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O peso dos “imigrantes” na Europa!

O Inter de Milão venceu a liga dos Campeões e o torneio doméstico com maioria sul-americana no seu onze titular. O Barcelona tem Messi, Bota de Ouro da última temporada. O melhor jogador do Mundial, Forlán, é do Atlético de Madrid. E há muito mais: Suárez, goleador da Europa, faz estragos na Holanda, ao passo que Barrios e Pizarro não se cansam de marcar na Alemanha. Na África do Sul, quatro das oito selecções que chegaram aos quartos de final são do continente descoberto por Cristóvão Colombo. O futebolista sul-americano rende mais que o europeu? Sem pretender hierarquizar um futebolista em função da sua nacionalidade, é notório que o futebol europeu contemporâneo não seria o mesmo sem os sul-americanos. Bastava não haver Messi para tudo ser diferente. Suponhamos que Michel Platini, presidente da UEFA, aprova uma lei que proíbe a chegada de argentinos, brasileiros e uruguaios às ligas do velho continente. Que seria do Inter? Quem teria sido o rei da Europa na passada temporada? Onde jogaria o melhor futebolista do Mundial da África do Sul? Sem dúvida que o panorama actual mudaria muito se prescindissemos do samba, do tango e da garra charrúa. Porque além do toque especial que sempre deram os do outro lado do Oceano Atlântico, a actualidade demonstra, através de números, troféus e galardões que a presença do jogador sul-americano na Europa é vital.

Os últimos goleadores da liga espanhola foram sul-americanos. Forlan na época 2008/2009 com 32 golos e Messi em 2009/2010, com dois golos mais que o uruguaio. O primeiro, também pichichi com o Villarreal, foi eleito Bola de Ouro no útimo Mundial, depois de ter sido destacado com o prémio de melhor jogador da final da Europa League. Atlético, Barcelona…e o Real Madrid? O vice-campeão, além de ter pago 25 milhões pelo argentino Dí Maria, conta com Higuaín, o melhor ponta merengue. Nenhum dos 3 artilheiros referidos tem comparação com Telmo Zarra (goleador mítico de Espanha), Isidro Lánagara (que continua a ser de longe o ponta com melhor média de golos de toda a história de La Liga), nem com Raúl, até os sul-americanos Hugo Sanchéz, Baltazar, Di Stéfano, Kempes e Ronaldo “fenómeno”. Mas tudo isso é história. Como nem só de avançados vive o futebol, há também que destacar a presença de guarda-redes, defesas e centro-campistas da América do Sul. Um exemplo claro desta influência sul-americana no actual retrato do futebol europeu que aqui se faz está na final d Supercopa Europeia que pôs frente-a-frente Atlético e Inter. O guardião Julio César, vencedor de 6 scudettos com os neroazzurros, foi distinguido pela Uefa o ano passado com o prémio de melhor guarda-redes do continente, enquanto Maicon, companheiro do anterior, recebeu o galardão que honra o melhor defesa do ano. Nesta categoria não nos podemos esquecer de Zanetti, um histórico que desde 1995 não se move do Giuseppe Meazza. Entretanto, o argentino Milito foi homenageado pela entidade presidida por Platini como o melhor de todos (também venceu na categoria de melhor avançado). À excepção do holandês Sneijder, que se destacou no meio-campo, todos os premiados saíram da América do Sul. São os dados factuais a falar: desde 1998 a 2005, só Ronaldo e Redondo haviam sidos eleitos como os melhores. A partir de 2006, todos os laureados, exceptuando Cristiano Ronaldo, foram sul-americanos.

Fora de Espanha, se bem que não muito afastado, a história não muda de figura. Na Eredivisie há um ídolo uruguaio que se chama Luís Suárez. Na passada época anotou 34 golos em 35 jogos e converteu-se novamente no goleador do campeonato local. Se a metodologia usada para entregar a Bota de Ouro ascendesse a liga holandesa ao mesmo escalão que a Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha e França, o internacional uruguaio teria muitos mais troféus na sua vitrine pessoal. Apesar de tudo, pelo menos festejou na sua casa de Amesterdão. Os que não celebraram, mas estiveram perto de, foram o paraguaio Lucas Barrios e o peruano Pizarro, ambos avançados a actuar na Bundesliga. O primeiro, do Borússia de Dortmund, colocou-se em segundo na lista de melhores marcadores com 19 golos, enquanto que o incaico, do Bremen, anotou 16 e ficou em 4º na lista. Que se passa em Inglaterra? Na velha Albion, os sul-americanos ainda não se instalaram com total comodidade, sendo no entanto notório que há alguns que se tem saído bastante bem. Um exemplo é o de Carlos Tévez, quarto goleador da última Premier com 23 golos, seis a menos que o marfinense Drogba. Basta de estatísticas. Há excelentes jogadores na Europa e na América Latina, se bem que o observado é que os “emigrantes” tem demonstrado uma força extraordinária nos últimos tempos. Notou-se então, no último período de transferências, que houve um cuidado extra por parte de muitos clubes para não venderem as suas jóias sul-americanas. O Inter não pôde contar com os serviços de Forlán, os brasileiros pouco ou nada se movimentaram (Adriano, Robinho e pouco mais) e os mencionados Tévez, Milito, Higuaín, Maicon e icclusive Luís Fabiano, não se mexeram do seu clube actual. O único que logrou contratar um peso-pesado foi Sandro Rosell, presidente do Barcelona, que dependeu 19 milhões para obter Javier Mascherano, ex-Liverpool. Se Platini proíbisse a entrada destes “emigrantes”, o encanto pelas grandes ligas terminaria?

A.Borges

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