Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

8: O último Adeus

27 de abril de 2014. Anfield vestira-se de gala para a receção ao Chelsea numa altura em que o título de campeão parecia cada vez mais próximo. Contudo, uma escorregadela de Gerrard abrira caminho à morte do artista. Sobre o melhor pano caíra a nódoa, e a conquista da Premier League após anos e anos de espera complicava-se. Milhares de corações despedaçados, entres os quais o de Brendan Rodgers. O técnico, que tinha recolocado o Liverpool no mapa, juntando ao futebol entusiasmante resultados soberbos internamente, acabava por ver a sua equipa morrer na praia. Pior do que isso. A partida marcaria igualmente o início do reencontro com os maus resultados. Se no jogo a seguir o conjunto hipotecou praticamente as hipóteses de acabar em primeiro, a temporada seguinte traduziu-se em fracasso para todas as competições. Nesta, escassas semanas foram suficientes para ser quebrado o voto de confiança estabelecido. Apatia e previsibilidade no futebol, conjugados aos erros individuais em demasia, passaram a ser trademarks da equipa. Acrescentando a isso, o deficiente planeamento dos plantéis. A linha que separa o sucesso do insucesso não poderia ser mais ténue, e exatos 525 dias após aquele que poderia praticamente garantir o troféu mais ambicionado, Rodgers recebe guia de marcha. O ponto alcançado no fraco derby da cidade até nem foi dos momentos mais negros, mas serviu como gota de água. Segue-se Klopp, Ancelotti, ou um nome menos sonante como Nigel Pearson? Eis a pergunta de um milhão de dólares. Ou neste caso, de libras. Certo, é que o norte-irlandês não é o único a dizer adeus, visto que Advocaat também não resistiu ao péssimo arranque do Sunderland. A fórmula milagrosa que valeu à equipa a manutenção no último suspiro de 2014-15 evaporou-se. Uma equipa muito macia e incapaz de explorar as lacunas dos adversários foi a que se assistiu nestas oito jornadas inaugurais. Diante do West Ham, nem dois golos de vantagem catapultaram os Black Cats para outro nível e a série sem vencer tornou-se ainda maior. Mourinho, Sherwood e McClaren são outros dos que estão na iminência de fazer as malas depois de terem voltado a cair com relativo estrondo.

