Caraterística fundamental no futebol atual?
Roger Schmidt falou da importância do trabalho sem bola na cimeira Thinking Football, da Liga Portugal, dando mesmo o exemplo do City e do PSG. “Para nós é impossível. Se quisermos jogar na nossa forma, não podemos deixar jogadores de fora do trabalho sem bola. Quando queremos pressionar, tem de ser alto, logo nos atacantes. Num futebol moderno, precisamos de onze jogadores que sejam fiáveis no comportamento tático. Cada vez tem quase de fazer a mesma coisa. Os defesas são os mais envolvidos nisso, mas espero a mesma coisa dos atacantes. O mesmo mindset, mas dois niveis à frente. Vejo muitos bons exemplos: se olharmos para o Man. City, que venceu no ano passado a Premier League e a Champions, os jogadores de ataque deles não são preguiçosos. Estão sempre atrás da bola e fazem a diferença porque têm qualidade individual. Se virem o Paris SG, uma equipa que defrontámos na época passada, com Mbappé, Neymar e Messi na frente, mas eles não fazem nada para recuperar a bola. Com esse pensamento podem ganhar a Ligue 1, mas no futebol internacional precisamos de todos”, explicou o treinador do Benfica.


6 Comentários
Joga_Bonito
O problema hoje em dia é confundir-se defender para a equipa com achar que todos os jogadores têm de ser um Gattuso. Aos atacantes exige-se que cubram a sua área, pressionem e ocupem o espaço mas não têm de andar em correrias pela lateral 60 metros a cada vez para ter de defender como se fossem um 6. Porque assim desgastam-se a fazer esse trabalho e não fazem o que é importante na sua posição.
Além do mais, defender não se resume a fazer pressão. Um grande jogador que intimide o adversário só por si arrasta defesas e prende muitos deles, nem precisa de fazer grande coisa para tal. Por exemplo, o Fenómeno incutia um medo tal que os defesas fixavam-se nele todo o jogo, ao invés de subirem , ele “defendia” só ao fixar todas as atenções nele. Este aspecto é hoje obscurecido com a obsessão de fazer de jogadores trincos em campo.
Há vários níveis de defesa: ocupação de espaço, pressão ao portador da bola, recuperação de bola. Resumir tudo a pressionar tipo Gattuso é um erro.
Acho que esta obsessão em fazer de todo o mundo igual vai sacrificar muito talento, em prol de jogadores que nada acrescentam mas correm atrás da bola, como se isso só fosse o que se exigisse a um atacante.
Parece que hoje as características que dantes eram acessórias nos jogadores elevaram-se hoje a cruciais. Por exemplo, Kaká, Zlatan tinham uma dimensão físicas raras em atacantes que tinham grande qualidade técnica. No caso deles era óptimo, juntavam o útil ao agradável, agora a maioria dos jogadores não consegue conjugar isso. Vamos excluir do futebol actual Romário, Bergkamp, Ronaldinho, Zidane porque não eram bestas a defender ou porque eram magrinhos ou baixinhos?
Está-se a exagerar com isto da “pressão alta”. A qualidade que estes jogadores davam na posse da bola, no medo que incutiam e no que faziam de diferente com a bola dava para resolver muitos jogos. Adoro a ideia que se vende que se um atacante defender menos podemos sofrer pontualmente um x golo que é decisivo, mas nunca se falam dos golos que ficaram por marcar por termos à frente cepos que nem um passe sabem fazer. E nos defesas é o inverso, qualidades que dantes eram acessórias nos GR e nos centrais, como saber sair com bola, agora são motivo de se excluir excelentes defesas que são seguros a defender e promovem-se autênticos passadores mas que fazem passes inócuos bonitinhos. O argumento é o mesmo. Vende-se que se um GR ou um central souberem passar bem a bola isso pode dar uma assistência para golo de vez em quando, mas nunca se fala dos frangos e fífias que mamamos que custam pontos. Não tarda muito um 9 tem de vir defender na baliza e ser simultaneamente avançado e GR…
Gostando muito de RS discordo dele. Contra o Inter, no ano passado, tínhamos uma grande chance de fazer história de novo na LC e ele pôs um ataque com jogadores que eram sobretudo bons a defender e tirou os que poderiam fazer a diferença, com Neres à cabeça. Não jogamos a ponta de um c***, não criamos perigo no ataque e sofremos golos na mesma. Entrou o show Neres e criamos perigo, empurramos os jogadores do Inter para a defesa (como se fazia nos anos 90) e marcamos golo. Deu sempre a ideia que se tivéssemos jogado assim desde o início tínhamos ganho o jogo. Só que esta é a ideia da moda e não há nada a fazer, vai continuar até se ser capaz de perceber o erro que isto é…
Jeco Baleiro
Não discordando de todo de algumas das tuas passagens, no que refere à pressão dos atacantes, do comportamento sem bola, o que o Schmidt refere é que não podes ter, por muito talento que tenham, vários jogadores fora desse compromisso, daí o exemplo do PSG. Ele diz que tem de ter 11 elementos fiáveis mas naturalmente há um ou outro que pode ficar mais liberto desse compromisso em determinadas circunstâncias. Ele quer é o talento ao serviço do colectivo e não propriamente estrangular esse talento em nome de uma alegada rigidez tática.
