Na Alemanha a questão da forma como os clubes são geridos, e a sua proximidade/afastamento da comunidade que os rodeia, é de grande importância. Os adeptos de clubes tidos como mais tradicionais olham com muito maus olhos para emblemas como o Hoffenheim ou o RB Leizpig, considerados ‘artificiais’ e ‘clubes-empresa’, por estarem longe de uma comunidade e de um crescimento lento ao longo das décadas, e por isso são os clubes mais insultados nas bancadas da Bundesliga, algo que voltou a suceder hoje, mas desta feita os insultos não foram normalizados e o duelo foi interrompido.
O Bayern Munique venceu o Hoffenheim por 6-0, mantendo a liderança da Bundesliga. Num duelo em que Coutinho bisou e Goretzka, Zirkzee, Kimmich e Gnabry marcaram, o destaque surgiu perto do fim, quando o resultado final já estava feito. Quase aos 80′, os adeptos do Bayern mostraram tarjas insultando o proprietário do Hoffenheim, Dietmar Hopp. Os jogadores dos bávaros pediram que os seus adeptos parassem mas, como tal não sucedeu, o encontro foi interrompido. Quando o desafio retomou, os últimos 13 minutos foram disputados com os jogadores de ambas as equipas limitando-se a passar a bola entre si, deixando passar o tempo enquanto, fora do campo, dirigentes de Bayern e Hoffenheim estavam juntos. Nos restantes jogos, destaque para o triunfo do Dortmund por 1-0 ao Friburgo (marcou Sancho) e para a vitória do Monchengladbach por 3-2 em Augsburgo.
.@Bundesliga_EN | @achtzehn99_en 0-6 @FCBayernEN
Podia ser um aquecimento conjunto, mas não 😅 #BundesligaEleven #ForTheFans pic.twitter.com/Wvl77Wc5T8
— DAZN Portugal (@DAZNPortugal) February 29, 2020


47 Comentários
Muska
A minha primeira reação foi a de aplaudir a postura do árbitro e jogadores, mas depois de ter percebido realmente os motivos e contextualizado o que se passou, até comparando com outros casos, achei ridículo o que se passou.
Primeiro: na Alemanha, ao contrário do que se vê em Portugal e noutros países, um “filho da ****” não passa tão despercebido. É um insulto muito grave e não é comum ser dirigido a árbitros ou dirigentes como cá.
Dietmar Hopp é o dono da SAP (empresa de gestão de sotftwares) e pode ser chamado de dono do Hoffenheim graças a uma quebra explícita (mas autorizada pela Federação Alemã em regime de excepção) da regra dos 50%+1 que não permitiria que uma única pessoa tivesse mais de 50% dos ativos de um clube, podendo tomar decisões à revelia de outros sócios. E é por isso que é tão odiado pelas equipas rivais.
Não é a primeira vez que existem tarjas dirigidas ao Hopp por clubes rivais. Os adeptos do Dortmund e do Gladbach já tinham exibido tarjas, bastante mais graves, com a cara do dirigente como um alvo marcado. Na altura, o Dortmund foi impedido de ter adeptos no próximo jogo fora com o Hoffenheim, e nesse caso, concordo plenamente que a punição seja severa e a atitude firme pois estamos a falar de incitação à violência e de uma ultrapassagem do limite da liberdade de expressão. Uma faixa dessas não deve ser erguida.
Agora não foi o caso aqui. Os adeptos do Bayern têm todo o direito de protestar da forma que quiserem, desde que não envolva discurso de ódio, incitação à violência, racismo, antissemitismo, homofobia, etc. Ainda para mais, quando o árbitro exerceu o protocolo destinado ao racismo para parar o jogo. Racismo onde? Comparar um “filho da ****” com insultos racistas, que por exemplo, ocorreram ainda este mês no jogo entre Schalke e Hertha e que culminaram com a expulsão da vítima por responder aos adeptos, é banalizar e descredibilizar a luta contra o racismo. Parar o jogo e mandar retirar a tarja é um atentado à liberdade de expressão e abre um precedente perigoso, de qualquer protesto poder ser considerado ofensivo e por consequência proibido.
