“Ele tem de decidir se é mais importante ficar em quarto, quinto ou sétimo ou ajudar a progressão de um jogador numa posição que para o treinador da primeira equipa é fundamental. Entre as nossas equipas há poucos pontos de contacto no modo de jogar; os miúdos saem prejudicados. O Castilla tem posições que na equipa principal não existem, porque nós não usamos um 4-4-2.”
Foi ainda esta época que surgiu nova controvérsia em Madrid por causa destas declarações de Mourinho. Ou melhor: por causa destas acusações. Mas a verdade é que o treinador português, apesar de intensamente atacado, não podia ter mais razão. As equipas B são criadas de modo a providenciar uma ponte entre os jovens e a equipa principal, podendo também ser utilizada, por exemplo, para ajudar um jogador vindo de lesão ou acabado de chegar à equipa a ganhar ritmo ou mesmo dar minutos aos pouco utilizados. Contudo, o maior objectivo é mesmo dar uma base competitiva aos jovens valores saídos da formação.
Para isso, é importante que haja comunicação entre as equipas B e principal – tal só é conseguido se determinados aspectos do jogo forem idênticos nos dois escalões, especialmente em termos tácticos. Assim, os jovens vão ganhando experiência profissional e, se demonstrarem merecê-lo, vão sendo incorporados no mundo dos mais velhos, com participações esporádicas nos jogos da formação principal – e até, se for necessário ou se o jogador justificar tal mérito, dando a oportunidade de ganharem um lugar definitivo na primeira equipa . Cá em Portugal, no primeiro ano da nova era das equipas secundárias, o Vitória de Guimarães B (equipa com melhor média de assistências da II Liga) foi a que melhor interpretou a função que este novo dispositivo nasceu para desempenhar.
No entanto, e apesar de – juntamente com o Sporting B – o Guimarães B ter sido a equipa que mais deu ao conjunto principal (como demonstra a afirmação de jogadores como Paulo Oliveira, Ricardo, Rocha, Dinis, Kanu, Tiago Rodrigues ou Josué), o cenário poderá mudar radicalmente de figura com a descida à II divisão. Qual é o futuro deste projecto que tão frutífero foi na ligação entre equipa secundária e principal? Será que vão competir no escalão abaixo? Jogar num campeonato consideravelmente menos competitivo poderá ser fatal para a missão tradicional da equipa B, além de que uma equipa que joga na II divisão não tem o mesmo poder de atracção. E se o tinham ganho com o facto de terem potenciado tantos jovens este ano, sendo natural que no próximo defeso muitos miúdos optassem mesmo por ir para o Vitória por saberem que teriam maior espaço para se imporem que nas restantes equipas, agora tudo isso será uma incógnita.
Se é verdade que o Benfica soube aproveitar André Gomes e André Almeida, que o FC Porto tentou (mal) incorporar Sebá e Tozé, mais ninguém o fez com a mesma qualidade do Vit. Guimarães. Mesmo o Sporting conseguiu trazer inúmeros jovens para a equipa principal, mas foi mais de uma perspectiva de promoção definitiva (e lançamento súbito aos leões) que de rodagem no escalão primário. Assim, o que poderá acontecer ao Guimarães B? Poderá desaparecer? Ou continuará a desempenhar o seu trabalho na II divisão? Porém, terá este os mesmos índices de aproveitamento que teve nesta primeira e proveitosa época?
Visão da Leitora (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Inês Sampaio



15 Comentários
Diogo
Sempre disse que em relação às equipas B, principalmente naquela fase inicial em que o Sporting ia à frente, que o objectivo principal é colocar jogadores na A e o 2º garantir a manutenção para que o projecto tenha continuidade.
O Guimarães conseguiu 1 mas perdeu o outro, vamos ver as consequências.
Tuck
Não deixa de ser sintomático que a equipa que melhor tenha aproveitado a equipa B tenha descido de divisão.
