelos leões. Os encarnados tiveram nova bola nos ferros (canto directo de Gaitán), enquanto que Rodrigo podia ter “matado” o jogo aos 90 minutos, quando ficou isolado perante Rui Patrício (boa mancha do internacional português). Em suma, um dos derbys mais emocionantes dos últimos anos, com superioridade leonina, mas a maior eficácia e experiência do Benfica a levar a melhor.

Destaques:

Benfica – Ficou provado que é a equipa que melhor defende em Portugal (não só pelo quarteto defensivo, mas principalmente pelo apoio de Javi e Witsel). A isso junta alguns principios que hoje são fundamentais no futebol actual: a enorme estatura média da equipa e exploração das transições ofensivas.

Javi Garcia – O melhor elemento em campo. Pelo golo marcado, pelo apoio que dá aos centrais, pela garra que emprega no seu jogo, é de facto um jogador imprescindível neste Benfica.

Maxi – Excelente exibição do uruguaio, que se superiorizou no duelo com Capel. Quando atacou, mostrou-se sempre objectivo.

Aimar/Gaitán – Nos pés dos dois argentinos o futebol do Benfica ganha outra dimensão. No último terço do terreno, a inteligência do primeiro e a imprevisibilidade do segundo foram responsáveis pela criação dos lances de perigo (Gaitán ao poste, Aimar a isolar Cardozo).

Cardozo – Jesus já disse publicamente que não serve quando entra no banco, hoje provou que quando entra de inicio (apesar de um lance de bom nível) pouco acrescenta. Além de ter passado ao lado da partida ainda prejudicou a sua equipa com uma expulsão infantil.

Witsel – Depois de uma exibição fantástica em Old Trafford, mais um jogo muito bem conseguido do belga, que parece talhado para os grandes jogos. Impôs o físico no meio campo e revelou maturidade na parte final, ganhando faltas e levando a equipa para a frente.

Jardel – Foi a surpresa de Jorge Jesus, o que acaba por ser compreensível, para procurar tirar partido da altura do brasileiro nas bolas paradas. Realizou uma excelente partida, ganhando a maioria dos lances a Wolfswinkel.

Emerson – É muito fraco para actuar numa equipa como o Benfica. Duro de rins, o brasileiro foi facilmente batido por Carrillo. Só não teve consequências no resultado por ineficácia dos atacantes leoninos.

Artur/Rui Patrício – Importantíssimos os dois guarda-redes para as suas equipas. Primeiro, o português a evitar o 2-0 de Cardozo e a manter os leões no jogo. Depois, o brasileiro a negar o golo num cabeceamento de Elias que daria o empate.

Sporting – Os leões protagonizaram uma excelente exibição na Luz e provaram que estão já mais próximos do nível dos rivais. Aos verde e brancos faltou maturidade, eficácia na finalização e essencialmente maior altura, indispensável para as bolas paradas (por muito que digam que não) e para o chuveirinho final. Domingos poderia ter arriscado mais na segunda parte, lançando Rubio ou Bojinov em vez de André Santos, pois o Sporting não conseguiu aproveitar a superioridade numérica para chegar perto da baliza de Artur.

Carrillo – Não foi titular, mas foi um dos melhores elementos do Sporting. Veloz, tecnicista, foi um quebra-cabeças para Emerson. Necessita apenas de melhorar a leitura de jogo.

D. Carriço – Só com recurso à falta conseguiu travar Aimar. O argentino fez o que quis do central português que jogou a trinco. Como era de esperar, não acrescentou nada à equipa em termos de saída de bola na primeira fase de construção.

Capel – Perdeu o duelo com Maxi Pereira. Muito marcado, nas poucas vezes que conseguiu ultrapassar o uruguaio, definiu mal os lances.

Elias – Acabou por ser um dos protagonistas do jogo, mas pela negativa. Não foi eficaz perante Artur, o que se traduziu na diferença no marcador entre as duas equipas. Foi importante na pressão alta imposta pelos leões no primeiro tempo.

Wolfswinkel – O avançado holandês fez a estreia em derbis, não sendo muito feliz. Teve algumas dificuldades perante o poderio dos centrais encarnados. Ainda assim, mérito para as suas movimentações e destaque para as oportunidades que dispôs: cabeceamento logo abrir a partida e um lance em que rematou de bicicleta.

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