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“75% dos jogadores da cantera do Barcelona nasceram nos primeiros seis meses do Ano”

Cada vez mais se fala da aposta na formação em Portugal, na política de redução de custos e no “futebol sustentável”. A verdade é que, para além dos talentos, é necessário que os quadros competitivos, os escalões de formação e o treinador de formação sejam adequados. E adequados, no nosso país, é tudo o que estes três componentes da formação de futebolistas não são.
No que toca aos escalões de formação, apesar de difícil de resolver, está claro que há problemas a nível da maturação biológica dos atletas. Basta analisarmos o Barcelona. Não será por acaso que 75% dos jogadores desta cantera tenham nascido nos primeiros seis meses do ano. As diferenças ao nível da maturação são tão elevadas e variam tanto em curtos espaços de tempo que, fazem com que os mais desenvolvidos sejam os escolhidos. Se em meses, as diferenças são tão notórias, imaginem agora em dois anos, normalmente o tempo que cada escalão abrange.
A solução para este problema é bem complexa! Poder-se-ia optar por uma avaliação da maturação dos atletas, e classifica-los em escalões quanto a isso mas o tempo e os custos seriam elevados. Poder-se-ia reduzir a abrangência de cada escalão etário, talvez a melhor opção, o que reduziria as diferenças de maturação, que, é o que muitos clubes vão fazendo ao usarem equipas por ano de nascimento em vez do escalão (Equipas de atletas de 2001, 2002, etc). Porém, continua a ficar claro que, ao nível dos escalões de formação ainda há muito trabalho a ser feito.
Ao nível dos quadros competitivos, os problemas são enormes. Há dias, numa acção de formação com o coordenador de uma das melhores escolas de formação a nível nacional, este foi o tema principal! A qualidade dos jogos que encontram, a intensidade que os seus atletas precisam de por em cada partida, os resultados avultados que se vêem todas as semanas e a diferença com o nível estrangeiro. Ficou claro que a competição ao nível interno era mínima, possuíam dois, no máximo três equipas por série que lhes tornassem o jogo num confronto, numa verdadeira competição, algo que não assistiam durante o resto da época. Atualmente, este é o cenário que se encontra em Portugal para as grandes equipas formadoras. Seis jogos por época onde os seus jogadores podem ser realmente testados.
Por um lado, facilmente poderíamos arranjar soluções ao nível das federações distritais para resolver este problema. Divisões (primeira, segunda, etc) em vez de séries poderia, facilmente, ser uma solução. A divisão atual (em divisões e posteriormente em séries) ainda traz este tipo de problemas. Os melhores na 1ª divisão, proporcionando mais competição para todos! Os excelentes debatiam-se com os excelentes, os bons com os bons, os medianos com os medianos. Melhor evolução para todos, porque competir com o topo sendo um jogador mediano e acabar um jogo com 10-0 de nada é benéfico para qualquer uma das equipas!
Por outro lado, poderíamos apontar algumas “culpas” aos maiores clubes formadores. É óbvio que os grandes contam com mais de 100 jogadores por escalão (equipa A, equipa B, equipas satélite,…), o que, acaba por retirar o talento aos outros clubes e torna impossível qualquer equipa que não possua um nome marcado no futebol português competir a esse nível.
Por último, e não menos inquietante, a formação dos treinadores dos escalões de formação! Estes são, na minha opinião, os escalões onde os treinadores deveriam possuir maior formação, por estarem a ensinar a modalidade, por serem figuras para as crianças, pela forma como se vê muitos abordarem as crianças. E se há coisa que a maioria dos treinadores destes escalões são é formados! Atenção, não digo que, são “menores” por não o serem, mas a grande maioria não faz ideia de como lidar com os jovens atletas nestas idades! O pai deste, o atleta que fez história no clube, o Tio Tone que acha que percebe de futebol e tudo o que sabe é que o objetivo principal é marcar golo, ainda vão sendo estes os treinadores escolhidos na grande parte dos clubes!
Em suma, antes de esperarmos resultados esplendorosos da nossa formação, temos de fixar a quantidade de erros, de problemas que ainda se assiste no nosso futebol de formação! O futebol de formação não começa na equipa B das equipas principais, começa bem mais cedo, nos miúdos de 10 anos do clube da terra!

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Adriano Fernandes

0 Comentários

  • Suarez
    Posted Janeiro 17, 2015 at 12:07 am

    Porra Adriano! Já não chega eu ter de estudar DM pro exame, ainda fazes um texto com isto!
    Brincadeira! Isto é algo que merece ser pensado, refletido e acima de tudo, discutido!

