Chegados ao patamar nº4 na hierarquia dos principais candidatos ao anel, encontramos duas equipas que, não candidatas de primeira linha, possuem argumentos suficientes para lutar pelo título. Estão construídas em redor de dois dos melhores jogadores da Liga (D-Williams e Dirk), capazes por si só de vencerem jogos, e possuem características peculiares para argumentar contra os favoritos (os Mavs a experiência, os Nets a força do 5 inicial). Dallas Mavericks e Brooklyn (ex-New Jersey) formaram excelentes conjuntos, e apenas algumas interrogações, que o correr da temporada dissipará, impede estas duas equipas estarem num patamar superior.
Dallas Mavericks
Após serem campeões, os Mavs preferiram passar a época de lockout quietinhos e esperar pela licitação no leilão da Free agency, em que aspiravam a contratar Deron Williams e/ou Dwight Howard. Todos sabemos como essa estratégia terminou… para ajudar, Kidd e Terry saíram, falharam o reencontro de Dirk com o amigo Nash, e pouco a pouco o mercado foi-se esvaziando (os Mavs pareciam condenados a uma época longa, até que conseguiram raspar o que restava de jogadores livres e fazer uns bons negócios). A começar pelo suposto base titular, Darren Collinson. Ele foi para Indiana porque era demasiado bom para ser “apenas” suplente de Chris Paul em NO. Não funcionou, mas tem aqui uma 2ª vida. A questão é que, embora seja explosivo, rápido e um bom marcador, não consegue impor um bom ritmo e distribuir a bola. Tem que melhorar este aspecto, se quiser manter o emprego. A SG deverá começar OJ Mayo. Mayo era um 6º jogador em Memphis nos últimos tempos, mas duvidamos que os Mavericks abdiquem de ter uma arma tão boa a jogar de início. Claro que Mayo nunca produziu de acordo com o seu potencial (foi a 3ª pick do Draft de 2008 e era considerados por muitos experts o novo Kobe), mas o facto de jogar numa equipa vencedora e não ter o peso da responsabilidade pode mudar isso. Marion é o SF titular, e embora não tenha a frescura de outros tempos, é um defensor temível e tem boa percentagem de lançamento (a veterania também tem o seu valor dentro de campo). A PF, o bombardeiro louro, Dirk Nowitzki. Lança de 3, lança de dentro, ressalta, dribla, assiste, faz tudo… é dos melhores e mais completos jogadores da Liga, e um daqueles a quem QUEREMOS dar a bola quando o jogo se vai decidir no último segundo. Esperem… nop, esse era o Dirk de 2011… o de 2012 passou a temporada fora de forma e pareceu puco motivado. Mas cremos que issofoi fruto do lockout e das escolhas superioras, e que em 2012/13 teremos o “velho” Dirk de volta. E a poste, Chris Kaman (sem lesões) é um ENORME upgrade em relação ao inútil Haywood, sendo um jogador que pode servir de referência no ataque e que ressalta bem em ambas as tabelas, embora seja pouco agressivo a defender. Do banco virão Beaubois (aposta pessoal dos Mavericks), Delonte West (bom atirador e excelente defensor que faz as duas posições de base), Jae Crower (o “novo Faried”, um jogador com a velocidade de um SG, a estatura de um SF, e a força de um PF), Brandon Wright, Dahntay Jones, Dominique Jones e… Elton Brand! Sim, Brand, um jogador pago em excesso nos últimos anos passa para a coluna das pechinchas: falamos de um PF que, mesmo longe do fulgor de outros tempos, pode fazer 15/8 num jogo sem forçar muito, e ser uma referência de ataque enquanto Dirk descansa (ou jogar em conjunto com o alemão, o que dá aos mavericks um arsenal temível). Concluíndo, os Mavericks conseguiram rodear à última da hora a sua estrela com talento suficiente para fazer estragos, assim os jogadores (Collinson, Mayo, Brand, Kaman, West) produzam à altura dos seus potenciais.
Brooklyn Nets
A análise aos Nets divide-se entre o “são candidatos ao título JÁ” e o “não são assim tão melhores que o ano passado”. Pessoalmente, achamos ambas as afirmações correctas. Confuso? Comecemos então pelo início. Os Nets mudaram-se dos arredores de NY para o centro da Big Apple, e o seu dono resolveu brindar o novo pavilhão com uma equipa a condizer. E para aqueles que acham que o dinheiro russo se esgota nos Anzhis, enganem-se… O senhor Prokhorov fez chover dinheiro, e eis os Brooklyn Nets, versão 2012/13. Passo 1, renovar com a sua estrela, Deron Williams. Passo 2, ir buscar o ridículo contrato de Joe Johnson. Passo 3, pagar uma exorbitância a Gerald Wallace. E por último, proteger o seu poste, adivinharam, dando-lhe mais um obsceno contrato. E para quem fizer as contas, os novos Nets têm 70M entalados no seu 5 inicial. Ou seja, se as coisas correm mal… Mas esqueçamos o dinheiro, e passemos à equipa em si. Será que os Nets serão assim tão melhores que a medíocre equipa da temporada passada? Em primeiro lugar, Deron terá certamente uma produção bem acima do que tem feito desde que saiu de Utah. O ano passado ele pareceu pouco interessado” em jogar, mas este ano tudo será diferente. Relembramos que falamos de um dos melhores bases da Liga, capaz de fazer pontos de todas as maneiras (tiro exterior, entradas, pick and roll) e de distribuir mais de 10 assistências por jogo. Depois, Joe Johnson, que embora recebendo demais, pode valer mais de 20 pontos por jogo numa posição de “2º jogador” a la Pippen, assim queira ele jogar menos sozinho e usar mais a distribuição de D-Will. Wallace éum jogador explosivo, e que dá ao perímetro dos Nets uma agressividade defensiva no perímetro acima da média. No interior, Humphries ganha ressaltos em ambas as tabelas, e até marca alguns pontos, enquanto que Lopez é um dos melhores postes da Liga no plano ofensivo, embora seja fraco defensivamente, e a sua condição física seja constantes motivo de preocupação. No banco, Marshon Brooks pode até ser um dos candidatos a 6º jogador (marcador de pontos nato), CJ Watson é uma boa opção a Williams, Reggie Evans dá capacidade de luta no jogo interior, Andrew Blatche tem talento (terá cabeça?) para ajudar muito a partir do banco, estes devem ser os suplentes mais usados. Depois há as incógnitas Teletovic (dizem que é um atirador nato) e Childress (o de Atlanta seria bem-vindo). Há porém muitas interrogações: o tornozelo de D-will, as lesões de Lopez, a vontade de Johnson em jogar sozinho e resolver, os tiros exteriores de Wallace, a falta de defesa. Cabe ao treinador convencer os jogadores a aceitarem os seus papeis, e caso estes o façam, na máxima força falamos de uma equipa a levar em conta.
Deron Williams vai recuperar o posto de melhor base da Liga? Os Nets vão jogar à altura dos milhões que valem, ou para o ano o milionário russo vai chorar o dinheiro gasto? Qual será a melhor equipa de NY? Que Dirk teremos este ano? O ano passado foi um acidente ou o início do seu declínio? Conseguirá o alemão conduzir os seus Mavs a mais um título?
Nuno Ranito
PS – Temos uma liga no Fantasy da ESPN. Conheça melhor os pormenores aqui! O nº de vagas é limitado, pois para ser funcional a liga só pode ter entre 16 a 20 participantes (o que até é um exagero, pois o ideal é entre 12 a 14).


