O que se passou durante os 90 minutos pode ser condensado num único instante; aquele em que, recebendo um cruzamento da direita de Nani, Rooney mostrou que uma bicicleta espectacular (ver aqui) não perdeu o prazo de validade no dia em que Van Basten arrumou as chuteiras. Sir Alex está certo quando diz que, aquele golo, será a única coisa de que se falará depois do jogo de hoje. Talvez, mas a realidade mostrou-nos uma face do futebol inglês que eu não tinha recordação de ver: antes do golo do internacional inglês, o futebol dos dois conjuntos estava a ser muito calculista, pejado de cautelas, sem as doses de emoção que se lhe conhecem. Nunca se aproximando dos níveis de adrenalina do derby da passada temporada, o jogo viveu dos rasgos individuais de Nani (como cresceu o português!), das temporizações perfeitas de Scholes, cruzamentos mortíferos de Giggs e da segurança ofensiva que Smalling emprestava à defesa dos da casa. Outra das novidades do encontro prendeu-se com a parca utilização daqueles que são os homem-golo de ambos os conjuntos: Berbatov e Dzeko (recém chegado ao City of Manchester, casa do City).
Como habitualmente, o lendário treinador escocês voltou a presentear os adeptos do Manchester United com uma surpresa. Não se poderá chamar de agradável, pois ela dá pelo nome de John O’ Shea, jogador que tomou o lugar que agora é de Rafael, um lateral brasileiro cheio de energia. Logo por aqui, as dúvidas quanto a um resultado positivo poderiam começar a sobressaltar os 78.000 espectadores presentes em Old Trafford. Porém, e olhando para a estatura e corpolência da linha avançada do City, Sir Alex voltou a acertar em cheio. Os cinco homens do meio-campo – os mesmos que haviam enfrentado o Arsenal – voltaram a ser Nani, Fletcher, Anderson, Scholes e Giggs, com a missão de municiar o solitário Rooney. O Manchester City promoveu algumas alterações no seu onze, desde logo a saída de Kolo Touré para Lescott se juntar a um central de qualidade inoxidável: Kompany. Com a ausência de De Jong, Mancini optou por fazer subir Kolarov, formando um trio renovado com Barry e Touré Yaya. Eis o onze forasteiro: Joe Hart, Richards, Kompany, Lescott, Zabaleta, Barry, Toure, Kolarov, Milner, Silva e Tevez.
Após o golo de Nani – até então o melhor do United – o City respondeu fazendo entrar Shaun Wright-Phillips, e depois Dzeko, substituições que fizeram a equipa crescer. O golo do empate, acreditado a Silva (embora nem ele próprio saiba como introduziu a bola na baliza), nasceu de uma iniciativa de Wright-Phillips, que colocou a bola nos pés de Dzeko, rematando este direito às costas de David Silva, enganando Van der Sar. Acreditava-se que o City poderia estar de volta à discussão do resultado, mas o United respondeu fazendo entrar Berbatov, conferindo maior poder de fogo ao ataque dos Reds. Uma espantosa correria de Nani colocou-o a trocar os olhos, primeiro, a Zabaleta, depois, a Kompany, terminando com um remate selvagem à baliza de Joe Hart. Tudo isto antes do momento descrito em cima, em que o português cruza para oferecer a Rooney a oportunidade de juntar ao seu currículo a estatueta de golo do ano da Premier League.
“Estou absolutamente abismado. É, possívelmente, o melhor golo que vi neste estádio. Recorda-me Dennis Law e, mesmo assim, não sei se ele seria capaz de fazer aquele movimento tão espectacular”, disse Alex Ferguson.
Se 2+2 não são 5, como é que se explica que Mancini tenha optado por deixar no banco Dzeko, reforço que custou 32 milhões de euros, no jogo que podia relançar os Citizens na luta pelo título? Será o golo de Rooney o melhor da presente época? Qual o melhor plantel (o do United ou City)? E porquê?
António B.


