E eis chegados ao grupo que, na Conferência de Este, corre por fora pelo objectivo de alcançar um lugar entre os oito primeiros. Este grupo é formado pelos Bucks pós-Bogut, os Cavs pós-LeDecision, e os representantes do Canadá, os Toronto Raptors.
Toronto Raptors
Os vizinhos do Norte falharam o objectivo de trazer para casa um certo base canadiano, mas ainda assim não se pode dizer que tenham tido um mau defeso. Não perderam peças importantes, e conseguiram alguns reforços que podem melhorar a posição da equipa na tabela. Kyle Lowry é o grande reforço, e dele se espera que dê seguimento à excelente temporada feita em Houston. Lowry, além dos números que faz, traz uma liderança que uma equipa em busca do sucesso precisa. Jose Calderon deverá perder o seu posto de titular, e se por um lado é um suplente de luxo, por outro pode não se dar bem com essa despromoção. Veremos se os Raptors não o usam como moeda de troca a meio do ano (ainda por cima porque John Lucas mostrou em Chicago que pode desempenhar o papel de suplente com eficácia). Outro reforço, Landry Fields será, espera Toronto, uma ameaça para lá da linha dos 3 pontos. DeMar DeRozen será o SF, é um bom defensor e um bom atleta, mas tem que desenvolver o seu jogo ofensivo. Bargnani é o PF titular, assim deixem as lesões. O italiano tem sido a peça chave dos Raptors, o que pode explicar parte do insucesso recente dos canadianos. Bargnani é um excelente atirador, até para lá da linha dos 3 pontos, rápido e tecnicista, mas não é opção de jogo interior, nem é apreciador do jogo físico, o que perante equipas possantes, o torna um ponto fraco a explorar. Sim, o jogo interior dos Raptors não é famoso… irá melhorar com o rookie lituano Valancinuas? O jovem jogador, escolhido há um ano no draft, não deixou grande impressão nos Jogos Olímpicos, e embora se reconheça nele talento, há sempre a desconfiança de como um poste (e jovem) europeu se enquadra no estilo de jogo da NBA. Os Raptors depositam nele muita esperança, mas duvidamos que tenha muito impacto já esta temporada (veremos…). Uma das fraquezas dos Raptors, para lá do jogo interior, é mesmo a falta de opções na globalidade. Para lá dos referidos, não há muito mas qualidade… Kleiza ainda se inspira de vez em quando, mas não é regular, Ed Davis, Amir Johnson e Dominic Mcguire estão longe de serem temíveis no ataque, enquanto que o rookie Terrence Ross terá que contribuir rapidamente como SG. Concluindo, os Raptors parecem melhores, mas continuam com poucas armas no ataque para fazer frente a equipas mais fortes. As chaves de uma possível ida aos playoffs, no melhor cenário possível, serão Lowry elevar o eu jogo para o estatuto de all-star, Bargnani fazer uma época sem lesões, e Valancinuas adaptar-se de imediato.
Cleveland Cavaliers
Rei morto, rei posto. Kyrie Irving é o novo homem em Cleveland, e tem por missão levar a sua jovem equipa de regresso aos playoffs. A pressão era imensa no seu 1º ano, e não se pode dizer que tenha desiludido… espera-se que a sua época de 2º ano seja ainda melhor, porque o sucesso dos Cavs depende dele, não só no jogo jogado, mas porque agora é ele a figura da franchise. Irving está rodeado de jovens talentosos: o rookies Dion Waiters, atirador, e o poste Tyler Zeller, bem como Alonso Gee e Tristan Thompson. Daqui se percebe que Cleveland é uma daquelas equipas em crescimento, e cuja falta de experiência lhes vai custar alguns jogos… os poucos veteranos da equipa são o poste brasileiro Varejão, lutador tremendo e flopper de renome, o reforço CJ Miles, extremo que em Utah nunca conseguiu pôr o seu atleticismo a funcionar de modo consistente (para não falar do lançamento), e Daniel Gibson, um dos que ainda privou com LeBron no balneário de Cleveland. Omri Casspi e Jeremy Pargo também serão opções, mas não se espere assim nada de especial… Então, não há muito a dizer para lá dos chavões aplicados às equipas jovens: vão evoluir, mas não o suficiente para se baterem com os mais fortes, vão mostrar sinais de talento, alguns jogadores vão sentir dificuldades em adaptar-se de imediato, ainda por cima porque lhes faltam veteranos à sua volta e lhes é pedido rendimento desde o início. Irving ainda pode disfarçar, mas simplesmente não há qualidade em Cleveland para chegar aos oito… o jogo ofensivo interior não é dos mais perigosos, a juventude “origina” muitos turnovers, e para lá do talentoso base não algum jogador de peso no plantel (o mais próximo é mesmo Varejão). Tudo a que os Cavs podem aspirar é que os seus jovens aprendam as artes do ofício, e para o ano venham mais fortes.
Milwaukee Bucks
Ano 1 da experiência Ellis-Jennings. Os Bucks abdicaram (já o ano passado) daquele que era o seu franchise player, Andre Bogut, e alinham com uma dupla de bases explosiva. São ambos rápidos, e com o dedo no gatilho prontos a atirarem, sendo o pesadelo que qualquer defensiva. O senão? Para lá de serem defensores, digamos medianos, são dois jogadores mais virados para a estatística individual que para o resultado colectivo. Veremos se, juntos, se conseguem complementar, colocarem parte da sua capacidade física no processo defensivo, e acima de tudo, integrarem os seus colegas no ataque. Até porque os Bucks têm para lá destes dois boas soluções: Mike Dunleavy Jr. é um bom atirador (também é algo macio, e por isso ataca pouco o cesto), tal como o turco Ilyasova, um dos FA mais apetecíveis deste defeso, que os Bucks conseguiram manter. Pontos é algo que não conseguirão do seu poste, embora Dalembert compense pela sua defesa e habilidade em ganhar ressaltos. Um dos problemas dos Bucks são as opções a base: Udrich nunca se impôs de todo, e o seu estilo de jogo é o oposto dos titulares, enquanto que o rookie Lamb, dado como bom atirador, é uma incógnita. Nas outras posições, a segunda unidade dos Bucks nem é tão má: Mbah a Moute ressalta e defende bem, embora marque poucos pontos, Ekpe Udoh e o rookie John Henson são dois jogadores a evoluir, e depois há Drew Gooden, que será a principal arma ofensiva vinda do banco. Gooden é um PF, mas pode ser “obrigado” a jogar a poste, onde será uma ameaça maior no ataque do que os seus colegas de posição, mas onde também pode vir a ser amassado por adversários mais possantes. Concluindo, o desempenho de Milwaukee será proporcional ao dos seus dois bases, mas muito depende do modo como eles seleccionarem os seus lançamentos, conseguirem envolver os seus colegas no ataque, e de como estes taparem as suas deficiências na defesa.
Alguma destas equipas chegará aos oito primeiros do Este? Kyrie Irving vai chegar ao top dos bases na sua segunda época? Quantos pontos valem Ellis e Jennings, e será esta a melhor dupla de bases da Liga? Valanciunas, estrela ou flop?
Nuno Ranito


