Terminou 2020-21. Foi mais uma época atípica, dando continuidade ao final da temporada transata, marcada pela falta de público nas bancadas na grande maioria dos campeonatos europeus, mas que trouxe à tona muitas surpresas, com várias equipas a quebrarem jejuns de títulos com muitos anos. Foi, assim, e como sempre, uma época de sucesso para uns e desilusão para outros, importando agora olhar em retrospetiva e fazer o balanço geral ao que se passou nas 4 linhas, antes de dar início a mais um emocionante Europeu a nível de seleções.
Os melhores:
Sporting: Fim do jejum que durava desde 2002 e logo numa época que tinha um treinador inexperiente, muitos jovens no plantel e perante dois rivais que têm um orçamento muito superior. Os leões juntaram ainda a esta proeza vários recordes e a conquista da Taça da Liga
Inter: Os Nerrazzurri passaram por um período muito complicado na década transata, com várias prestações aquém do exigível, mas a chegada de Conte voltou a dar a competitividade necessária ao gigante de Milão, que já tinham ficado perto do título o ano passado, e esta época conseguiram finalmente destronar a eneacampeã Juventus e ultrapassar o rival AC Milan em número de campeonatos.
Lille: Provavelmente ‘o’ grande feito da temporada. Frente a um super-poderoso PSG, com um orçamento imensamente superior, os Dogues fizeram-se valer de um grupo muito forte para conquistar a 4.ª Ligue 1 da sua história.
Man City: A equipa de Guardiola voltou a passear na Premier, algo que até à chegada do espanhol era uma coisa impensável, ao que se juntou ainda a conquista da Taça da Liga. Faltou a cereja no topo do bolo que seria a conquista da Champions, mas a chegada à final foi mais um passo na afirmação dos Cityzens no futebol europeu.
Chelsea: Os Blues foram a equipa que mais investiu no mercado de Verão, mas a época não começou nada bem. Ainda assim, a troca de Lampard por Tuchel acabou por ser decisiva e os londrinos, além de terem conseguido assegurar o Top 4, voltaram a atingir a glória máxima que é conquistar a Liga dos Campeões.
Piores:
Benfica: Temporada para esquecer das Águias, que partiam como grandes favoritos à conquista da Liga NOS, depois de um Verão que trouxe um treinador com provas dadas, grandes craques e promessas de ‘arrasar’, mas os encarnados, apesar do investimento de 100 ME no plantel, cedo perderam a hipótese de disputar a Liga dos Campeões e viriam a terminar a época em branco, em 3.º lugar e com o elenco desvalorizado.
Juventus: A Vecchia Signora já andava a dar sinais de abrandamento nos últimos anos, mas esta temporada foi má de mais. Eliminados pelo FC Porto na Champions e ficado às portas de nem sequer se apurarem para a próxima edição, os bianconeri, apesar de ainda assim terem juntado 2 troféus ao palmarés, jogaram sempre um futebol demasiado pobre e necessitam urgentemente de se reinventarem.
Schalke 04: Os Mineiros já tinham terminado a época passada numa forma horrenda e deram continuidade este ano, realizando uma das piores temporadas de sempre de uma equipa na Bundesliga, terminando no último lugar com 24 derrotas e apenas 16 pontos conquistados.
Arsenal: Há anos que os Gunners já não são um verdadeiro candidato ao título, mas tinham o condão de se manterem sempre competitivos e darem cartas na Europa e nas taças. Ora nesta temporada correu tudo mal e a equipa de Arteta terminou o ano em branco e fora das competições europeias pela primeira desde 1995-96
Rio Ave: Eliminou o Besiktas, teve vários match-points para despachar também o AC Milan, mas, apesar de ter um plantel recheado de talento individual, contra todas as odds desceu de divisão, não tendo sequer aproveitado o playoff para se salvar.
Morreram na praia:
Leicester: Os Foxes voltaram a repetir a história da temporada passada, passando todo o ano no Top 4 (foram mesmo a equipa que mais jornadas lá esteve), mas na reta final voltou a claudicar e acabou por se ter que se contentar com o 5.º posto.
Barcelona: A época dos Blaugrana teve altos e baixos, mas parecia que, face ao cataclismo que atingira o Atlético, ainda ia dar para uma recuperação épica e conquistar o título da La Liga. Mas eis que uma derrota em casa com o Granada e depois um empate com o Levante e nova derrota com o Celta deitaram tudo a perder.
Frankfurt: O grande exemplo que anunciar a partida do treinador para um rival antes de a temporada terminar pode não ser uma boa ideia. As Águias Negras estiveram muito tempo nos 3 primeiros da Bundesliga, mas com o anúncio da partida de Adi Hütter a equipa veio por ali abaixo e acabou por falhar a qualificação para a Champions.
Nápoles: Na última jornada da Série A 3 equipas discutiam as últimas 2 vagas para a Champions, mas acabou por ficar de fora quem parecia ter a tarefa mais facilitada. O Nápoles só precisava vencer o Verona, em casa, mas não foi além do empate e ofereceu de bandeja a qualificação à Juve.
Man United: Os Red Devils até realizaram uma campanha acima das expectativas na Premier (tanto City como Liverpool partiam à sua frente nas previsões), mas a derrota na final da Liga Europa foi uma grande desilusão, pelo favoritismo de que beneficiavam e por terminarem assim mais uma época sem qualquer título.
