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CAN 2012: Oportunidade de ouro para a Costa do Marfim; Zâmbia à procura do sonho

A maior competição africana de selecções é uma prova surpreendente. A ausência de alguns “tubarões” do continente antevia uma caminhada fácil até à final de Gana e Costa do Marfim, com a possibilidade de Senegal ou Marrocos se intrometerem na luta. No entanto, isso acabou por não acontecer. Os “Elefantes” cumpriram o seu papel, mas a equipa de Gyan e companhia claudicou na meia final, perante uma Zâmbia que repete o êxito de 1994. 

Começando pelas desilusões, a maior será sem dúvida o Senegal. Os “Leões de Teranga” saíram da Guiné Equatorial sem qualquer ponto conquistado, perdendo inclusive com os anfitriões. Os goleadores Demba Ba e Papiss Cissé surgiram pouco motivados (curiosamente, no regresso ao Newcastle, marcaram os 2 golos da vitória sobre o Aston Villa) e a dar a sensação de que não queriam estar a representar o seu país, bem como a maioria dos seus companheiros (o calendário da prova não é o mais adequado, diga-se). A outra grande decepção foi Marrocos, que apenas venceu o Níger. No jogo inaugural, a turma de Erik Gerets esbarrou na muralha defensiva tunisina, perdendo depois com o espectacular Gabão. Numa selecção tão talentosa, destaque ainda assim para as prestações do capitão Kharja (marcou 3 golos) e de Belhanda, um dos muitos jogadores marroquinos com enorme potencial. Pela negativa, Marouane Chamakh, que parece ter alargado a crise na finalização também ao seu país. No lote das decepções, podemos incluir igualmente duas nações que dizem muito aos portugueses. O Burkina Faso, de Paulo Duarte, apontado como um dos possíveis outsiders da competição, terminou com 3 derrotas (a do último jogo, atirou Angola para fora da CAN) e não confirmou a evolução que tinha demonstrado nos últimos tempos. Uma equipa que cometeu demasiados erros defensivos (principalmente B.Koné, que tem óptimas características, mas desconcentra-se facilmente), bem aproveitados pelos adversários. Em termos individuais, Pitroipa revelou-se inconsequente, com A.Traoré a assumir as rédeas do conjunto orientado pelo ex-técnico do Leiria. Por último, Angola. Não passou da fase de grupos. Nada fazia prever que o Sudão ganhasse ao Burkina Faso, pois não tem qualidade para isso. Mas a verdade é que os comandados de Lito Vidigal estiveram longe de realizar uma boa prova, especialmente a nível defensivo. Salvou-se Manucho, que brilha sempre na CAN, pois Djalma, Gilberto e Flávio tiveram um rendimento muito abaixo das suas capacidades. O Gana não terá sido uma desilusão, mas todos esperavam que as “Estrelas Negras” pudessem chegar à final. As indicações deixadas nos primeiros jogos não foram as melhores, bem como no encontro com a Tunísia. A Zâmbia acabou por afastá-los, numa partida onde Gyan (capaz do melhor e do pior) falhou um penalti quando ainda estava 0-0. Bela participação de Andre Ayew, que se assumiu como uma das figuras da equipa.

As principais surpresas foram sem dúvida os dois países organizadores. A Guiné Equatorial só esteve presente na prova por ser o país anfitrião, mas a verdade é que chegou aos quartos de final. Uma equipa de poucos recursos técnicos (destacam-se Balboa, Randy, Juvenal e o central Rui Gomez), conseguiu galvanizar-se com o apoio do seu público (e também com os incentivos financeiros) e bater Líbia e Senegal (caiu depois perante a Costa do Marfim). Já o Gabão, de um nível muito superior ao país vizinho, terminou a fase de grupos 100% vitorioso. A grande estrela da prova foi Pierre Aubameyang, comparado a Neymar, marcou 3 golos, fez várias assistências e deixou a sensação que pode brilhar ao mais alto nível. Acabaram por ser eliminados pelo Mali, na lotaria das grandes penalidades. Boas prestações igualmente do Sudão e da Líbia. Os sudaneses atingiram surpreendentemente os quartos de final, beneficiando dos falhanços de Angola e Burkina Faso. A Líbia, num contexto complicado, revelou uma óptima organização e jogadores de qualidade, como o veterano Osman, El Mughrabi e El Katroushi, sendo traída pela derrota ante a Guiné Equatorial.

Duas das selecções mais consistentes da prova foram Mali e Tunísia, a quem falta um pouco de “perfume” africano para chegarem mais longe. Pouco espectaculares, as duas nações passaram à fase a eliminar, sendo afastadas por Costa do Marfim e Gana, respectivamente. Ainda assim, um dos jogadores revelação da CAN é tunisino e chama-se Youssef Msakni, jovem de apenas 21 anos, muito veloz e criativo, que ao que tudo indica está a caminho do PSG. Destaque também para Dhaoudhi, que foi considerado o melhor jogador da última CHAN (campeonato africano só para jogadores a actuar no continente).

A Guiné-Conakri terá sido uma das nações que apresentou mais espectacularidade nesta competição. Muita velocidade e irreverência nos homens da frente (Camara e Traoré) e um jogador muito promissor, Diallo, a assumir-se como o homem golo (golearam o Botswana por 6-1). A derrota com o Mali no jogo inaugural acabou por impedir que seguissem em frente, ficando a ideia de que poderiam ser uma das sensações da prova. O Níger e o Botswana eram de longe as selecções mais fracas, apesar de alguns elementos com qualidade em termos individuais (Maazou e Mongala).

Falta falar, claro está, dos finalistas. A Costa do Marfim teve um passeio até à final, não sofrendo qualquer golo. O nível exibicional não foi elevado, mas a segurança em termos de resultados afastou as críticas sobre o técnico nacional, Zahoui (que fez o que outros treinadores estrangeiros não conseguiram). É de longe a selecção com mais opções e mais qualidade, tendo em Didier Drogba a grande referência (ele que pode ser o melhor marcador da prova). Acima de tudo, parece haver união nos “Elefantes”, com o objectivo comum de alcançarem a 2ª vitória na CAN. Contudo, terá pela frente uma equipa de qualidade. Orientados por Hervé Renard, os “Chipolopolo” têm uma frente de ataque extraordinária e capaz de desequilibrar a qualquer momento, composta por Mayuka (ainda está no Young Boys, mas o seu valor de mercado irá disparar), Katongo e Kalaba. Atrás, Mweene dá segurança na baliza, Lungu é um lateral muito ofensivo, Sinkala é um muro no meio campo, numa equipa que já é famosa pelos mortais dos seus jogadores quando marcam. Estão reunidas as condições para uma boa final (entre duas nações que equipam de laranja), que será uma oportunidade de ouro para a Costa do Marfim voltar aos títulos e premiar esta geração, e para a Zâmbia seria um sonho bater os “Elefantes” e triunfar pela primeira vez na sua história. 


Quem irá vencer a CAN? Prognósticos? Quem será o melhor marcador, Drogba ou Mayuka (ou outro, teremos ainda o 3º/4º lugar)? Quais as revelações da prova? Qual o balanço que faz da competição? Como se explica que Demba Ba e Papiss Cissé não tenham marcado qualquer golo contra equipas como a Guiné Equatorial, e cheguem à Premier League e no primeiro jogo façam logo o gosto ao pé? 

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