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Um Colo Colo irreconhecível

O Colo Colo, um dos maiores clubes chilenos e um dos mais titulados do país, quase desceu ao inferno na época desportiva de 2020. A descida foi um cenário que pairou na cabeça dos seus responsáveis e que só foi evitada na última jornada do campeonato. Um triunfo frente à Universidad de Concepción fez com que o Colo Colo continue a ser a única equipa chilena que nunca desceu de divisão.

Fundado em 1925, conta com 49 títulos no palmarés, destaque para a Libertadores conquistada em 1991 e a Recopa Sudamericana em 1992 sob o comando de Mirko Jozic, um treinador croata que em 1998/1999 orientou o Sporting. A nível interno, a última conquista do Colo Colo reporta ao ano de 2019, altura em que venceram a Taça do Chile. O ano de 2020 trouxe um rendimento desportivo abaixo do esperado para “El Cacique”, nome pelo qual é conhecido o clube. Mario Salas transitou da época anterior (2019), mas só durou cinco jogos. Seguiu-se um homem da casa, Gualberto Jara, que orientou as equipas de sub-18, 19 e 20 nos últimos anos, mas depois de apenas obter três vitórias em 12 jogos, também saiu. Depois de duas apostas fracassadas, o Colo Colo apostou num nome de maior destaque no continente sul-americano: Gustavo Quinteros. É boliviano e conta no currículo com a conquista de uma Liga e uma Supertaça Chilena ao serviço da Universidade Católica em 2019, ao qual junta três campeonatos equatorianos. A tarefa era árdua e Quinteros conseguiu apenas 8 vitórias em 24 jogos. Na reta final de temporada, nos últimos 10 jogos perdeu apenas um, algo que foi fundamental para conseguir manter o clube na divisão de elite do futebol chileno. Devido a esta prestação, vai manter a confiança da direção para iniciar a próxima época.

O Colo Colo passou grandes dificuldades ao longo da temporada, esteve sempre nos lugares de aflição, inclusive ocupou o lugar de lanterna vermelha do campeonato durante algumas jornadas. Mas o milagre aconteceu e salvou-se em cima da linha de meta. No jogo decisivo para selar a manutenção, o Colo Colo enfrentou a Universidad de Concepción, ganhou por 1-0 graças ao golo de Pablo Solari, um jovem argentino de 19 anos, que chegou a meio da temporada do Talleres da Argentina e estreou-se a marcar no momento mais decisivo da temporada. Na Libertadores, a história não foi diferente e o clube não passou da fase de grupos, onde acabou em último lugar. O plantel deste ano englobava diversos jogadores históricos para o clube, como  Esteban Paredes (39 anos), Jorge Valdivia (36), 79 vezes internacional pela seleção chilena, e Carlos Carmona (33), médio chileno que jogou nove temporadas em Itália (Reggina e Atalanta). Outro histórico era Matías Fernández (34), internacional chileno, que esteve três temporadas ao serviço do Sporting. O curioso é que nenhum destes quatro irá permanecer às ordens do técnico boliviano.

O clube já está a planear a nova época e quer injetar sangue novo no plantel às ordens de Gustavo Quinteros.  O objetivo é fazer esquecer a temporada vivida este ano e conseguir futuras conquistas que deixem satisfeitos os adeptos do “El Cacique”. Honrar o historial do clube e voltar a tornar o Monumental David Arellano – casa do Colo Colo – numa fortaleza intransponível está entre os desejos dos dirigentes e da equipa técnica.

Visão do Leitor: Rui Maia

VM-Desporto
Author: VM-Desporto

7 Comentários

  • Natan Fox
    Posted Março 6, 2021 at 1:17 pm

    Ontem eu estava vivendo um momento nostálgico e pensando o quanto o Colo Colo poderia ter dominado as Américas, caso não houvesse a necessidade de vender seus craques tão rapidamente. No entre 2003 e 2006, o clube contou com um elenco que tinha Vidal, Sanchez, Valdivia, M. Fernandez e Suazo, ou seja, a base da seleção chilena que voltou a Copa do mundo e foi bicampeã da Copa América. Além disso contratou nomes como Macnelly Torres. É um clube revelador e que conseguia minimamente se intrometer financeiramente com os gigantes do Brasil e Argentina. Depois dessa fase o clube só caiu, junto com toda a luta chilena.

  • Kacal
    Posted Março 6, 2021 at 1:39 pm

    Ainda me lembro do Colo Colo ter um jovem muito cotado no FM e visto como um potencial “novo Cristiano Ronaldo” ou “Cristiano Ronaldo Chileno”, era falado do jogo na altura. O Nicolas Millan!

    • Ricardo Lopes
      Posted Março 6, 2021 at 5:42 pm

      Que máquina de FM te lembraste! Era contratação obrigatória…

      • Kacal
        Posted Março 6, 2021 at 7:42 pm

        São nomes míticos desse jogo mítico da nossa adolescência (ou infância no caso de alguns, talvez) eheh, mas sem duvida Ricardo era contratação obrigatória e estando no Colo Colo sendo tão novo era “pechincha”!

  • Antonio Clismo
    Posted Março 6, 2021 at 6:02 pm

    Esta década parece perdida para o futebol sul-americano que se encontra numa gravíssima crise. O Covid só veio piorar ainda mais. Mas é nas alturas de crise que acontecem as maiores disrupções e vamos ver se não começam a lançar as bases para uma década de 2030-2040 de sucessos constantes.

    • Af2711
      Posted Março 7, 2021 at 12:17 am

      A América do Sul sempre se reinventará no que tange ao talento. Nem sempre os projectos de craques singram, mas por vezes proporcionam transferências como a de Vinicius Junior que nem havia estreado na equipa principal do Flamengo.

      Numa visão mais interna, concordo que para além do que disseste, os clubes sul-americanos são mal geridos, não têm assim tanta abertura num mercado global. Para que o Campeonato Brasileiro começasse a ser mais difundido na Europa, precisou Jorge Jesus estar lá menos de 6 meses, limpar tudo a nível continental e jogar com o Liverpool para que houvessem mais olhares. A própria Libertadores como produto fica para trás até da AFC Champions League pela forma como os asiáticos comercializam a competição (não é assim nada de outro mundo mas por exemplo aqui no Brasil fala-se com alguma frequência desta competição, e alguns se interessam em acompanhar, o inverso não acontece tanto).

  • Brunomoreira19
    Posted Março 6, 2021 at 7:32 pm

    Se o João Pereira voltou ao Sporting para ver o Matheus a jogar na sua posição, que volte o Matias também! Meu jogador preferido a vestir a camisola do Sporting, tinha aquela magia própria!

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