Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

6 Nações, 6 Razões Para o Adorar

Imagem: Twitter/Guiness Six Nations

Começa no primeiro dia de Fevereiro o grande Torneio das Home Nations. Além da  rivalidade de sempre entre Inglaterra, Irlanda, País de Gales, Escócia, França e Itália, além do prazer de ver pontas cada vez mais clínicos como Jacob Stockdale, estrategas do calibre de Sexton, Farrell e Russell, cães de caça como O’Mahony, Picamoles e Navidi e prodígios de força como Furlong, entre tantos outros grandes jogadores, o Torneio de 2019 tem atractivos únicos. Aqui elencamos 6, um por cada nação.

1. É o grande torneio de Rugby da Europa. O complexo sistema de relações entre clubes e selecções está desenhado para que não aconteça aquilo que aconteceu no futebol: a perda de importância das selecções em relação aos clubes. Os contratos dos jogadores são partilhados entre clubes e selecções, para garantir que os jogadores dedicam parte importante do seu tempo ao seu país. Os clubes precisam assim de gerir a utilização dos seus melhores jogadores, lançando mais jovens e entrando em várias partidas dos campeonatos com mais de metade dos titulares de fora. Nalguns países, como Irlanda ou País de Gales, foi ainda adoptado o modelo típico do hemisfério Sul, o modelo das franquias (basicamente selecções regionais), que divide os grandes jogadores do país por 4 ou 5 equipas bastante fortes. Assim, o Rugby de alto nível, com os melhores jogadores, o breakdown mais rápido, as defesas impenetráveis e uma imensa variedade no ataque, ainda se encontra sobretudo no nível internacional.

2. O grande ano do Hemisfério Norte. O calendário internacional tem três ou quatro grandes marcos por ano. Duas épocas de testes (jogos amigáveis que ainda assim têm influência no ranking), em Junho e em Novembro, o torneio das 6 Nações e a Champions Cup, entre as 4 equipas Tier 1 do Hemisfério Sul (Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e Argentina). Nos testes de Junho, as selecções do Hemisfério Norte costumam visitar um país do Hemisfério Sul para três jogos entre as duas selecções; nos testes de Novembro, as equipas do hemisfério Sul sobem à Europa, para 3 (ou 4) testes contra diferentes selecções. Ora, Novembro de 2018, o último grande marco internacional, foi provavelmente o melhor de sempre para o hemisfério Norte: a Irlanda ganhou todos os jogos, incluindo, pela primeira vez em casa, o jogo contra a Nova Zelândia, o País de Gales também venceu todos os testes, o que implicou bater a Austrália pela primeira vez na sua História, e vimos também uma Inglaterra que bateu a África do Sul e esteve muito perto de bater a Nova Zelândia. Este Seis Nações já não é apenas o melhor torneio da Europa; é o melhor torneio da Europa num momento em que a Europa tem também as melhores selecções do mundo.

3. A grande prova antes do Campeonato do Mundo. É a última oportunidade que temos de ver as grandes selecções a jogarem entre si antes do campeonato do mundo, numa altura em que há, pela primeira vez nos últimos 10 anos, uma hipótese real de ver uma selecção Europeia ganhar o campeonato do mundo (coisa que só a Inglaterra foi ainda capaz de fazer, em 2003). É a oportunidade de ver em que estado se encontra a Inglaterra, depois de um Seis Nações de 2018 decepcionante, a oportunidade de ver se um País de Gales que vem de 9 vitórias seguidas é capaz de manter esta série mesmo frente à Irlanda, e a oportunidade de ver se a Irlanda, que finalmente derrotou a Nova Zelândia, repete o Grand Slam e mostra que tem verdadeiras ambições para o campeonato do mundo.

4. A defesa da Irlanda e o ataque da Escócia. É certo que o ataque da Irlanda também é entusiasmante, pela eficiência no breakdown, pela segurança dos avançados, pelo fantástico box-kick de Connor Murray, que Kearney, Earls e Stockdale tão bem perseguem (e que tem impedido o espantoso Jordan Larmour, que ainda não é tão bom pelos ares quanto os três defesas titulares, de agarrar a titularidade), e pela forma como, pacientemente, esperam pelo espaço para atacar a partir do famoso Sexton-Loop; mas o grande atractivo da Irlanda é a sua defesa perfeita (tanto que Andy Farrel, treinador defensivo dos Irlandeses, vai substituir Joe Schmidt como seleccionador da Irlanda após o mundial). A forma como a sua rush-defense consegue sempre impedir o ataque de fazer mais de um ou dois passes, como Connor Murray, com o seu pontapé, leva os adversários a atacarem sempre por onde a Irlanda mais gosta, a forma como, graças à gestão dos rucks e à forma como Kearney consegue cobrir sozinho as costas da linha defensiva, a Irlanda consegue ter sempre mais números na defesa do que os adversários no ataque. Por outro lado, a Escócia, embora não tão eficaz, embora com muitos erros infantis, tem uma facilidade em manter a bola viva, em percorrer o campo de ponta a ponta em duas ou três fases, em encontrar espaço a partir da segunda linha atacante, a linha dos três quartos, que torna o jogo, talvez mais ingénuo, mas muito agradável para quem vê.

