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Bola de Ouro em 2007 mas, quem se recorda disso?

A imagem que hoje Kaká transmite é pálida. A imagem de um jogador no ocaso da sua carreira futebolística. À medida que essa imagem se entranha na apreciação individual do seu treinador, dirigentes e adeptos, aumentam também os rumores de que a porta de saída para o craque brasileiro está mais escancarada que nunca. É uma sombra que não larga Kaká desde que ele aterrou em Madrid: a responsabilidade de corresponder e trazer magia ao Santiago Bernabéu. Não é isso que se tem verificado, e a sua paupérrima exibição diante do Corunha, para La Liga, ajudou a fomentar essa ideia: uma hora em campo e, quando saiu, ninguém se conseguia lembrar de uma jogada de perigo que tivesse saído dos seus pés. “Sai já!”, gritou-lhe um Mourinho enraivecido, tornando sonora uma humilhação numa jornada em que era imperativo (é sempre quando à frente tens o Barcelona) o Real Madrid vencer.

Depois de 240 dias no estaleiro, o brasileiro reapareceu no começo do ano, e as expectativas sobre o peso que poderia ter na equipa blanca, era enorme. Jogo após jogo, elas não tem sido cumpridas, e Kaká, quiçá fruto das lesões que lhe travaram a rápida progressão em Madrid, assemelha-se hoje mais a um veterano que se arrasta pelo campo, que a um jogador que ainda nem sequer completou 30 anos, deixando dúvidas no ar sobre se ainda conseguirá ser aquele vendaval de futebol ofensivo que era no Milan. Apesar de Jorge Valdano o ter anunciado como “o grande reforço da temporada”, a verdade é que, a juntar aos restantes diferendos que já os desunem, Mourinho parece não partilhar da mesma opinião, não dando muito tempo de jogo ao outrora craque milanês. Marcou dois golos e ficou sem jogar quatro encontros: a meia-final inteira frente ao Sevilha; o jogo frente ao Espanhol e o embate com o Lyon, este a contar para a Liga dos Campeões. Pouco para quem na etiqueta marca o preço de 65 € milhões de euros, cotando-se ainda como a quinta transferência mais cara da história do futebol mundial.

O velho encanto do médio-ofensivo de ar angelical esfumou-se, e com ele o glamour do seu futebol também. Os ecos chegados de Espanha dizem-nos que o Real Madrid não teria problemas em vender um jogador que há sensivelmente 18 meses tinha 50.000 pessoas a recebê-lo como um herói, aclamando a cada nova palavra proferida em castelhano, a cada sorriso magnético e toque na bola habilidoso. Corinthians, Inter e Chelsea perfilam-se como os maiores interessados nos seus serviços. É triste, mas hoje Kaká só é motivo de notícia por razões que nada de bom auguram: o nascimento do seu segundo filho, e os interessados no seu concurso. Sobre os seus méritos em campo, nada. Ainda faltam quatro meses para o que resta desta temporada, mas as oportunidades e esperanças de ver um Kaká que não seja decepcionante, diminuem. Pelo menos em Madrid.

António B.

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