Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

2015 de sonho; E um 2016 que terá o FC Porto como um dos protagonistas

2015 é um ano marcante no ciclismo. A afirmação de nomes como Dumoulin, Thomas, Landa, Aru, Alaphilippe ou Chaves permite olhar para o futuro de maneira mais positiva (havia uma preocupação que clássicos, como Purito, Contador ou Valverde não tivessem substitutos à altura) e praticamente todas as provas foram marcadas pelo espectáculo. 

A temporada começou ao mais alto nível com o Tour Down Under, com a vitória de Rohan Dennis que também venceu o USA Pro Challenge, no verão. Em Portugal, Thomas controlou no Algarve como quis, numa prova (Volta ao Algarve) em que Tiago Machado conseguiu um fabuloso pódio. E depois Porte deu espectáculo com as vitórias no Paris-Nice, Catalunha e Giro del Trentino. Os meses das clássicas, para muitos o melhor do ciclismo, demonstraram que depois da luta Boonen-Cancellara, que marcou a última década, nos próximos anos vamos ter dois novos cabeças de cartaz, com Kristoff (vencedor Tour des Flandres) e Degenkolb (que triunfou Paris-Roubaix) a prometerem espectáculo no pavé. Degenkolb, apesar de ter conseguido menos vitórias que o norueguês, arrecadou também a Milano-Sanremo, somando portanto dois monumentos numa só época, feito espantoso. Nas Ardenas só Kwiatkowski conseguiu estragar a época perfeita de Valverde, que arrecadou a a La Flèche Wallonne e a Liège–Bastogne–Liège. Também na Bélgica, vimos aparecer um jovem do futuro que tem tudo para se tornar o próximo Gilbert (no sentido de dominar este tipo de provas), de nome Julian Alaphilippe. Do lado nacional, Rui Costa brilhou com dois quartos lugares. Nas restantes clássicas evidenciou-se um domínio da Sky e Katusha.
No que diz respeito às grandes Voltas, o Giro foi dominado pela Astana, mas quem sorriu no final foi Contador que numa luta contra uma equipa fortíssima e contra um ombro deslocado, conseguiu vencer. A Volta a Itália marca igualmente a afirmação de Landa, que não fosse a estratégia da sua equipa até podia ter arrecadado a camisola rosa. No Tour, a luta foi menos renhida, com Froome a dizer logo à etapa 10 que era o mais forte, algo que se veio a confirmar mais tarde com a vitória do britânico (que diga-se viveu momentos bastante desagradáveis durante esta prova). O ciclista da Sky superou Quintana e Valverde, numa Volta a França onde Greipel brilhou com quatro vitórias. Chegados por fim à Vuelta, que começou logo rodeada de polémica entre o contra-relógio coletivo inicial e expulsão da prova de Nibali por se agarrar ao carro enquanto este o levava para a frente, Aru acabou por conseguir a vitória numa luta muito renhida com Rodriguez e o impressionante Tom Dumoulin que apenas vacilou no fim e acabou por sair do top 5. Chaves deu especáctulo e Majka foi um elemento que impressionou pela consistência apresentada, mas a maior parte dos ciclistas que estiveram no Tour não conseguiram dar luta, apesar de Quintana e Valverde terem terminado no quarto e sétimo lugar, respectivamente. A nível português o destaque vai para a vitória de Nélson Oliveira à etapa 13 (José Gonçalves também esteve perto de vencer algumas etapas) e para o top 20 de André Cardoso, com Nélson Oliveira a fazer também top 25.
No restante da época, Tim Wellens foi uma das sensações com as excelentes vitórias tanto no Eneco Tour como no Grand Prix Cycliste de Montréal. Nibali salvou 2015 ao arrecadar a Lombardia, mas o principal protagonista foi Sagan, que afastou a fama do eterno 2.º e conquistou o  Campeonato do Mundo de Estrada, numa semana em que de maneira surpreendente Kyrienka venceu a prova de Contra-relógio.
Melhores do ano:
Geral – Alejandro Valverde
Afirmação – Fábio Aru
Sensação – Alaphilippe

