Bósnia 0-0 Portugal
Portugal podia ter saído de Zenica com um outro resultado, depois de uns excelentes 60 minutos, contudo, os avançados nacionais falharam na finalização. A pressão bósnia fez-se sentir nos últimos minutos, também com boas oportunidades para marcar, mas estava destinado o 0-0 no “batatal” de Zenica.
A equipa das quinas entrou na partida com Miguel Veloso no eixo defensivo do meio campo e com isso ganhou mais capacidade de pressão a meio campo. A Bósnia não conseguia sair a jogar com perigo e Portugal, pelo contrário, estava bem instalado sobre o terreno de jogo. Raúl Meireles teve nos pés a melhor oportunidade de golo, mas Begovic negou com uma boa intervenção. Com Pepe em alta na defesa nacional e um meio campo lutador, a selecção nacional podia ter saído para o intervalo com um melhor resultado.
No início do 2º tempo, a Bósnia surgiu com outra atitude, mas foi Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga a falharem as melhores oportunidades para Portugal. Traídos pela relva ou pelo pé esquerdo, certo é que Portugal nunca mais dispôs de lances de perigo. Aos 67´, o seleccionador bósnio lançou Ibisevic e a equipa dos balcâs mostrou todo o seu poderio ofensivo. Dzeko (de fora da área) e Ibisevic (em ambas as ocasiões isolado) tiveram nos pés as melhores oportunidades para marcar, contudo, valeu a Portugal a falta de inspiração do avançado do Hoffenheim. A partida terminou com Portugal mais subido no terreno, mas sem qualquer ocasião de perigo.
Destaques:
Pepe – Exibição imperial. Dominou completamente na defesa, dobrou os companheiros, limpou todos os lances e acrescentou à sua prestação a liderança, garra e intensidade que muitas vezes falta a Portugal. Canta o hino, joga com camisola de manga curta em temperaturas negativas, sente a camisola e apresenta uma atitude que deve servir de exemplo a muitos jogadores que nasceram em Portugal.
Rui Patricio/J. Moutinho – O guardião praticamente não fez uma defesa; já o médio realizou uma boa 1ª parte, onde foi das unidades com melhor aproveitamento, mas no 2º tempo desapareceu e somou alguns erros. Quando foi preciso um médio que assumisse o jogo, no melhor momento da Bósnia, ele disse: ausente.
Nani – Exibição apagada, acusou o estado do relvado e mesmo quando conseguiu ter espaço não conseguiu desequilibrar ou decidir da melhor maneira.
Bruno Alves – Segurança, bem no jogo aéreo, mas com a entrada de Ibisevic a cometer alguns erros na marcação.
R. Meireles/H. Postiga – O médio, a jogar mais à frente do que habitual nesta Era Bento, à semelhança de Moutinho realizou uma boa exibição na 1ª parte, onde encheu o campo, mas no 2º tempo com a pressão da Bósnia disse ausente; Por sua vez, o avançado, fez o seu jogo habitual, muita luta, muitas quezílias, ainda dispôs da melhor oportunidade da partida, mas o encontro não lhe correu bem.
Cristiano Ronaldo – O capitão nacional fez a melhor exibição colectiva por Portugal nos últimos 5 anos e hoje ninguém lhe pode apontar nada de negativo. Não reagiu a apupos e assobios (Messi parece ter nacionalidade bósnio-cipriota), não se escondeu do jogo, fez transporte de bola, rematou, mas pecou apenas na finalização.
Miguel Veloso – Foi a surpresa (surpresa só na cabeça do seleccionador pois é claramente titular nesta selecção) de Bento no 11 e respondeu com uma boa exibição. Seguro na sua área de acção, incutiu ainda alguma qualidade na posse de bola e capacidade ao nível do passe longo (foi uma das armas para contrariar este relvado).
F. Coentrão/J. Pereira – O lateral esquerdo acusou o terreno de Zenica e não conseguiu dar profundidade ao flanco. Na defensiva teve alguns lapsos de desconcentração que poderiam ter sido melhor aproveitados pelos bósnios. O lateral direito sofreu muito com a pressão bósnia e teve um lapso de posicionamento que colocou Ibisevic em jogo.
Portugal – A selecção nacional não fez um resultado negativo, mas será perigoso abordar a 2ª mão com o pensamento que estamos apurados. No Estádio da Luz, os jogadores portugueses terão que repetir os primeiros 60 minutos da partida de Zenica, onde mostraram excelente atitude e personalidade.
Bósnia – Uma selecção com bons jogadores, mas que não é um papão europeu, estando perfeitamente ao alcance de Portugal. Dzeko apenas apareceu após a entrada de Ibisevic (no único momento onde teve espaço, fez um disparo perigoso), enquanto que a remendada defensiva tremeu muito (Begovic esteve seguro na baliza).
UEFA – Se tudo fosse normal no organismo do futebol europeu, Zenica seria riscada do mapa nos próximos desafios da Bósnia, pois desde um relvado com muitas condições agrícolas, mas poucas para jogar futebol, um público que ultrapassa os limites do razoável (desde assobiar o hino, apontar lasers, etc…) e que deveria ter uma outra atitude (ou não nos lembramos que naquela área geográfica aconteceram as piores barbaridades da humanidade em solo europeu no pós II Guerra Mundial) e uma Federação que, contra tudo o que foi acordado, resolveu regar a relva minutos antes do começo do jogo. Casos a mais!