Fontez
Chama se futebol moderno.
Posso dizer que com o estado em que anda o futebol, até mais precisamente a liga portuguesa (os processos em tribunais, os resultados viciados, a arbitragem, a fraca comunicação social que dá abrigo a isto tudo, os agentes que são transversais a todas as ligas), o desporto que gosto mais de ver é o basquete, e digo isto tendo como exponencial máximo deste desporto a NBA. Se formos a ver bem, a NBA tem este conceito de dirigismo desportivo, que não está associada à massa adepta. Parece contraditório, mas nao, porque esse tipo de dirigismo faz passar um desporto para negocio autentico, o que é mesmo obsceno. É verdade que a NBA tem algumas válvulas relativamente a isto, mas não é benéfico para o desporto este estilo mercantilista, o desligar das bases, dos adeptos. Por exemplo, na NBA vemos pessoas com 3 ou 4 clubes/franquias pelas quais torcem, ou até mesmo aqueles que vão andando atrás da franquia pela qual o jogador que gostam joga. Apesar da NBA ser aquilo que mais gosto de ver, isto vai afastar as pessoas do desporto, por estas gostarem de se sentir integradas, por estas terem a paixão, não pelo desporto, mas pelo clube, sendo que a confusão que existe neste momento entre estes dois conceitos deixaria de existir, e deixando de existir clubes dos adeptos, o desporto morreria só.
Dennis Bergkamp
Bem, ao menos não andou a fugir aos impostos.
O Comendador
As coisas que se passam lá fora no mundo civilizado são estranhas.
Deve ser giro ser civilizado e educado como o povo Almeão…
Agora falando de coisas mais latinas: e o Silas, já foi despedido?
;)
SL
Chico
Triste mundo em que vivemos em que mais rapidamente se para um jogo de futebol por insultar a mãe de um dono multimilionário do clube do que por motivos racistas.
T. Pinto13
O jogo já estava decidido e desportivamente não tem relevância.
De resto o árbitro fez muito bem em mandar parar o jogo e os adeptos tem de entender que a única maneira de algum clube chegar ao topo atualmente é investindo e só assim podem ganhar história. Gostei da atitude dos jogadores e da direção dos dois clubes, uma mensagem bem forte.
Ghost Writer
Obrigado VM, por explicarem o motivo de os adeptos terem esta atitude e não se limitarem a dar a notícia como o resto da comunicação social. Sempre a marcar a diferença! ?
Joga_Bonito
Atitude sem nexo do árbitro. Estamos a chegar a um politicamente correcto que ameaça destruir a liberdade de expressão. Os presidentes dos clubes podem insultar à vontade, os jogadores podem ser insultados no campo, só os lideres ou donos é que não?
De caminho vai-se proibir vaiar um jogador que por exemplo, como Makaridze teve declarações patéticas hoje e será de certo “mimado” pelos adeptos do Benfica?
Estamos a criar uma sociedade onde se acha que as pessoas não podem ter sentimentos e expressar a sua revolta, a não ser em situações onde o politicamente correcto apoie isso.
O pior de tudo isto é que dentro do campo pode-se dar uma pranchada que acabe com a carreira de alguém mas isso não indigna ninguém, preocupam-se muito com os insultos, mas permite-se coisas piores. E mais grave é o precedente que isto abre, é que de caminho se os donos do PSG, com ligações a um dos governos que apoia o ISIS, além do abjecto tratamento dos homossexuais e mulheres que há no Qatar, imaginem que são vaiados num jogo e eu digo: muito bem? Um governo que oprime as mulheres e os gays quer o quê? Medalhas e apoio não?
Perigosíssimo este precedente, tudo em nome do politicamente correcto. Quer-se fazer do futebol aquilo que não é, um teatro. E mesmo num teatro há algo chamado liberdade de expressão. Crime não é dizer a verdade, porque o dono do Hoffenheim violou as leis, logo ser chamado de criminoso não é crime, é constatar um facto. Assim como apupar os donos do PSG, cujo governo mata gays e opositores é normalíssimo, grave seria apoiá-los.
