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Visão de Mercado: NBA – “Na luta por um lugar (o último?) nos playoffs de Oeste”: Warriors, Kings e Suns

Tratados os candidatos naturais às oito posições que dão acesso aos playoffs, passemos às equipas que, ainda assim, aspiram a surpreender os favoritos e alcançar o objectivo de não terminarem a época com apenas 82 partidas jogadas. Por diferentes razões, Warriors, Kings e Suns têm andado afastados das grandes decisões, e encontram-se num processo, mais ou menos adiantado, de renovação, com vista a recolocarem-se entre o topo do Oeste. Esta temporada pode marcar mais uma passada nessa difícil caminhada.
Phoenix Suns
Os Phoenix Suns dificilmente passarão da época regular. Numa conferência mais fraca, talvez, mas no Oeste, poucas hipóteses têm de andar com os da frente. Ainda assim, recuperaram do choque da perda do seu capitão, Steve nash, e conseguiram montar uma equipa interessante, com algum potencial, e que pelo menos parece destinada a divertir os adeptos. Porém, este ano não possuem nenhum jogador que tenha um estatuto sequer próximo de estrela, alguns dos seus melhores atletas estão longe de terem provas dadas. A começar pelo regressado base Dragic, vindo da sua melhor temporada de sempre. O problema é saber se ele tem valor para liderar uma equipa de modo consistente ao longo de 82 partidas… Wesley Johnson e Shannon Brown dividem o tempo como SG. São dois jogadores interessantes, resta saber como se darão com a pressão acrescida da titularidade e de serem opções atacantes frequentes. Terão que se afirmar, caso Phoenix queira alcançar algo… Outra interrogação é Michael Beasley: talento qb, QI nem por isso… mas Beasley pode ter aqui a época de afirmação: não tem pressão de ter de vencer (ninguém de bom senso acha que Phoenix tem essa obrigação), pode fazer o seu jogo, e evoluir calmamente, o que não lhe foi possível em Miami. A PF, o achado do ano: no caixote do lixo das amnistias  os Suns foram buscar um jogador tremendamente eficaz e um companheiro de equipa interessante, o argentino Scola. Scola vai dar a Phoenix o jogo interior que não possuíam na posição de extremo. A poste, o martelo polaco Gortat vai continuar a fazer o que faz bem: duplos-duplos de modo consistente, e bater-se com os melhores postes. Claramente, Phoenix está bem servida de 5 (salvo as interrogações), tem uma boa dupla interior, mas a partir daí a qualidade é escassa. Para já, Frye deve perder a temporada devido a problemas cardíacos. Jared Dudley (bom lançador) deve ser o 6º jogador, e variar entre SG e SF. Mas Telfair, Markieff Morris, Jermaine O’Neal e o rookie Marshall estão longe de causar grande impacto. E depois, há que aferir do efeito Nash: até que ponto alguns jogadores tidos como eficazes (como Dudley) só o eram devido ao jogo do base canadiano? Posto tudo na balança, Phoenix pode ser encarada como uma equipa para dar espectáculo, fazer uma surpresa de quando em vez, mas demasiado frágil ainda para se juntar à frente do pelotão, embora possua boas fundações para o fazer num futuro próximo.
Golden State Warriors
Os Warriors criaram uma imagem de equipa que joga rápido, não utiliza o relógio e abusa dos lançamentos longos. Os seus jogos acabavam normalmente com mais de 200 pontos (o que hoje é raro), mas infelizmente os seus adversários acabavam por marcar sempre mais uns pontos que eles… com a chegada de Mark Jackson, foi implementada uma mentalidade diferente, a equipa alternou para um jogo mais pausado e variado, e a começou-se a dar importância à defesa. Mas cedo se viu que com o elenco disponível tal era impossível, por isso o ano passado os Warriors fizeram uma troca surpreendente: abdicaram de Monta Ellis, um dos seus melhores marcadores, para obterem Andrew Bogut, que finalmente lhes permite ter uma solução de ataque no interior, ao mesmo tempo que oferece uma imponente presença defensiva. No papel, GS ficou a ganhar, e muito, com a troca. Bogut é um dos melhores 5 postes da Liga, e um dos poucos eficazes tanto no ataque como na defesa. O problema é que a sua carreira tem sido marcada por lesões diversas, e nada leva a crer que este ano será diferente. Ou seja, muito do sucesso da equipa depende do seu estado clínico ao longo da desgastante temporada, por isso só no fim se dirá o quão bem sucedida foi a aposta. Para lá de Bogut, as armas ofensivas são imensas (daí que a perda de Ellis também