Março assinala o início da temporada de ciclismo a sério. É certo que a primeira prova de nível World Tour já se disputou (o Tour Down Under da Austrália, em Janeiro) e já vimos quase todas as figuras de cartaz em competição (na última semana Froome venceu em Omã, Valverde na Andaluzia e Kwiatkowski no Algarve, prova em que Rui Costa terminou em 3º), mas nestes primeiros meses as equipas privilegiam essencialmente a atractividade de um clima como o argentino (Tour de San Luis) e regalias financeiras/exposição mediática de um Dubai Tour, em detrimento de intensidade competitiva.
Chegando a Março, esqueçam o bom tempo do hemisfério sul. O ciclismo está de volta ao velho continente, e, independentemente do frio e chuva que se façam sentir, teremos o primeiro mês de corridas que marcaram a história da modalidade, quer pela dureza dos seus percursos quer pela memória de épicos duelos entre grandes campeões. A destacar, por tipo de corrida:
Clássicas do pavé: logo a 1 de Março, teremos a Omloop Het Nieuwsblad, tradicional corrida de abertura do calendário belga e primeiro aperitivo para os especialistas em corridas no pavé. Os italianos não possuem tanta tradição em corridas pavimentadas com paralelepípedos, mas decidiram criar a sua própria versão: a Strade Bianche, prova com várias secções de sterrato – estrada de gravilha – foi criada apenas em 2007 mas rapidamente se tornou numa fan-favorite para muitos seguidores da modalidade. Poderemos apreciar esta prova que termina na deslumbrante zona histórica de Siena a 8 de Março. Dentro deste género de provas incluem-se ainda a H3 Harelbeke, a 28 de Março e a Gent – Wevelgem, a 30 de Março, que servirão de prelúdio para as rainhas Volta à Flandres, a 6 de Abril e Paris-Roubaix a 13 de Abril. Fabian Cancellara e Tom Boonen são indiscutivelmente os maiores especialistas nestas provas e dividem entre si 12 títulos nestas clássicas Monumento. Em 2014, estes dois rivais, já veteranos, terão a concorrência de novos talentos, como Sep Vanmarcke, Zdenek Stybak ou o multi-facetado Peter Sagan e de velhos conhecidos como Filippo Pozzato e Thor Hushovd.
Corridas de uma semana: em Março teremos a corrida do sol (Paris-Nice), o Tirreno-Adriático e a Volta à Catalunha, 3 competições por etapas do calendário World Tour. Estas corridas, por norma, têm percursos bastantes equilibrados e que permitem oportunidades de vitórias de etapa tanto a sprinters, como a puncheurs, contra-relogistas e até trepadores. O Paris-Nice de 2013 foi ganho por Richie Porte, que mais tarde foi um aliado fundamental de Chris Froome na Volta à França, enquanto no Tirreno-Adriático de 2013 tivemos um duelo apaixonante entre Vincenzo Nibali e Chris Froome, com a vitória a sorrir ao italiano. Em 2014, estas corridas vão continuar a ser uma parte fundamental da preparação dos grandes candidatos à vitória nas grandes voltas.
