Chicago e Minnesota partem para esta temporada com ambição redobrada, e receios a condizer. São dois casos a que se pode aplicar o chavão de presos por arames, tal a dependência da recuperação total dos seus dois bases, que irão falhar o início de temporada, e cuja condição física é uma incógnita. Embora sejam dois conjuntos com enorme talento (Chicago montou uma equipa que os colocou no patamar de candidatos ao anel nos últimos anos, e Minnesota é um conjunto em ascensão), os resultados recentes provam que sem os dois jogadores, Rose e Rubio respectivamente, pouco mais podem aspirar que alcançar um resultado idêntico ao da época passada. Na máxima força, Chicago pode reaver o seu lugar de equipa de topo, e Minnesota pode regressar aos playoffs na dura Conferência de Oeste, o que não acontece desde que Kevin Garnett saiu.
Chicago Bulls
Há um ano atrás, Chicago era o maior candidato a derrotar os Heat e representar o Este nas finais. Hoje, quando se fala de Bulls, só vem à cabeça a imagem de Derrick Rose no chão agarrado ao joelho. A coisa põe-se simples: SE Rose voltar a 100%, os Bulls estão no patamar superior dos candidatos, se não, não passam de uma equipa de 1ª/2ª ronda de playoffs. Sim, têm Deng e Noah (que também foi ao tapete demasiadas vezes), mas não chega para grandes vôos. De Boozer, a única magia que se vê é um número de desaparecimento. O grande reforço Rip Hamilton foi um desastre (pior época de sempre) e a idade já parece pesar no seu rendimento; e o banco, visto como o melhor da Liga, foi desfeito. As boas notícias? Voltou Kirk Hinrich, um favorito dos adeptos, que deve manter a máquina a rolar com suficiente qualidade, Nate Robinson entrou para o papel de “gajo que sai do banco de vez em quando para fazer 20 pontos e decidir jogos”, Marquis Teague (diz-se que) pode ser o base suplente com eficiência, Taj Gibson continua a evoluir, com a sua defesa e jogo interior, e há também Belinelli, que pode a partir do banco fazer muitos pontos através do seu lançamento exterior. Nazr Mohamed e Fesenko tentarão fazer esquecer Asik, embora destes se espere pouco mais que uns ressaltos e algum espírito de luta. E claro, Tom Thibodeau renovou, o que significa que o comando técnico fica bem entregue. Prevê-se uma temporada longa em Chicago, esperando-se a recuperação de Rose (com boletins “diários” de como o seu joelho evolui) e criando-se rumores sobre trocas (Boozer aparece na 1ª linha para ser trocado ou amnistiado). Caso Rose não regresse rápido e bem, pode bem haver revolução em Chicago. Conclusão: não há muito a dizer… os cenários são opostos com e sem Rose, e o segundo, embora contenha uma ida aos playoffs acaba sempre com uma saída prematura pela porta das traseiras.
Minnesota Timberwolves
Os Minnesota Timberolves pareciam fadados para o sucesso na época anterior, até Ricky Rubio ter ido ao chão. Seguiu-se mais do mesmo: derrotas, e mais uma temporada de playoffs no sofá a ver televisão. Kevin Love mostrou o seu descontentamento pela falta de qualidade da equipa, e pelos consequentes insucessos, e vai daí David Kahn resolveu atacar em força o mercado de modo a satisfazer a sua estrela. Já lá vamos… antes de mais: a equipa dos Wolves está assente em Kevin Love, que se foi estabelecendo como uma força dentro da Liga. Melhor ressaltador, exímio atirador (tal como Nowitzki, é um perigo para lá da linha de 3 pontos) e eficaz nas zonas interiores (bom trabalho de pés, embora não seja muito físico), Love tem feito números impressionantes; não é raro conseguir jogos de 20/20. Infelizmente, isso não chega para levar uma equipa aos playoffs numa conferência como a de Oeste. É aqui que entra o espanhol Ricky Rubio: o rookie do ano passado entrou na liga a todo o gás, mostrando aos seus detractores que estava pronto: marca pontos, faz rodar a bola, assiste, conduz o ataque com precisão, e tudo isto a uma velocidade ao alcance de poucos. O aumento de qualidade após a entrada do espanhol na rotação foi notório, bem como notória foi a queda daquela após a sua lesão. Com Rubio a 100%, os Timberwolves são de facto, uma equipa a abater. Partindo do princípio que os Wolves têm as fundações teóricas de um campeão (um base e um homem grande), a Direcção tratou de rechear as restantes posições com opções de elevada qualidade. A começar pela de SG, que será de Brandon Roy. Claro que Roy, que já estivera “reformado”, é uma aposta no escuro. Dado como inapto para a alta competição, o ex-blazer regressa à equipa que o seleccionou no draft numa daquelas histórias que apaixonam a América. Caso (várias interrogações) esteja próximo da máxima capacidade, é apenas um dos melhores jogadores e marcadores da Liga, por isso… A SF, outro reforço que vem de umas “férias”. O russo Kirilenko regressa à NBA, para dar aos Wolves defesa, defesa, defesa, e ainda alguns pontos, desarmes e ressaltos. Tal como Roy, a condição física de AK-47 é uma constante preocupação, ou não fosse ele conhecido em Utah como o Homem de Vidro. A poste, uma das revelações do ano passado, Nikola Pekovic, cuja agressividade é um perfeito complemento a Love. No banco também há opções; Ridnour (deve ser o base titular na ausência de Rubio), Barea (jogador tipo microondas), Derrick Williams (o 6º jogador), Budinger (obrigado Houston por um suplente tão interessante), Stiemsma (fará descansar os grandes, mas tem que desenvolver jogo ofensivo) e ainda Alexey Shved, que fazendo as duas posições de base, pode ser uma boa opção, assim se adapte à NBA. Em conclusão: um base de elite e uma (quase) super-estrela costumam chegar para os 8 primeiros, ainda mais com tanto talento à sua volta. SE as lesões deixarem os Timberwolves sossegados, temos aqui equipa para lutar pelos playoffs, e chegados a estes, terão que ser levados com seriedade…
Conseguirão os Wolves chegar aos playoffs? Rubio dará seguimento ao que mostrou na época transacta e entrará na elite dos bases? Chicago; equipa de playoffs ou candidata ao anel? Voltará Rose em plena forma física?
Nuno Ranito