não seja um mal por aí além), a começar por Stephen Curry,o PG titular, passando por Klay Thompson (muito bem na 1ª época), até Richard Jefferson, que embora não tenha a explosão de outros tempos, ainda é um bom atirador (queira ele nesta fase da carreira jogar por uma equipa menor). David Lee, embora seja um defensor fraco, é uma máquina de fazer pontos e ressaltos. As alternativas ao cinco inicial também foram reforçadas, a começar pelo “pequeno” Carl Landry, que dá a esta equipa um espírito de combate que muitas vezes lhe falta. Jarret Jack, como suplente, é uma boa opção, tal como Brandon Rush, Harrison Barnes pode evoluir e até tirar o lugar a Jefferson mais para a frente, e Andris Biedrins, se voltar à forma antes de assinar o seu gordo contrato, pode contribuir do banco com desarmes e ressaltos. O maior problema dos Warriors, para lá da mudança de paradigma de jogo, é a falta de estatura: Lee e Landry, como PF, são demasiado pequenos para se baterem contra adversários mais poderosos, embora o segundo compense com a sua garra. Concluindo, Golden State parece estar no bom caminho para regressar às vitórias, assim a forma de Bogut o permita. Tem jogadores jovens, talentosos, rodeou-os de veteranos mais experientes, mas mesmo assim pensamos que este ano, embora permita uma aproximação aos mais fortes, não será o do regresso aos playoffs.
Sacramento Kings
Sacramento tem uma das equipas mais talentosas da NBA. Sério!! As potencialidades técnicas e físicas deste conjunto dá perfeitamente para ombrear com Kings (o de Miami), Mambas e Durantulas, e mais os que vierem! Mas, a vida não é só talento, e os Sacramento Kings são um caso de estudo de como o total é muitas vezes bem menor que a soma das partes… enquanto equipas como os Spurs, mais fracas (salvo seja) no papel se impõem fruto do jogo colectivo e do esforço de todos, Sacramento é o oposto. Não defendem, não passam a bola (uma das equipas com menos assistências , são egoístas, lançam de todo o lado mesmo tendo más percentagens, e a atitude dentro e fora do campo é tudo menos recomendável. Eis o porquê desta talentosa equipa estar tão longe dos melhores do Oeste. Espera que o treinador Keith Smart possa alterar este estado de coisas, pôr um açaime em alguns dos seus atletas mais problemáticos, e finalmente pôs os Kings a jogar como uma equipa. Porque matéria-prima tem, a começar pela posição de PG, de Isaiah Thomas, e reforçada com o “chinês” Aaron Brooks (problema: Brooks gosta mais de lançar que passar). Marcus Thorton será o SG (outro que não passa e não tem especial interesse em defender…), e espera-se que este ano Jimmer Fredette possa contribuir mais que o ano passado como seu suplente (embora Jimmer seja um PG, não deve ter grandes hipóteses aí e, pasme-se, gosta mais de lançar do que distribuir). Tyreke Evans (era o PG da equipa) deve ser desviado para SF, o que até lhe fica bem, porque gosta mais de marcar pontos do que… ok, já me estou a repetir (PS: Tyreke foi sendo mudado de PG para SG, e depois para SF, o que não lhe é natural… pode ser usado como moeda de troca durante a temporada). Travis Outlaw e John Salmons são as alternativas. Jason Thompson fez uma excelente temporada, e deve começar como PF, sendo que o rookie Thomas Robinson lhe pode tirar o lugar algures a meio da época. E no centro, o “pequeno” Chucky Hayes, excelente jogador interior e ressaltador, vai ser o suplente daquele que é um dos mais promissores postes da NBA: DeMarcus Cousins. Cousins é mais que excelente, tem todas as ferramentas para ser um poste dominante (físico, jogo de pés, etc…). Por outro lado, possui também todos os defeitos atrás mencionados, ele é num todo a imagem da equipa, para o bem e para o mal. Ou seja, temos aqui uma equipa jovem (se calhar demasiado para ter impacto imediato), talentosa como poucas (a lembrar um pouco os Mavericks de Jim Jackson, Kidd e Cia), mas a quem falta cabeça para chegar a um patamar de competitividade elevada. Consigam ter cabeça, e podem dar dores de cabeça a muitos, embora ainda lhes falte um pouco para bater os mais fortes de modo constante.
Conseguirá alguma destas equipas chegar aos playoffs? Como se sairão os Suns na 1ª época pós-Nash? Cousins, jogador de elite ou mais um talento perdido? Bogut fará uma temporada completa e liderará o regresso dos Warriors aos melhores oito do oeste?

Nuno Ranito

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