Outras clássicas: a primeira clássica Monumento da época, a Milão–São Remo, disputar-se-á no dia 23 de Março. A edição deste ano inclui uma polémica proposta de alteração ao percurso tradicional, passando a incluir uma nova subida de 5 kms – Pompeiana -, que teoricamente irá anular as hipóteses de vitória dos sprinters puros. Mark Cavendish, antigo vencedor, já anunciou que não estará presente neste novo traçado, tal como Marcel Kittel. No entanto, nos últimos tempos têm-se levantado questões de segurança nessa zona associadas a deslizamentos de terras e as autoridades poderão cancelar esse percurso, forçando os organizadores, quiçá, a reverterem a sua decisão para o traçado tradicional. Numa San Remo tradicional, teríamos o momento da decisão na passagem do Poggio, a menos de 10 kms do final: oportunistas como Philippe Gilbert, Simon Gerrans ou Fabian Cancellara iriam tentar a sua sorte na subida ou até na descida do Poggio, tentando antecipar a chegado em grupo, onde homens rápidos como Peter Sagan seriam favoritos. Se o novo traçado se concretizar, ciclistas como Vincenzo Nibali ou Joaquím Rodríguez terão mais hipóteses de sucesso. Em Abril, teremos a tradicional semana das Ardenas, que inclui o trio de clássicas repletas de colinas curtas e extremamente inclinadas – Amstel Gold Race, Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège, a mais importante e um dos 5 monumentos da temporada. Os chamados “puncheurs” – ciclistas com capacidade de explosão em subidas curtas – adaptam-se como uma luva a estas provas e Philippe Gilbert é um nome habitual nesta altura da época, com a honra (a par de Davide Rebellin) de ter no seu palmarés a vitória nas 3 competições numa só época. Os espanhóis Joaquím Rodríguez e Alejandro Valverde são outros candidatos crónicos e a esta lista teremos de juntar o “nosso” campeão do mundo, Rui Costa. O português ainda não tem grande historial nestas corridas, mas aponta o seu primeiro pico de forma para esta semana. Possui o talento e a leitura de corrida para ser bem-sucedido e terá a responsabilidade de liderar uma equipa Lampre que o poderá auxiliar com o talentoso Diego Ulissi e o experiente Damiano Cunego. Outros ciclistas a seguir com atenção neste período: Daniel Martin e Carlos Betancur.
Grandes Voltas: ainda é muito cedo para prever os candidatos à Vuelta, até Agosto o desgaste da temporada afastará muitos e a falta de resultados aproximará outros, mas já temos uma ideia de quem ambiciona a maglia rosa do Giro d’Italia. O campeão em título, Vincenzo Nibali, não deverá defender o título para se concentrar na missão Tour de France e deixará uma Astana com uma liderança repartida entre Michele Scarponi e o jovem trepador Fabio Aru. O colombiano Nairo Quintana, 2º no Tour 2013, irá liderar a Movistar – deixando Alejandro Valverde como líder absoluto no Tour de France – e é considerado o principal favorito à vitória. Richie Porte irá liderar a Sky, Joaquím Rodríguez a Katusha, Rigoberto Uran a Omega Pharma, Cadel Evans a BMC, Ivan Basso a Cannondale e Chris Horner a Lampre. A ter em atenção a evolução de jovens talentos, como Wilco Kelderman da Belkin ou Francesco Bongiorno da Bardiani, que poderão ser revelações da prova. Os irlandeses Daniel Martin e Nicolas Roche deverão estar à partida, aproveitando o facto de o Giro começar em Belfast e terão 3 etapas na ilha para mostrarem os seus atributos. Destaco ainda a etapa 20 que termina no Monte Zoncolan, uma das subidas mais duras da Europa e, sobretudo, a etapa 14, que termina no santuário de Oropa. Os mais nostálgicos lembrar-se-ão da demonstração de Marco Pantani naquela subida em pleno Giro 1999: no início da subida final, um problema na corrente obriga-o a parar. Quando retoma a macha, já levava quase 1 minuto de atraso para a frente da corrida, onde Roberto Heras e Laurent Jalabert se destacavam. Depois, independentemente das nuvens que pairam sobre a “origem” daquela demonstração, veio um espectáculo impressionante: mãos na parte de baixo do guiador, cavalgando fora do selim, Pantani ultrapassa 2, 4, 8, dezenas, várias dezenas de ciclistas, depois Gotti, Simoni, Jalabert e vence a etapa com mais de 20 segundos sobre o segundo classificado.