Estamos tão imersos no politicamente correcto que perdemos a noção da realidade. Que veremos a seguir? Proibir as pessoas de criticar estas figuras obscuras que vêm para o futebol lavar dinheiro e a imagem?
Parece que a FIFA está empenhada em matar o verdadeiro espírito do futebol, em nome do pc.
Querem colonizar os adeptos num processo de engenharia social para que estes vão para os jogos comer e calar perante tudo o que vejam e lhes cause repulse, desde que paguem os balúrdios que cobram crescentemente.
Decisão patética do árbitro e dos jogadores mas que mostra bem a deriva perigosa da nossa sociedade. Solidariedade sim, mas não com o futebol, não com os adeptos crescentemente marginalizados com políticas lesivas, mas sim solidariedade com este tipo de figuras…
Pablo
A liberdade de expressão tem limites, achas bom o que aconteceu com o Marega? De ser insultado com conotações racistas? Claro que reagiu mal, mas o que os adeptos fizeram foi o mais excrável possível. O clube não tem muita culpa, os adeptos devem ser punidos pelo que fizeram. Como disse, a liberdade de expressão tem limites.
Joga_Bonito
Sim tem limites, mas não o limite de impedir de chamar os bois pelos nomes. Se o Vale e Azevedo voltasse à Luz e fosse vaiado e chamado de ladrão, era insulto? Está provado que o foi, a liberdade de expressão não é total mas isso é em casos como os do racismo ou discriminação, aqui nada tem que ver com isso, as pessoas exprimiram o seu repúdio a figuras obscuras chamando os bois pelo nome. Está-se a passar do 8 para o 80. A liberdade de expressão existe para alguma coisa certo? Se proibirmos tudo porque tudo é ofensivo, então pode-se dizer o quê? Chamar o Carlos Silvino de pedófilo é difamação, calúnia ou constatar uma verdade?
DM
Não, não podem! Há tribunais para decidir se alguém é ladrão ou não, não são bancadas que o vão decidir. Depois até se pode ter provado que foste, depois de cumprir pena por isso é justo voltar a perseguir alguém por erros passados?!
Joga_Bonito
Por essa lógica não se pode dizer nada. Mas alguém algum dia vai julgar os governantes do Qatar pelo que fazem? E eu só posso comentar o que eles fazem quando eles forem condenados?
Eu não podia apupar o Vale e Azevedo até ele ser condenado não? Eu e 6 milhões que o apupamos criticamos, ou achas que o Vilarinho o derrotou sem o acusar de estar a destruir o clube? Em democracia, quando queres apontar os erros e o que está mal não se consegue evitar dizer certas coisas. Compreendo que se deva esperar em alguns casos por mais factos, mas não consegues em certas situações evitar dizer certas coisas. Veja-se o exemplo do Mendes. Ainda não foi condenado por nada, mas aqui no blog é zurzido a cada transferência sem nexo que se vê. Vamos deixar de apontar as coisas estranhas que envolvem as suas transferências até que um tribunal se decida a condená-lo? É que muitos dos problemas só são detectados quando cidadãos atentos denunciam e mesmo que evitemos dar nomes para evitar condenar à prori, temos de falar das coisas. Sem isso não se percebe o que se está a passar e a polícia não atenta em detalhes que deveria. As declarações do Maakaridze não são suspeitas? Temos de esperar que daqui a 20 anos seja condenado pela mala que quer receber, quando fez declarações evidentes de que está a ser aliciado para ganhar ao Benfica? Não podes cair em extremismos. Nem podes acusar sem o mínimo de fundamento, nem podes cair no outro extremo que é, quando há provas fortes nem pelo menos pedir uma investigação ou deixar de comentar absurdos evidentes. Esse discurso só faz o jogo dos poderosos como Mendes, porque é apenas a crítica generalizada que pressiona alguém a actuar contra eles, apesar de n de coisas estranhas. A realidade não pode ser esse extremismo da “liberdade de expressão tem limites” que na verdade é um totalitarismo do politicamente correcto, que sob a máscara de argumentos extremistas, acaba a prejudicar a descoberta da verdade. Algum dia numa ditadura o povo vai estar à espera que a justiça actue? Mas no Médio Oriente ou em lugares assim, bastas vezes o futebol ou outras reuniões de massa são os únicos lugares onde as massas podem manifestar-se contra o que está mal dando uma valente assobiadela ao dirigente nacional. Agora até isso se quer proibir e isso é perigosíssimo.
