João Oliveira é um nome ainda pouco entoado no futebol português, mas cada vez mais reconhecido pela sua qualidade, especialmente para quem segue atentamente a evolução do futebol jovem. Grande destaque dos sub-23 do Estoril Praia na reta final da temporada passada, Jota alcançou a “dobradinha” no escalão, vencendo a Liga e a Taça Revelação. O jovem guardião tem atraído holofotes também na presente edição com exibições de realce e de rendimento bastante regular, sendo atualmente uma peça basilar na equipa sub-23 dos canarinhos. No entanto, é também o .3º guarda-redes na hierarquia da equipa principal, o que o impede de ser assíduo no 11 titular dos atuais campeões do escalão.
Com raízes em São João da Pesqueira, de vista privilegiada para o Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial da Humanidade, João Pedro Espírito Santo Oliveira iniciou a formação no Benfica, tendo passado ainda 6 anos no Belenenses. No verão de 2020, transferiu-se para Estoril (último ano de júnior). É internacional pelas seleções jovens (2x nos sub-18), consagrando-se como melhor guarda-redes no prestigiante e reconhecido Torneio de Limoges (França), em 2019.
Jota, como frequentemente é tratado, destaca-se pela sua serenidade entre os postes, demonstrando segurança sempre que a sua equipa se encontra em situações de aperto. Apesar de não ser muito alto nem robusto, é ágil e apresenta muita capacidade de leitura em saídas da baliza, calculando bem os timings nas abordagens a bolas altas e mais complicadas. O seu posicionamento também é uma mais-valia, permitindo invariavelmente defesas vistosas graças aos seus reflexos apurados (em bolas rápidas a poucos metros, o posicionamento do GR é crucial). Para além da categoria que apresenta a defender, também acrescenta a construir desde trás com os pés. Muito sóbrio a definir os passes e a calibrar distâncias (frequentemente coloca bolas nas costas da primeira pressão adversária), Jota Oliveira é um guarda-redes bastante fiável com a bola dominada, o que permite à sua equipa praticar um futebol apoiado desde praticamente a sua área. Comunicativo e de fácil concentração, comete poucos erros durante os 90’.
Para o Estoril Praia, trata-se de mais um jogador dos seus quadros em ascensão, numa equipa sub-23 recheada de qualidade (Serginho, Afonso Valente e Gilson à cabeça). Nesse sentido, não é de admirar o recente interesse, no verão passado, do Real Bétis em Jota (os clubes espanhóis parecem cada vez mais atentos aos guarda-redes nacionais, veja-se os casos de Rui Silva, Luís Maximiano ou Andorinha). A excelente gestão praticada pelo clube da Linha quer do plantel principal quer dos seus jovens, leva a que muitos deles mantenham a ambição e o foco nas suas capacidades para num futuro a curto/médio prazo possam dar a resposta desejada. João Oliveira parece ser um exemplo disso e, no futuro, a continuar a evoluir desta forma, poderá ter uma palavra a dizer como aposta ainda mais séria.
VM Scouting: Hugo Moura


4 Comentários
João Ribeiro
O Afonso Valente é um craque de todo o tamanho, assim como o Lucho Vega (emprestado ao Alcorcón), mas parece-me que corre sério risco de estagnar. São já 3 anos de Liga Revelação e, neste caso, há a questionar o empréstimo de Romário Baró que pouco tem contado (é certo que até está lesionado, mas não me parece que sirva de explicação porque antes disso somou apenas 46 minutos na Liga e 60′ para a Taça) e vem tapar o lugar a um jovem emergente e da casa.
Dos guarda-redes, conheço muito bem o Dani Figueira pelos anos que passou em Guimarães e acho que, apesar de ainda muito verde (dá casas praticamente jogo sim jogo não) tem caraterísticas que são muito apreciadas no futebol moderno, já que alia um bom jogo de pés e uns bons reflexos a uma presença notável na baliza. Mas, neste caso, duvido que atinja o nível que se espera dele porque vejo pouca evolução. É novo, mas já vai na 4ª época a titular a nível sénior (3 no Estoril e 1 no Vitória B) e a evolução em 4 anos não foi assim tão acentuada. Posso-me enganar, mas creio que não passará muito disto.
SalviaD
Plain and simple: é bom, muito bom mas não tem altura para o futebol moderno.
Amadeu Carrelo
Com 1,85m é baixo? Podendo estar a informação errada até 5 cm, vá, não me parece tão relevante. Pareceu-me sempre bastante confortável nas bolas altas e bastante destemido no controlo da profundidade. Não conhecia de todo e achei muito interessante! Parabéns pelo destaque, vou seguir com mais atenção
Meu nome é Toni Sylva
É levá-lo para um grande e depois ter toda a gente a dizer que é bom mas não chega para um grande.