Tour de France: na prova rainha, levanta-se a questão: conseguirá alguém importunar Chris Froome? O britânico nascido no Quénia nem terá de se preocupar com o seu principal opositor do ano passado (Nairo Quintana) e deverá ter Bradley Wiggins e Sergio Henao para acrescentar poder de fogo a uma equipa que nem sempre esteve à altura do seu líder em 2013. Vincenzo Nibali aparece como o seu principal opositor num plano teórico. O italiano vem de uma temporada brilhante – vencedor do Giro e segundo na Vuelta – e tem uma equipa sólida à sua volta. Levantam-se dúvidas sobre a sua capacidade de colocar Froome em dificuldade na montanha e está uns furos abaixo do britânico no contra-relógio. Tem a seu favor uma mentalidade agressiva e não tem medo de arriscar nas descidas. Em 2010, Alberto Contador e Andy Schleck pareciam destinados a dominar a prova francesa durante vários anos, mas as carreiras de ambos têm passado por um período de menor fulgor. Desde que regressou de um período de suspensão, o espanhol não conseguiu replicar a forma que mostrou no Tour 2010 e Giro 2011. É verdade que venceu a Vuelta de forma astuta em 2012 – numa prova em que foi batido por Joaquím Rodríguez em todos os finais em alto – mas mostrou vulnerabilidade que se confirmou na época 2013. O luxemburguês, por sua vez, tem passado anónimo nas competições das últimas duas temporadas, pelo meio de uma lesão na anca, de uma série de boatos sobre a sua postura profissional e ainda da suspensão do irmão, Frank. Schleck e Contador tentarão reencontrar o seu melhor nível nesta edição. A ter em conta ainda: a armada colombiana, encabeçada por Uran, Betancur, Henao e Chaves; até onde podem progredir Mollema, Van Garderen, Talansky e Kwiatkowski; Rui Costa, terá consistência na alta montanha para ambicionar um Top5?; que esperar dos jovens promissores da França, como Pinot, Barguil e Ellissonde? Na guerra dos sprints, outra batalha em perspectiva: Mark Cavendish, o míssil da ilha de Man, viu o seu título de homem mais rápido do mundo posto em causa pelas 4 vitórias autoritárias de Marcel Kittel na edição de 2013. Conseguirão os sprinters puros colocar em causa a versatilidade de Peter Sagan na luta pela camisola verde? Para além de Kittel, outros jovens finalizadores ameaçam tornar-se nomes de relevo, como Demare, Bouhanni ou Degenkolb.
Portugueses: Portugal terá uma boa representação no circuito World Tour. Rui Costa terá a companhia de Nélson Oliveira na Lampre-Merida, Bruno Pires e Sério Paulinho estarão na Team Tinkoff-Saxo, André Cardoso na Garmin-Sharp e Fábio Silvestre na Trek. Tiago Machado e José Mendes vão correr pela Team Netapp que recebeu um wild-card para participar no Tour de France.
PS – Se quiser viver ainda mais por dentro a emoção do ciclismo, recomendamos um jogo de Fantasy da modalidade, o Cyclomania. Trata-se de um jogo gratuito – basta fazer o registo em cyclomania.forumeiros.com e preencher o formulário de inscrição (https://www.dropbox.com/s/544i8haeeb7q1x2/Form_Cyclo2014.xls) – onde escolhem 15 ciclistas para a época e podem definir um joker todos os meses para dobrar os seus pontos. Mais informações no fórum cyclomania.forumeiros.com (as inscrições fecham às 23.59h do dia 28 de Fevereiro).
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Marcos Santos
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Marcos Santos



0 Comentários
Abel Alves
Sera uma epoca de ciclismo incrivel!
Pedro Santos
Parabéns, dos melhores Visão do Leitor que por aqui passaram!
Estou ansioso pelo que o Rui Costa pode fazer nesta temporada. Começou bem a temporada com um 3º lugar na volta ao Algarve mas quero ver o seu valor nas clássicas da Primavera (acho que devia apostar forte nesta fase da época, já que tem características para ter sucesso nestas provas). Por outro lado quero também ver o que vai valer como líder numa prova como a Volta a França. Acho que um top10 no primeiro ano como líder era um bom resultado!
Estou bastante interessado este ano nas clássicas (fruto talvez da apatia que se vive nas provas por etapas na alta montanha… Ou alguém é demasiado forte e bate toda a concorrência ou então vão todos juntos até ao final sem ninguém atacar antes dos 2 ultimos km) já que nestas provas são sempre interessantes e há sempre movimentações, já que há sempre interessados em todo o tipo de chegadas!
Em relação ao Giro estou para ver o desempenho de Chris Horner depois da surpreendente vitória do ano passado e também se o "velhinho" Evans é capaz ainda de estar na luta! No entanto a vitória não deverá fugir de Nairo Quintana, Joaquim Rodriguez (será desta?!) ou Richie Porte (vamos ver como se porta como lider numa prova de 3 semanas).