Antevisão 2016:
Para o próximo Ano espera-se uma Sky na linha de 2015, ou seja, a dominar as provas de uma semana e a tentar juntar ao Tour mais uma prova de 3 semanas, agora que conta com Landa. A Astana que demonstrou ser a equipa mais apetrechada para as grandes voltas promete ser uma forte opositora, assim como a Tinkoff, que irá fazer tudo para que Contador tenha uma despedida em grande, e a Movistar, agora que juntou Moreno ao seu elenco. Em termos de clássicas, o embate entre Kristoff e Degenkolb deverá continuar, sendo que a curiosidade é perceber como se irá apresentar o “Spartacus”. A semana das Ardenas como de costume deverá ser a mais aberta. Valverde tentará mais uma vez dominar, mas espera-se muito de Kwiatkowski e Alaphilippe. Outros nomes a considerar são o português Rui Costa, Vuillermoz, Esteban Chaves, Rodriguez e Moreno.
A nível de curiosidades, Aru após uma excelente época ao nível de Grandes Voltas é o escolhido da Astana para disputar a próxima Volta a França, mas conseguirá ele manter o nível da época que acabou de passar e fazer melhor que Nibali? Qual dos dois o mais apto para a grande prova do ciclismo? Sendo Aru a liderar a Astana no Tour, é de prever uma aposta total por parte do “tubarão” de Sicília no Giro, onde partirá como grande favorito à vitória final. Chaves e Dumoulin pertencem a que patamar? Vão apenas animar ou passar para um nível que lhes permita entrar na luta por uma grande Volta? Purito, Valverde e Contador são eternos, ou 2016 vai marcar o fim do trio espanhol? 
Em termos nacionais, Rui Costa continuará a ser o mais importante elemento no WorldTour, mas com a expetativa que Nélson Oliveira, Tiago Machado e André Cardoso continuem a dar cartas ao mais alto nível. Dentro de portas a grande dúvida será perceber a capacidade de Gustavo Veloso em manter o título da Volta a Portugal no ano de reestreia do Futebol Clube do Porto no ciclismo, dado que o seu gregário de luxo e possível substituto, Délio Fernandez, no estatuto de líder da equipa saiu para a Delko Marseille-Provence KTM, mantendo porém a estrutura base do ano anterior, partindo assim mais uma vez a W52 FC Porto – Porto Canal como favorita à vitória.
10 principais transferências:
Marcel Kittel (Giant-Alpecin/Etixx);
Mark Cavendish (Etixx/Dimension Data [ex- MTN Qhubeka]);
Mikel Landa (Astana/Sky);
Michal Kwiatkowski (Etixx/Sky);
Richie Porte (Sky/BMC);
Pierre Rolland (Europcar/Cannondale-Garmin);
Rigoberto Uran (Etixx/Cannondale-Garmin);
Daniel Martin (Cannondale-Garmin/Etixx);
Daniel Moreno (Katusha/Movistar);
Jurgen Van den Broeck (Lotto Soudal/Katusha).

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Rafael Vicente

0 Comentários

  • Rodrigo Ferreira
    Posted Dezembro 18, 2015 at 8:11 pm

    Excelente texto, Rafael.

    Esperemos um ano de 2016 tão bom pelo menos como 2015 e se possível melhor ainda. As trocas voltaram a acontecer e espero que a Sky continue a dominar. Veremos se Landa entra bem na máquina para ser líder numa GV, se Kwia volta ao melhor nível depois de um ano mais frouxo e se Froome continua imbatível no Tour.
    Por outro lado, muita curiosidade para ver o que faz a Movistar, se Porte entra bem na BMC e Kittel na Etixx, e como evoluem os jovens que apareceram este ano.

  • Rui Magalhaes
    Posted Dezembro 18, 2015 at 5:58 pm

    Excelente resumo Rafael, também prometi que iria fazer analise equipa por equipa mas ando sem tempo :P

    Quanto as tranferências na Sky esqueceste de referir o Danny van Poppel que junta-se a uma dupla de grande categoria com o Viviani e com Fenn, Swift, Puccio e Rowe com excelentes lançadores (veremos finalmente um comboio Sky no Giro pós-Cav?).

    Astana manteve o nucleo dura da equipa mas penso que será um erro depois dos reforças da Sky e Cannondale (aposto como a equipa surpresa 2016 a bater-se com os gigantes do ciclismo) principalmente.

    Movistar manteve tambem o nucleo mas não percebi a ideia do Moreno se teria mesmo propostas de equipas que teria mais oportunidades, ou seja, sai da Katusha que estava tapado pelo Rodriguez e um pouco pelo Spilak e vai para a Movistar onde tem Quintana e Valverde.

    Tinkoff fez o mesmo (e o mesmo erro de não dar condições ao apoio a Sagan e de refrescar a equipa para a montanha ou estão a preparar o pós-Contador e fazer um all-in no mercado de 2016)

    P.S. adorei os equipamentos da Etixx e Katusha.