Pactum Santorum
É por isso que se diz, e é verdade, que “a liberdade de um acaba onde começa a do outro”. Não é por eu saber o que alguém é ou deixa de ser, que me dá o direito de o chamar por esse nome.
Liberdade de expressão é dentro dos limites do socialmente aceite e definido, não é liberdade de expressão sem limites.
Rui Miguel Ribeiro
Subscrevo o ataque ao politicamente correcto. Os adeptos tem o direito de se manifestar.
DM
Os adeptos tem direito de ofender alguém?! Vocês tem noção do que dizem?
Rui Miguel Ribeiro
Eu nao costumo fazer, ms o que mais se houve num campo de futebol sao insultos e isto acontece desde sempre.
P.S. falta de acentos deriva do teclado.
DM
Depois admiram se quando se diz que o futebol é o desporto dos grunhos. Ainda há umas semanas era uma vergonha os adeptos imitarem sons de macacos, agora já tem direito de se manifestar. E tem! Não tem é direito de insultar ninguém, adora ver mais atitudes destas com arbitros a parar o jogo, aqui só faltou o Bayern perder o jogo por causa dos seus adeptos, era a cereja no topo do bolo.
Mas já se sabe que aqui em Portugal vale tudo, e nos é que estamos bem… E eu odeio o politicamente correto antes de entrarem por aí
Pipi Romagnoli
Bom comentário, eu acho que existem casos e casos, é óbvio que em casos de racismo, ameaças de morte e outras situações mais graves os adeptos devem ser punidos, eu sou da opinião de que os clubes não devem pagar pela estupidez de um grupo de indíviduos, a não ser que os mesmos que alinhem com esse tipo de discurso.
Agora também não podemos começar a banalizar todo o tipo de situações e querer à força transformá-las em Racismo,Violência, Homofobia etc, porque qualquer dia chegamos ao ponto de ter de ensaiar um guião para ir a um estádio ver Futebol ou ir a qualquer outro tipo de evento.
O Bom Senso devia imperar sempre e é por isso que os crimes têm grau,mas é cada vez mais complicado que isso aconteça quando tens sempre um grupo de pessoas para quem ameaçar um individuo de morte é uma coisa insignificante, e depois tens um outro grupo para quem chamar alguém de “estúpido” ou “mandar à m***a”, faz de ti um Vilão ao Nível do Hitler, Idi Amin, Mao Zedong ou Pinochet, disse estes nomes todos para não discriminar ninguém.
Posto isto, também acho que este caso é um bocado ridículo, porque se estão à espera que num estádio com 50000 mil pessoas o vocabulário seja digno de uma Missa de Domingo é porque de facto a malta começa a perder um pouco a noção dos limites do ridículo.
Joga_Bonito
Eu sou a favor da liberdade de expressão mesmo quando não concorde. Concordo que estamos a chegar a um ponto onde qualquer coisa pode ser catalogada de racismo ou homofobia ou o que seja, isso é perigosíssimo, porque na maioria dos casos tratam-se de mal entendidos ou de palavras parvas que ninguém levaria a mal, mas que a imprensa, disposto a tudo para vender impinge que é algo de gravíssimo. É esse perigo que noto neste tipo de iniciativas, parece-se querer avançar para uma sociedade com um controlo de pensamento totalitário, isso é que é crime, não é mandar uns apupos a um presidente do clube. Por essa lógica, o Vale e Azevedo ou o Bruno Carvalho tinham processado 9 milhões de pessoas pelos insultos ou críticas de que padeceram, alguém que tenha visto as assembleias gerais do Benfica durante o Vale e Azevedo sabe bem do que falo, até de ditador ele foi acusado e havia muita gente de cabeça perdida, o mesmo se passou aquando de Alcochete no Sporting, a democracia não é uma tertúlia festiva e quando pisas os calos às pessoas, se roubas ou prejudicas o clube como esses dois fizeram, então há quem perca a cabeça e insulte, mas decerto que isso não é nada comparado a duas pessoas que lesaram 2 clubes de forma incalculável e um mandou bater nos jogadores, outro punha jagunços nas assembleias gerais para intimidar a oposição, e criminosos eram quem insultava de ditadores estes dois?