    PS: Pode parecer um comentário estranho, mas o autor vai perceber!

    • Adriano Fernandes
      Posted Janeiro 17, 2015 at 2:36 am

      Foi exatamente depois da formação que falo no post e enquanto estudava DM q me lembrei de escrever isto! Abraço e bom estudo :p

  • Diospiro
    Posted Janeiro 17, 2015 at 12:10 am

    Um erro comum na formação. Contrata-se jogadores tendo em conta a sua capacidade fisica em deprimento da tecnica mas esquecem-se que uma vez senior essa caracteristica deixa de ter tanto impacto

  • Diogo
    Posted Janeiro 17, 2015 at 12:15 am

    Excelente post. Esse apontamento das idades é muito interessante.

    Ao ver isto fui analisar quando é que nasceram os 10 melhores jogadores do Mundo. E, pode ser coincidência, mas o Ronaldo, Neymar, Robben, Messi, Bale, Suarez, Kroos, Hazard, Iniesta e Aguero nasceram todos nos primeiros 6/7 meses do Ano.

    • RafJCP
      Posted Janeiro 17, 2015 at 2:26 am

      Luís Figo nasceu em novembro :) Mas pode ser um dado que indique uma tendência que na formação esses jogadores, por serem mais velhos/maduros, saíram "beneficiados" em determinadas situações.

      Cumps

    • LuisRafaelSCP
      Posted Janeiro 17, 2015 at 8:14 am

      Diogo,

      É coincidência claro… o que o post refere, é que nos escalões de formação, alguns meses pode fazer muita diferença fisica e psicologicamente num miúdo de 11, 12 ou 13 anos. Quando chegas aos 27, se nasceste em Janeiro, ou em Dezembro, é igual para o teu rendimento.

    • RF
      Posted Janeiro 17, 2015 at 9:46 am

      Quando o Figo jogava nas camadas jovens as idades consideradas eram de Agosto a Agosto do ano seguinte e nao de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro como actualmente. O jogava nessa altura e tinha essa vantagem pois nasci em Agosto e logo era sempre dos mais velhos do escalao. Isso mudou salvo erro em 95 ou 96.

    • Anónimo
      Posted Janeiro 18, 2015 at 2:00 am

      Bom artigo, mas aplica-se apenas à maturidade (fisica/psicologica) do jogador.

      Pois se olharmos para a tecnica e skills inatos, Pele, Maradona, e Ronaldo Fenómeno, por exemplo, nasceram em Setembro/Outubro.

      É certo que nessas alturas não havia provavelmente a análise e tecnologia que há hoje, mas mostra que os melhores talentos nascem em qualquer altura.

      Mas gostei da análise e faz sentido.

      P.O.

  • Fábio Teixeira
    Posted Janeiro 17, 2015 at 12:37 am

    Os escalões de formação são muito importantes para um futuro possível sucesso no futebol profissional. Gosto sempre de lembrar uma frase do Einstein que aplico ao último escalão de formação, os juniores, pois considero que é a etapa onde mais se evoluí competitivamente e onde as lições são melhor incutidas.

    «O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.»

  • Stalley VM
    Posted Janeiro 17, 2015 at 1:03 am

    Em termos de "fisico", o que eu noto nos ultimos anos, é que cada vez mais Portugal tem rapazes mais altos, estás gerações de 94/95, tem tudo de 1,80 para cima numa forma geral, isso vê-se no nosso dia-a-dia.
    Ao contrário que em outras gerações o pessoal, anda nos 1,70's, pelo menos é o que eu noto, posso estar errado.

    SL!

    • Joao Bernardo
      Posted Janeiro 17, 2015 at 6:24 am

      Sim, tens toda a razao, eu sou de 90 e tenho 1,75. Tudo o que rapazes maid novos, sao mais altos. Vamos ver se isso influencia o nosso desporto daqui a uns anos. Especialmente modalidades como Basket e Volei.

