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Quatro ou Cinco razões para nos apaixonarmos pelo: Athletic Bilbao

“Con cantera y afición, no hace falta importación”. A paixão tem uma centelha intrínseca de respeito quando se fala em clubes como o Athletic Bilbao. Não há romântico que lhe fique indiferente. A política de exclusivo abastecimento do Athletic no País Basco faz dele uma das instituições mais peculiares a nível mundial. Cada jogador que veste aquela camisola listada de branco e vermelho é um filho da região. Quando entram em campo, o sentimento que aqueles jogadores devem levar com eles, provavelmente, será o mesmo que se terá ao representar o próprio país. Formação e equipa principal mesclam-se como que numa só. Muitos dirão que o campo de recrutamento é demasiado limitado, que não é suficiente para fazer frente aos grandes, mas isso deixa de ser verdade quando o jogador do Athletic tem em seu poder um argumento que foge ao do mercenário: lealdade sem limites que, como sabem, escasseia nos meandros do futebol. Constituída a família, é fácil perceber a razão porque, sem os recursos de outrem, o Athletic, juntamente com Barcelona e Real Madrid, faz parte do lote de equipas que nunca desceu de divisão. Todo este sentido de identidade e lealdade diminuiria em importância se o sistema de formação dos bascos não fosse tão bem sucedido. A forma competente com que, ano após ano, o Athletic se exibe em La Liga (ainda esta temporada foi a equipa do Mundo que deu mais luta ao Barcelona Guardiola disse mesmo que nunca tinha visto um conjunto com tanta intensidade como o de Bielsa), é a prova de que esta é uma aposta ganha. Jogadores tão extraordinários como Pichichi, Zubizarreta, Julen Guerrero e Angel Iribar cresceram naquela casa e, à parte do contributo dado pelo Real Madrid no povoamento de muitos plantéis da liga e selecção espanhola, o Athletic Bilbao cota-se como um dos grandes fornecedores dos grandes nomes que emergem no futebol espanhol. Mesmo hoje em dia, a equipa principal contém jogadores-chave como Fernando Llorente, Javi Martínez, Mikel San Jose e Amorebieta, todos promovidos desde as equipas jovens dos bascos. Iker Muniain estabeleceu-se na equipa principal com apenas 18 anos, provando que todo o hype da imprensa do país ao lado em relação a ele é bem justificado. Mas as novidades não se esgotam em Muniain: Iker Guarrotxena e Ruiz de Galarreta, ao qual se junta o primeiro negro a jogar no Athletic, Jonas Ramalho, de todos eles se espera que tenham um impacto igual ou maior que o acima citado. Com o bafo dos grandes clubes europeus a fazer-se sentir em San Mamés, o clube optou por uma escolha inteligente em relação aos contratos dos seus jovens atletas: assinam como semi-profissionais, com gigantes cláusulas de rescisão. Isto impede que o produto ali produzido seja facilmente adquirido, algo já sucedido no passado. A este aproveitamento interno junta-se a fervorosa massa adepta do clube que, para que se tenha um noção da forma apaixonada com que partilha os ideais de uma região habituada à ostracização, numa sondagem levada a cabo em Espanha, 78% dos inquiridos preferiam ver o Athletic relegado a abandonar a máxima com que foi começado este texto.
A. Borges

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