A décima primeira semana de NFL vai certamente ficar marcada pelo que aconteceu na noite de quinta feira, no jogo que colocou frente a frente os Cleveland Browns e os Pittsburgh Steelers. Com meros segundos para se jogar, e com a equipa dos Browns a vencer por 21-7, o defensive end Myles Garret envolve-se numa luta com o quarterback dos Steelers, Mason Rudolph, acabando por o agredir com um capacete. Toda a situação culminou numa rixa que viria a valer várias expulsões do jogo, e não só. Cada vez mais a NFL tenta melhorar a sua imagem, algo que, dada a violência do desporto, nem sempre é fácil. Por isso mesmo, já se esperava que a liga usasse esta situação para dar o exemplo e mostrar que situações destas são intoleráveis. Myles Garret foi suspenso pelo menos até ao final da época, não sendo certo que fique por aí. Do lado dos Steelers, Maurkice Pouncey apanhou 3 jogos, Larry Ogunjobi 1 e Mason Rudolph, pelo menos por enquanto, escapou sem qualquer castigo. As duas equipas vão ainda pagar uma multa de 250 mil euros.
Este caso parece ser o culminar da época desastrosa que a equipa de Cleveland tem feito até agora, mas leva também a ver certas coisas de outra perspetiva. A certo ponto, e com todas as críticas que se possam fazer, começa a ser difícil não sentir compreensão por Baker Mayfield. Caiu numa organização historicamente disfuncional, que tem à cabeça um dono que se tem mostrado insuficiente e incapaz, o GM construiu uma equipa talentosa, mas com muitas personalidades fortes e nem sempre disciplinadas, algo que em nada ajudou um treinador inexperiente como Freddie Kitchens. No meio deste caos, foi Baker Mayfield o adulto, algo que nem sempre se vê nele. Em declarações após o jogo, condenou o colega dizendo que nada justificava o que tinha acontecido. Não tentou culpar ninguém nem criou ainda mais problemas do que os que já existem. E é óbvio que Baker Mayfield é melhor do que aquilo que está a mostrar esta época, mas continua a não ser suficiente para superar todas as circunstâncias que o rodeiam, e a cada jogo que passa parece cada vez mais que essas mesmas circunstâncias nunca vão deixar Mayfield atingir todo o seu potencial.
Cleveland ganhou, mas graças a Myles Garret ninguém está interessado nisso. No entanto, continuam atrás dos Steelers na divisão, perderam um dos jogadores mais importantes para o resto da época, continuam uma das equipas mais indisciplinadas da história e mais uma época que os vai obrigar a recomeçar uma nova etapa.
Após a derrota na semana passada frente aos Vikings, ficou claro que neste momento o jogo ofensivo dos Cowboys tem de passar por Dak Prescott, que está a fazer uma grande época e continua a melhorar. Pois esta semana, em casa dos Detroit Lions, o quarterback da equipa de Dallas lançou a bola para umas incriveis 444 jardas, com 3 passing touchdowns, e liderou a equipa a uma difícil vitória por 27-35.
Se por um lado Dak está cada vez melhor, Ezekiel Elliot continua a ser uma sombra de si mesmo, somando apenas 45 rushing yards em 16 tentativas. Esta quebra de forma do running back dos Cowboys, juntamente com a equipa técnica, que é previsível e em certos momentos importantes toma más decisões, parecem ser as razões pelas quais o recorde da equipa (6-4) está aquém do que poderia ser, e não Dak Prescott, como muitos pensavam antes da época. Mais uma vez, sem running game e com a defesa a ter dificuldades em parar o ataque adversário, o jogo ficou nas mãos de Dak, e ao contrário do que aconteceu na semana passada, os treinadores souberam confiar no seu quarterback, que assim conseguiu ganhar o jogo, algo que lhe foi negado no último jogo. No próximo domingo, Dak terá mais uma oportunidade de mostrar o seu valor, quando os Cowboys visitarem os campeões em título New England Patriots. Caso Prescott consiga continuar nesta senda de bons jogos, talvez ajude o treinador a atingir algo que até agora não alcançou, ou seja, definir uma identidade para equipa. Neste momento, essa identidade parece estar nas mãos de Dak Prescott, e o grande jogo em Foxborough na próxima jornada será um grande teste para perceber qual o verdadeiro potencial desta equipa dos Cowboys para o resto da época.