Riem-se as equipas de Manchester, que uma vez mais completam o top 3. Principalmente o City, novamente em primeiro. A goleada ao Newcastle não apenas simboliza o regresso às vitórias para o campeonato como a volta do melhor Agüero – aquele que é por muitos considerado o melhor 9 do mundo. Já o United desceu à terra e foi despachado pelo Arsenal, que uma vez mais contou com o melhor Alexis – aquele que é considerado por muitos o melhor jogador da Liga. Palace, Leicester e West Ham continuam a revelar-se belas sensações nestas primeiras semanas de competição. Sobretudo os dois primeiros, que nesta ronda 8 bateram duas das equipas mais bem orientadas de Inglaterra. Individualmente, há que realçar Cabaye e Vardy em cada um dos lados. Não será escandaloso proferir que estamos a falar do, talvez, melhor médio e ponta-de-lança respetivamente da Premiership até ao momento. Haverá estofo para mais? Na aproximação à Europa, para além dos Toffees, aparecem Spurs e Saints, que após inícios intermitentes, começam a estabilizar-se com bons resultados. Assim como Stoke City, que em duas partidas somou o dobro dos pontos alcançados anteriormente. Já em Bournemouth, mora o estreante mais azarado de sempre. Como se não bastasse o facto de estar privado dos seus dois reforços mais caros, e do seu jogador mais influente e por um longo período de tempo, um erro para os apanhados de Boruc e um penalty falhado não permitiram mais do que um empate na receção ao Watford.
Onze Ideal da jornada 8: Gomes (Watford); Schlupp (Leicester); Jagielka (Everton); Fonte (Southampton); Johnson (Stoke); Cabaye (Crystal Palace); De Bruyne (Manchester City); Eriksen (Tottenham); Alexis (Arsenal); Mané (Southampton) e Agüero (Manchester City).
MVP: Agüero (Manchester City). Numa semana em que recebeu rasgados elogios de Scholes, o avançado argentino quis provar que tem mesmo lugar em qualquer equipa do mundo. E de que maneira o fez. Uma mão cheia de golos, distribuidos em menos de meia hora, para todos os gostos e feitios. É curioso perceber que até ao momento, apenas tinha somado um tento neste começo de campeonato que nem estava a ser propriamente feliz. Este, foi provavelmente o clique que necessitava e uma camioneta de golos poderá muito bem estar a caminho.
Jogador a Seguir: Zaha (Crystal Palace). Endiabrado. Nada melhor descreve a atual forma do anglo-marfinense. A ida para Manchester deu-lhe o rótulo de flop mas este regresso a Selhurst Park não poderia estar a correr melhor ao jovem. Há que dar mérito a Pardew, por estar a extrair o melhor do irreverente extremo. Por norma, é um dos maiores mobilizadores do ataque dos Eagles mas nota-se igualmente uma maior disponibilidade para com o coletivo. Ainda só tem 22 anos e é um entre vários talentos à disposição de Rogdson. Se mantiver a toada, quiçá não recebe um bilhete para o Euro’2016.
Treinador da Jornada: Arsène Wenger (Arsenal)
Melhor Jogo: Swansea vs Tottenham (2-2)
A Desilusão: Manchester United. A semana na liderança não caiu do céu mas quase. A verdade é que os Red Devils ascenderam ao primeiro lugar sem convencer realmente sequer uma vez, numa equipa em que as individualidades pareciam superiorizar-se sempre às ideias de jogo coletivas. No entanto, nada fazia prever o banho de bola tomado no Emirates. Não houve forma de contrariar um adversário com uma facilidade incrível de penetração e as transições ofensivais raramente funcionaram. A maioria dos protagonistas, desta vez, vestiu a pele de figurantes e sem inspiração foi difícil aspirar a um resultado melhor. Van Gaal continua a ter trabalho de casa e a dúvida reside em perceber até que ponto esta derrota pesada, pode abalar, ou não, a confiança do clube de Old Trafford.
Menção Honrosa: Os recém-promovidos. Candidatos óbvios à despromoção para uns, equipas com algum potencial para surpreender para outros. Seja como for, é assinalável que já com oito jogos disputados, nem Bournemouth, nem Watford, nem Norwich encontrem-se abaixo da linha de água. E as indicações dadas até então permitem-nos concluir que não seria de todo escandaloso vê-los permanecer no máximo escalão inglês. É que os pontos positivos extravasam os bons resultados. Cherries e Canaries, muito bem orientados, destacam-se pela iniciativa que demonstram em ter a bola. Do lado dos Hornets, a matreirice dos seus avançados, com Ighalo à cabeça, tem-se superiorizado ao maior domínio dos adversários e já lhes valeu preciosos pontos. Howe, Neil e Flores vão dando cartas e prometem não ficar por aqui. O cenário vivido por QPR, Burnley e Leicester há um ano era bem menos animador.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Awesome_Mark

0 Comentários

  • Edgar
    Posted Outubro 6, 2015 at 9:47 am

    Excelente post. Só discordo da desilusão, acho que perder em casa com o Southampton, e da maneira como foi, é pior do que ser derrotado no Emirates. Por isso metia antes o Mourinho

  • Ribeiro
    Posted Outubro 6, 2015 at 9:48 am

    Alguém me pode falar mais do Vardy, Callum Wilson e Ighalo? Estão no topo dos marcadores mas para mim ainda são uns desconhecidos.