Em relação ao Tour… Tenho grandes expectativas principalmente pelo confronto entre Vicenzo Nibali e Chris Frome (mas suspeito que vou ter uma desilusão). Gostava imenso (tal como o autor do texto) que Andy e Contador voltassem à forma de há 4 anos. Era espectacular uma prova com 4 claros candidatos mais Valverde e companhia sempre à espreita.
Espero que seja um grande ano para o ciclismo, principalmente sem casos de doping! Espero que o ano passado seja o ano da viragem das mentalidades que o crime não compensa e que a mentira vem sempre ao de cima!
Hugo Santos
Parabéns pelo post, muito completo e um bom guia para o que se avizinha nesta temporada.
Por norma o Giro tem sido mais espectacular que o Tour e esta temporada tem tudo para confirmar isso. Quintana tinha tudo para discutir o Tour este ano, mas por respeito pela última grande temporada do Valverde (que sempre foi azarado no Tour e precisa de um pódio para fechar a sua carreira), foi "obrigado" a abdicar do Tour para fazer Giro/Vuelta.
Vamos ter Aru,Basso,Evans, Horner, Majka, Porte, Quintana, Pozzovivo, Purito, Scarponi e Uran a discutir o Giro, mais as habituais surpresas das equipas italianas/colombianas que aparecem sempre no Giro, vai ser uma edição épica.
Rodrigo
Concordo, o Giro sera estrondoso.
Anónimo
Não esquecer que no giro também estarão Zoidl e Arredondo.Estes dois poderão surpreender.
Daniel
Carlos Tavares
Excelente crónica. Bem melhor que a de muitos pseudo-fóruns que andam por aí.
Anónimo
Post fantástico, revela grande conhecimento da realidade ciclistica actual e bastante pertinente, o momento em que foi escrito.
Parabéns Marcos
Saudações
Crow
Miguel Correia
Grande artigo! Depois deste só falta um dedicado ao Rui Costa, campeão do Mundo, e ao que ele fará esta época, quais as corridas em que vai apostar e as probabilidades de vencer.
Melhor "visão do leitor" que já li
Pedro Alves
Que é feito de Andy Schleck?
Anónimo
Está a correr na trek factory racing juntamente com o irmao
Daniel
kafka
Excelente Post, parabéns Marcos Santos
Quanto à época que se avizinha, acredito que o Nibali focado apenas no Tour conseguirá dar luta ao Froome e será mesmo quase até ao fim a luta entre os dois, e não um passeio como foi o ano passado…
Quanto ao Contador e Schleck gostava que voltassem ao nível que já tiveram, mas sinceramente não acredito que o consigam
Quanto ao Rui Costa, continuo a achar que ele não é corredor para fazeres grandes classificações em grandes voltas, portanto espero uma grande época ao nivel do ano passado, ou seja, vitórias em Etapas no Tour, e depois fazer boas corridas e classificações em clássicas e voltas de 1 semana…se bem que este ano vai ser mais complicado para ele, pois já toda a gente vai estar de sobre-aviso e não o vai deixar fugir assim, mas pela qualidade dele acredito que fará uma excelente época, ao nível da do ano passado..
Tenho ainda particular expectativa para ver como será a época do Peter Sagan, que é um dos meus ciclistas favoritos, e penso que neste momento dada a sua tremenda versatilidade, acaba por estar num certo impasse sobre que rumo seguir, pois acaba por ser bom em tudo, mas não é excelente em nada ..
Rodrigo
Excelente post. Parece-me que as diversas provas existentes no ciclismo estao muito bem observadas e teremos novamente uma temporada fantastica no mundo do ciclismo, sendo que nao prevejo uma epoca muito diferente de 2013, isto e, muitos dos protagonistas da epoca transacta serao os mesmos.
As Classicas terao o espectaculo habitual, sendo que nas do paves espero uma luta entre Cancellara e Boonen, enquanto que nas restantes existem muitos nomes capazes de darem espectaculo (Sagan, Rodriguez, Valverde, Uran, Henao, etc).
Nos sprints espera-se um ano muito disputado entre Cavendish, Kittel e Greipel, sendo que o Sagan tambem se intrometera em muitos deles e sera o principal favorito a camisola verde no Tour. Atençao tambem aos franceses Demare e Bouhani, bem como a Degenkolb, Guardini, Kristoff, etc.