5. As incógnitas França e Inglaterra. O Novembro francês foi para esquecer. No entanto, é difícil perceber até que ponto é que a França de Novembro vai ser a França do Seis Nações. Sérin jogou os jogos importantes de Novembro em vez de Dupont ou Machenaud, Camille Lopez foi o abertura titular, Teddy Thomas não jogou tanto como seria de esperar e, para uma equipa que espera tanto dos seus médios, que tem uma dupla tão poderosa para as fases mais abertas do jogo como é a dupla Bastareaud/Thomas a 2º centro e ponta, estas mudanças podem ser cruciais. É certo que as Ilhas Fiji conseguiram em Novembro uma vitória traumática contra os Franceses; mas os franceses tanto podem ser a desgraçada equipa que perdeu com as Fiji e permitiu que a África do Sul ganhasse um jogo que esteve a perder com a bola de jogo dentro dos seus 22, como podem ser a equipa que travou no ano passado o ataque irlandês até ao drop milagroso de Sexton a 40 metros dos postes. Por outro lado, a Inglaterra de Eddie Jones apresentou resultados em Novembro, mas ainda não parece uma equipa definida. Depois de 3 anos em que todos os analistas consideravam a presença conjunta de George Ford e Owen Farrell no XV como um pilar do jogo inglês, Eddie Jones em Novembro sentou George, devolveu Farrell à posição de abertura e voltou aos centros poderosos, numa estratégia que se revelou produtiva. Novembro deu também um nº8 à selecção da Rosa, Mark Wilson, mas as dúvidas no XV titular persistem. George será finalmente o talonador titular? Quem fará companhia a Johnny May no trio de trás? Eliot Daly, Anthony Watson, Chris Ashton, Cokanasiga? Eddie Jones parece não ter ainda a equipa formada.

6. O País de Gales é candidato? Warren Gatland é talvez dos selecionadores mais importantes dos últimos anos. Foi isso que o levou a comandar os British & Irish Lions na última campanha, que levou o País de Gales a dois grand slams no seis nações, e até à expressão Warrenball, sobre o jogo fechado de ataque numa só fase, quase sempre com heavy-carriers a identificarem o espaço dos jogadores criativos adversários para os desgastar em placagens e placagens sem fim. Ora, este País de Gales de avançados concentradíssimos como são Alan Wyn-Jones ou Lee junta à equipa um conjunto de três quartos que está finalmente próximo da tradição galesa. Gareth Davies, Dan Biggar, Leigh Halfpenny ou Jonathan Davies têm a paciência para esperar pelo espaço na defesa adversária e são ultra-letais a atacá-lo? Será isto suficiente para vencer a Irlanda?

Visão do leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui): Gareth Edwards

António Hess
Author: António Hess

16 Comentários

  • Gunnerz
    Posted Fevereiro 1, 2019 at 7:21 pm

    Além do que referiram e da aparente superiodade actual do norte sobre o sul, é também a primeira vez que não dou nada pela França e Inglaterra, 2 seleções que em dias bons já vi a fazerem coisas magnificas. A Irlanda parece-me ser a favorita com alguma margem sinceramente. De resto, tentei arranjar bilhetes mas sem sorte, super dificil. Se por acaso alguem por aqui tiver bilhetes para vender que comente :D

    • Luke
      Posted Fevereiro 1, 2019 at 8:39 pm

      Superioridade se excluirmos a toda poderosa Nova Zelândia obviamente. Mas sim, Austrália e África do Sul estão irreconhecíveis.

    • Gareth Edwards
      Posted Fevereiro 1, 2019 at 9:41 pm

      Apesar de ter poucas dúvidas da vitória irlandesa e de achar que o País de Gales é o concorrente mais forte, não descartava a Inglaterra. Têm tido algum azar com lesões, mas a equipa está a compor-se. Acho que estabilizaram os defesas com Cokanasiga, Daly e May, a terceira linha vai ganhar com a recuperação do Underhill, o Vunipola também vai dar muito a esta selecção e no fundo, se excluirmos o seis nações, a Inglaterra teve um bom 2018, com testes duríssimos que não ganhou por pormenores

  • Ze Maria
    Posted Fevereiro 1, 2019 at 7:28 pm

    Sinto sempre que a França gosta desta posição de underdog.

  • Luke
    Posted Fevereiro 1, 2019 at 8:49 pm

    Diria que é mais ou menos unânime que o grande candidato é a Irlanda, e parece-me que vão ser eles a arrecadar o título.

    Gostava muito que fosse a Escócia, conduzida por uma linha de 3/4 magnífica (aqui destaco Stewart Hogg, o meu jogador favorito), mas com um pack avançado fraquinho e sem profundidade nenhuma no plantel não me parece que tenham muitas hipóteses.

    Inglaterra e Gales apesar de estarem com menos fulgor são as equipas com mais títulos nesta competição e são sempre candidatos a considerar.

