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Sevilla FC: o regresso às origens

No começo da temporada 2017-18, ou melhor, no final da anterior, o Sevilla Fútbol Club reestruturou a sua área desportiva, no seguimento da traumática saída de Monchi no verão de 2017 com destino a Roma, decisão que se tornaria, provavelmente, na mais prejudicial para o conjunto de Nervión neste século. O seu cargo no clube foi ocupado por Óscar Arias e, no banco, assumiu as rédeas dos andaluzes Eduardo Berizzo. Nenhum dos dois acabaria a época. Essa função na direcção desportiva seria ocupada, para 2018-19, por Joaquín Caparrós.

Joaquín Caparrós é uma lenda no sevillismo. Foi um dos primeiros treinadores a conseguir classificar a equipa para a Europa em várias ocasiões, ainda que a sua saída tenha permitido que o clube continuasse a progredir, pela mão de Juande Ramos. Caparrós regressou a casa para orientar o Sevilla nos últimos embates de 2017-18 e dar ao conjunto carácter e identidade que pareciam perdidos. Após esse pequeno período no banco, e apesar de ter tido que não pretendia o cargo, o utrerano foi nomeado Director Técnico do Sevilla e máximo responsável pela sua parte desportiva. Começa assim a campanha 2018-19, com Caparrós no escritórios e Pablo Machín no banco. A temporada começou muito cedo para a formação nervionense, logo no dia 26 de julho, devido à necessidade de disputar as pré-eliminatórias da Liga Europa. O Újpest da Hungria, o Zalgiris da Lituânia e o Sigma Olomouc da República Checa foram as vítimas sevillistas para aceder à fase de grupos da sua competição favorita, com um balanço esmagador de 17 tentos a favor e 1 contra, com protagonismo para os 6 golos de Pablo Sarabia.

Ao mesmo tempo que o Sevilla estava a lutar pela sua continuidade europeia, arrancou a La Liga de maneira frouxa, com 4 pontos somados em 12 possíveis. Nesses primeiros 4 embates, o Sevilla não conseguiu ganhar em casa e perdeu o dérbi no Benito Villamarín ante o Betis, rival da cidade. A partir daí, o Sevilla cresceu. Foi ouvir o hino da competição que já venceu por 5 vezes e começar a arrasar, com 4 vitórias em 9 dias (3 na La Liga – uma frente ao Real Madrid – e outra contra o Standard Liège, na Liga Europa). Este momento prolongou-se até finais de novembro, atingindo o Sevilla a liderança da La Liga à jornada 13, com apenas uma derrota em dois meses e frente ao Barcelona. 

Fora da La Liga, a equipa não era tão convincente, tendo tido dificuldades para superar o modesto Villanovense da 2.ªB na Taça do Rei e para passar o grupo J da Liga Europa. O Sevilla teve momentos nos quais parecia o principal rival do Barça pelo título mas não convencia os adeptos. Sevilla, como cidade, é dual e apaixonada. Para tudo. Também é assim dentro de cada clube e Pablo Machín nunca chegou a encaixar por completo. Sevilla e Betis necessitam que os seus representantes no campo se identifiquem com os adeptos que vai, religiosamente, ao estádio. E o ex-Girona não conseguiu fazê-lo. Os seus resultados fora de casa não o ajudaram e a eliminação na Taça do Rei foi uma ferida dura de sarar: o Sevilla chegou a Camp Nou com um 2-0 favorável e não foi capaz de mantê-lo, perdendo por 6-1 numa 2.ª mão desastrosa. Ainda assim, o emblema hispalense mantinha-se vivo na Europa e era 4.º classificado na La Liga, com 4 pontos de vantagem para o 5.º e 7 para o Valencia, na teoria o seu maior rival. Após esse fracaso na Taça, a posição de Machín ficou muito debilitada.

José Castro (presidente do Sevilla), Machín e Caparrós.

Além das divergência com os adeptos, o sevillismo criticou Machín devido a um estilo de jogo carente de eficácia em certos momentos e com pouca flexibilidade táctica. Não variou o sistema nem quando a dinâmica era francamente má e isso foi acentuando a crise. Também a falta de qualidade em algumas posições foi prejudicial, sobretudo no que se refere à linha defensiva, tendo também o Sevilla pago a pouca profundidade do seu elenco, algo mais da culpa da direcção. Após o embate com o Barça, o Sevilla entrou em colapso. somente 1 triunfo em 6 rondas nas quais os andaluzes enfrentaram rivais inferiores como Eibar, Celta ou Huesca. Isso levou a que os adeptos perdessem a paciência e pedissem a destituição do treinador, que se agarrava à Liga Europa.  O Sevilla conseguiu passar com autoridade no exigente embate ante a Lazio e, nos oitavos, enfrentar-se-ia contra o outsider do torneio, o Slavia Praga. Um pobre 2-2 deixou tudo em aberto para a 2.ª mão na República Checa, a qual acabou com uma incrível reviravolta checa na parte final do prolongamento. Um desastre na Europa League do Sevilla. Na sua competição. Imperdoável. Resultado: o treinador foi despedido imediatamente. A imprensa espanhola, sobretudo a da capital, vê os dois principais clubes sevillanos como emblemas pequenos que devem ser conformistas e não entenderam a destituição. Os adeptos, por seu lado, viam-na como inevitável: o Sevilla não conseguia ganhar fora de casa, havia sido eliminado da Taça devido a uma abordagem cobarde em Barcelona e protagonizou um descalabro europeu. Na ronda 27 da La Liga, o Sevilla era 6.º, tendo perdido grande parte da vantagem que  o separava do Valencia e estando a 5 pontos das posições de Champions.