Tens até um bom exemplo no Benfica 22/23: Gonçalo Ramos. Com Veríssimo foi quase transformado num médio cão de caça, longe da baliza, raramente marcava golos. Schmidt, logicamente, colocou-o na sua posição, onde mostra melhor o seu talento e consegue, na mesma, contribuir no processo defensivo, nomeadamente na reacção à perda. Marcou imensos golos, foi uma das figuras, sendo simultaneamente o goleador mas também um jogador pressionante que até soltava outros jogadores para brilhar (Rafa, João Mário, Neres).
Joga_Bonito
Mas eu não sou contra a ideia que os atacantes possam contribuir para defesa, porque isso sempre existiu. O problema é querer impôr isso a um nível que desvie o foco do atacante da sua principal função. Já para não falar da exclusão de atacantes por serem baixos e franzinos, porque se presume que serão mais fracos a recuperar bolas. Com tudo isto estamos a tornar qualidades acessórias em fundamentais no futebol.
Bruno Cunha
Os jogadores mais criativos nao deixaram de existir, simplesmente nao se destacam tanto porque agora a defender em vez de um lateral vs extremo, temos 1 extremo vs lateral + o extremo a apoiar + o trinco a fechar por dentro + o central a dobrar.
E porque e que isto acontece? Porque nao ha praticamente 1 lateral que consiga defender um jogador 1 vs 1 (o Walker e o único que acompanha porque tens as caraterísticas físicas mais absurdas de sempre e mesmo assim o Vinicius fartou se de o quebrar). Os treinadores nao querem isto porque 1 lateral batido cria uma das situacoes mais perigosas no futebol que e o cruzamento dentro da grande área.
Depois falar do fenómeno e falar de o futebol há 20 anos atrás. Quase todas as posicoes foram revolucionadas desde ai. A jogar hoje em dia ele teria que pressionar porque ele nao ia assustar os centrais de ter a bola nos pés te garanto.
Atenção a pressão dos avançados nao precisa de ser um cavalo atrás dos centrais (alias pressionar como um tolo sem ter em consideração o posicionamento do resto da equipa pode ate prejudicar – golo da Belgica contra Portugal por exemplo), precisa apenas de evitar 1 coisa: que a bola seja batida sem o central ser incomodado, porque com a qualidade de pés que os centrais tem agora e o quão defesas jogam subidas se o deixares colocar no profundidade estas a colocar a equipa numa situação grave.
Essa e a maior diferença de o futebol atual para o antigo, a linha defensiva subiu mais que o nível medio das aguas, e com isso ganha se muita coisa (nao há cá os criativos terem tempo para se virar e assumir o jogo – uma das razoes para a posição 10 quase nao se ver), mas e imperativo nao deixar os jogadores baterem sem pressão.
Concordo que os centrais sao uma posição que os básicos da defesa sao muito mais importante de consolidar que o jogo de pés, mas nos guarda redes discordo. Ha Gr que atualmente praticamente ganham jogos sozinhos com o jogo de pés (basta ver o que Marchesin e Diogo Costa fizeram na Luz recentemente). Se olhares para o jogo em vez de o ver vais dizer que eles nao fizeram nada mas se vires o jogo com atencao vais reparar que eles ditaram o sucesso do Porto nesses jogos.
Porque e que achas que Guardiola quis o Ederson? So aquele pontapé canhao permite que quase nenhum adversário te possa pressionar alto.
Sei qual a tua ideia no que toca a este debate de futebol atual vs futebol antigo, e o meu comentaria provavelmente vai ter 0 impacto na tua opinião, mas nao lhes chames modas, sao anos de evolução e de estudo do jogo que fizeram chegar a este ponto.
GabCel
Gosto muito das intervenções do “Joga Bonito” e até dou razão em alguns pontos neste comentário. Mas tenho que concordar em absoluto com o comentário do “Bruno Cunha” o futebol evoluiu e com isso as funções de todos os jogadores em campo.
Não dá para comparar com 20 ou 30 anos para trás porque o jogo já não é o mesmo.
Chiquinho
Pois, então ainda bem que foi buscar o gordalhão do Arthur Cabral por 25M ele deve pressionar muito