    • LuisRafaelSCP
      Posted Janeiro 17, 2015 at 12:50 pm

      Em termos de futebol já se nota as diferenças. Muito mais físico e táctico do que "imaginativo" e técnico. É pena…

    • Joao Souto
      Posted Janeiro 17, 2015 at 1:45 pm

      Creio que essa diferença em termos físicos entre gerações já se começa um pouco a notar, por exemplo no Sporting que era conhecido por lançar jovens talentosos ofensivamente na sua maioria extremos, tem vindo recentemente a lançar jogadores bastante mais físicos e defensivos como são os casos de William, dier, Tobias, Semedo, ilori.
      Também no Benfica roderick, a.gomes e a.almeida tem todos mais de 1.80 assim como Rúben neves no porto.
      Espero que esta primazia que se dá ao fisco seja uma questão geracional e não o modos operandi que irá ser usado no futuro, pois sendo um país latino não podemos perder a nossa irreverência. Mas dizem que esta questão de os jogadores serem cada vez mais 'maquinas' esta ligada ao facto de cada vez menos haver futebol de rua mas isso já era conversa para outras nupcias

    • FPacheco
      Posted Janeiro 17, 2015 at 5:41 pm

      Mas se fores ao Barcelona, a maioria dos miúdos que são lançados são mais baixos que os portugueses.

      Mas mesmo que sejam altos, nem sempre são toscos…por exemplo o Pogba tem uma grande técnica.

  • Paulo Liberato
    Posted Janeiro 17, 2015 at 1:04 am

    excelente post, concordo com esta óptima critica ao futebol de formação, só discordo no ponto da falta de formação dos treinadores, pois a realidade que eu conheço é que os treinadores da formação são licenciados na área ou estão a formar-se na mesma, outros têm cursos de treinadores dos vários níveis que a federação oferece.

  • João Dias
    Posted Janeiro 17, 2015 at 1:17 am

    Não há como negar. Portugal tem um talento inato para o futebol.
    Basta ver a quantidade de jovens talentosos que se vêem por aí nos bairros problemáticos da Grande Lisboa.
    Míudos, grosso modo, provenientes de países africanos de lusofonia que vêem o futebol como meio de escapar à fome e à má vida.
    Falo-vos em Edgar Iê, Nani, Agostinho Cá, Bruma, William Carvalho, Sancidino Silva, Carlos Mané, Rúben Semedo, Romário Baldé.

    E são estes jovens que se incide o trabalho de formação. O talento nasce com eles.
    Basta que alguém os forme e que aposte neles.

    Portugal pela sua natureza goza de alguns previlégios a este nível fruto dos inúmeros imigrantes guinienses, angolanos, cabo- verdianos… somos um viveiro de talentos.

    Pena é que só os argentinos, os colombianos e os brasileiros é que disfrutem disso…

  • Alexis
    Posted Janeiro 17, 2015 at 1:27 am

    Concordo com a maioria do texto, e creio ser um assunto não só interessante como preponderante no futuro da modalidade em Portugal.
    Mas na parte dos treinadores nestas idades, creio que o panorama está a mudar. Não só com as muitas Dragon Force a abrir, assim como academias da fundação Benfica e academias/escolas do Sporting, como até já se nota algum cuidado nas equipas mais pequenas. Mesmo as equipas da aldeia já apresentan professores de educação física e que são apaixonados por futebol. Pode não parecer nada mas estes já entendem o desenvolvimento psico-motor da criança, já têm noções anatómicas e motrizes, sabem ou teoricamente sabem como transmitir o conhecimento, e juntando isso ao gosto pelo desporto, interesse e conhecimento adquirido em todos os meios disponíveis (e são muitos), já vai ajudando e muito ao desenvolvimento de bons atletas.
    Claro que os recursos disponíveis não são muitos, muito menos nos clubes de aldeia, mas so mencionando as academias dos 3 grandes, ja deve rondar um numero proximo dos 100. Ora 100 academias com as condições necessárias (muitas delas com condições excelentes!) a uma média de 50 atletas, estamos a falar de um Universo de 5000 miúdos que durante os primeiros anos (dos 6 aos 10) usufruem dessas boas condições. Destes todos so cerca de 150 farão parte da "casa-mãe", seja na equipa principal, seja nos satélites (vá, que sejam 200). Ora sobram miúdos mais aue suficientes para "encher" os clubes a nível nacional. Claro que é injusto devido ao "monopólio" por parte dos clubes grandes, mas bem vistas as coisas, foram eles que "arcaram" numa primeira fase com o seu crescimento.
    Sei também que algumas destas academias são pagas e nem toda a gente pode comportar essa despesa. Mas também é por isso que os clubes grandes têm redes enormes de scouting. O maior problema deste "pulo em frente" na formação, é que foi dado demasiado tarde. Ou seja os resultados práticos ainda não estão à vista porque não houve ainda tempo. Esperemos mais uns 5/7 anos e verão uma clara melhoria nos campeonatos e na qualidade do jogador made in Portugal (aliado também à resolução do problema da estrutura do quadro competitivo, no qual concordo que precisa ser revisto).
    E um pouco off topic, os mais velhos já começam a dar frutos (dessa aposta na formação e melhorias das condições em muitos locais espalhados pelo país). Ja vemos a primeira fornada a sair. A geração 96 e 97 vem apresentar talentos enormes. A de 95 e 94 também é quase toda ela criada de raíz e também apresenta muita qualidade. Portanto daqui em diante espera-se o surgimento de cada vez mais e melhores atletas, pois estes já vêm tendo uma boa base desde (muitos deles) os 6/7 anos.
    Eu tenho esperança numa mudança de paradigma que a longo prazo nos dê muitas alegrias.. a ver vamos se os "cães grandes" estão tão optimistas como eu…

