Nesta última análise vamos passar em revista aquelas que se perfilam como as piores equipas da Liga, e que iniciam a temporada com um dos seguintes objectivos: conseguir o menor número de vitórias que permita aumentar as chances de obter a 1ª escolha do draft de 2013, ou conseguir um número de vitórias que evite a vergonha de ser a pior equipa da Liga. Este post pode deprimir os mais sensíveis, pois de facto não existe muito de positivo a dizer das equipas que se seguem…
Portland Trail Blazers
No início da época passada, Portland era, para muitos peritos, uma das poucas equipas que podia ombrear com os Thunder pelo domínio do Oeste. A qualidade de jogo e atleticismo da equipa eram realmente assustadores, mas a pouco e pouco a equipa foi-se afundando, e terminou bem longe dos oito primeiros. Pelo caminho, a equipa foi praticamente implodida, saindo treinador e jogadores importantes, como Roy (abandonou ainda antes do início), Wallace, Camby e Felton (já este defeso). Portland vê-se assim, mais uma vez, em processo de renovação, sendo que esse processo pode ser ajudado por uma alta escolha no draft de 2013 (assim acerte a escolha… basta pensar que Chris Paul, D-Will ou Durant podiam ter jogado por Portland, assim os Blazersos tivessem seleccionado). E olhando para o plantel disponível, parece claro que os Blazers construíram uma equipa à medida dessa tarefa… Ainda assim, das equipas em remodelação, esta parece aquela que está mais perto de voltar a ser competitiva. Primeiro, porque possui nos seus quadros um dos melhores interiores da Liga, LaMarcus Aldridge. Aldridge pode jogar a PF ou C, e é capaz facilmente de fazer jogos de 20/10, e dominar o jogo no ataque e na defesa. O SF francês Batum viu o seu contrato renovado (Portland cobriu uma oferta elevada dos Wolves), e deverá ser o nº2 da equipa, tendo um papel ainda mais relevante no ataque. Wesley Mathews é o SG titular, um bom atleta, razoável defensor e bom atirador. Nas posições de base e poste, deverão iniciar dois rookies: Damien Lillard e Meyers Leonard. O primeiro é tido como um dos candidatos a rookie do ano (atrás do inequívoco Davis, claro), é um base explosivo e bom marcador de pontos, enquanto que o segundo pode dominar as tabelas e ser uma boa ajuda defensiva. O problema é que os rookies demoram sempre algum tempo a adaptar-se à exigência da NBA, e nem sempre a sua produção é proporcional ao potencial. Ou seja, um cinco inicial com dois rookies é muito, muito arriscado… mas estes terão que jogar, por duas razões: primeiro, só com minutos e experiência poderão dar um contributo maior no próximo ano; segundo, o o resto do plantel é tão fraco, tão fraco, que os Blazers pouco ganham em dar os seus minutos aos jogadores de banco. Ronnie Price, Pavlovic, Hickson (o único decente), Jared Jeffries ou Luke Babbit formam de facto uma esquadra, eufemisticamente falando, medíocre. Conclusão: Portland terá como objectivo desenvolver os seus rookies, e no processo perder muitos jogos, para que possa almejar a uma alta escolha em 2013. Na melhor das hipóteses, terminará 2013 com um cinco base de elevada qualidade.
Houston Rockets
Houston fartou-se de andar pelos 50% de vitórias, e à beira do apuramento para os playoffs (o que impedia obter uma escolha top-10), pelo que decidiu pura e simplesmente implodir a equipa! Dragic, Lowry, Scola, entre outros, saíram, sendo que em troca os Rockets apenas quiseram escolhas de draft e jovens jogadores. Os Rockets (que ainda têm o contrato de Kevin Martin para negociar, e deverão fazê-lo) conseguiram bastante folga na folha salarial para atacar o mercado no defeso, mercado esse que pode conter “produtos” como Chris Paul e Dwight Howard. Entretando, os Rockets terão um ano para desenvolver os seus (muitos) jovens, de modo a criar um grupo coeso e competitivo que atraia uma ou mais estrelas. A estrela da companhia é Jeremy Lin, que pode finalmente provar que consegue liderar uma equipa durante uma temporada completa. Lin, para lá do seu jogo, traz o hype (Houston, embora medíocre, será certamente seguida de perto pela comunicação social) e o interesse do mercado asiático. O outro reforço de peso foi o poste Omer Asik, que passa de suplente em Chicago para titular em Houston. Não se trata de um jogador muito dotado ofensivamente, e duvidamos que execute o pick and roll de modo eficiente com o seu base. Claro que ainda há o cotado SG Kevin Martin, naquela que deverá ser a sua última época em Houston: não é a estrela que o seu salário indica, e o seu contrato é uma peça interessante para negociar. Depois há um conjunto de jogadores como o SF Chandler Parsons (interessante época de rookie, pode ver a sua importância ofensiva aumentar), o base Shawn Livingstone (muito limitado após uma grave lesão no joelho), Patrick Patterson (um role palyer que poderá ser titular), Motiejunas (um poste de quem muito se espera, com um repertório ofensivo interessante embora seja dado como “macio”), Carlos Delfino, Marcus Morris, Jeremy Lamb (o rookie que pode chegar a titular como SG, fruto do seu bom jogo exterior), que dividirão minutos entre si, sendo que, à medida que a época avance, os mais jovens irão certamente ganhar tempo aos mais velhos. Conclusão: uma equipa demasiado jovem, arriscamos dizer, sem um jogador top-50 (não, Jeremy Lin NÃO é um dos melhores bases da Liga, e K-Mart é tudo menos eficiente), construída e destinada para perder. No final de temporada, o melhor cenário será uma posição que permita uma pick top-3, qualidade de jogo por parte dos seus jovens, e um Jeremy Lin consolidado; de modo a que Houston seja atractivo para as estrelas, e restantes jogadores de qualidade.