Uma coisa deve ter estado relacionado com a outra, mas é uma pena que a equipa com mais assistências na II Liga tenha descido de divisão.
Pedro
Aproveito esta abordagem às equipas B para pedir às pessoas que estiveram mais atentar à II Liga para me dizerem qual foi o melhor 11 só com jogadores das equipas B?
Xerife
O argumento utilizado para dizer que o projecto do Guimarães foi melhor que o do Sporting não faz muito sentido. Acho que a um nível global o projecto leonino foi melhor que o do Guimarães (classificação e jogadores que foram para os A's), sem querer tirar mérito ao Vitória uqe soube utilizar muito bem a B.
A nível global creio que todas as equipas B's trouxeram resultados positivos para os seus clubes e, se a aposta for para manter, a médio prazo vão trazer bons resultados à seleção nacional!
megamit
Ruben só lhe tenho a dizer que o seu comentário é absurdo! O Guimaraes com o Porto foram os que utilizaram pior
Rabensandratana
Penso que o projecto da equipa B terá um retrocesso, mas como as pessoas do NORTE são persistentes e ambiciosas, para o ano se tudo correr bem estaremos a jogar de novo na II Liga.
O VSC sempre foi dos melhores clubes a formar em Portugal (tirando os 3 grandes), os vitorianos têm uma enorme fé e crença nos seus pupilos e tudo farão para os apoiar nesta fase complicada do projecto!!!
Neste aspecto crítico o Rui Vitória que já tinha o campeonato feito e não dispensou jogadores para jogar na equipa B.
Alberto
Por um lado não tem de se criticar o Rui Vitória, porque foram dispensando alguns jogadores para a equipa B, o Brasileiro esteve lá é que não lhes dava confiança nos jogos.
Rodrigo
Penso que o projecto da equipa B do vitoria sofre aqui um arrombo forte com esta descida de divisao, sobretudo porque competir na 2ª divisao B nao e igual a estar na Liga de Honra e ate em termos economicos sera dificil manter-se este projecto num clube que atravessa uma grave crise economico-financeira.
Nao deixa de ser curioso o facto da equipa B que melhores jovens fornece a equipa principal e que ate tem a melhor media de assistencias da 2ª Liga desça de divisao, mas o futebol e isto mesmo e o Vitoria pagou caro essa urgente necessidade de ter jovens na equipa A (o que seria do Vitoria sem estes jovens vindos da equipa B esta temporada?).
David Silva
Eu só quero saber como vão fazer a taça da liga com 33 equipas…
Já alguém reparou nisto? Ou alguém sabe como se irá ser o torneio?
- paul,
penso que esta descida levará a extinção do equipa b vitoriana, o que é pena porque deu óptimos resultados, foi a melhor equipa b, na minha opinião.
Btw, parabéns pelo post, gostei bastante
LuisRafaelSCP
Penso que nos projectos das equipas B é fundamental as mesmas manterem-se na 2ª Liga, ao cair na IIª Divisão B não me admira que o projecto dentro de 2/3anos se não voltar a subir, desistam da equipa B, mesmo em termos de crescimento dos jovens e consequente fornecimento à equipa A fica afectado com a descida de divisão.
De qualquer das formas, o Vitória soube tirar o melhor partido da equipa B para a A, mas não soube gerir a equipa B e pode sofrer consequências disso num futuro próximo (este projecto de sucesso e que podia criar bases interessantes para o Vitória sofreu um revés muito grande e só recupera se subirem rapidamente)!