Menções honrosas: Paços de Ferreira pela grande temporada e regresso às competições europeias; Slavia Praga e Dínamo Zagreb pelo surpreendente trajeto na Liga Europa; Sassuolo pelo futebol agradável disputado e excelente 7.º lugar; Leeds por razões semelhantes ao Sassuolo, com a agravante de ter sido promovido esta temporada; West Ham, por ter lutado até à última por um Top 4 que parecia impensável à partida; Sevilla que, apesar de ter dado pouco nas vistas, chegou às últimas 5 jornadas com reais chances de ser campeão e Villarreal, pela surpreendente conquista da Liga Europa.
Afonso Ascensão


15 Comentários
Farinheira
Intetessantes estas avaliações de fim de época. O feito do Lille foi realmente extraordinário.
Colocaria também nos piores o Liverpool que depois da época passada ninguém esperava este descalabro, cujo acesso à champions não disfarça. Houve muitos factores, com Virgil à cabeça, mas aqueles 7 que levaram do Villa foi um abanão brutal e demoraram muito a recompor-se.
LevonAronian
O descalabro do Liverpool aconteceu muito, muito depois dos 7-2.
Esse jogo foi em início de Outubro, a meio de Dezembro estavam na liderança isolada depois da vitória com o Tottenham, e foi pouco depois de isso que entraram numa onda negativa, onde até tiveram uma sequência inacreditável de 5 derrotas em casa seguidas
Jeremias
Terá escapado apenas a menção ao Atleti nos melhores, não?
Estigarribia
Julgo que o Atlético de Madrid merecia também algum destaque nos destaques positivos. Podem não ter jogado sempre bonito, mas travaram Real Madrid e Barcelona na luta pelo título espanhol.
Quanto ao meu Sporting, mesmo começando hoje o Europeu, ainda continuo em festa dentro de mim. Há que viver isto até ao fim e na próxima época contem com um Sporting forte para defender o título de campeão.
Saudações Leoninas
BenDover
O título do Atlético foi mais demérito do Real e Barça. Em condições “normais”o Atlético luta pelo 3º lugar.
Posso estar a ser injusto mas é a opinião que tenho.
Estigarribia
BenDover,
Mesmo assim poderia ser incluído claro.
Saudações Leoninas
TOPPOGIGGIO
MAs não ficou em 3º, ficou em pimeiro. Quanto ao demérito dos outros, se é para ir por aí, então aplica-se a todos… O SCP é demérito de SLB e Porto que se tem revezado nos últimos 20 anos, Lille ´demérito do milionário PSG, etc… Respeito a opinião mas não o argumento.
BenDover
Sim, compreendo. Isto dá para os dos lados. Tanto se pode ganhar sendo melhor que os adversários ou sendo os adversários piores do que nós. A diferença estar em nivelar por cima ou por baixo. Há campeonatos onde a competitividade foi fraca e outros onde se lutou até à ultima jornada.
Ganhar por “falta de concorrência” não é o mesmo que ganhar sendo melhor em pequenos pormenores que fizeram a diferença.
A minha opinião vem nesta linha de raciocínio.
Sobe Alges
Alguém sabe se o Pochettino é para manter? É que o ano passado o Tuchel ganhou o campeonato, chegou à final da champions e foi despachado. O Pochettino consegue a proeza de perder o campeonato e foi eliminado nas meias e mesmo assim mantém o cargo (para já).
Factualista
Foi mesmo um ano para quebrar muitos jejuns e surgirem novos campeões. Além do Sporting (19), Lille (10) e Inter (11), tivemos o Brondby (16 – Dinamarca), Maccabi Haifa (10 – Israel), Cruz Azul (23 – México), Rangers (10 – Escócia), Omónia Nicósia (11 – Chipre), Kairat Almaty (16 – Cazaquistão), Shakhtjor Soligorsk (15 – Bielorrússia), Bodo/Glimt (1ª vez – Noruega) ou NS Mura (1ª vez – Eslovénia).
BrunoAlves16
Concordo com as referências, ressalvando pela positiva o feito extraordinária do Lille e pela negativa a catastrófica campanha do Schalke 04
Ricardo Lopes
Concordo com o post. Acrescentaria nos piores o Bremen, pelos vários motivos a serem discutidos aqui.
Existiram dois projetos que para mim falharam redondamente. O primeiro na Alemanha, com o Hertha de Berlim. Investimento gigantesco, jogadores de renome, mas uma continua escolha errada nos treinadores. O 14º lugar foi muito fraco, ainda ara mais quando comparado com a excelente prestação do rival citadino, com muito menos recursos. A segunda grande desilusão foi o Cagliari, que apostou em nomes de qualidade, como Godín, Simeone ou Nández para andarem aflitos, tendo sido por Semplici. A equipa tinha capacidade no mínimo para lutar pelos 10 primeiros.
Depois também houve o caso do Almeria que morreu na praia, mas nas divisões secundárias existem mais casos assim!
kiterioVFC
Acho que o Liverpool devia estar nos piores. Era apontado pela maioria como vencedor e depois daquele início do City, tudo o que aconteceu foi medíocre. E aqueles 7-2…
E acho que Arouca e o Vizela mereciam a menção honrosa… Foram duas equipas que vieram da terceira e que subiram logo.
Kafka
Liverpool tem de estar nos piores… Época miserável, muito abaixo do que se esperava deles em Agosto 2020
supermassive
Só por acaso, já alguém fez a proporção do investimento/orçamento PSG VS. Lille e Benfica VS Sporting?