Detroit Pistons
Os Pistons são a imagem de uma cidade deprimida pela crise económica, que bateu forte na indústria automóvel, a âncora da cidade. O seu GM, Joe Dumars, ganhou o prémio de executivo do ano, e venceu um título, seguindo-se diversas finais de conferência, mas os últimos anos foram repletos de negócios ruinosos que não só destruíram a competitividade da equipa, mas também lhe retirou hipóteses de, tão cedo, regressar a um patamar elevado, visto que os Pistons têm demasiados maus contratos a prenderem-nos a jogadores de qualidade mediana. As boas notícias é que os jovens Brandon Knight e Greg Monroe parecem ser peças sólidas para serem suporte de uma boa equipa. Com a adição do rookie Drummond (tido como um tremendo defensor, e um monstro nas tabelas), as fundações parecem asseguradas. Mas no presente, Detroit apresenta pouco mais do que o potencial destes jovens… O SG titular (era o sucessor de Billups como PG), Stuckey, marca muitos pontos, mas com baixa eficácia; o SF Tayshaun Prince é um bom defensor de perímetro, mas a quem os anos já pesam, Jerebko é interessante a vir do banco, Maggete é um trota-mundos que, quando inspirado, marca bastantes pontos (o problema é que ele só se inspira no máximo uma vez por timestre), Jason Maxiell é um bom contrato para trocar, Villanueva tem um grande contrato e uma proddução de jogo inversamente proporcional, o rookie Kim English pode ser relevante a partir do banco, e Will Bynum é um bom suplente, para não atrapalhar muito a evolução de Knight. A ideia de Detroit será desenvolver a sua versão das Torres Gémeas, com o apoio do seu base, e transformar jogadores como Jerebko e English em role players de qualidade. Quando se livrarem de contratos como os de Maggete (foi trocado por Ben Gordon por essa razão, visto que o seu contrato termina antes) e Villanueva, poderão aí sim dar mais qualidade ao plantel. Esta temporada, vai ser mais do mesmo, a culminar num dos piores recordes da NBA.
Charlotte Bobcats
Que dizer da equipa que está na História da Liga… como aquela que possui o pior recorde de vitórias de sempre? Os Bobcats são maus… e azarados… o seu “feito” nem sequer foi premiado com a 1ª escolha do draft, entregue pelos Deuses aos Hornets. O plantel de Charlotte é um misto de jovens inexperientes (e cuja evolução tem deixado a desejar) e de veteranos sobrevalorizados ou que nunca se conseguiram impôr… Como bases estão Kemba Walker (pouco eficiente) e Ramon Sessions (que quis sair dos lakers e testar o mercado); a SG os Cats têm Ben Gordon (o único marcador de pontos da equipa, embora não seja muito eficiente nem envolva os colegas no ataque) e Gerald Henderson (bom defensor, veremos quantos minutos consegue “roubar”); a SF o rookie Kidd-Gilchrist (uma espécie de Gerald Wallace, que pode evoluir para o estatuto de estrela); os PF são Byombo (bom defensor e ressaltador, algo limitado ofensivamente) e Tyrus Thomas (grande atleticismo, pequena cabeça); e no centro estão Haywood (não é à toa que Dallas o despachou) e Byron Mullens. A equipa é demasiado jovem, nenhum jogador, à excepção de Gordon, é uma ameaça ofensiva constante, e não existem veteranos com QI suficiente para puxar pela juventude. Charlotte tem baseado a sua evolução enquanto equipa no desenvolvimento dos seus jovens jogadores, mas este processo está a demorar mais tempo do que o esperado, sem os resultados esperados, e entretanto a pressão irá aumentar. O lado positivo, é que dificilmente a equipa vencerá menos jogos que na época passada.Infelizmente isso não deve chegar para fugir ao último lugar.
Damien Lillard vai explodir de imediato na NBA? Jeremy Lin vai calar os descrentes ou vai dar razão aos que o acham um flop? Conseguirá Joe Dumars voltar a montar uma equipa competitiva? Irá Charlotte repetir o último lugar de 2012?
Nuno Ranito


