Tal como em muitas outras ocasiões, Portugal vê-se a braços com a ciclópica missão de não defraudar as expectativas que assentam na crença popular de termos uma das selecções mais talentosas do planeta. Também como em numerosas ocasiões, os factos apontam que o combinado luso raramente falha quando a necessidade assim o exige. Dado o primeiro passo em Zenica, as sensações reproduzidas pelos nossos televisores foram as melhores: atitude positiva, vontade de vencer, acompanhadas por uma incomparável solidariedade do nosso melhor executante, Cristiano Ronado. A fórmula, na Luz, amanhã, passará muito pela repetição das virtudes evidenciadas em terras bósnias. Sempre fiel à sua identidade, Portugal deverá entender os diferentes momentos do jogo, apoiando-se na catapulta emocional que os adeptos, que se prevêem esgotar o estádio, certamente irão proporcionar. Do outro lado, uma equipa que apresenta o seu melhor futebol fora de portas (porque será?), que mostrou na Bósnia ter um plano de jogo inteligente. Expectante no primeiro tempo, agressivo no segundo. Embora a confiança reine nos domínios lusos, importa realçar uma curiosidade: desde a ronda de qualificação para o Euro 92 que Portugal não apresentava dois seleccionadores diferentes numa só caminhada. Dessa vez, ficamos a ver a Dinamarca sagrar-se campeã desconfortavelmente sentados nos nossos sofás. Que não se pense apoiarmos o mau agoiro. O dado histórico deve servir, ainda mais, para incentivar os nossos jogadores, e apelar à superação. Prognósticos (3-0, com golos de Ronaldo e Postiga)? Qual será o 11 de Paulo Bento? O nulo em Zenica favorece Portugal, ou poderá ser um resultado “perigoso”?
A. Borges