    • Jonathan
      Posted Outubro 6, 2015 at 9:56 am

      São bons jogadores mas não serão mais que isso. Podem fazer uma época de sonho e pouco mais. Como o Berahino. Quem merece mais para mim é o sadio mane e o bolasie

    • Anónimo
      Posted Outubro 6, 2015 at 12:22 pm

      Vardy nao é daqueles que faz uma boa epoca e desaparece. O ano passado tambem fez uma excelente epoca e atençao que já foi chamado à seleção inglesa..
      Ighalo andou no Granada (penso q nao me estou a equivocar) e é um jogador que começou como suplente em Goodison e entrou e marcou. A partir daí começou a ser opção no 11 e os golos vao aparecendo. Eu comparo-o muito ao Ibarbo apesar do Ibarbo ter outras características que o permitem tbm jogar na linha..
      Wilson só é surpresa para quem não acompanha o Championship.. Grande epoca que fez. Levou s equipa às costas com os muitos golos que fez e na PremierLeague continua a mostrar toda essa capacidade goleadora.. Rápido e frio na finalização. Muito, muito bom..
      Dos 3 talvez Ighalo venha a ser o mais inconstante mas Vardy e Wilson são jogadores muito consistentes..

      Miguel

    • Anónimo
      Posted Outubro 6, 2015 at 12:25 pm

      De bruyne tem feito golos mas o seu futebol está muito aquém. Ao 3o jogo seguido a marcar, fez os unicos 45min de algum nível, muito por culpa do desnorte defensivo do newcastle..
      Quando falas de zaza, devias querer dizer Zaha.. Zaza é da Juventus…

      Miguel

    • João Santos
      Posted Outubro 6, 2015 at 2:10 pm

      Miguel comparas o Ighalo ao Ibarbo apesar do Ibarbo ter outras características? ! Não faz muito sentido isso.

    • Kacal I
      Posted Outubro 6, 2015 at 2:36 pm

      O Vardy é o que conheço melhor e é um jogador que aprecio, em termos técnicos é bom e cumpre mas depois fisicamente tem enorme pulmão e é rápido e joga sempre com uma enorme atitude competitiva e entrega ao jogo, raçudo, é um jogador consistente e quando não marca dá tudo em campo e ajuda a equipa de outras maneiras mas tem marcado com frequência.

    • SoNNy Bernardo
      Posted Outubro 6, 2015 at 2:54 pm

      Relativamente ao que vi durante este ano, o Wilson é um avançado móvel com muita técnica e que decide rápido num curto espaço de tempo. Poderia ser uma das revelações do ano, até porque liderava a lista de marcadores, contudo e pelo que sei, uma lesão mandou-o para o estaleiro cerca de meio ano.

  • Kafka I
    Posted Outubro 6, 2015 at 9:57 am

    Excelente análise em especial no primeiro parágrafo e ao resumo perfeito do que foi Rodgers em Liverpool,

    Há 2 épocas atrás, às costas de um Suárez estratosférico que coadjuvado por Sterling e Sturridge criaram um futebol vertiginoso e fascinante que podia ter levado Brendan Rodgers à eternidade no Kop, mas uma escorregadela de Steven Gerrard (o destino por vezes é cruel, o Baggio também fahou o penalty em 94 depois de sozinho ter carregado a Itália atá à final) voltou a colocar Brendan Rodgers como apenas mais um simples mortal aos olhos do Kop, e a partir dai foi o descalabro total até ao inevitável (e tardio) despedimento

  • Diogo
    Posted Outubro 6, 2015 at 11:29 am

    Sem o Pepe espero ver o José Fonte a titular na selecção ao lado do Ricardo Carvalho, mas suspeito que quem vai jogar é o Bruno Alves

  • Pedritxo
    Posted Outubro 6, 2015 at 11:38 am

    Esta jornada consegui ver o city, um pouco do chelsea, o palace e a 1ºparte do arsenal.