    P.S.2. O resumo prometido e mais completo das equipas irei fazer em 2016. Boas festas aos apaixonados por esta modalidade ^^

  • Rui Farinha
    Posted Dezembro 18, 2015 at 4:17 pm

    Pessoalmente duvido das possibilidades de sucesso da Sky por terem objetivos noutras provas com a chegada do Kwiatkowski e do Landa que vai obrigar a repartir mais a equipa e não se concentrarem tanto no Tour

    • Rui Magalhaes
      Posted Dezembro 18, 2015 at 5:50 pm

      Rui Farinha, e totalmente o aposto a equipa que irá proteger o Froome no Tour será a mesma. Saiu Porte deve entrar Landa ou Kwia (ou mesmo os dois) ainda não sei se saiu o percurso do Tour para o ano mas se tiver paves deve ser as únicas alterações. A equipa da Sky no Giro também deve ser a mesma e ai será em apoio ao Landa (em vez do Porte). Basicamente saiu o Porte entra o Landa para o substituir e Thomas ganhar ainda mais protagonismo dentro da equipa. Para as classicas vieram Golas e Intxausti para alguma coisa. Equipa da Sky esta em 2016 fortissima é favorita para ganhar as 3 Grandes Voltas (deverá ser o real objetivo da equipa depois deste investimento).

  • Renato_Seara
    Posted Dezembro 18, 2015 at 3:36 pm

    Excelente resumo do que foi a extraordinária época de 2015 em termos de ciclismo. No entanto com uma falha quase imperdoável: É possível falar de ciclismo em 2015 sem mencionar a estrondosa época de Mr. Peter Sagan? Para mim o mais extraordinário que vi em 2015. Aliás para mim uma referência incontornável do ciclismo desta década.

    Acrescento também um dado que me parece relevante: nenhum dos grandes nomes, pelo menos que me recorde acusou positivo em controlos ou esteve sequer mencionado em escândalos. A modalidade já merecia um ano espetacular como este.

    • Rui Magalhaes
      Posted Dezembro 18, 2015 at 6:01 pm

      Se tiramos a arco-iris do Sagan foi uma epoca aquem das expectativas e esteve a ser muito criticado pela imprensa e pelo próprio patrão da Tinkoff, não podemos esquecer o resto e o potencial de Sagan não é só chegar ao Tour ganhar um verde e ganhar os Worlds, temos de esperar muito mais deste magnifico ciclista.

    • José G.
      Posted Dezembro 18, 2015 at 4:33 pm

      A vitoria na volta à california foi épica, e a etapa de montanha , a cara dele quando cortou a meta , daqueles momentos para nao esquecer do sagan ;)

  • Kafka I
    Posted Dezembro 18, 2015 at 2:46 pm

    Excelente resumo do que foi 2015 Rafael, parabéns..

    Que 2016 seja um grande ano para o Ciclismo, e que não haja casos de doping envolvido

  • José G.
    Posted Dezembro 18, 2015 at 2:34 pm

    Ja nao me lembrava do brilharete do zakarin na romandia , bem visto. Tambem estou curioso com o porte nas provas de tres semanas e com o thomas que aguentou muito bem uma boa parte do tour

  • Rodolfo Trindade
    Posted Dezembro 18, 2015 at 2:16 pm

    Excelente análise Rafael.

    Obrigado.

  • Jan the Man
    Posted Dezembro 18, 2015 at 1:15 pm

    Excelente texto Rafael, grande apanhado do melhor que aconteceu em 2015! Para quem gosta de ciclismo este foi sem dúvida o melhor dos últimos anos.

    Deixo ainda mais 3 nomes que estiveram em alto nível durante o ano:
    – Stybar (vitória no Strade Bianche, pódio no Paris-Roubaix e na Volta a Múrcia, para além de uma etapa no Tour);
    – Zakarin (vitória na Romandia e uma etapa no Giro e muito potencial ainda)
    – o nosso José Gonçalves pela força apresentada na Vuelta, tem tudo para aparecer ainda mais no panorama internacional já este ano.

    Sobre o próximo ano prevejo algum domínio da Sky em todas as frentes, agora que Landa é o líder numa das voltas e Kwiatkowski vai ter outra qualidade a trabalhar para ele. A armada de Froome continua a crescer, mas veremos se as contratações de Moreno e Porte darão outra força a Quintana e Van Garderen nas montanhas do Tour!