No Giro teremos muitos nomes sonantes, sendo que o Quintana e o favorito nº1. Scarponi esta sempre bem normalmente, mas falha nos momentos decisivos, o Horner e uma ameça, o Uran tem um talento incrivel, o Porte e fantastico e tem uma grande equipa, o Rodriguez e um dos meus ciclistas favoritos, mas tambem ainda nao tem uma grande volta no bolso (ja merecia), enquanto que veteranos como Basso ou Evans podem lutar pelo top-5.
A Vuelta dependera da restante temporada, enquanto que no Tour duvido que alguem consiga bater o pe ao poderoso Froome e a Team Sky. Ainda assim, o Contador tentara dar mais luta, o Nibali enfrentara pela 1ª vez o britanico numa grande competiçao e tem tambem uma bela equipa, enquanto que o Andy Schleck me deixa igualmente com expectativas, embora seja dificil de prever em que nivel estara em Julho. Por outro lado, nomes como Valverde, Van den Broeck ou Mollema podem sempre criar dificuldades aos melhores, mas para vencer e dificil.
Em relaçao aos ciclistas portugueses, espero um Rui Costa ao seu nivel, isto e, sempre presente nas competiçoes mais importantes e com capacidade para andar entre os melhores, sendo que este ano tem outra pressao por ter sido campeao do mundo e por ser lider na Lampre. Creio que lutara pelo top-10 no Tour, mas sera sempre uma tarefa dificil (top-5 acho muito complicado).
Por outro lado, o Paulinho e o Pires continuarao a ser gregarios do Contador, o Nelson Oliveira, Mendes ou Tiago Machado tentarao "explodir" este ano e fazer uma temporada superior as ultimas, enquanto que o Andre Cardoso me deixa muito esperançado por ter ido para uma bela equipa (Garmin), uma vez que, com as suas caracteristicas de trepador puro, podera fazer uma bela temporada.
Por fim, como esta no titulo, sera sempre interessante esclarecer todas estas duvidas e verificar ate onde podem chegar Quintana, Uran, Henao, Van Garderen, Porte, Martin ou Kwiatkowski (ciclistas com outra responsabilidade esta epoca), bem como ver como evoluem Aru, Pinot, Gallopin, Degenkolb, Demare, Betancur, Ulissi, Kelderman ou Phinney.
Jorge
Muito bom post ! Conseguiu abordar todos os pontos relevantes que se avizinham nesta temporada !
Muitos parabéns , Marco Santos !
Carlos Malta
Grande Post. parabens.
o ciclismo em 2014 promete como nunca.
já me registei no jogo, muito bem elaborado. parabens.
CRF
Bom post sobre uma das minhas modalidades favoritas!
Fico a aguardar Posts intermédios para por a par do que se passa quem infelizmente não tem tempo para acompanhar a modalidade tão a fundo.
luis o.
Excelente introdução a um 2014 que promete!
De há umas temporadas para cá têm consistentemente aparecido novos talentos no ciclismo (como no título do post bem se enumera) sem que os mais velhos percam qualidade, o que tem como resultado a imprevisibilidade no resultado de grandes corridas já que há muitos vencedores possíveis. A excepção à regra é o domínio que a Sky e o Froome têm demonstrado no Tour.
Também já me registei neste fantasy, e acaba por ser difícil acertar quem serão os grandes vencedores no fim da temporada, principalmente nas Clássicas, onde penso ninguém dominará à moda do Cancellara no ano passado no pavè ou do Gilbert em 2011 nas Ardenas.
No pavè aposto no Boonen. Numa luta mano a mano com o Cancellara, ambos na sua melhor forma, penso que o Boonen tem vantagem por duas razões: finaliza bem melhor e tem consistentemente muito melhor equipa na Quickstep. Infelizmente há muito tempo que não vemos ambos a chegar às semanas determinantes das suas épocas nas melhores condições mas esperemos que isso aconteça este ano, não obstante o Cancellara ter tido um mau Inverno coroado com um atropelamento e não estar a revelar por esta altura o nível que lhe é habitual, ao contrário do Boonen a quem tudo corre bem. O Sagan não passa desta época sem um monumento, mas no pavè ele e o Cancellara podem ter de passar por um mau bocado a tentar dominar homens do calibre de Vandenbergh, Terpstra ou Stybar enquanto o Tommeke vai assistindo na roda à espera do seu momento. Principalmente se a BMC, Sky, Garmin ou Belkin entram no jogo e partem à procura da sorte com as segundas linhas da Quickstep. Foi assim que o Nuyens ganhou a Ronde em 2011. Também tenho muita curiosidade sobre como correrá o Chavanel agora que é chefe de fila na IAM.