Joaquín Caparros assumiu as rédeas da equipa no dia seguinte da eliminação em Praga, iniciando assim o seu 3.º período no banco do clube. Dos dias mais tarde, os adeptos do Sevilla voltavam a sorrir após o regresso da sua máxima figura neste século e, provavelmente, da sua história: Monchi voltou a casa e o Sevilla voltou aos seu começo rumo à glória. Em pleno 2019, o Sevilla atrasou o calendário até ao verão de 2000, cuando a equipa acabara de descer e dois jovens adeptos assumiam as rendas do clube: Monchi como director desportivo e Caparrós como técnico. Desta maneira, a direcção andaluza buscava o consenso entre os adeptos apoiando-se em dois mitos do clube, voltando a construir uma formação competitiva com “Casta y Coraje” e dotando o plantel da alma que Caparrós transmitiria aos jugadores para intentar assaltar as vagas de Champions.

Não obstante, o período do técnico de Utrera não foi muito positivo. 6 vitórias em 11 encontros, com derrotas dolorosas como o 0-3 aplicado pelo Leganés ou o 3-0 em Getafe. No final de contas, Caparrós não conseguiu chegar à Champions, deixando a equipa na 6.ª posição na qual Machín a havia deixado em março. No fim de contas, a temporada do Sevilla desiludiu, devido à rápida eliminação da Taça do Rei e da Liga Europa e, sobretudo, pela sensação de equipa sem alma que foi transmitida em vários momentos. O regresso, pela 2.º vez em 2 anos, de Caparrós ao banco do Pizjuán evidencia o constante vaivém no banco desde a saída de Monchi (5 técnicos em 2 épocas), o qual criou forte instabilidade no seio do sevillismo. Individualmente, André Silva acabou por ser uma das desilusões da campanha. Depois de começar muito bem, o avançado só fez 4 golos desde setembro e terminou a época num bate-boca com Caparrós. Caberá agora a Monchi – ideólogo do glorioso Sevilla – reestructurar o plantel e nomear um treinador que dê garantias.

No plano positivo, há-que destacar a temporada de Pablo Sarabia, com 23 golos e 16 assistências, e a de Ben Yedder, com 30 tentos e 11 assistências. Também Jesús Navas, aos 33 anos, foi o líder da equipa e regressou à selecção, sendo que a chegada de Bryan Gil, talento nascido em 2001 que fez 13 partidas, 1 golo e 1 assistência é um sinal de esperança para o futuro. E, pela 7.ª temporada seguida, o Sevilla jogará competições europeias.

O Sevilla iniciará um novo projecto ambicioso, que quererá lutar por títulos, apoiando-se nas peças-chaves do passado.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Joaquín Piñero, jornalista espanhol

VM
Author: VM

3 Comentários

  • Tiago Silva
    Posted Maio 26, 2019 at 2:17 pm

    Com o regresso do Monchi, volto a acreditar num Sevilha europeu, um Sevilha com um projeto e é bom ver a La Liga mais equilibrada e com mais qualidade.

    Este seria o plantel que o Monchi deveria fazer:

    GR: Vaclik, Rico e Soriano

    DF: Jesus Navas, Aleix Vidal, Mercado, Kjaer, Carriço, Gnagnon, Wober, Escudero e Guilherme Arana

    MD: Roque Mesa, Schneiderlein, Amadou, Banega, Franco Vasquez, Marko Rog e Dani Olmo

    AT: Sarabia, Tsygankov, Promes, Jonathan Viera, Dabbur, Ben Yedder e Munir.

    • JohnnyBlue
      Posted Maio 26, 2019 at 2:22 pm

      Excelente plantel, extremamente equilibrado e dava para fazer dois 11’s muito competitivos. Muita creatividade do meio campo para a frente, e Sarabia é um jogador fenomenal

      • Tiago Silva
        Posted Maio 26, 2019 at 6:03 pm

        Concordo, o Sarabia é um dos jogadores mais underrated do futebol, tem criatividade para dar e para vender. Fiz um plantel possível e com o Monchi no leme penso que é possível construir este plantel.

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