    No Palace, cabaye comanda aquilo tudo, livres,cantos, pauta o jogo, penaltys, tudo e dele, mas faz-lo com uma qualidade tremenda, e depois na frente tem 3 avançados rapidos e, zaza fez um grande jogo, principalmente na 1ºparte e, ele nao entra no 11, porque mane,aguero e alexis tiveram ainda melhor.

    De bryune ja começa a mostrar algo, mas na 1ºparte nao foi muito feliz.

  • VettelF1
    Posted Outubro 6, 2015 at 12:02 pm

    Sinceramente acho que se dá muita importância à escorregadela do Gerrard.

    Porque nesse jogo o Liverpool não jogou bem e foi isso que fez com que perdessem 2-0, não foi só o facto do Gerrard ter escorregado. É claro que ajudou, mas o Liverpool não mostrou estofo de campeão.

    Quanto ao Rodgers, obrigado pelo bom futebol que o Liverpool jogou muitas vezes mas infelizmente esta relação já tinha um fim demasiado próximo tendo em conta os resultados desta época.

    Que venha um treinador melhor :)

  • António Vilares
    Posted Outubro 6, 2015 at 12:22 pm

    Brendan Rodgers sai pela porta pequena mas eu não tenho dúvidas da sua imensa qualidade! Gostava de o ver nos Spurs que contam com matéria-prima para atingirem níveis exibicionais muito mais elevados. Treinador com grande mobilidade táctica e que passar à equipa a forma como deve ocupar os espaços. A sua mensagem de despedida vem ao encontro daquilo que penso da pessoa, classe!

  • Miles Davis
    Posted Outubro 6, 2015 at 1:17 pm

    O Silva jogou tão mais que o De Bruyne no jogo do fds. Forma incrivel como solta sempre no momento certo

  • SoNNy Bernardo
    Posted Outubro 6, 2015 at 2:57 pm

    A liga inglesa é isto mesmo… Até ao empate, o City estava a ser completamente dominado e o Newcastle teve duas ou três ocasiões para aumentar a vantagem na cara do golo e perdoou (valeu Joe Hart).

    Quanto à desilusão, o Chelsea e o United ficavam bem com a medalha, que miséria de jogos, a atacar e a defender.

  • Anónimo
    Posted Outubro 6, 2015 at 3:14 pm

    Fica só o meu agradecimento ao Brendan Rodgers pelo futebol que pude ver nesse final de época do Liverpool, fresco, original, entusiasmante. Os resultados podem ser necessários, mas para o espectador e para o desporto a forma é por vezes tão ou mais importante.

    Ninguém terá dúvidas da qualidade de Brendan, simplesmente as coisas não saíram com a melhor sorte, e foi bom para ele e para o clube terminarem esta etapa com um aperto de mão. Boa sorte, BR

    PJ

  • Daniel Alves
    Posted Outubro 6, 2015 at 4:13 pm

    Sou um fã assumido do Arsenal, fruto da grande equipa de Henry&Co que ganhou a Liga invicta, mas tenho uma enorme admiração pelo Liverpool, fruto dos seus adeptos e da aura que o clube tem. Sinceramente às vezes nem consigo distinguir de qual gosto mais. Isto só para dizer que acho que apesar da derrota com o Chelsea, o grande culpado pela perda do campeonato para o Liverpool foi o jogo com o Crystal Palace. Lembro que o Liverpool esteve a ganhar 3-0 e deixou-se empatar em qualquer coisa como 10 minutos! Se o Liverpool ganhasse esse jogo, bastava-lhe ganhar em casa na ultima jornada (como acabou por fazer) para ser campeão, mesmo com a derrota com o Chelsea.
    De resto concordo que a partir daí Rodgers foi sempre a descer. Quer em qualidade de jogo quer em acerto de contratações. Nunca acertaram tanto como em Suarez e Sturridge. E com um vendido e outro no estaleiro muito tempo era dificil fazer melhor. Que venha Klopp e que consiga fazer renascer Anfield

    Excelente artigo, já agora.

Deixa um comentário