As Clássicas das Ardenas são talvez as corridas importantes mais imprevisíveis nesta primeira parte da época até ao fim do Tour. O Rui Costa andará na discussão e espero que ganhe uma delas. Para além dele destacaria os nomes do Valverde (mais ninguém tem um Quintana a trabalhar para ele e começou esta época muito bem) e do Gilbert, que está em ano de renovação de contrato, a topo continua a ser o melhor puncheur, e a BMC finalmente começa a revelar uma organização de topo com bons resultados até agora.
Para o Giro os meus favoritos são o Quintana e o Purito. O Giro é incontrolável e a estratégia da Sky não se adapta a esta corrida, ainda para mais se eles guardarem a A-Team para o Tour. Ainda para mais, a estratégia normal da Sky de controlar a corrida por inteiro só funciona caso não haja bonificações, e no Giro há. Não serve de nada carregar o Purito e o Quintana para o sprint final no alto. Não se trata, como no Tour, do Porte perder só 5s ou 10s que recupera no CR. Nestas condições perde 20-25s. A Sky para vencer isto terá de ser muito cínica, deixar as fugas comer as bonificações, deixar o trabalho para a Movistar e a Katusha. Talvez a Sky e o Porte tenham aprendido a lição que o Valverde tão eloquentemente lhe presenteou nesta Volta à Andaluzia, o que poderá levar a um Giro interessantíssimo. Last but not the least, muita atenção ao Úran.
Finalmente, no Tour o grande candidato é por esta altura o Froome que ainda agora ganhou no Oman (embora talvez à custa do Úran, Nibali e Sagan terem feito um erro numa rotunda quando atacaram numa descida e cujo tempo que perderam daria para o Úran ganhar à geral). Espero bastante melhor do Contador esta época, infelizmente não tanto do Schleck, o que com Nibali e Valverde a topo pode dar numa corrida mais renhida que em 2013.
Nos sprints espera-se também grande luta entre o Cav e o Kittel. Apostaria no Kittel, por o comboio da Giant estar bem melhor oleado, composto por jovens de grande talento sedentos por vitórias, não obstante os nomes presentes na Quickstep. Mas não sem luta e algumas derrotas no frente a frente com o grande Cav.
Marcos Santos
Antes de mais, obrigado Luís e obrigado a todos pelos comentários simpáticos e pelas respostas com tanto conteúdo.
Concordo com a leitura das clássicas do paralelo. O poder de fogo da Quickstep é imenso – Patrick Lefèvre já domina estas provas há 2 décadas, com uma série de vitórias e já fez 1,2,3 em Roubaix por três vezes, 2 com a super equipa Mapei e uma com a Domo Farm Frites – e este ano não é excepção. Na Volta à Flandres, acho que o Niki Terpstra ou o Stybar serão lançados para a frente da corrida a uns 50/60 kms do final, para forçar a Cannondale, Trek e a Belkin a desgastarem os poucos recursos que têm. No entanto, se o Boonen e o Cancellara chegaram juntos ao início do Muur, o Cancellara tem vantagem porque se fizer uma mudança de velocidade ao seu estilo, o Boonen corre o risco de ficar pregado como o Peter Sagan no Paterberg em 2013. Estou particularmente interessado na evolução do Sep Vanmarcke porque o miúdo no ano passado tinha o joelho do tamanho de uma bola de queijo após uma queda no Tirreno-Adriático e 3 semanas depois estava a dar luta ao Cancellara em Roubaix.
Sagan, acredito que vai ganhar em Sanremo mas na Bélgica penso que teria de jogar à defesa e apostar num sprint final, e na Paris-Roubaix sinceramente não acredito que tenha qualquer hipótese.
Rodrigo
Excelente comentario, o que nao me surpreende naturalmente vindo do luis o.
che
A sky nao sabe correr de outra forma, e a nao ser que tenha o homem mais forte é muito complicado que aquela tatica funcione.
