2011
No ano de 2011, na opinião do VM, o principal destaque não é individual, mas sim colectivo e pertence à estafeta masculina de 4×100 metros da selecção da Jamaica, que participou nos Mundiais de Daegu. A equipa era composta por Nesta Carter, Michael Frater, Yohan Blake e Usain Bolt, que derrubaram o máximo mundial, que já se encontrava na posse daquela nação. A Jamaica tem sido nos últimos anos o expoente máximo mundial no que diz respeito às provas de velocidade. Tudo começou com Asafa Powell, que teve como sucessor o “supersónico” Usain Bolt, e ao que tudo indica um novo talento começa a surgir, Yohan Blake. Este jovem talento, foi também o vencedor da prova dos 100 metros nos últimos mundiais, beneficiando de uma desclassificação digna de um amador de Usain Bolt, na final. As desilusões foram Kenenisa Bekele, tetracampeão dos 10000 metros, que não revalidou o seu título e também Yelena Isinbayeva que não foi além de um 6º lugar na final do salto com vara. Os países mais medalhados foram os Estados Unidos da América com 25 medalhas (12 de ouro, 8 de prata e 5 de bronze), seguidos pela Rússia e pelo Quénia. A nossa selecção teve uma participação abaixo do esperado, alcançando a 24ª posição nas pontuações atribuídas aos oito primeiros classificados de cada prova. As nossas maiores figuras, Naide Gomes e Nelson Évora, não foram além de um 10º e de um 5º lugar nas provas de salto em comprimento e do triplo salto, respectivamente. Merecem notas de destaque o 6º lugar de Marco Fortes na final do lançamento do peso, bem como Marisa Barros que terminou a prova da maratona no 9º lugar (2ª europeia) e para a presença de três atletas (Susana Feitor, Ana Cabecinha e Inês Henriques) no top ten da prova de marcha.
Nos Europeus de Pista Coberta, Francis Obikwelu, aos 32 anos, continuou a dar alegrias aos portugueses, ao vencer a prova dos 60 metros, com novo recorde nacional. Naide Gomes esteve ao seu melhor nível, conquistando a medalha de prata na prova do salto em comprimento, falhando o ouro por apenas um centímetro. Merece também nota positiva, Marco Fortes,pois estabeleceu novo recorde nacional na qualificação, terminando a final no oitavo lugar, na prova do lançamento do peso. Estivemos também perante um acontecimento lamentável, Sara Moreira, especialista na prova dos 3000 metros, foi por engano inscrita nos 1500 metros. Tal engano da Federação, levou à demissão do seu presidente, Fernando Mota.
A nível interno, o SL Benfica sagrou-se campeão nacional em masculinos, interrompendo a série vitoriosa do Sporting que venceu novamente no sector feminino. Em pista coberta, o Sporting Clube de Portugal sagrou-se campeão nacional em femininos e em masculinos, tendo o Benfica alcançado o segundo lugar em ambos os géneros.
Referência também ao segundo lugar de Marcos Chuva nos Campeonatos da Europa Sub-23 na prova do salto em comprimento e à vitória de Zersenay Tadese na meia-maratona de Lisboa.
2012
Em ano olímpico, todos os atletas apontarão o seu pico de forma para o próximo Verão. Nas provas de velocidade a luta será entre os jamaicanos e os americanos, se bem que o maior favorito será Usain Bolt, que tudo fará para apagar a má imagem deixada na prova dos 100 metros nos últimos Mundiais. Nomes a ter em conta são também Mo Farah, David Rudisha e Yelena Isinbayeva. O primeiro, nascido na Somália mas naturalizado britânico, campeão do mundo nos 5000 metros e medalha de prata nos 10000 metros nos últimos Mundiais é o principal favorito nessas mesmas provas. No meio fundo, mais propriamente nos 1500 metros, o queniano Rudisha é o alvo a abater pela concorrência. Nas provas combinadas, a Rússia e os EUA são os países com maiores possibilidades no acesso às medalhas.
As maiores esperanças portuguesas na subida aos lugares do pódio centram-se em Nélson Évora e Naide Gomes, os dois maiores valores do atletismo português na actualidade. Sara Moreira, que acusou doping em Daegu, ainda não sabe se poderá participar em Londres 2012, pois arrisca uma suspensão de um ano.
Quem foram os destaques de 2011? Desilusões? Teremos Usain Bolt a realizar marcas “do outro mundo” em Londres? Quais as hipóteses de Portugal no que toca a medalhas?
A. Carvalho


