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Conseguirá Mourinho imitar Villas-Boas?

De todas as comparações que se poderiam fazer no começo de época, entre o
que seria o trajecto de AVB e Mourinho, esta seria porventura a menos
provável. Desde cedo rotulado de aprendiz do treinador oriundo de
Setúbal, AVB aprendeu (embora sempre o menosprezasse e diminuísse) a
conviver com o seu passado, apesar de toda a imprensa insistir nesta
pegada pedagógica deixada por Mourinho no treinador do Porto. Chamam-lhe
um clone do Special One. A conotação é demasiado Hollywoodesca e soa a
ópera espacial servida por um qualquer filme de George Lucas. Nem
Mourinho é Obi-Wan Kenobi, nem AVB é uma espécie de Anakin
Skywalker. Cada um traçou o seu caminho. Ambos de sucesso. Ambos
estelares. A discussão sobre clones poderá, isso sim, ser agora reaberta
quando o leitor fizer a si mesmo a pergunta: Poderá também Mourinho, à
imagem de AVB com o Benfica para a Taça, e depois de perder em casa (0-2) com o Barcelona
na primeira-mão, virar o resultado na Catalunha?

A isto nós acreditamos que a resposta é não. Por diversas razões. A
primeira é gritada a plenos pulmões: o jogo de posse do Barcelona é
incrível. Se o Real Madrid não têm a bola, não pode fazer golos. É uma
verdade de La Palisse e, contra essa, não há argumentos. A segunda vem
na sequência da primeira: além do jogo com bola, o sem bola do Barcelona
é assombroso. O asfixiamento que provoca no local da fase de construcção
inicial (a sua defesa) da equipa adversária faz com que, nos raros
momentos em que o Real poderá ter a bola, não a tenha em zonas do campo
perigosas para os catalães. Terceira: a falta de motivação – que não é
apanágio e cara de Mourinho, – será desta vez evidente: um conjunto com o
poderio do Real Madrid, que perde de forma tão clara em casa,
dificilmente pode ambicionar la remontada em Camp Nou. Quarta:
poderão ser um conjunto de coincidências, mas a verdade é que, quando as
coisas se assumem complicadas para os de Pep Guardiola…a UEFA
descomplica. Quase sempre com algum peso no desfecho da eliminatória.
Atenção: aqui não se discute a superioridade de um Barcelona que, pese o
seu futebol chato e de toque para o lado, é eficaz (embora de baixo
risco) e que, fundamentalmente, não deixa a outra equipa jogar. Porque
não tem a bola.

Em Barcelona, como na Luz, poderá ser feito um apelo ao poder da mente.
Não chegará. Apesar das bases emocionais do futebol, estas partidas
acabam, invariavelmente, por ser decididas pelo maior poder táctico.
Pela identidade bem vincada de um clube que fica sempre a ganhar com no
frente-a-frente com as aptidões camaleónicas do treinador português e
suas equipas nestes clássicos (Mourinho altera sempre contra o
Barcelona). AVB não o fez e deu-se bem. Jesus fê-lo e deu-se mal. Não
aceitar aquilo que se é e para o qual se trabalhou uma época inteira,
não costuma trazer bons resultados.

António B.

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