Pedro Ribeiro
Vejo com algum cepticismo o projecto das equipas B. Penso que é uma óptima solução para o futebol português mas não acho que seja uma aposta frutuosa para os clubes, a longo prazo. Poderia ser para Braga, V.Guimarães e Marítimo mas, como os vimaranenses acabam por comprovar, é muito difícil a estes clubes terem equipas B competitivas na Segunda Liga. É verdade que podem ter uma mão cheia de jogadores promissores… mas isso não chega para fazer um plantel competitivo numa divisão tão complicada. Estas três equipas B seriam sempre candidatas à descida. O V. Guimarães desceu, o Braga só se manteve porque foi a correr reforçar a equipa em Janeiro e o Marítimo, talvez por ter um projecto com mais raízes lá se aguentou quase sempre acima da linha de água. Mas, na próxima época, Braga B e Marítimo B serão novamente candidatos à descida. E se a Segunda Liga é uma fasquia demasiado elevada, a Segunda Divisão B é de menos. Simplesmente, não me parece que estes clubes tenham capacidade para produzirem ano após ano jogadores de qualidade em número suficiente para formarem plantéis competitivos na Segunda Liga mas a Segunda Divisão B não é suficientemente competitiva para "puxar" pelos melhores….
Para Porto e Benfica… sinceramente, penso que poderá ser bom para dar rodagem pontualmente a alguns jogadores (sobretudo pouco utilizados na equipa principal) mas o salto é demasiado grande. Dificilmente, algum jogador dará o salto para a equipa principal – pelo menos directamente.
O Sporting, nas actuais circunstâncias, é um caso particular. Produz talento em quantidade suficiente para fornecer a sua equipa B e, por restrições financeiras, não lhes é acessível a mesma classe de jogadores (consagrados… e caros) a que o Porto e Benfica acedem. Assim, pelo menos nas actuais circunstâncias, penso que apenas para o Sporting a equipa B poderá ser uma solução mais credível. Mas isto acontece apenas pelo cenário de dificuldades por que passa o clube – aliás, em parte e à sua escala, como aconteceu com o V.Guimarães.
Nota: em relação ao V.Guimarães, realmente acho estranho não terem optado por reforçar a equipa B, tendo a equipa principal o seu campeonato feito, praticamente desde o apuramento para a final da Taça de Portugal…
Anónimo
Se porventura o v. Guimarães b desaparecer não será por não conseguir cumprir os seus objectivos numa divisão inferior. Observe-se o caso do Marítimo b que durante anos competiu em divisões inferiores e com maior ou menor brilhantismo os cumpriu.
Mavs
Ric.Far
O Vitória B colocou este ano 5 jogadores nos sub 21 e um nos sub 20 … no entanto com a descida penso que o futebol português perde com isso …
Micael Almeida
Sejamos sinceros. O Vitória apenas aproveitou tantos jovens da equipa B, porque as dificuldades de tesouraria assim obrigaram. Tirando os casos de Paulo Oliveira e Tiago Rodrigues, que são, de facto, jogadores acima da média, jogadores como Kanu, Josué, Crivellaro, Índio, Luís Rocha, etc. são jogadores medianos, que apenas foram recrutados à equipa A em resultado das rescisões unilaterais por parte de alguns jogadores e da falta de verbas para atacar o mercado. Um cenário semelhante (a outra escala) teve lugar em Alvalade. Agora dizer que as outras equipas B não cumpriram o seu papel, parece-me uma visão demasiado redutora. Num projecto de 3 anos, que é a duração mínima das equipas B, não se pode esperar os resultados todos no primeiro ano. Por exemplo, o Benfica aproveitou os dois Andrés muito bem na equipa A. Na equipa B viu jogadores como Miguel Rosa desenvolver-se e ainda deu minutos a jogadores do plantel principal a necessitar de rodagem. O Porto fez o mesmo e até lhe ia custando um lugar na final da Taça da Liga, com os casos de Fabiano, Abdoulaye e Sebá. O Braga serviu-se da equipa B como rampa de lançamento para Zé Luís, Aderlan Santos, Palmeira, Mauro e Cristiano, todos eles utilizados na equipa A, e ainda a utilizou para dar rodagem a jogadores como o guarda-redes russo, Baiano, João Pedro e o Emídio Rafael (com os resultados que se sabem na secretaria, mas a incompetência administrativa são contas de outro Rosário).