    De qualquer modo, parabéns pelo post. Uma muito boa ideia a merecer uma boa discussão, um bom "brain storm", e quem sabe com jeitinho, o blog ajuda a mudar as mentalidades dos homens do poder (muitos deles até devem ser leitores do blog hehehe).

    • Jose Lopes
      Posted Janeiro 17, 2015 at 5:35 am

      Excelente comentário. Tão bom quanto o post.

    • Alexis
      Posted Janeiro 17, 2015 at 12:17 pm

      Obrigado Jose Lopes :)

    • Adriano Fernandes
      Posted Janeiro 17, 2015 at 1:10 pm

      Sim, concordo plenamente que essas grandes academias (Dragon Force, Geração Benfica, Sporting) assumem cada vez mais a aposta em treinadores qualificados. Apesar disso, a realidade que conheço fora dessas academias, não é parecida! Mas claro, cada vez mais se vê a aposta em treinadores qualificados! Queria apenas referir com o post que ainda há muito a melhorar também quanto aos treinadores!
      Um Abraço e obrigado :)

    • Alexis
      Posted Janeiro 17, 2015 at 4:18 pm

      Sim concordo que há muito por onde crescer.
      A aposta é também crescente nos preparadores físicos, fisioterapeutas e psicólogos embora isso seja só uma realidade em poucos clubes. Com tempo vejo um futuro no qual o jovem português, talentoso por natureza, será potenciado ao máximo desde tenras idades. Nem que seja só em 12/14 clubes. Mas era importante haver 12/14 clubes com condições top.. e não creio que os hajam (para já).

  • RafJCP
    Posted Janeiro 17, 2015 at 2:37 am

    A Formação é um assunto delicado por isso mesmo: cada atleta desenvolve-se de maneira diferente, em tempo diferente, de todos os outros. Poderia haver uma outra organização nos campeonatos nacionais e distritais, para tudo tornar-se mais competitivo, mas para isso seria necessário os ditos clubes da aldeia pudessem ter outro tipo de proteção (outrora, as ditas "cartas"), porque é fácil trabalhar em academias dos clubes grandes, mas a maior parte dos jogadores que jogam nessas academias provêm dos clubes da aldeia e que no fim do ano são alvo de assédio "desleal", sem que tenham a necessidade de falarem com o clube.
    Penso que já não é qualquer um que consegue ser treinador nos escalões mais jovens até porque os miúdos vão tendo experiências que nós talvez não tivemos com a idade deles e onde torna-se essencial, acima de tudo, a forma como se interagem com as crianças/jovens, conseguindo pô-los(?) de encontro com as ideias do "Mister"!

    Cumprimentos

    • João Lains
      Posted Janeiro 17, 2015 at 11:32 am

      Claro, vamos agarrar o gajo mais talentoso por causa de um dirigente ressabiado. Já vi clubes exigirem verbas, sendo mínimas (na ordem das dezenas ou poucas centenas de euros), a outros clubes da mesma divisão distrital (estou a falar de camadas jovens) e também já vi colegas que ficaram parados um ano porque o seu novo clube, aquele que lhe dava mais condições para evoluir, não estava disposto a pagar esses mesmos 50, 60 ou 100 euros que o antigo clube lhes exigia. Há muita gente que só vê no futebol uma forma de ganhar dinheiro e não tem sensibilidade para perceber que há miúdos que têm ambição. E atenção que não estou a falar de um Cristiano Ronaldo, estou a falar de colegas que nem farão do futebol a sua actividade profissional.

