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US Open 2012: Federer cai nos quartos-de-final; Roddick despede-se da modalidade; Serena “passeia” no quadro feminino

Aproxima-se a final do último Grand Slam do ano e nem Federer nem Nadal estarão na final.
Surpreendente. Rafa já se sabia que não estaria na final pois nem sequer jogou o torneio. Os problemas físicos cada vez mais atrapalham o seu calendário e a tendência é, logicamente, piorar.
Veremos certamente Nadal com mais cuidado na selecção do torneio, apostando mais em alturas
específicas da temporada.

Federer desiludiu. Numa altura em que já bateu o record que tanto queria alcançar, o de semanas a
nº1 mundial, esperava-se mais do que uns Quartos-de-final por parte do suíço. 

Estamos habituados a
alguma inconsistência de Roger em determinadas alturas do ano, mas não nas semanas de Grand Slam.
O actual número 1 do ranking perdeu em 4 sets com o checo Thomas Berdych, num jogo muito abaixo
das suas capacidades. Talvez por não jogar desde Sábado, devido a um “walk-over” sobre Mardy Fish,
Federer mostrou não ter ritmo principalmente nas alturas de mais pressão. A exibição durante o tie-
break do primeiro set foi mesmo miserável.

Há, no entanto, que dar mérito ao jogador checo. Fez um jogo muito limpo com apenas 21 erros não
forçados. Manteve um óptimo nível durante o jogo, baixando apenas no final do 3º set. No 4º set, e
com uma estatística de primeiros serviços dentro impressionante, Berdych atacou o jogo e o suíço não
resistiu. Se o número 7 mundial jogar ao mesmo nível nas meias irá ser uma dura batalha.

Meias-finais, essas, que serão contra o jogador mais “quente” do circuito. Andy Murray chegou a
Flushing Meadows em grande forma, depois de ter ganho o ouro nos Jogos Olímpicos e ter estado muito
perto de ganhar o seu primeiro Grand Slam em Wimbledon. O agora 3º jogador mundial começou mal
contra Cilic, nos Quartos-de-final. 1 set e 5-1 abaixo, Murray desistiu de tentar bater mais forte que o
adversário e jogou de forma mais inteligente. Cilic quebrou mentalmente e Murray passeou-se até às
Meias. O encontro com Berdych deve ser muito interessante, até porque Berdych tem uma vantagem
de 4-2 no frente-a-frente com Murray.

Do outro lado do quadro ainda temos 4 jogadores. Depois de Del Potro terminar uma das melhores
carreiras dos últimos anos ao livrar-se de Roddick em 4 sets, defronta agora Novak Djokovic. O sérvio
que ainda não perdeu um único set no torneio não terá vida fácil contra um dos melhores jogadores do
mundo este ano. Depois de ter ficado quase 1 ano parado devido a lesão, Del Potro foi o “Comeback
Player of the Year” para o ATP em 2011. Veio do lugar 485 do ranking para terminar o ano a 11º. Este
ano recomeçou a escalada dentro top 10, que a tal lesão parou quando ele estava em 4º mundial.

O jogo com Novak será com certeza um dos melhores do torneio. O sérvio não está com o nível do
ano passado, um dos mais altos, senão o mais alto alguma vez visto no circuito. O poder de Del Potro,
especialmente da direita e serviço vai criar muitas dificuldades ao nº2 mundial. Veremos se ele entrará a
atacar a mobilidade do gigante argentino ou se opta por defender e contra-atacar pacientemente.

No outro jogo David Ferrer lutará com Janko Tipsarevic por um lugar nas Meias-finais. O guerreiro
espanhol é um veterano e claramente favorito neste jogo. O sérvio é um jogador muito sólido, cujo nível
constante apresentado nos últimos anos no circuito o levou a 8 do mundo. Nenhum dos 2 é favorito
à vitória no torneio e serão mesmo os 2 jogadores que restam no quadro com menos hipóteses. No
entanto este deve ser um jogo interessante de 2 jogadores muito duros do fundo.

Sem grande emoção até Federer sair do torneio, talvez o sobressalto esteja guardado mesmo para o
fim e tenhamos um nome inesperado a sair de Nova Iorque com o título. Ou então o Djoker estragará a
surpresa.

No torneio feminino. Sharapova e Azarenka confirmaram o favoritismo na parte superior do quadro, e apesar das dificuldades nos quartos-de-final frente a Bartoli e Stosur, respectivamente, vão disputar entre si o acesso à final. Já no quadro inferior, Serena Williams tem passeado pelos courts e sem grande dificuldade já está nas meias-finais. A americana vai defrontar agora a “aguerrida” Sara Errani (1ª italiana a chegar a esta fase da prova), que depois de ter chegado à final de RG procura a sua 2ª final do ano em torneios do Grand Slam (também chegou aos quartos-final na Austrália…sem dúvida um 2012 em cheio, de longe a sensação do ano). 
Por último, um destaque especial para Andy Roddick. O ex-número um mundial e vencedor do Open dos Estados Unidos em 2003, o seu único título no Grand Slam, retirou-se de maneira muito emotiva do Ténis profissional ao perder frente ao argentino Juan Martin Del Potro. Não foi o tenista mais brilhante de todos os tempos, mas na última década honrou sempre o desporto com o seu desportivismo e atitude. Foi, na verdade, um jogador que apareceu numa altura de transição do desporto. Sampras estava a acabar e Federer ainda aprendia a sofrer em silêncio. Roddick foi um dos primeiros jogadores a subir o nível numa altura em que o nível não era extraordinário. Com ele, o ritmo e a velocidade de jogo aumentaram. Não era particularmente inteligente a jogar, nem virtuoso, nem o seu potentíssimo serviço tinha muita variação, nem possuía soluções tácticas fascinantes, mas, bolas, como aumentou o ritmo e velocidade de jogo. Por estes dias o jogo está no nível mais alto de sempre. Os estilos são mais parecidos porque o que interessa é a qualidade de jogo, física e técnica. Antes de Roddick havia tipos muito diferentes de jogadores. Hoje, há menos estilos mas mais qualidade. Roddick não é unicamente culpado por isso, mas foi importante. Introduziu a força na consistência de fundo, tornado obsoletos certos tipos de jogo. O nível continuou a subir e ele nem sempre acompanhou. Mas melhorando tacticamente. Tecnicamente também. E o tempo que esteve no topo e o nível a que chegou são um testamento à sua qualidade. Basta pensarmos que se manteve 10 anos no top 10 mundial. Basta lembrarmo-nos que houve 25 jogadores em 40 anos de história que foram nº1 mundial, e que Roddick foi um deles. Roddick também deu visibilidade ao ténis com a sua aura de estrela. Uma personalidade difícil de apreciar, o americano show-off, reintroduziu algum carisma no circuito e recuperou o estatuto de “rock-star” que os jogadores de ténis tinham perdido. Não que eles gostem desse estatuto, mas o desporto e as televisões que o transmitem não se importam. Roddick foi um herói no circuito. Não o herói que todos queriam, mas aquele que o ténis precisava. Uma espécie de cavaleiro negro, com uma capa de “”Stars and Stripes”.
Que balanço faz do US Open 2012 até ao momento? Quais as principais surpresas e desilusões? Quem estará na final e qual o principal candidato (nos 2 quadros) à vitória? E no que diz respeito a Roddick (ele que nos últimos anos fora o trio Federer-Nadal-Djokovic foi dos poucos que conseguiu chegar a nº1 do Mundo), que jogador lhe fica na memória?
Luís Figueiredo

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