Filipe Ribeiro
Estavas a ir bem, mas não exageres que o goberno do Qatar ainda não matou ninguém por ser gay.
Joga_Bonito
Aplica-se a lei da Sharia e ela manda matar os gays. Em abono da verdade consegue ser um pouquinho melhor que o governo da Arábia Saudita, que é inacreditável. Li que há pouco tempo o Qatar deu passos para permitir muito ao de leve espaços de cultos de outras religiões que não o Islão, tendo permitido igrejas e templos hindus, desde que não tenham fachadas que remetam a símbolos religiosos. Mas é muito pouco, na Arábia Saudita é terrível e bem pior mas acho que desse caso nem é preciso dizer nada.
Filipe Ribeiro
Aplica se a muçulmanos apenas é uma pena até 7 anos ou pena de morte, mas em nenhum momento foi aplicada.
Por isso te disse para não exagerares porque não era verdade que tinham morto alguém.
O resto sim é verdade e concordo contigo.
Joga_Bonito
Não sabia que não tinha sido aplicada, mas até faz sentido porque o Qatar tem dado passos muito tímidos para certa abertura. Agora na Arábia Saudita é que isso é executado de forma brutal e até gravam imagens, é horrível de ver.
MARMO
Genial. Mas o que se passou concretamente no clube? A atitude dos próprios jogadores pode ser vista como à revelia do presidente?
João Lains estás a par disto certamente, consegues elucidar-nos?
M'difh
Estes alemães vivem numa bolha onde só clubes que já existem é que podem almejar chegar às elite. Se alguém tiver dinheiro e quiser construir um projecto futebolístico de raíz é visto como um demónio…
Mas os adeptos esqueceu-se que o Bayern é financiado por grandes empresas como a Audi, Deutsche Telekom e a própria Adidas que até detém uma percentagem do clube. Outros como Leverkusen ou Wolfsburgo são ou foram criados e financiados por empresas: a diferença é que o fizeram à mais de 50 anos.
Posto isto, acho esta histeria alemã um bocado ridícula, pois não é a fundação de um clube (moldes e anos) que dita o quanto ou não este deve ser próximo da comunidade e este identificar-se com ele. Ex. O Leipzig foi criado em moldes muito duvidosos mas não deixa de ser um clube com um dos melhores projectos futebolísticos a nível mundial, estão a transformar-se num clube de elite de forma sustentável e apoiada num forte suporte financeiro, que é usado sobretudo para encontrar e desenvolver talento jovem proporcionando-lhes a melhores condições que o dinheiro pode comprar.
Acho bem que os adeptos defendam os melhores interesses dos clubes e que as entidades reguladoras possuam e apliquem mecanismos rigorosos que controlem a forma como os empresários/empresas gerem e injectam capital nas contas dos clubes. Existem muitos exemplos de más gestões (que o digam os Ingleses) mas também exemplos de grandes clubes que surgiram de empresas ou empresários abastados.
Filipe Ribeiro
Outra vez essa conversa? O Bayern tem acções que todos podem comprar, Adidas comprou como outras empresas, mas o clube é dos sócios, nada tem a ver casos do Leipzig, PSG, City, Bragantinos etc.
Estigarribia
Filipe,
Completamente de acordo. Faz-me confusão, por exemplo, em Portugal andarem a equacionar que os clubes arranjem donos para as SAD’s mas esquecem-se que os clubes, sejam eles o Sporting, Benfica, Porto, Bayern ou outro qualquer, são dos sócios.
Eu, por exemplo, não quero um investidor a brincar ao Football Manager com o meu clube. Acho que os sócios ainda têm poder de decisão.
