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Falcao, Derlei, Lisandro ou Jardel: Qual o melhor avançado do Porto nos últimos 15 anos?

A capacidade de finalização de Falcao, os golos que alcançou nas últimas duas épocas, e as suas exibições trouxeram a debate, a questão: Qual o melhor avançado de sempre do Porto? Não esquecendo Gomes, Madjer ou Kostadinov, optamos por destacar apenas (um pouco devido à tenra idade dos nossos leitores) as principais referências portistas dos últimos 15 anos. Em confronto, a principal referência no futebol português na última metade dos anos 90, o polivalente que ajudou Mourinho a levantar uma Taça UEFA (onde foi o melhor marcador) e uma Liga dos Campeões, o combativo que foi um dos pilares do tetracampeonato do Porto, e a figura do momento.  

Jardel: Não aterra de forma consensual no Porto. Introduzindo até uma
nota brejeira na coluna, o avançado brasileiro mais cedo ficou conhecido
pela beleza da sua então mulher, que pelos seus dotes de goleador. Em
Portugal, claro. Não tardou a ver-se livre dessa fama indesejada. Aposta
de António Oliveira, celebrizou-se, tal como Falcao, pelo
extraordinário jogo de cabeça e, porque não, pelo jeito e instinto
invulgar para surgir no sítio certo. Jogador algo desajeitado com a bola
dominada, fazia golos de todos os géneros e feitios. Essencialmente um
jogador de números, um verdadeiro scorer. Um predador que fazia da área
adversária o seu habitat natural, revelando toda a sua inteligência na
arte de enganar o marcador contrário. Marcava a diferença pelas
excentricidades que, aqui e ali, apareciam coladas ao seu comportamento.
Certa vez disse que o seu sonho no Porto, e após tanto golo marcado,
era fazer um golo com o rabo. Se conseguiu? Era pergunta
que nem deveriam ousar fazer.

Lisandro: Aguerrido, rápido, de remate fácil. Chegado do Racing
Avellaneda, foi um daqueles jogadores que chegou após uma noticiada
disputa com o Benfica pela sua aquisição. Não se poderá dizer que terá
demorado a mostrar serviço mas, o principal motivo da sua contratação,
apenas chegou sob a forma de golos três épocas após ter pisado solo
luso. Numa fase inicial foi, maioritariamente, usado nos flancos. Os
números eram bons, mas a opinião geral era a de que o argentino poderia
ser ainda melhor aproveitado. Jesualdo Ferreira percebeu isso e Lisandro
passou a ser a ponta de uma lança que começava nos pés de Lucho
González. Aliás, o melhor futebol de Lisandro nascia mesmo nos pés de
Lucho. Juntos formaram uma das melhores sociedades do golo da última
década do nosso campeonato, e quem beneficiou com isso foram os cofres
do Porto, que logo se rechearam com os euros que resultaram das vendas
dos dois argentinos.

Derlei: O brasileiro foi uma espécie de símbolo da revolução imposta por
Mourinho quando assume os destinos do Porto. A política centra-se na
contratação de jogadores nacionais e/ou que conheciam bem o nosso
campeonato. É dessa forma que Derlei, à época a atracção ofensiva do
Leiria, chega ao Dragão. Cedo cai no goto do adepto portista mais
céptico, apreciador da alma que o ex-Leiria coloca em cada lance. É
apelidado de jogador à Porto, com números razoáveis, mas foi um jogador,
acima de tudo o resto, que deu a cara e apareceu quando mais era
necessário. Quem não se lembra da forma como eliminou o Panathinaikos?
Como, com uma frieza incrível, marca o penalty na meia-final da Liga dos
Campeões frente ao Super Depor? Ou os golos na final da Taça UEFA?
 

Falcao:  O homem de quem todos
falam nasceu numa pequena localidade colombiana, Santa Marta, e, com os
seus 1,77m e 72kg, apresenta-se, não só como o máximo goleador de 2011,
mas como o ponta-de-lança desejado por todas as equipas de topo da
actualidade. O seu nome é Radamel Falcao Garcia Zárate e deixa qualquer
adepto de futebol com água na boca após cada decisão que toma, cada
movimentação, cada cabeceamento mortífero. Já não há palavras,
adjectivos, elogios novos para atribuir a Falcao, nem seremos nós que os
vão agora reinventar. Será o suficiente para se superiorizar aos acima
citados?

António B.

51 Comentários

  • Luis Miguel Bidarra
    Posted Maio 7, 2015 at 7:40 pm

    De facto, é um orgulho para qualquer portista e amante do bom futebol, ter tido o previlégio de festejar grandes golos e grandes momentos com estes quatro símbolos do FC Porto, que a história não deixará de perpetuar. Como a pergunta se refera a ponta de lança, matador de área, aí julgo que não há, na história do futebol europeu dos últimos 50 anos, jogador de área mais mortífero, mais eficaz que Mário Jardel. Em cada 3 situações, duas davam golo. Falcao era na altura, e foi-o até ir para Manchester, um dos melhores pontas de lança do Mundo, um jogador de grande elegância em toda a sua movimentação, sem perder a noção do jogo de equipa e o sítio onde deveria aparecer para concretizar. Tem golos e concretizações de jogadas dignas do melhor da Playstation, tal a forma como tudo acontecia na perfeição. Lisandro e Derlei são grandes jogadores de equipa, grandes avançados modernos, mas que eu não considero de facto pontas de lança, apesar de marcarem com grande regularidade e em alturas decisivas. Derlei, o Ninja, o guerreiro que nunca dava um lance como perdido, terá para sempre o seu nome gravado a letras de Ouro na história do FC Porto e das suas conquistas europeias, dado o momento sublime, ainda hoje visto e revisto com um arrepio na alma, que protagonizou em Sevilha. Lisandro tem muitas destas características, era um jogador completo e de grande inteligência, alías característica comum a estes quatro ases de trunfo, mas compará-los aos dois primeiros como pontas de lança acaba por ser injusto. Mas todos eles sentiam o golo como algo que podia acontecer em qualquer momento, estando eles em campo. Jardel de facto, só não marcou golos estando no banco. Era de cabeça, com o pé direito, com o pé esquerdo, dentro da área, fora da área, em força, em jeito, era de facto um dos raros Deuses que tinham o instinto de goleador sempre presente.

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