Por falar nos Patriots, a equipa de Tom Brady voltou a jogar após a semana de folga, tendo os atuais campeões vencido na visita aos Philadelphia Eagles por 10-17. Apesar da vitória, num jogo sempre complicado frente a uma boa equipa, são obvias as lacunas dos New England, e começam a revelar-se problemas persistentes. A linha ofensiva, que tem a função de proteger Tom Brady, não tem estado a altura do desafio, com algumas lesões em peças importantes a condicionarem bastante o ataque dos Pats. Para além disso, também no que toca a receivers a equipa parece estar limitada. A aquisição de Mohamed Sanu não se tem mostrado tão impactante como esperado, e a estreia do rookie escolhida na primeira ronda, N´Keal Harry, também não esteve a altura das expetativas. Sobra Edelman, que graças à falta de dinâmica oferecida pelos restante receivers dá por si constantemente marcado por 2 ou mesmo 3 adversários. No fim do jogo, na conferência de imprensa, o próprio Tom Brady parecia desanimado, admitindo que o ataque tem muito que melhorar. No entanto, a defesa continua a mostrar muito boa e, nalguns momentos, a melhor unidade em toda a liga. Bill Belichick continua a ser o melhor treinador, o left tackle Isaiah Wynn volta no próximo jogo e Tom Brady é Tom Brady. Para além disso, parece que todos os anos por esta altura, um dos assuntos do momento são as fragilidades dos Patriots, e a questão sobre se será finalmente o fim da dinastia. No entanto, ano após ano, chegados os playoffs, os Pats parecem ser sempre capazes de encontrar forma de vencer os jogos, e está bem estabelecido no mundo do futebol americano que nunca se aposta contra Tom Brady. Para a próxima semana, o jogo em casa frente aos Cowboys será dos mais interessantes da época, em especial tendo em conta o momento de ambas as equipa. Vai mostrar o quão boa a defesa de Bellichick é, o que Tom Brady consegue fazer em grandes jogos com esta linha ofensiva e receivers, e uma vitória colocará os Patriots em grande posição para garantirem a vantagem de jogar em casa nos playoffs, algo que, com New England, pode ser a diferença em qualquer jogo.
Em grande forma continuam os Baltimore Ravens e, em especial, Lamar Jackson. A equipa de John Harbaugh recebeu e voltou a “golear”, alcançado uma vitória por 41-7, frente aos Houston Texans. Naquele que se esperava um confronto renhido entre dois jovens quarterbacks, Lamar Jackson e Deshaun Watson, foi o jogador dos Ravens quem dominou o jogo, voltando a dar passos firmes na luta pelo título de Mvp. Baltimore parece, neste momento, a maior ameaça para os Patriots no caminho para o Super Bowl. Os New Orleans Saints continuam também a somar vitórias, batendo desta vez os Tampa Bay Buccaneers por 17-34. A equipa voltou a mostrar-se sólida no ataque, tanto em jogadas de lançamento (219 passing yards) como a correr com bola (109 rushing yards). A única preocupação para os Saints parece ser a defesa, que se mostram incapazes de controlar o jogo e manter o Quarterback adversário fora do campo. De regresso às vitórias estão os San Francisco 49ers, que venceram em casa os Arizona Cardinals por 36-26. Os Cardinals têm demonstrado ser uma das surpresas desta época, com o jovem Kyler Murray a provar-se a cada jogo como uma futura estrela nesta liga. No entanto, foi Jimmy Garoppolo que, apesar de duas interceções que quase lhe custaram o jogo, voltou a ser decisivo, liderando os 49ers à vitória nos momentos finais. A jornada acabou na segunda feira, com os Kansas City Chiefs e os LA Chargers a defrontarem-se na Cidade do México. Foi o regresso dos Chiefs às vitórias, apesar do jogo menos conseguido por Patrick Mahomes. No entanto, voltou a ser um jogo pouco conseguido pela equipa de Andy Reid, que continua a não estar à altura das expetativas criadas na época passada.
Resultados da semana 11:
Cleveland Browns 21-7 Pittsburgh Steelers
Baltimore Ravens 41-7 Houston Texans
Carolina Panthers 3-29 Atlanta Falcons
Detroit Lions 27-35 Dallas Cowboys
Indianapolis Colts 33-13 Jacksonville Jaguars
Miami Dolphins 20-37 Buffalo Bills
Minnesota Vikings 27-23 Denver Broncos
Tampa Bay Buccaneers 17-34 New Orleans Saints
Washington Redskins 17-34 New York Jets
San Francisco 49ers 36-26 Arizona Cardinals
Oakland Raiders 17-10 Cincinnati Bengals
Philadelphia Eagles 10-17 New England Patriots
LA Rams 17-7 Chicago Bears
LA Chargers 17-24 Kansas City Chiefs
Pedro Afonso Farinha
That’s assault, Myles Garrett should not play another game this season. pic.twitter.com/rH4ko6lAdV
— Maximiliano Bretos (@MaxBretosSports) November 15, 2019


1 Comentário
RLuz
Mesmo quando ganham, perdem na mesma, pelo menos foi o que aconteceu aos Browns na Thursday Night.
Neste caso pagaram uma fatura altíssima, que foi a suspensão do seu melhor jogador até final da época e talvez não fique por aí.
Mason Rudolph, não e nenhum “santo”, mas o que Miles Garrett fez foi como o Baker Mayfield disse “inexcusable”.
Continuo na minha, se o capacete acertasse em cheio na cabeça do Rudolph, por esta altura o QB dos Steelers estava numa cama de hospital, a comer sopa através de uma palhinha!
E ainda deu para ver alguns empurrões de parte a parte e dotes de “ground and pound” do Markice Pouncey, no meio disto tudo valeu o DeCastro, senão o resultado teria sido bem pior do que foi.