Saudações Leoninas
DM
O seu clube é o exemplo perfeito de que os sócios tem de ter poder de decisão. Vamos lá deixar alguém profissional gerir um clube de futebol?! Nada disso. Os sócios tem de ter poder de decisão
Kafka
Já agora o Dortmund defende tão mas tão mal, a par do Barça são de muito longe as 2 equipas de topo que mais mal defendem, cada ataque dos adversários é um suplício para a defesa do Dortmund…
Será uma enorme surpresa se Neymar, Icardi e Mbappe não conseguirem pelo menos 7/8 oportunidades limpinhas de golo em Paris e conseguindo isso, depois será uma questão de eficácia
Tiago Silva
Percebo o porquê dos adeptos do Bayern protestarem, mas é assim faz parte e não têm nada que protestar. O Bayern é um clube com uma história linda, dos melhores clubes de sempre, mas o Hoffenheim também tem a sua história, e não foi só com dinheiro que chegaram onde chegaram, é um clube que sim foi lá injetado dinheiro, mas que respeita sempre o fair-play financeiro e que não anda com truques e artimanhas, um clube que construi uma boa base sem gastar muito e que pratica um futebol agradável.
Quanto ao jogo, um dominio a seu belo prazer do Bayern, mesmo sem Lewandowski. Continuo a dizer, acho-os os favoritos a vencer a Champions.
Rui Miguel Ribeiro
Eu acho que existe o direito de protestar.
BioSpot
Ora aqui está um exemplo do que deve ser a mentalidade no desporto. Neste caso coube aos clubes tentarem mudar a maneira de pensar dos adeptos e mostrar-lhes que eles estão errados. De louvar.
Kafka
Quanto ao negrito do VM, o caricato aqui é que os adeptos do Bayern também não têm moral para criticar o Leipzig e Hoffenheim, porque em bom rigor o Bayern também é um clube de 3 empresas, a Adidas, Allianz e depois uma marca automóveis (inicialmente a Opel, depois a Audi e agora a BMW)… Este triângulo sempre foi accionista do Bayern e continuam a ser e desde tempos muitos idos suportaram o Bayern financeiramente e foram fulcrais com bastante dinheiro para o Bayern crescer e ser o que é hoje
O que a Allianz e a Adidas fizeram/fazem há décadas ao Bayern não é assim tão diferente do que a RedBull faz ao Leipzig
Pactum Santorum
Convém saber o que é ser dono de 51% de alguma coisa, ou seja, ser sócio maioritário. E ser dono de mais do que uma coisa do mesmo ramo, o que dá privilégios que não são permitidos.
Filipe Ribeiro
Adidas compra 10% do Bayern em 2001 Allianz 8% em 2014 e tu achas que é a mesma coisa de um clube ser totalmente de uma empresa?? Está bem está.
André Dias
A propósito deste tema, deixo aqui um texto bastante interessante.
https://www.reddit.com/r/soccer/comments/f8a2vc/rb_leipzig_a_guide_for_the_uninformed_who_are/?utm_source=share&utm_medium=web2x
Pedro Queiros
Ia meter isso mesmo. Mas convém alertar que a pessoa que fez esse texto também é bastante criticada nos comentários porque para além do Hoffenheim e Leipzig, o Leverkusen, o Wolfsburg e o próprio Bayern Munique têm por detrás empresas.
“The OP would hide behind history, but Bayern only won a single championship between 1903 and 1967. In the fifty one seasons since then they’ve won twenty eight times, including the last seven in a row.” (u/jdbolick)
Ou seja, o Bayern só começou a ganhar quando existiu investimento externo, coisa que parecem estar a criticar agora de outra equipa.
Vale a pena explorar essa thread, tanto o post como os comentários. Assim percebe-se que já lá vai o tempo de não existir empresas por trás, mesmo na Bundesliga.
Filipe Ribeiro
Ou seja o que disseste é mentira, o Bayern era tetra europeu até ter dinheiros da Adidas.
André Dias
Sim, há algumas inconsistências no post original. Convém ler os comentários principais para complementar.
“The whole part about Leverkusen and Wolfsburg is messed up: Bayer Leverkusen has not always been owned by Bayer. Before the 50+1 rule was introduced in 1998, every bundesliga club had to be 100% fan owned, even Leverkusen. When the 50+1 rule was finally introduced, Leverkusen forced an exception (called “Lex Leverkusen”), in order to make a takeover by Bayer possible. VW used the same exception to takeover Wolfsburg, and after the rule was slightly changed, Dietmar Hopp used the same rule to takeover Hoffenheim. RB could have used the same rule to takeover a club, but since it requires 20 years of continious financial support and RB did not want to wait, they bypassed the 50+1 rule.”