      Ainda bem que terminaram com as cartas!

    • LuisRafaelSCP
      Posted Janeiro 17, 2015 at 12:55 pm

      Subscrevo Lains. No clube da minha terra, e o outro "rival" do lado, que pertence ao mesmo concelho, conheço inúmeros casos desses… parece que estamos a tratar de profissionais, quando na verdade se tratam de crianças que procuram simplesmente melhores condições desportivas, ou até, condições pessoais (ficar mais perto de casa, da escola, qualquer coisa).

    • João Lains
      Posted Janeiro 17, 2015 at 1:30 pm

      E esqueci me de referir que a essas verbas compensatórias (muitas vezes pagas pelos próprios pais), acrescem as despesas com a inscrição do atleta e é por isso que os novos clubes não estão dispostos a contar com o jogador. Estamos a falar de um nível amador, de clubes com o mesmo poder financeiro, não se justifica este tipo de intransigência por parte dos presidentes. Felizmente terminaram com isso de vez.

    • André Pinho
      Posted Janeiro 17, 2015 at 1:58 pm

      Como em todos os aspectos na formação, a opinião taxativa leva ao chamado enterro. A situação das cartas dos jogadores passaram de um extremo (o valor mínimo para uma transferência legal era de 1500 euros), para outro (0 euros).
      Por cada miúdo que quer trocar de clube pelos motivos correctos, há outro que o faz porque com 14 ou 15 anos já ofereceu porrada ao treinadores do clube antigo, decidiu desistir a meio da época só porque sim, tem um pai que pensa que o filho é o Maradona, ou porque o treinador da outra equipa lhe ofereceu umas sapatilhas da Nike. Esses, saem do clube simplesmente porque podem, e estragam o desporto simplesmente porque sabem que na época seguinte podem começar tudo de novo sem dar satisfação a ninguém.

      Não sou o dono da verdade, mas sei que não haver "carta" é tão grave como ela existir nos termos em que existia. Talvez indexar o valor da rescisão ao numero de épocas que o atleta fez no clube, num valor simbólico, na que cobrisse pelo menos os custos administrativos associados ao atleta (ronda os 80 euros/época nos distritais).

    • João Lains
      Posted Janeiro 17, 2015 at 2:27 pm

      E quem é que está em condições de pagar a pronto 80 euros? Já para não falar nas mensalidades que os pais tinham de pagar nos antigos clubes. Uma coisa que eu já senti na pele é reclamarem mensalidades em atraso, agora mais que isso não se justifica. Estamos a falar muitas vezes de guerrinhas entre clubes de terras vizinhas/ rivais. Mas isto vale para os dois lados. Tanto há clubes que procuravam receber dinheiro por jogadores que enquanto lá estavam, eram muitas vezes descartados e as ovelhas negras das suas equipas como jogadores que nunca foram um exemplo de conduta e querem mudar de clube ou porque se incompatibilizaram com os antigos treinadores.

    • JSC
      Posted Janeiro 17, 2015 at 4:44 pm

      Os clubes pagam 80€ por época por jogador é o que o André está dizer, isto inclui seguro e inscrição. Eu quando jogava, o meu cube pedia 20€ a cada jogador (não eras obrigado a dar, houve umas 2 épocas que não dei) e depois fazia alguns eventos ao longo do ano para arranjar mais receitas, vendas de rifas, venda de bifanas, almoços e assim, mais depois as ajudas municipais (que eu considero não muito razoável, pois muitas vezes os estádios são das câmaras/juntas e os clubes pagam módicas quantias (ou nada) para o utilizar). Além disso o maior custo dos clubes é mesmo as deslocações por exemplo o meu clube tinha duas carrinhas e esse era a maior despesa de todas (isto claro se não forem mais uma vez oferecidas). Sei isto porque um dos pais meus colegas era dirigente e tinah acesso a isto, uma vez vi o orçamento e as despesas eram cerca de 30mil€ o que para um clube local é muito e eu não tinha essa noção.

  • LuisRafaelSCP
    Posted Janeiro 17, 2015 at 8:16 am

    O mais importante para mim deste post, é mesmo a reflexão sobre os treinadores dos escalões jovens. Hoje em dia, qualquer um que goste de futebol, consegue ser treinador das camadas jovens, porque o critério da maior parte dos clubes é o de não ter de pagar, ou pagar muito pouco!
    Mas está-se a lidar com processos em fase de aprendizagem, não só no desporto, como na própria vida e educação, ou seja, o "instrutor" deve, ou pelo menos devia, ter bases suficientes para os ajudar!

