Islândia 1-3 Portugal (Helguson 17′; C.Ronaldo 3´, Meireles 27′, H.Postiga 72´)

Repetindo a fórmula do jogo com a Dinamarca, o jogo cedo tomou o caminho que mais interessava à selecção portuguesa. Ronaldo abriu o marcador à bomba, ao qual se juntam o indefensável disparo de Meireles e a emenda para o fundo das redes islandesas por parte de H.Postiga.
Pelo meio, tempo para alguma aflição no último terço de terreno do meio-campo português. Apesar do golo madrugador de Ronaldo, a selecção da casa, fazendo uso do seu poderio fisíco e empurrados psicologicamente pela motivação de jogar contra Portugal, causaram alguns calafrios à defensiva portuguesa, sabendo explorar devidamente as lacunas desta, apoiando-se para isso no forte jogo aéreo de Helguson e nas debilidades dos centrais Pepe e R. Carvalho. Assumindo desde inicío a exploração do espaço aéreo português, os escandinavos chegam ao golo à passagem do minuto 17´, num lance em que Eduardo poderia ter feito mais. Portugal pareceu sentir este golo, mas o médio do Liverpool, Raúl Meireles, deu novo impulso ao jogo e às aspirações portuguesas com um remate colocado de fora de área, voltando a colocar Portugal na frente do marcador, recuperando a boa circulação de bola que até então vinha fazendo, fruto do bom trabalho do tridente do meio-campo Meireles, Moutinho e C. Martins.
Depois do intervalo o jogo caiu numa toada morna, onde Portugal teve a oportunidade de dilatar a vantagem, através de um excelente volley de Meireles, que só a trave da baliza de Gunnleifsson conseguiu travar. A entrada de Postiga no terreno de jogo mudou a face deste. Após grande trabalho de Ronaldo, Postiga falhou o golo de forma incrível, redimindo-se um minuto mais tarde, aproveitando uma falha inacreditável do débil guarda-redes islandês. Portugal ganhou legitimidade de voltar a sonhar. Além disso, ganhou um jogador, um capitão, que em 2 jogos da era Paulo Bento fez tantos golos como em 18 com o anterior seleccionador.
Destaques:
C. Ronaldo – Exibição acima da média do capitão português, retirando disso frutos o colectivo. Abriu a contenda ao seu estilo, com um livre marcado a 30 metros da baliza. Envolveu-se e conduziu muito jogo atacante da selecção, e não raras vezes foi visto em tarefas defensivas. Ofereceu o golo por duas vezes a Postiga, mas só à segunda o avançado leonino concretizou.
R. Meireles – À luz do que até aqui vinha fazendo, mais uma exibição plena de classe do médio do Liverpool. Exemplar no apoio à defesa portuguesa, teve ainda tempo de brindar os espectadores em Reiquejavique com um tiro de fora de área que só parou no fundo das redes islandesas.
Carlos Martins – O jogo de hoje aproximou-se daquilo que tem feito esta época no seu clube. Solidário com os companheiros de sector, entendeu-se bem com Fábio Coentrão, mas também com João Pereira, que neste jogo subiu pelo flanco com mais qualidade. Traz raça e abnegação ao miolo português.
R.Carvalho e Pepe – Estranhamente desconfortáveis com o jogo islandês. Se é verdade que no golo escandinavo Eduardo têm algumas culpas, também é verdade que Carvalho deixa saltar Helguson quase sem oposição. Algumas dificuldades na antecipação aos atacantes da Islândia, sobretudo ao marcador do golo. A defesa volta a consentir um golo de bola parada.
Portugal – Paulo Bento nega-o, mas a verdade é que a sua entrada para o cargo de seleccionador devolveu à equipa alguma da alegria que até aqui se julgava perdida. Volta a ver-se boa circulação de bola por parte dos médios portugueses, não estando o jogo luso apenas dependente da inspiração e rasgos dos nossos extremos. Conferiu tranquilidade.
Islândia – Equipa de fracos recursos, apoiada no jogo em decandência do seu jogador mais mediático, Gudjohnsen. Poderosa fisicamente, mas com muitas dificuldades em criar jogo em futebol corrido, arriscando apenas nas bolas paradas. Pode complicar a vida a algumas selecções que pratiquem o mesmo estilo de jogo, mas dificilmente terão uma palavra a dizer neste grupo.
Grupo H: A Dinamarca fez o que Portugal não conseguiu e derrotou o Chipre em casa, com golos de Rasmussen e Lorentzen.