Opiniões e erros do OP à parte, gostei do post porque me ajudou a compreender uma realidade diferente (desconhecia a regra de 50+1) e o porquê de alguns clubes serem mais odiados que outros.
andresilvac
Aqui está a diferença do nosso futebol para o que é lá fora isto em Portugal nem o jogo parava nem se via o que se fez nos últimos 15 minutos… É se por ventura alguém fizesse isso eram capas e capas e comentadores e diretores de comunicação e sei lá quantas teorias… Grande exemplo quando estiverem mal com os clubes deixem de os apoiar quando as equipas não servirem para lavar dinheiro os magnatas rápido as deixam.
Cumprimentos
Estigarribia
O que é que se passou na Alemanha para dar origem a todo este imbróglio?
Saudações Leoninas
MegaBadjeras
Até concordo com esta postura dos clubes tradicionais, mas podemos dizer que o Leverkusen também é um clube tradicional e histórico na Alemanha, inclusive com uma final da Liga dos Campeões disputada, e é um clube detido por uma multinacional germânica de farmacêuticos, de seu nome “Bayer”, e que até dá nome ao clube, em teoria respeitado na Alemanha. Estou-me a tentar recordar de protestos contra o Bayer Leverkusen, mas não me vem à memória.
Pactum Santorum
E vão protestar com o Leverkusen com que fundamento? Está lá tudo às claras, o logo da BAYER está inserido no logo do BAYER Leverkusen, a sede da empresa é em Leverkusen e já existe desde 1863. Se é a dona da marca e do clube, tudo o que melhor representa a cidade. E acrescento:
“As origens corporativas do Bayer Leverkusen, no entanto, estão longe de serem únicas. Outros clubes, incluindo o PSV, Carl Zeiss Jena e Sochaux, compartilham uma reputação semelhante de serem clubes empresas. Diferentemente das várias equipas da Red Bull (Salzburg, New York e Leipzig) que foram estabelecidas ou redefinidas no passado recente, principalmente por razões comerciais, a criação do Bayer Leverkusen foi motivada pela ideia de promover as condições de vida dos operários locais no início do século XX. Tendo em conta esta tradição, a UEFA permite ao Bayer Leverkusen utilizar a marca Bayer nas competições europeias, ao mesmo tempo que não admite práticas de atribuição de nomes como o Red Bull Salzburg.”
SlyRP
O pessoal aqui gosta de discutir se a melhor liga é a Serie A, a Premier League ou a liga espanhola com as suas folhas de excel e apontar as derrotas europeias entre elas.
Para mim, a Bundesliga é a melhor liga do mundo. Não porque tem o melhor futebol (que se calhar até tem, deixo ao critério de cada um), as equipas que mais provas europeias ganham ou as equipas mais ricas, mas sim pela avaliação geral da liga e das equipas. Organização, fair-play, qualidade das equipas, qualidade do futebol, qualidade dos treinadores, qualidade da arbitragem, claques (hoje..enfim), adeptos em geral, estádios, etc. Escolham o critério que quiserem, mas para mim, não há liga melhor que esta.
André Dias
Quase tudo o que apontas de positivo na Bundesliga também se verifica na Premier League. E a um nível mais alto.
Chico
Sim, claro, na Premier League… Onde os clubes pertencem a bilionários americanos, russos ou árabes sem qualquer interesse pela essência do futebol. O futebol inglês é o mais comercializado de todos. O alemão é o único dos principais campeonatos que ainda preserva alguma da essência do futebol no ramo corporativo. E até nos adeptos é o mais puro. Os outros estão completamente artificializados, apesar de admitir que a Premier League é a liga que mais acompanho.
André Dias
E o que é que isso tem a ver com o comentário do SlyRP ou o meu? Estamos a falar em organização, fairplay, estádios e equipas, futebol, treinadores e claques. Tudo isso existe em qualidade e quantidade na PL.