  • Anónimo
    Posted Janeiro 17, 2015 at 11:23 am

    Sim, concordo que se deve melhorar a formação dos treinadores dos escalões jovens, passará por aí a resolução deste problema. Mas só uma pergunta, qual é o objetivo último não é marcar golos? Que interessa uma equipa dominar os princípios do jogo, mas não consegue finalizar?
    Duarte

    • Alexis
      Posted Janeiro 17, 2015 at 12:34 pm

      Duarte essa pergunta é um pouco descabida, desculpe que lhe diga..
      Então está a dizer que um miúdo que entenda os proncípios bâsicos do jogo, quer a nível individual (tecnica de passe, recepção, movimentações com e sem bola, aspectos defensivos, etc..) quer a nivel colectivo, não se prepara melhor que aquele miúdo a quem lhe dizeram que o treino é para brincar e que tem é de treinar finaluzacção?
      É que um miúdo que receba uma boa instrução de certeza que vai treinar a finalização. Um miúdo que só treine finalização não vai dominar os outros aspectos do jogo… e por conseguinte não estará tão preparado para o resto. Já para não falar que os miúdos que forem defesas ou médios não vão treinar só a finalização.. e podia estar a desenvolver ainda mais mas creio que entende onde quero chegar.

    • LuisRafaelSCP
      Posted Janeiro 17, 2015 at 12:53 pm

      Mete um plantel inteiro a fazer treinos de finalização do princípio ao fim e depois vê no que dá esse "objectivo último". Quero ver como chegam a marcar golos na competição, sem qualidade de passe, recepção, visão de jogo, resistência, técnica, etc.

    • Adriano Fernandes
      Posted Janeiro 17, 2015 at 1:15 pm

      Acho que já foi respondido mas deixo a minha ideia:
      A finalização é o objectivo último do jogo, porém, nestas idades de formação, até das coisas que deve "preocupar menos". Se os jogadores aprenderam a interpretar o jogo desde novos, a usar os princípios fundamentais do jogo (def. e ofens.), a tomar "boas decisões", mais de meio caminho está feito! É essa a diferença entre o bom jogador e o excelente jogador a longo prazo, o domínio dos principios e das boas decisões!
      Abraço

    • José Leal
      Posted Janeiro 17, 2015 at 2:13 pm

      Por parvo que isto possa parecer, eu penso que o que desenvolveu o talento natural e criatividade espontânea de grandes jogadores como Ronaldo, Figo, Rui Costa, Simão, Quaresma, entre outros, foi desenvolvida no futebol de rua, em que se metia duas pedras da calçada a servir de baliza e onde basicamente valia tudo menos dar "pau"… Hoje em dia existe o conceito que os miúdos devem ir logo para as academias de futebol (admito que um dos factores possa ser a maior insegurança na rua). E a verdade é que hoje se vê os jovens cada vez mais formatados às exigências do futebol actual, com mais capacidade técnica, com mais cultura tactica, mas com menos talento natural e menos virtuosismo.

    • Alexis
      Posted Janeiro 17, 2015 at 4:14 pm

      José Leal eu entendo o seu ponto de vista. Mas se perdem um pouco do perfume da rua, tornam-se mais completos, eficazes e alguns deles ainda alguma liberdade e fantasia. Tornam-se melhores atletas e melhores jogadores.

    • JSC
      Posted Janeiro 17, 2015 at 4:47 pm

      Concordo no geral José Leal, porque no Futebol tem se muito espaço, portanto precisas de fazer menos fintas se correres muito, no futebol de rua ou mesmo em "cubiculos" tens de ter muito melhor capacidade de controlo de bola e criatividade para tentar passar pelo adversário.

  • Anónimo
    Posted Janeiro 17, 2015 at 11:41 pm

    Concordo com aquilo que foi dito, mas tudo deve ter um objetivo, nesta caso a finalização. É importante, o passe, é importante a receção, é importante a criatividade etc…, mas todos os exercícios que englobem essas tarefas deve finalizar sempre com a finalização. Até acrescento, na formação dos treinadores se não se incluir na avaliação prática a finalização, os mesmo é desvalorizado. Mas talvez seja por isso que Portugal não tem um ponta de lança, e outros países nascem aos "pontapés".
    Duarte

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