    • Martinszinho
      Posted Dezembro 18, 2015 at 3:23 pm

      Parabéns pelo texto , Rafael . Penso que a sensação ficava melhor assente ou em Chaves ou em Dumoulin, dado que estes foram sendo mais consistentes e apareceram mais vezes ao longo da época .
      Alaphillipe demonstrou um nível alto apenas numa semana , demonstrou potencial , mas a partir de Abril desapareceu . Fazer referencia que o nosso Rui fez a pior das últimas 3 épocas , apesar de ter melhorado o resultado nas ardenas . Veremos quais os objectivos a que se propõe , faltando lhe dar cartas em 3 semanas.
      Falas e bem na sky , mas a Movistar contratou 2 grandes ciclistas : Moreno e o Nelson , apesar da Sky ser a equipa mais completa . Expectativa para ver como Contador reage à saída do seu melhor gregário no ano passado : Ivan Basso .
      Pobre Rui Costa que a lampre quase só contratou jovens , tendo só 24 ciclistas conformados e o potencial na montanha é muito baixo .
      Expectativa para ver o que faz Nelson num novo projecto , André e Tiago com mais rodagem de alto nível e José Gonçalves que prometeu muito . A caja rural mesmo sendo apenas procontinental vai participar em muitas provas do WorldTour , já confirmado nas provas italianas dessa categoria .

    • Rafael Vicente
      Posted Dezembro 18, 2015 at 1:22 pm

      Obrigado e concordo.

    • Anónimo
      Posted Dezembro 18, 2015 at 10:10 pm

      Boas, penso que o equipamento da Tinkoff é apenas de treino, estou enganado?
      De resto acho o da Katusha uma boa surpresa, além de que a marca dos mesmos será uma nova gama de roupa desportiva de nome KatushaSports!!

      Quanto ao artigo, está excelente! No entanto estou na expectativa para ver de que forma o Sagan vai abordar o novo ano, pois acredito que quererá levar umas clássicas para casa; se o Kittel confirma as suas potencialidades depois deste ano no estaleiro; se o Bardet foi fogo do momento naquelas etapas no Tour e também espero um grande ano do Tiago Machado e da Katusha!

      Saudações ciclisticas
      THE10

    • Pedritxo
      Posted Dezembro 18, 2015 at 1:52 pm

      Rafael,

      De facto, o equipamento da Tinkoff esta qualquer coisa, passar despercebidos nao vao, de certeza.

      Em relaçao ao Post, eu este ano, nao acompanhei tanto o ciclismo alem do Tour e Vuelta, de resto ia vendo 1 ou outro resultado das principais provas, e o texto esta bem resumido.

      Em relaçao a 2016, a minha maior expectativa e ver o que Jose Gonçalves e o proprio Nelson conseguem fazer.
      Contador , como sera o seu ultimo ano e tambem o da sua equipa provavelmente, tambem quero ver o que vai fazer, gostaria que acabasse com a vitoria no Tour.

    • Rafael Vicente
      Posted Dezembro 18, 2015 at 1:18 pm

      Bastante interessante mesmo. Veremos quais serão os próximos episódios desta "novela".

      Já agora deixo aqui também o link com os equipamentos já revelados para a próxima época, com destaque para o da Tinkoff que parece ter sido invadido pelo espírito dos LMFAO:
      https://www.cyclingweekly.co.uk/news/latest-news/2016-cycling-team-kits-203096

    • José G.
      Posted Dezembro 18, 2015 at 1:06 pm

      Vinha aqui mesmo pôr isso. Estava agora a ler! Com o marketing que rodeia o tour, todas as grandes equipas continuarão a ir se a organização quiser..só gostava de perceber melhor esta decisão da ASO, que alterações promoveu a UCI para esta revolta por parte deles?

  • José G.
    Posted Dezembro 18, 2015 at 1:00 pm

    Nos portugueses, faltou a referência ao José Gonçalves (grande Vuelta). Apesar de estar numa equipa Continental, haverá sempre a expectativa do que conseguirá fazer este ano, depois de alguma imprensa o ter colocado no "9" da Vuelta.
    De resto, está tudo aqui, bom resumo Rafael.

    E que o Nélson Oliveira faça umas gracinhas nas clássicas agora com outro estatuto na Movistar;)

    • Rafael Vicente
      Posted Dezembro 18, 2015 at 1:11 pm

      Obrigado. De facto José Gonçalves fez uma excelente Vuelta, veremos o que conseguirá fazer na próxima época.
      Correção: José Gonçalves está numa equipa ProContinental, Caja Rural.

  • Ricardo
    Posted Dezembro 18, 2015 at 12:56 pm

    Já se sabe se o Sporting vai ter equipa?

  • Anónimo
    Posted Dezembro 18, 2015 at 12:55 pm

    Excelente texto, mas ficou por destacar o José Gonçalves, que dentro dos possíveis, brilhou na Vuelta.

    Miguel B.

Deixa um comentário