Quanto aos sprints claramente se esqueceu do Greipel, que tirando o Tour foi o sprinter mais forte em 2013
luis o.
De facto se o Cancellara fizer no Muur o que fez em 2010 é muito complicado alguém tirar-lhe a vitória. Daí que aqui é essencial à Quickstep ter alguém de qualidade destacado, nem que seja 20s. Pode fazer toda a diferença. Também tenho muita curiosidade com o Vanmarcke, e colocaria-o com o Stybar no lote de favoritos logo atrás de Boonen, Cancellara e Sagan.
Quanto ao Greipel, não lhe escaparão muitas vitórias este ano, amas parece-me que ele está num processo de deixar de ser um sprinter puro para ser também mais competitivo em algumas Clássicas como a Gent Wevelgem ou, quem sabe, Roubaix. É por aí que não o colocaria ao nível do Kittel e do Cavendish na corrida que mais interessa aos sprinters, e para a qual apontam o seu melhor momento de forma: o Tour. Agora do ponto de vista da regularidade, da quantidade e até qualidade das vitórias ao longo da época, é de facto injusto não referenciar o Greipel como um sprinter de primeiríssima linha.
Pedro R,
Um dos melhores posts que li aqui no blog. Muito completo e bem estruturado. Como fã de ciclismo só tenho de dar os meus parabéns ao autor
Rseven
Great post! Parabens
Bruso
Excelente post e excelente preview para a nove época de ciclismo!!
Acho que é a 1ªvez que o fazem um post tão completo sobre ciclismo no Visão de mercado.
Acho que tanto o Marcos Santos bem como o lui o. fizeram um excelente resumo do que deverá ser este ano 2014 no quee se refere ao ciclismo.
Mas esqueceram-se de uma prova que tem sempre grande valor: Mundial que este ano disputa-se em Espanha. Mas claro que é um prova, á imagem da Vuelta onde ainda é muito cedo para apontar favoritos.
porquinhodaindia
Belíssimo post. Vale a pena ler e aprender sobre ciclismo no VM. Parabéns!
Pedritxo
este post esta completissimo e nao tenho nada a acrescentar.
JV
Antes de mais, parabéns pelo post. Tem uma qualidade fora de normal.
Pudemos já ver nestes últimos dias que há gente em muito boa forma, nomeadamente o kwiatkowski, Valverde e Froome que ganharam as corridas em que participaram. Eu espero ver Valverde como uma boa "surpresa" no Tour, lutando pela vitória contra aqueles dois monstros, Froome e Nibali, principalmente.
Eu não queria dizer isto mas penso que o Rui Costa vai estar em maior destaque em algumas clássicas e provas de uma semana que no próprio Tour de France, infelizmente. Não duvido das qualidades do Rui, nem ele me deixa duvidar de nada mas preferia vê-lo livre na Movistar do que como chefe de fila da Lampre. É a minha opinião. A liberdade que ele tinha, nunca mais terá depois daquilo que fez o ano passado, vitórias em etapa no Tour, Campeonato do Mundo e também por ser líder duma equipa. É bom ser reconhecido no meio do pelotão mas perde bastantes hipóteses de fazer "coisas bonitas" como tem vindo a fazer. Considero "coisas bonitas" ganhar grandes etapas e pequenas voltas, porque quer se queira quer não, o Top 10 no Tour sem ganhar etapas não tem aquela emoção.
O Giro, apesar de considerada grande volta, ainda sinto que está algo desvalorizada face ao seu real valor. Tem-se visto em anos anteriores Giros melhores que Tours e Vueltas, dá mais espectáculo e não fosse os melhores irem ao Tour em detrimento do Giro, e podia ser sem qualquer margem de dúvida a melhor prova de 3 semanas do planeta. É a minha opinião, mais uma vez.
A ver vamos o que o ciclismo nos vai guardar para esta temporada em que há muitos ciclistas que são certezas e ainda mais que são incógnitas e que nos poderão brindar com grandes supresas, que espero que aconteçam. Principalmente, Quintana, Betancur, Uran, Henao (todos colombianos), Rui Costa, Garderen, kwiatkowski, Sagan e muitos outros que com certeza se irão revelar grandes surpresas.