    A França não me parece que tenha hipóteses, apesar de eu estar a torcer para que façam uma boa campanha! Durante muitos anos foram a mais forte equipa da Europa (já chegaram a 2 ou 3 finais de Mundiais se não me engano), mas o facto de terem o campeonato interno mais forte e mediático do mundo (o Top 14) está a condicionar muito a aposta no jogador Francês, porque contratam-se craques de todas as partes do mundo, e por isso a qualidade desta equipa tem vindo a cair a olhos vistos.

    Quanto à Itália… enfim nem devia estar aqui. Ficam todos os anos em último e com grandes cabazadas. São claramente uma selecção à parte na medida em que todos os anos partem isoladamente como a pior equipa, enquanto que nas outras 5 vai havendo trocas nos favoritos, nos underdogs, etc. Aliás, nos últimos anos a Itália tem estado constantemente atrás da Georgia nos rankings…

    • Gareth Edwards
      Posted Fevereiro 1, 2019 at 9:36 pm

      À partida a Irlanda ganha, claro. E aliás espero que ganhe, que é da forma que temos uma selecção europeia realmente motivada para ganhar o mundial.
      De qualquer maneira, é preciso ter atenção ao País de Gales: não perderam em 2018 senão com a Irlanda, e vão numa série de 9 jogos seguidos a ganhar a equipas de tier 1.
      A Inglaterra teve um mau seis nações em 2018, mas teve grandes testes contra a África do Sul e a primeira meia hora contra a Nova Zelândia foi soberba. Fundamentalmente só perdem o jogo quando substituem a primeira linha e perdem o domínio nas touches deles.
      Quanto às França, tudo bate neles (e de facto parece-me que ficam em penúltimo) mas ainda assim fizeram um bom jogo contra a África do Sul (perdido daquela maneira entre o patética e o dramática) e, num dos testes contra a Nova Zelândia, estavam com boa dinâmica, muitos offloads, a ganhar metros, até ao ensaio do McKenzie em que o árbitro bloqueia a saída do asa da melée.
      A Escócia é engraçada, mas não me parece razoável achar que aspiram a mais do que um terceiro lugar, e mesmo isso só com muita sorte

      • Luke
        Posted Fevereiro 1, 2019 at 9:46 pm

        A minha aposta é:
        1- Irlanda
        2- Inglaterra
        3- Escócia
        4- Gales
        5- França
        6- Itália

        Mas veremos!

        • Gareth Edwards
          Posted Fevereiro 1, 2019 at 10:05 pm

          Irlanda
          País de Gales
          Inglaterra
          Escócia
          França
          Itália

          Também é possível a Inglaterra à frente do País de Gales, vamos ver

  • Luke
    Posted Fevereiro 1, 2019 at 8:53 pm

    Só um reparo ao texto: a Irlanda ultrapassou a Nova Zelândia no ranking?

    Pelo menos que eu saiba, apesar da Irlanda ter ganho um test match à Nova Zelândia na janela internacional de Novembro, isso não foi suficiente para ultrapassar a Nova Zelândia, que está em primeiro lugar no ranking há cerca de 10 anos consecutivos.

    • Gareth Edwards
      Posted Fevereiro 1, 2019 at 9:27 pm

      Viva, não ultrapassou ainda mas, a menos que haja uma hecatombe, vai acabar o seis nações em primeiro

  • Dennis Bergkamp
    Posted Fevereiro 1, 2019 at 9:03 pm

    Alguém sabe se o Halfpenny está lesionado?

    • Luke
      Posted Fevereiro 1, 2019 at 9:15 pm

      Que eu saiba não… estás a perguntar pelo facto de não estar a ser titular agora contra a França?

      A verdade é que eu percebo a opção e faria o mesmo. O Liam Williams é infinitameeeeeente melhor a atacar (está a ser o melhor da selecção galesa neste jogo), a defender deve ser ela por ela, e onde o Halfpenny ganha é exclusivamente no chuto aos postes mas mesmo assim a diferença para Dan Biggar ou Anscombe neste aspecto do jogo não é significante o suficiente para compensar tê-lo em campo…

      • Dennis Bergkamp
        Posted Fevereiro 1, 2019 at 9:35 pm

        Apenas achei estranho nem sequer estar no banco, para mim é melhor que o Biggar e o Anscombe. De resto, subscrevo.

        • Luke
          Posted Fevereiro 1, 2019 at 9:44 pm

          É melhor em que aspecto, no chuto? Eu também acho que é melhor no chuto tal como disse no meu comentário. O que eu acho é que a diferença na qualidade de chuto entre Halfpenny e Biggar é menor do que a diferença com Halfpenny e Liam Williams em ataque com a bola na mão.

      • Stromp1906
        Posted Fevereiro 1, 2019 at 10:08 pm

        Penny é um 15, Williams um ponta, coabitam desde sempre nesta seleção, só que o primeiro está lesionado, infelizmente uma constante nos últimos 2 a 3 anos.

    • Gareth Edwards
      Posted Fevereiro 1, 2019 at 9:45 pm

      Está lesionado

Deixa um comentário